{"id":20183,"date":"2015-12-07T11:56:23","date_gmt":"2015-12-07T11:56:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203839"},"modified":"2015-12-07T11:56:23","modified_gmt":"2015-12-07T11:56:23","slug":"jovens-africanos-e-a-seguranca-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/jovens-africanos-e-a-seguranca-alimentar\/","title":{"rendered":"Jovens africanos e a seguran\u00e7a alimentar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203840\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Africa.jpg\"><img class=\"wp-image-203840\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Africa.jpg\" alt=\"A seguran\u00e7a alimentar da \u00c1frica depende de m\u00faltiplos fatores, entre os quais alguns analistas ressaltam a participa\u00e7\u00e3o dos jovens na agricultura. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A seguran\u00e7a alimentar da \u00c1frica depende de m\u00faltiplos fatores, entre os quais alguns analistas ressaltam a participa\u00e7\u00e3o dos jovens na agricultura. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Lusaka, Z\u00e2mbia, 7\/12\/2015 \u2013 A agricultura permite alimentar mais de 1,1 bilh\u00e3o de africanos, mas os produtores j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o jovens, n\u00e3o t\u00eam os recursos necess\u00e1rios e nem est\u00e3o familiarizados com a tecnologia, o que faz temer pela capacidade dos agricultores familiares poderem continuar colocando comida na mesa. A menos que os jovens entre 14 e 24 anos se voltem \u00e0 agricultura, n\u00e3o importa o quanto seja o investimento econ\u00f4mico ou tecnol\u00f3gico, n\u00e3o se conseguir\u00e1 que a atividade garanta a seguran\u00e7a alimentar no continente, afirmam especialistas em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Beauty Manake, de Botsuana, levou isso a s\u00e9rio e aos 25 anos deixou seu emprego, passou a se dedicar \u00e0 agricultura familiar e atualmente administra duas fazendas, que diz serem o melhor investimento que poderia ter feito. \u201cA motiva\u00e7\u00e3o inicial foi fazer dinheiro rapidamente, mas agora minha paix\u00e3o por cuidar de uma planta desde a semente at\u00e9 obter o produto para vender superou minhas expectativas econ\u00f4micas\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cEnfrentei grande press\u00e3o por ser jovem, pois a \u00c1frica se caracteriza pelo envelhecimento dos agricultores, e precisei intensificar a atividade para n\u00e3o fracassar, pois est\u00e1 em risco a cesta de alimentos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Conseguir \u201cacabar com a fome, obter a seguran\u00e7a alimentar e melhor nutri\u00e7\u00e3o, e promover a agricultura sustent\u00e1vel\u201d \u00e9 o segundo dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), acordados pelos governantes dos pa\u00edses membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em setembro. Mas nada ser\u00e1 alcan\u00e7ado na \u00c1frica se n\u00e3o se melhorar a agricultura para que d\u00ea trabalho e atraia os jovens.<\/p>\n<p>A agricultura emprega mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o africana e \u00e9 respons\u00e1vel por uma grande parte do produto interno bruto (PIB) de muitos pa\u00edses do continente, al\u00e9m de alimentar comunidades inteiras. H\u00e1 estimativas indicando que os agricultores africanos t\u00eam em m\u00e9dia 60 anos, o que \u00e9 m\u00e1 not\u00edcia porque os produtores familiares, que trabalham mais de 80% das terras cultiv\u00e1veis, s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior parte da produ\u00e7\u00e3o do continente.<\/p>\n<p>Mas nem todos concordam que o problema da seguran\u00e7a alimentar na \u00c1frica esteja no envelhecimento dos agricultores ou no desinteresse dos jovens pela agricultura, como \u00e9 o caso de Jim Sumberg, pesquisador do Instituto de Estudos de Desenvolvimento, da Universidade de Sussex, da Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Sumbergi afirma em seu blog Future Agricultores que \u00e9 necess\u00e1ria uma an\u00e1lise mais profunda da situa\u00e7\u00e3o devido \u00e0 m\u00e1 qualidade das estat\u00edsticas oficiais, especialmente da informa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, bem como maior clareza sobre o que significa ser um agricultor. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria uma an\u00e1lise das tend\u00eancias e dos acontecimentos que marcaram a agricultura africana na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>\u201cMas, primeiro, e antes de tudo, se requer vis\u00e3o: que tipo de setor agroalimentar oferecer\u00e1 oportunidades profissionais aos jovens (e outros) de tal forma que permitam uma melhora real da renda e das capacidades, e, ao mesmo tempo, atenda assuntos de exclus\u00e3o e igualdade social\u201d?, perguntou.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do chamado pelo \u201crejuvenescimento\u201d da agricultura africana est\u00e1 a Alian\u00e7a para uma Revolu\u00e7\u00e3o Verde na \u00c1frica (Agra), em cujo F\u00f3rum sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Verde, realizado em setembro em Lusaka, capital de Z\u00e2mbia, se discutiu sobre a participa\u00e7\u00e3o de jovens e mulheres na atividade agr\u00edcola. \u201cOs jovens s\u00e3o uma oportunidade sem precedentes para enfrentar os desafios e as limita\u00e7\u00f5es que freiam as melhoras na produtividade da agricultura\u201d, diz a Agra no <em>Informe Sobre o Status da Agricultura Africana: Jovens na Agricultura da \u00c1frica Subsaariana<\/em>, que foi apresentado nesse encontro.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas p\u00e1ra a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) afirma que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos deve aumentar pelo menos 60% para poder alimentar bem os mais de nove bilh\u00f5es de pessoas que habitar\u00e3o o planeta at\u00e9 2050. Dados da FAO e do Banco Mundial indicam que a agricultura \u00e9 respons\u00e1vel pro US$ 2,4 trilh\u00f5es da economia mundial gra\u00e7as ao trabalho de um bilh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>A \u00c1frica goza do renovado interesse dos investidores por seus abundantes recursos naturais e minerais, e tem seis das economias de mais r\u00e1pido crescimento, mas tamb\u00e9m se urbaniza rapidamente. Quase 1,3 bilh\u00e3o de pessoas, igual \u00e0 atual popula\u00e7\u00e3o da China, viver\u00e3o nas cidades africanas nos pr\u00f3ximos 15 anos, segundo a ONU-Habitat.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola africana \u00e9 estimada em mais de US$ 280 bilh\u00f5es, e o setor representa mais de 30% do PIB, apresentando-se como uma oportunidade para atender o desemprego juvenil e a inseguran\u00e7a alimentar. A \u00c1frica tem quase 200 milh\u00f5es de pessoas entre 15 e 24 anos, o que a converte no continente mais jovem, segundo a Uni\u00e3o Africana, que tamb\u00e9m afirma que dez milh\u00f5es de jovens africanos ingressam anualmente no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Mas as oportunidades profissionais no setor agr\u00edcola diminuem por v\u00e1rios fatores, como o limitado acesso \u00e0 terra, ao cr\u00e9dito e a melhoras tecnol\u00f3gicas. Al\u00e9m disso, os jovens carecem de capacita\u00e7\u00e3o e conhecimentos b\u00e1sicos, e as normas sociais os excluem dos processo de decis\u00e3o, que fica nas m\u00e3os das gera\u00e7\u00f5es mais velhas.<\/p>\n<p>O documento <em>Tend\u00eancias Mundiais do Emprego Juvenil de 2013<\/em>, da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), mostra que o desemprego na \u00c1frica subsaariana superava o dos adultos. Os jovens t\u00eam o dobro de probabilidade de ficar sem trabalho, em rela\u00e7\u00e3o a um adulto. A \u00c1frica precisa solucionar o problema da perda de alimentos guardados ap\u00f3s a colheita e reduzir o desperd\u00edcio, que, segundo a FAO, representa um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos, aproximadamente 1,3 bilh\u00e3o de toneladas ou a produ\u00e7\u00e3o total da \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>A chave est\u00e1 em ter pol\u00edticas favor\u00e1veis \u00e0 agricultura, destacou a diretora executiva da Rede de An\u00e1lises de Pol\u00edticas sobre Recursos Naturais, Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FANRPAN), Lindiwe Majele Sibanda. \u201cA \u00c1frica necessita de pol\u00edticas baseadas na evid\u00eancia das pessoas mais afetadas, e o problema que temos agora pela frente s\u00e3o os jovens desempregados e que carecem de forma\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. Os jovens devem reclamar seu espa\u00e7o na agricultura e obrigar os governos a ouvi-los, porque sua participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 servida em bandeja de prata, ressaltou.<\/p>\n<p>Enquanto a \u00c1frica busca promover e, com sorte, implantar os novos ODS, os governantes poder\u00e3o criar um contexto favor\u00e1vel e acelerar o investimento no setor agr\u00edcola para que seja a semente do crescimento dos futuros produtores de alimentos do continente? Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash;&nbsp; Lusaka, Z&acirc;mbia, 7\/12\/2015 &ndash; A agricultura permite alimentar mais de 1,1 bilh&atilde;o de africanos, mas os produtores j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o jovens, n&atilde;o t&ecirc;m os recursos necess&aacute;rios e nem est&atilde;o familiarizados com a tecnologia, o que faz temer pela capacidade dos agricultores familiares poderem continuar colocando comida na mesa. 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