{"id":20206,"date":"2015-12-11T13:15:38","date_gmt":"2015-12-11T13:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204056"},"modified":"2015-12-11T13:15:38","modified_gmt":"2015-12-11T13:15:38","slug":"nao-se-deve-morder-a-mao-que-alimenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/nao-se-deve-morder-a-mao-que-alimenta\/","title":{"rendered":"N\u00e3o se deve morder a m\u00e3o que alimenta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204057\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/COP-21-Evelyn-Nguleka-2_-629x472-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-204057\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/COP-21-Evelyn-Nguleka-2_-629x472-629x472.jpg\" alt=\"Evelyn Nguleka, presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Agricultores, defende a inclus\u00e3o da agricultura na COP 21. Foto: A. D. McKenzie\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Evelyn Nguleka, presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Agricultores, defende a inclus\u00e3o da agricultura na COP 21. Foto: A. D. McKenzie\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por D.McKenzie, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a, 11\/12\/2015 \u2013 Quando Evelyn Nguleka alerta que a popula\u00e7\u00e3o mundial n\u00e3o deve morder a m\u00e3o que lhe d\u00e1 de comer, acrescenta que n\u00e3o se refere apenas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos agricultores, mas tamb\u00e9m \u00e0 do ambiente. \u201cA terra nos alimenta e os agricultores se encarregam de alimentar o mundo. Temos que proteger ambos\u201d, afirmou a presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Agricultores (OMA) e da Uni\u00e3o Nacional de Agricultores de Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o somos apenas parte do problema, mas tamb\u00e9m somos parte da solu\u00e7\u00e3o, e isso \u00e9 crucial\u201d, destacou Nguleka em uma mesa-redonda de alto n\u00edvel realizada no dia 9, durante a 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), que termina hoje em Paris.\u201cA exclus\u00e3o da agricultura no passado foi um erro\u201d, afirmou no debate A Agricultura no Terreno Posterior a Kioto, organizado pela OMA em associa\u00e7\u00e3o com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal.<\/p>\n<p>Embora a COP 21 termine hoje, os pa\u00edses ainda discordam sobre se a aten\u00e7\u00e3o deve se centrar na mitiga\u00e7\u00e3o (principalmente pela redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, da gest\u00e3o do solo e do aumento da produtividade) ou na adapta\u00e7\u00e3o.Algumas organiza\u00e7\u00f5es do Sul em desenvolvimento argumentam que os agricultores dessas regi\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior parte das emiss\u00f5es de gases-estufa que provocam o aquecimento global e, no entanto, sofrem a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, assim, necessitam de apoio nas estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a agricultura emite de forma direta 13,5% dos gases-estufa no mundo, com o metano liberado na digest\u00e3o animal e o \u00f3xido nitroso das terras cultivadas, e indiretamente outros 17% pelo desmatamento ou no uso de terras para a pecu\u00e1ria.As grandes empresas agroindustriais tamb\u00e9m s\u00e3o acusadas de pr\u00e1ticas insustent\u00e1veis, como plantio de monoculturas e uso generalizado de pesticidas e horm\u00f4nios. Mas os ativistas da sociedade civil argumentam que se deve distinguir claramente entre as transnacionais e os pequenos produtores.<\/p>\n<p>\u201cPara os pa\u00edses africanos, que j\u00e1 sentem as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica em sua agricultura e suas economias, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 claramente uma prioridade\u201d, afirmou Teresa Anderson, respons\u00e1vel por pol\u00edticas clim\u00e1ticas e resili\u00eancia da ActionAid, que trabalha com comunidades de pequenos agricultores em todo o mundo.\u201cPrecisam de apoio com urg\u00eancia para lidar com as consequ\u00eancias de um problema que eles n\u00e3o criaram. Na realidade, isso se reduz a garantir suficiente apoio financeiro para que possam enfrentar a adapta\u00e7\u00e3o, e o reconhecimento de que quanto maior for a temperatura do planeta mais adapta\u00e7\u00e3o e apoio necessitar\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr\u00edcola (Fida) indicam que esses agricultores \u201chabitam algumas das paisagens mais vulner\u00e1veis e marginais e frequentemente s\u00e3o ignorados nos debates sobre pol\u00edticas internacionais e nacionais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d. O Fida trabalha para aumentar a resili\u00eancia clim\u00e1tica de at\u00e9 oito milh\u00f5es de pequenos agricultores afundados na pobreza.<\/p>\n<p>Para a OMA, tanto a adapta\u00e7\u00e3o quanto a mitiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes, porque \u201cos agricultores est\u00e3o todos sob um mesmo teto\u201d e precisam encontrar solu\u00e7\u00f5es em conjunto para lutar contra o aquecimento do planeta.No debate do dia 9,Ngulekaapontou que a agricultura e a seguran\u00e7a alimentar devem ser \u201cparte\u201d de qualquer acordo, porque os agricultores, principalmente em regi\u00f5es como \u00c1frica e \u00c1sia, est\u00e3o na primeira linha da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cNecessitamos de bons solos e bom ar, para sermos capazes de fazer o que fazemos. Sem a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente n\u00e3o existe agricultura. Temos que ser parte da equa\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltouNguleka.A presidente da OMA alertou que, quando as pessoas n\u00e3o puderem se alimentar por sua conta,\u201cse dirigir\u00e3o para o norte\u201d, e os pa\u00edses industrializados ent\u00e3o precisar\u00e3o lidar com mais imigra\u00e7\u00e3o e um auge de popula\u00e7\u00e3o. \u201cA tecnologia deve chegar \u00e0s bases para que as pessoas possam sobreviver onde est\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tim Groser, ministro de Com\u00e9rcio e Assuntos de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da Nova Zel\u00e2ndia e um dos participantes do debate, disse quesua aten\u00e7\u00e3o se centra na mitiga\u00e7\u00e3o e que esta quest\u00e3o n\u00e3o pode \u201cser varrida para debaixo do tapete\u201d. A pecu\u00e1ria representa cerca de metade de todas as emiss\u00f5es de gases-estufa na Nova Zel\u00e2ndia, afirmou. Segundo especialistas, a maior parte \u00e9 metano emitido pelo gado, e a propor\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 cerca de seis vezes superior \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses do Norte, que \u00e9 de 7,5%.<\/p>\n<p>Com esse cen\u00e1rio, a Nova Zel\u00e2ndia est\u00e1 em busca de solu\u00e7\u00f5es, reconheceu Groser, mas acrescentou que o \u201cvegetarianismo\u201d n\u00e3o \u00e9 uma resposta. Em sua opini\u00e3o, a seguran\u00e7a alimentar \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, sobretudo porque se prev\u00ea que a popula\u00e7\u00e3o mundial aumentar\u00e1 para nove bilh\u00f5es de habitantes at\u00e9 2040.Alguns grupos da sociedade civil defendem comer menos carne e produtos l\u00e1cteos, j\u00e1 que v\u00e1rios estudos indicam que a ado\u00e7\u00e3o de uma dieta vegetariana pode ajudar a reduzir as emiss\u00f5es de metano e outros gases causadores do efeito estufa.<\/p>\n<p>Mas Bernard Vallat, diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal, assegura que,\u201cse for administrada adequadamente\u201d, a pecu\u00e1ria pode ter um \u201cpapel decisivo\u201d na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, j\u00e1 que os res\u00edduos org\u00e2nicos dos animais poderiam ser empregados para gerar energia renov\u00e1vel, como o biog\u00e1s. \u201cDevemos assegurar um enfoque coletivo e interdisciplinar para a sustentabilidade\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>O ex-primeiro-ministro italiano Enrico Letta, agora decano do Instituto de Estudos Pol\u00edticos de Paris, afirmou que a educa\u00e7\u00e3o das pessoas sobre os problemas e as solu\u00e7\u00f5es relacionados com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 \u201ca atividade mais importante no longo prazo\u201d. Letta disse \u00e0 IPS que a COP 21 \u00e9 particularmente importante para os agricultores, porque esta \u00e9 a primeira vez que os assuntos agr\u00edcolas est\u00e3o \u201cno centro\u201d da discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um \u00eaxito n\u00e3o s\u00f3 para a agricultura mas tamb\u00e9m para todo o tema da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, j\u00e1 que, sem a participa\u00e7\u00e3o de todos os aspectos agr\u00edcolas, \u00e9 imposs\u00edvel encontrar solu\u00e7\u00f5es de longo prazo\u201d, afirmou Letta, acrescentando que os agricultores t\u00eam que ser parte da solu\u00e7\u00e3o porque \u201c\u00e9 pelo seu pr\u00f3prio bem\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por D.McKenzie, da IPS &ndash;&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a, 11\/12\/2015 &ndash; Quando Evelyn Nguleka alerta que a popula&ccedil;&atilde;o mundial n&atilde;o deve morder a m&atilde;o que lhe d&aacute; de comer, acrescenta que n&atilde;o se refere apenas &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos agricultores, mas tamb&eacute;m &agrave; do ambiente. &ldquo;A terra nos alimenta e os agricultores se encarregam de alimentar o mundo. 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