{"id":20212,"date":"2015-12-14T12:46:53","date_gmt":"2015-12-14T12:46:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204156"},"modified":"2015-12-14T12:46:53","modified_gmt":"2015-12-14T12:46:53","slug":"o-impossivel-foi-possivel-na-cop-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/o-impossivel-foi-possivel-na-cop-21\/","title":{"rendered":"O imposs\u00edvel foi poss\u00edvel na COP 21"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204158\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/paris_agreement_adopted_1_758-001-629x265.jpg\"><img class=\"wp-image-204158\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/paris_agreement_adopted_1_758-001-629x265.jpg\" alt=\"O presidente da COP 21, Laurent Fabius (centro), e outros l\u00edderes da c\u00fapula de Paris aplaudem e fazem sinais de vit\u00f3ria pelo hist\u00f3rico acordo universal e vinculante para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: CMNUCC\" width=\"340\" height=\"143\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O presidente da COP 21, Laurent Fabius (centro), e outros l\u00edderes da c\u00fapula de Paris aplaudem e fazem sinais de vit\u00f3ria pelo hist\u00f3rico acordo universal e vinculante para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: CMNUCC<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a 14\/12\/2015 \u2013 O imposs\u00edvel foi poss\u00edvel. Governos de 195 pa\u00edses fizeram hist\u00f3ria ao assinarem no dia 12, em Paris o primeiro acordo universal e vinculante para mitigar as emiss\u00f5es de gases-estufa e adaptar-se aos efeitos negativos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no mundo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 14 dias de intensas negocia\u00e7\u00f5es dentro da 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), diplomatas e ministros, alguns emocionados at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas, aplaudiram o chamado Acordo de Paris, como o encerramento de um longo processo de quatro anos e com muitas paradas por todo o mundo.<\/p>\n<p>Um processo alinhavado pela diplomacia francesa conseguiu evitar um destino como o do falido acordo clim\u00e1tico de 2009, a \u00faltima tentativa para conseguir um acordo clim\u00e1tico global, e entregou um robusto tratado que inclui elementos que v\u00e3o desde o respeito aos direitos humanos e \u00e0 integridade dos ecossistemas at\u00e9 \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cTenho a profunda convic\u00e7\u00e3o de que conseguiremos um acordo ambicioso e balanceado. Hoje \u00e9 o momento da verdade\u201d, disse o ministro de Assuntos Exteriores da Fran\u00e7a, Laurent Fabius, que presidiu a c\u00fapula de duas semanas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quase tr\u00eas horas de espera no plen\u00e1rio e uma discuss\u00e3o sobre o emprego de um verbo em um artigo crucial do acordo (\u201cdever\u00e1\u201d em lugar de \u201cdeveria\u201d), Fabius p\u00f4de convocar os delegados aos seus lugares e segurar o documento para referendar as decis\u00f5es da COP 21. \u201c\u00c9 um volume pequeno, mas creio que pode fazer um grande trabalho\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Se os pa\u00edses que oassinaramo ratificarem, este ser\u00e1 o primeiro acordo universal e vinculante que obrigar\u00e1 cada na\u00e7\u00e3o a realizar a\u00e7\u00f5es diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e suceder\u00e1 o fracassado Protocolo de Kyoto, um tratado obsoleto que nunca conseguiu atender as expectativas e que s\u00f3 obrigava os pa\u00edses industrializados a reduzirem as emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O acordo surgido em Paris conseguiu encontrar um ponto m\u00e9dio que foi aceito por todos os grupos nas complexas negocia\u00e7\u00f5es da CMNUCC, desde o bloco de pequenos Estados insulares at\u00e9 a alian\u00e7a de na\u00e7\u00f5es industrializadas.<\/p>\n<p>\u201cO texto n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas \u00e9 um bom ponto de partida para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\u201d, pontuou a ministra sul-africana de \u00c1gua e Assuntos Ambientais, Edna Molewa, ap\u00f3s a ova\u00e7\u00e3o registrada depois de o texto ser aprovado. \u201cEste \u00e9 o primeiro passo de um longo caminho\u201d acrescentou a ministra, a primeira a falar entre os que tomaram a palavra no plen\u00e1rio final.<\/p>\n<p>A maioria dos delegados que fizeram uso da palavra durante a noite do dia 12 recordaram a necessidade de continuar a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e conseguir a implanta\u00e7\u00e3o do acordo nos pr\u00f3ximos anos, especialmente na c\u00fapula clim\u00e1tica de 2016, que acontecer\u00e1 em Marrakesh, no Marrocos.<\/p>\n<p>Por meio desse acordo o mundo concordou em limitar o aumento da temperatura global \u201cbem abaixo dos dois graus Celsius e em busca de 1,5 grau\u201d, um objetivo que pode salvar muitos dos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis do mundo, especialmente as ilhas do Pac\u00edfico, do \u00cdndico e do Caribe.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estabelece um fundo de US$ 100 bilh\u00f5es por ano ap\u00f3s 2020, formaliza um mecanismo estabelecido h\u00e1 dois anos para reembolsar danos causados pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica e define um objetivo de longo prazo, que foi determinado como balan\u00e7o entre as emiss\u00f5es e as capturas de gases-estufa entre 2050 e 2100.<\/p>\n<p>O consenso chegoudepois de duas semanas de negocia\u00e7\u00f5es sem descanso, no Centro de Confer\u00eancias em Le Bourget, na periferia de Paris, desenhadas ao longo das chamadas Conversas Clim\u00e1ticas de Paris, que come\u00e7aram em 2011 seu caminho at\u00e9 o acordo alcan\u00e7ado no dia 12.<\/p>\n<p>\u201cApesar da diversidade e diverg\u00eancia, encontramos terreno comum\u201d, destacou em um comunicado Emmanuel M. de Guzm\u00e1n, comiss\u00e1rio de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e chefe da delega\u00e7\u00e3o das Filipinas. \u201cNos demos 1,5 grau para sobrevivermos e irmos al\u00e9m. Agora cabe a n\u00f3s levar essa vis\u00e3o \u00e0 realidade, por meio de a\u00e7\u00f5es nacionais e da coopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma vez mais, as Filipinas foram uma das vozes l\u00edderes durante as negocia\u00e7\u00f5es, desta vez por interm\u00e9dio do F\u00f3rum de Vulnerabilidade Clim\u00e1tica, autodefinido como um \u201cgrupo de lideran\u00e7a\u201d de 33 pa\u00edses que participou das negocia\u00e7\u00f5es e pressionou fortemente em temas como a meta de 1,5 grau.<\/p>\n<p>\u201cAgora, como uma fam\u00edlia de na\u00e7\u00f5es (como irm\u00e3os e irm\u00e3s de um mundo) podemos nos mover para frente com ambi\u00e7\u00e3o, com a esperan\u00e7a de vencer essa luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Podemos ser vulner\u00e1veis, mas tamb\u00e9m somos capazes de trabalhar juntos\u201d, ressaltou Guzm\u00e1n.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia 12,Fabius apresentou aos pa\u00edses o que considerava ser um ponto m\u00e9dio do acordo, o quinto rascunho em apenas dois meses, e que foi a vers\u00e3o assinadaquando j\u00e1 era noite, um dia ap\u00f3s a data prevista para o encerramento da Confer\u00eancia. Este acordo foi reconhecido como um resultado positivo pela maioria dos observadores da sociedade civil, e um sinal da crescente transi\u00e7\u00e3o do modelo do s\u00e9culo 20, baseado em combust\u00edveis f\u00f3sseis, para uma economia baseada em energia renov\u00e1vel e verde.<\/p>\n<p>\u201cA meta de temperatura do acordo, o objetivo de zero emiss\u00e3o e o processo de aumentar paulatinamente a ambi\u00e7\u00e3o dos compromissos nacionais de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es enviam uma clara mensagem \u00e0 ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis: ap\u00f3s d\u00e9cadas de negocia\u00e7\u00e3o e engano, seus esfor\u00e7os para bloquear a negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o resultado\u201d, apontou em um comunicado Alden Meyer, diretor de Pol\u00edticas e Estrat\u00e9gia da Uni\u00e3o de Cientistas Preocupados.<\/p>\n<p>Muitos ativistas e inclusive o secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disseram esperar que esse acordo e sua aprova\u00e7\u00e3o final envie um forte sinal ao setor privado e aos mercados que trabalham no setor energ\u00e9tico para deixar os combust\u00edveis f\u00f3sseis e investir em energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Outra grande vit\u00f3ria da sociedade civil e de l\u00edderes internacionais, como a ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, foi a inclus\u00e3o dos direitos humanos e do tema de g\u00eanero como um elemento fundamental no acordo.Ap\u00f3s receber as reservas de pa\u00edses \u00e1rabes, como a Ar\u00e1bia Saudita, e de na\u00e7\u00f5es industrializadas, como os Estados Unidos e a Noruega, o apoio dos principais atores do Sul em desenvolvimento, como M\u00e9xico, Filipinas e algumas economias emergentes da Am\u00e9rica Latina, foi fundamental para manter esse elemento no acordo.<\/p>\n<p>Ainda assim, os especialistas foram claros ao reconhecer que esse \u00e9 apenas um passo na urgente transi\u00e7\u00e3o para economias mais limpas e resilientes.\u201cTodos os pa\u00edses concordaram em deixar para tr\u00e1s os combust\u00edveis f\u00f3sseis, mas n\u00e3o conseguiram seguir plenamente por esse caminho. Por essa raz\u00e3o, o trabalho duro deve continuar depois da c\u00fapula\u201d, enfatizou Wendel Trio, diretor da Rede de A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica Europa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a 14\/12\/2015 &ndash; O imposs&iacute;vel foi poss&iacute;vel. Governos de 195 pa&iacute;ses fizeram hist&oacute;ria ao assinarem no dia 12, em Paris o primeiro acordo universal e vinculante para mitigar as emiss&otilde;es de gases-estufa e adaptar-se aos efeitos negativos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica no mundo. Ap&oacute;s 14 dias de intensas negocia&ccedil;&otilde;es [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/o-impossivel-foi-possivel-na-cop-21\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2763,2781,2458,2782],"class_list":["post-20212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-cop21","tag-featured","tag-inter-press-service","tag-news2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20212"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20213,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20212\/revisions\/20213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}