{"id":20202,"date":"2015-12-10T11:30:40","date_gmt":"2015-12-10T11:30:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203993"},"modified":"2015-12-10T11:30:40","modified_gmt":"2015-12-10T11:30:40","slug":"plano-contra-a-perda-de-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/plano-contra-a-perda-de-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Plano contra a perda de biodiversidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203994\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pakistan_-629x472-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-203994\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pakistan_-629x472-629x472.jpg\" alt=\"Zainab Samo, seu filho e sua filha plantam um limoeiro em sua propriedade na aldeia de Oan, no des\u00e9rtico distrito de Tharparkar, no sudeste do Paquist\u00e3o. Foto: Saleem Shaikh\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Zainab Samo, seu filho e sua filha plantam um limoeiro em sua propriedade na aldeia de Oan, no des\u00e9rtico distrito de Tharparkar, no sudeste do Paquist\u00e3o. Foto: Saleem Shaikh\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Saleem Shaikh e Sughra Tunio, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Islamabad, Paquist\u00e3o, 10\/12\/2015 \u2013 O Paquist\u00e3o adotou um plano de conserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade a fim de recuperar ecossistemas e promover o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais para o bem-estar das gera\u00e7\u00f5es presente e futuras. Esta \u00e9 uma boa not\u00edcia para os agricultores ZainbSamo e Aziz Hingorjo, que perderam sua rica terra de cultivo por causa da desertifica\u00e7\u00e3o generalizada no distrito deTharparkar, na prov\u00edncia de Sindh.<\/p>\n<p>\u201cA r\u00e1pida perda de \u00e1rvores e cobertura vegetal no nosso des\u00e9rtico distrito deTharparkar, com mais de 1,6 milh\u00e3o de habitantes, se converteu em uma das causas do avan\u00e7o do deserto\u201d, explicou Hingorjo. \u201cEssa sombria situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 obrigou muitas fam\u00edlias a emigrarem para \u00e1reas urbanas em busca de oportunidades de subsist\u00eancia e para onde podem encontrar abundante disponibilidade de \u00e1gua e forragem para seu gado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o do Plano de A\u00e7\u00e3o e Estrat\u00e9gia Nacional de Biodiversidade (NBSAP), no dia 6 de novembro, preparou o caminho para sua implanta\u00e7\u00e3o no come\u00e7o de 2016, segundo Raja NaeemAshraf, diretor de Biodiversidade do Minist\u00e9rio de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os objetivos principais desse plano s\u00e3o prote\u00e7\u00e3o do ambiente e da vida silvestre, conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais. O plano esbo\u00e7a medidas para abordar as causas subjacentes da perda de biodiversidade mediante a transversaliza\u00e7\u00e3o do tema no governo e na sociedade em geral. Al\u00e9m disso, inclui a forma de melhorar o estado da biodiversidade, protegendo os ecossistemas, as esp\u00e9cies e a diversidade gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m vemos como podemos utilizar o NBSAP para conseguir a seguran\u00e7a alimentar sustent\u00e1vel, enquanto dialogamos com todos os usu\u00e1rios dos recursos naturais para conseguir uma explora\u00e7\u00e3o duradoura dos recursos, que atenda as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gera\u00e7\u00f5es futuras de satisfazerem suas pr\u00f3prias necessidades\u201d, destacouAshraf \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O plano foi redigido pela dire\u00e7\u00e3o florestal do Minist\u00e9rio de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, em colabora\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) e especialistas em reflorestamento, \u00e1gua, ambiente e vida silvestre.<\/p>\n<p>Javed Ahmed, um dos autores do plano, explica que este foi preparado para cumprir as obriga\u00e7\u00f5es internacionais assumidas pelo pa\u00eds dentro do Conv\u00eanio sobre Diversidade Biol\u00f3gica (1992) e para conseguir as 20 Metas de Aichi para a Diversidade Biol\u00f3gica, acordadas durante a Confer\u00eancia das Partes do Conv\u00eanio realizada no Jap\u00e3o em 2010, quando foi adotado um Plano Estrat\u00e9gico para a Diversidade Biol\u00f3gica 2011-2020.<\/p>\n<p>Entre as 20 metas constam \u201creduzir pela metade, e a zero quando for poss\u00edvel,o ritmo de perda dos habitats naturais, inclu\u00eddas as florestas; fixar uma meta de conserva\u00e7\u00e3o de 17% das zonas de \u00e1guas terrestres e continentais e de 10% nas zonas marinhas e costeiras; e recupera\u00e7\u00e3o de pelo menos 15% das \u00e1reas degradadas\u201d, explicou Ahmed, especialista em biodiversidade da UICN.<\/p>\n<p>O controle da degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 dif\u00edcil por causa do limitado conhecimento a respeito das consequ\u00eancias da perda de biodiversidade e da insuficiente capacidade institucional para seu controle, pelo uso em grande escala de fertilizantes qu\u00edmicos na agricultura, uso insustent\u00e1vel dos recursos naturais e maci\u00e7o corte de \u00e1rvores, de acordo com SeeratAsghar, secret\u00e1rio federal de Seguran\u00e7a Alimentar e Pesquisa.<\/p>\n<p>Isso se traduziu em uma redu\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo, desmatamento e perda de produtividade dos cultivos e da biodiversidade, o que agrava gradualmente a pobreza e a fome, destacou Asghar.<\/p>\n<p>ZainabSamo e seu filho passam oito horas por dia em sua propriedade familiar de pouco mais de um hectare na localidade de Nagarparkar, onde cultivam cebola, tomate e pimenta, que bastam a esta vi\u00fava para manter a si e aos seus dois filhos. Suas terras de cultivo tamb\u00e9m t\u00eam mais de 250 \u00e1rvores aut\u00f3ctones, plantadas para combater a desertifica\u00e7\u00e3o e a inseguran\u00e7a alimentar na cidade \u00e1rida de quase meio milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Algumas das \u00e1rvores, como os limoeiros plantados h\u00e1 tr\u00eas anos, tamb\u00e9m lhe d\u00e3o uma fonte de renda.Samo foi uma das escolhidas para um projeto agroflorestal quinquenal, implantado em 2011 por uma organiza\u00e7\u00e3o de base comunit\u00e1ria, a BaanhBeli, com apoio financeiro da UICN. A agricultora recebeu assist\u00eancia financeira e t\u00e9cnica para o plantio das \u00e1rvores aut\u00f3ctones nos limites de suas terras de cultivo, detalhou \u00e0 IPS HanifSamo, coordenador da entidade.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 poucas semanas colhi 9.600 quilos de cebola, que me renderam 60 mil r\u00fapias paquistanesas (US$ 572). O custo total da planta\u00e7\u00e3o de cebola foi de 38 mil r\u00fapias paquistanesas (US$ 362)\u201d, contou a agricultora.<\/p>\n<p>A mesma filosofia impulsiona um projeto de pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel em Tharparkar, com apoio das organiza\u00e7\u00f5es Drynet, CatholicRelief Services e do Programa Mundial de Alimentos. O projeto, iniciado em 2003, instalou 35 pequenas propriedades-piloto agropecu\u00e1rias como parte do plano do distrito para combater o avan\u00e7o do deserto e conservar a biodiversidade.<\/p>\n<p>O pecuarista Hingorjo, de 43 anos, estava muito preocupado pelo esgotamento dos recursos naturais, como a \u00e1gua subterr\u00e2nea e a vegeta\u00e7\u00e3o. \u201cMas o apoio econ\u00f4mico, sob a forma da agricultura agropecu\u00e1ria, a ajuda na gest\u00e3o e no desenvolvimento de capacidades para um uso melhor e eficiente dos recursos da \u00e1gua para o gado e a agricultura, salvaram a mim e a minha fam\u00edlia de cairmos na armadilha da fome e da pobreza\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Agora Hingorjo tem 3.300 \u00e1rvores aut\u00f3ctones de diferentes esp\u00e9cies gra\u00e7as ao projeto. Seu estabelecimento pecu\u00e1rio de 2,5 hectares lhe proporciona forragem suficiente para suas 21 cabe\u00e7as de gado bovino. \u201cAs \u00e1rvores ajudaram a limitar a desertifica\u00e7\u00e3o ao estabilizar as dunas de areia m\u00f3veis nos arredores. Al\u00e9m disso, meu gado cresce sadio e se multiplica devido ao fornecimento cont\u00ednuo de forragem da fazenda\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No distrito tamb\u00e9m foram instalados 15 estabelecimentos agropecu\u00e1rios gra\u00e7as \u00e0 Sociedade para a Conserva\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o do Ambiente (Scope), com apoio da Drynet, cada um tendo no m\u00e1ximo de dois a tr\u00eas hectares. Essas propriedades combinam os cultivos alimentares, a agrosilvicultura e a pecu\u00e1ria, instaladas como unidades produtivas e de exposi\u00e7\u00e3o. Agricultores de diferentes partes das zonas \u00e1ridas do pa\u00eds as visitam para aprender t\u00e9cnicas de combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAproximadamente um quarto dos 180 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds \u00e9 pobre e depende diretamente dos recursos naturais para sua subsist\u00eancia, seja a agricultura, ca\u00e7a, silvicultura, pesca, etc.\u201d, afirmou TanveerArif, presidente da Scope.\u201cA pobreza, combinada com o r\u00e1pido aumento da popula\u00e7\u00e3o e a crescente urbaniza\u00e7\u00e3o, gera intensas press\u00f5es sobre a terra. O Paquist\u00e3o, como muitos outros lugares do mundo, sofre graves problemas de degrada\u00e7\u00e3o da terra e desertifica\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou Arif. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Saleem Shaikh e Sughra Tunio, da IPS &ndash;&nbsp; Islamabad, Paquist&atilde;o, 10\/12\/2015 &ndash; O Paquist&atilde;o adotou um plano de conserva&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade a fim de recuperar ecossistemas e promover o uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais para o bem-estar das gera&ccedil;&otilde;es presente e futuras. 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