{"id":20227,"date":"2015-12-16T13:00:50","date_gmt":"2015-12-16T13:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204355"},"modified":"2015-12-16T13:00:50","modified_gmt":"2015-12-16T13:00:50","slug":"mudanca-climatica-na-propria-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/mudanca-climatica-na-propria-carne\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica na pr\u00f3pria carne"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204356\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/COP21interna.jpg\"><img class=\"wp-image-204356\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/COP21interna.jpg\" alt=\"A COP 21, organizada e presidida pela Fran\u00e7a, se moveu rapidamente sob press\u00e3o do governo anfitri\u00e3o, com o objetivo de acordar um tratado clim\u00e1tico universal, o chamado Acordo de Paris. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A COP 21, organizada e presidida pela Fran\u00e7a, se moveu rapidamente sob press\u00e3o do governo anfitri\u00e3o, com o objetivo de acordar um tratado clim\u00e1tico universal, o chamado Acordo de Paris. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por Sohara Mehroze Shachi, Domoina Ratovozanany, Dizzane Billy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a, 16\/12\/2015 \u2013 O v\u00ednculo entre mulheres e mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um assunto transversal que merece maior reconhecimento, pois \u00e9 onipresente e afeta diferentes setores, desde a sa\u00fade e a agricultura, at\u00e9 o saneamento e a educa\u00e7\u00e3o. Nos pa\u00edses em desenvolvimento, as mulheres s\u00e3o testemunhas da liga\u00e7\u00e3o entre aquecimento global e quest\u00f5es de g\u00eanero na pr\u00f3pria carne. Frequentemente sua sobreviv\u00eancia depende muito da terra e dos recursos h\u00eddricos, o que as deixa em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 apenas um assunto ambiental, mas de justi\u00e7a social, igualdade e direitos humanos, todos assuntos vinculados com quest\u00f5es de g\u00eanero. A perspectiva feminina deveria ser integrada totalmente ao Acordo de Paris, surgido da COP 21, especialmente o empoderamento das mulheres, al\u00e9m de prever uma resposta e outras quest\u00f5es de g\u00eanero, como a vulnerabilidade das mulheres rurais.<\/p>\n<p>A 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC) aconteceu entre 30 de novembro e 12 deste m\u00eas na capital francesa. Nas etapas de prepara\u00e7\u00e3o do rascunho, as quest\u00f5es de g\u00eanero foram tratadas como um elemento acess\u00f3rio que poderia ser retirado, e quase todas as partes as ignoraram e se equivocaram.<\/p>\n<p>\u00c1sia, Caribe e \u00c1frica s\u00e3o tr\u00eas das regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica e, embora sejam respons\u00e1veis por uma pequena parte do aquecimento global, as mulheres sofrem a pior parte de suas severas consequ\u00eancias.Milh\u00f5es de pessoas na \u00c1sia s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis ao fen\u00f4meno, especialmente as mulheres, devido aos pap\u00e9is tradicionais de g\u00eanero. Em muitas \u00e1reas rurais sua mobilidade \u00e9 bastante limitada, pois n\u00e3o se v\u00ea com bons olhos que trabalhem fora de casa.<\/p>\n<p>Enquanto os homens das regi\u00f5es afetadas pela variabilidade clim\u00e1tica costumem emigrar para cidades ou outras regi\u00f5es menos vulner\u00e1veis em busca de trabalho, as mulheres ficam para cuidar da casa e dos filhos comuns. Essa reclus\u00e3o se traduz em depend\u00eancia econ\u00f4mica e falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como alertas, o que contribui para sua enorme vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Nesse continente, as mulheres costumam cuidar de atividades mais sens\u00edveis ao clima, como coletar \u00e1gua e preparar a refei\u00e7\u00e3o, o que eleva sua vulnerabilidade. Pesquisas do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) conclu\u00edram que mulheres e meninas s\u00e3o as encarregadas de ir buscar \u00e1gua, e para isso t\u00eam que percorrer longas dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Com a crescente frequ\u00eancia e intensidade das inunda\u00e7\u00f5es, \u00e9 comum as mulheres terem que atravessar terrenos alagados em busca de \u00e1gua para beber e preparar os alimentos, o que as exp\u00f5e a riscos, desde se afogar, passando por mordidas de cobras, at\u00e9 doen\u00e7as da pele.<\/p>\n<p>Na outra metade do mundo, as mulheres sofrem situa\u00e7\u00f5es semelhantes. No Caribe, muitas fam\u00edlias s\u00e3o principalmente matriarcais, e s\u00e3o elas as que mais necessidades t\u00eam de medidas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelas tarefas de cuidar das pessoas da fam\u00edlia e sofrem o impacto da inseguran\u00e7a alimentar e escassez de \u00e1gua. As mulheres rurais s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis, em especial as pequenas produtoras, as agricultoras marginalizadas e as trabalhadoras rurais.<\/p>\n<p>Independente de a escassez de \u00e1gua e alimentos ser causada pelo aumento do n\u00famero e da intensidade dos furac\u00f5es ou da seca, as possibilidades de levar adiante uma vida decente n\u00e3o s\u00e3o altas nem melhoram. Compreender essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para o bom desenho e a execu\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA agricultura necessita de maior visibilidade nas negocia\u00e7\u00f5es\u201d, opinou a presidente da Rede de Produtoras Rurais da Jamaica, Mildred Crawford. \u201cAs mulheres t\u00eam um papel na cadeia alimentar e s\u00e3o necess\u00e1rios fundos para ajudar os pequenos agricultores a mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e se adaptar. Os grupos de mulheres j\u00e1 est\u00e3o organizados, por isso os incentivos podem servir para controlar o desperd\u00edcio de carv\u00e3o em suas comunidades\u201d, acrescentou.O Caribe atravessa sua pior seca dos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Segundo Mary Robinson, ex-primeira-ministra da Irlanda, que tamb\u00e9m foi alta comiss\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, o rascunho do Acordo de Paris deveria ter se concentrado em quest\u00f5es de g\u00eanero para garantir \u00e0s mulheres o acesso a fundos parao clima, tecnologias renov\u00e1veis e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, as campanhas clim\u00e1ticas n\u00e3o devem se concentrar apenas na redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, no com\u00e9rcio de carbono e na transfer\u00eancia de tecnologia, mas devem procurar ir mais longe. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m devem considerar que a maior parte dos agricultores nos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 de mulheres, e a adapta\u00e7\u00e3o as envolve especialmente. Os assuntos de g\u00eanero s\u00e3o transversais, n\u00e3o s\u00e3o usados por conveni\u00eancia.<\/p>\n<p>As mulheres dos pa\u00edses em desenvolvimento devem estar empoderadas para desempenhar pap\u00e9is mais significativos na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, pois t\u00eam muito a perder.<\/p>\n<p>Kalyani Raj integrante respons\u00e1vel da Confer\u00eancia de Mulheres Toda \u00cdndia, argumentou que \u00e9 crucial dar voz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o feminina mais vulner\u00e1vel e inclu\u00ed-la no planejamento de pol\u00edticas. \u201cMuitas mulheres desenvolveram enfoques de adapta\u00e7\u00e3o em escala muito pequena, conhecimentos tradicionais e solu\u00e7\u00f5es das comunidades ind\u00edgenas que n\u00e3o se amplificam. As pol\u00edticas devem se concentrar em ampliar isso, em lugar de propor medidas uniformes para adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero se relaciona principalmente com a agricultura, a seguran\u00e7a alimentar e os desastres naturais. Segundo o Informe Econ\u00f4mico de 2011 do Banco de Desenvolvimento Africano (BDA), as mulheres representam 40% ou mais dos trabalhadores do setor agr\u00edcola em 46 dos 53 pa\u00edses do continente. Esse setor da economia \u00e9 considerado vulner\u00e1vel em geral, porque n\u00e3o inclui empregos formais com contratos e renda seguros.<\/p>\n<p>\u201cOs pobres s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis aos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e a maioria dos 1,5 bilh\u00e3o de pessoas que vivem com um d\u00f3lar ou menos por dia \u00e9 de mulheres\u201d, segundo o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Al\u00e9m disso, em um estudo com 141 pa\u00edses, se concluiu que, entre 1981 e 2002, o indicativo de g\u00eanero nas pessoas falecidas em desastres naturais esteve diretamente vinculado aos direitos econ\u00f4micos e sociais das mulheres. Nesses casos, nas sociedades que s\u00e3o menos equitativas, morrem mais mulheres do que homens.<\/p>\n<p>A reclama\u00e7\u00e3o das mulheres rurais \u00e9 uma realidade que devemos enfrentar. Mas devemos reconhecer que n\u00e3o s\u00e3o apenas v\u00edtimas, mas poderosos agentes de mudan\u00e7a. A popula\u00e7\u00e3o feminina deve estar inclu\u00edda nos processos de decis\u00e3o, para que contribuam com sua experi\u00eancia e seus conhecimentos \u00fanicos, pois toda interven\u00e7\u00e3o vinculada \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica que exclua sua perspectiva, bem como qualquer pol\u00edtica que omita as quest\u00f5es de g\u00eanero, est\u00e1 destinada ao fracasso. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sohara Mehroze Shachi, Domoina Ratovozanany, Dizzane Billy, da IPS &ndash;&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a, 16\/12\/2015 &ndash; O v&iacute;nculo entre mulheres e mudan&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; um assunto transversal que merece maior reconhecimento, pois &eacute; onipresente e afeta diferentes setores, desde a sa&uacute;de e a agricultura, at&eacute; o saneamento e a educa&ccedil;&atilde;o. 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