{"id":20237,"date":"2015-12-18T12:47:05","date_gmt":"2015-12-18T12:47:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204472"},"modified":"2015-12-18T12:47:05","modified_gmt":"2015-12-18T12:47:05","slug":"a-pergunta-que-todos-deveriam-se-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/a-pergunta-que-todos-deveriam-se-fazer\/","title":{"rendered":"A pergunta que todos deveriam se fazer"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204473\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Luis-Martinez.jpg\"><img class=\"wp-image-204473\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Luis-Martinez.jpg\" alt=\"Luis Mart\u00ednez, representante da Coordenadoria Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Com\u00e9rcio Justo (Clac), fala por meio de uma int\u00e9rprete na COP 21. Foto: A. D. McKenzie\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Luis Mart\u00ednez, representante da Coordenadoria Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Com\u00e9rcio Justo (Clac), fala por meio de uma int\u00e9rprete na COP 21. Foto: A. D. McKenzie<\/p><\/div>\n<p><em>Por D. McKenzie, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a 18\/12\/2015 \u2013 No come\u00e7o da temporada de festas, alguns agricultores afirmam que os consumidores deveriam se perguntar de onde vem sua comida e quem a produz, especialmente ap\u00f3s o hist\u00f3rico acordo sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica alcan\u00e7ado na 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC),realizada entre 30 de novembro e 12 deste m\u00eas, em Paris.<\/p>\n<p>O mexicano Luis Mart\u00ednez, representante da Coordenadoria Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Com\u00e9rcio Justo (Clac), foi um dos agricultores presentesna COP 21.\u201cOs consumidores devem pensar o que h\u00e1 por tr\u00e1s da x\u00edcara de caf\u00e9&#8230; de chocolate&#8230; o pre\u00e7o que se paga \u00e9 suficiente para o produtor?\u201d, observou. \u201c\u00c9 preciso um processo de sensibiliza\u00e7\u00e3o.Os consumidores t\u00eam muito a dizer, porque as decis\u00f5es que tomam influem na sociedade e, quando compram um produto, d\u00e3o valor ao mesmo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mart\u00ednez e um grupo de diversas associa\u00e7\u00f5es de agricultores participaram da COP 21 para garantir que os respons\u00e1veis pol\u00edticos ouvissem suas vozes. Apelaram \u00e0 a\u00e7\u00e3o para que os produtores agr\u00edcolas recebam ajuda para se adaptar aos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e reduzir as emiss\u00f5es de gases-estufa do setor.<\/p>\n<p>Os delegados relataram como muitos agricultores tiveram que abandonar suas terras e ir para \u00e1reas urbanas por causa das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas que prejudicaram seus cultivos. Tamb\u00e9m chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a propaga\u00e7\u00e3o de pragas, como a ferrugem do caf\u00e9, que fez diminuir a produtividade em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p>Em Paris, os produtores agr\u00edcolas tamb\u00e9m reconheceram que seu setor \u00e9 parte do problema da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas muitos destacaram que \u00e9 preciso diferenciar entre as grandes empresas agropecu\u00e1rias e os pequenos agricultores.Em geral, o setor agr\u00edcola \u00e9 criticado por suas pr\u00e1ticas insustent\u00e1veis, como o cultivo de monoculturas, o desmatamento, o uso da terra para produzir biocombust\u00edveis e o uso generalizado de fertilizantes qu\u00edmicos, pesticidas e horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o agroneg\u00f3cio emite de forma direta 13,5% dos gases-estufa do mundo, devido ao metano liberado pela digest\u00e3odos animais e do \u00f3xido nitroso das terras cultivadas, inclu\u00eddo o uso de fertilizantes sint\u00e9ticos, e indiretamente mais 17% pelo desmatamento ou limpeza de terras para a pecu\u00e1ria.Portanto, o setor n\u00e3o pode ser ignorado, e o Acordo de Paris reconhece as \u201cvulnerabilidades particulares dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d diante dos efeitos adversos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O texto menciona a \u201cprioridade fundamental de salvaguardar a seguran\u00e7a alimentar e a erradica\u00e7\u00e3o da fome\u201d, e diz que a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases-estufa deve ocorrer de uma maneira que n\u00e3o \u201cameace a produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d.O principal objetivo do acordo \u00e9 manter, neste s\u00e9culo, o aumento da temperatura m\u00e9dia da Terra abaixo dos dois graus Celsius e limitar ainda mais esse aumento a 1,5 grau acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Por\u00e9m, o texto negociado gerou elogios e cr\u00edticas por igual.<\/p>\n<p>Alguns dirigentes mundiais qualificaram o acordo de \u201chist\u00f3rico\u201d e \u201cs\u00f3lido\u201d, enquanto grupos da sociedade civil afirmam que n\u00e3o \u00e9 suficiente, embora esteja na dire\u00e7\u00e3o correta. \u201cO Acordo de Paris \u00e9 s\u00f3 um passo de um longo caminho, e h\u00e1 partes dele que frustram e decepcionam, mas \u00e9 um avan\u00e7o. Este acordo por si s\u00f3 n\u00e3o vai nos tirar do po\u00e7o em que estamos, mas faz com que as ladeiras sejam menos inclinadas\u201d, opinou Kumi Naidoo, diretor executivo da organiza\u00e7\u00e3o Greenpeace.<\/p>\n<p>Para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Agricultores (OMA), o acordo demonstra que foram ouvidas as vozes dos agricultores, embora \u201cnem todos possam ficar plenamente satisfeitos\u201d, afirmou seu secret\u00e1rio-geral, Marco Marzano. \u201cNos agradaria muito se o texto mencionasse mais a agricultura nos diferentes par\u00e1grafos do documento aprovado. Mas a seguran\u00e7a alimentar e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e3o ali\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Marzano, \u00e9 essencial que os governos levem em conta a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o de alimentos junto com a necessidade de combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cSemcomida, n\u00e3o h\u00e1 estabilidade social\u201d, ressaltou. Como outras organiza\u00e7\u00f5es, a OMA analisa as estrat\u00e9gias futuras, mas alguns produtores j\u00e1 modificaram suas pr\u00e1ticas atuais.<\/p>\n<p>Jonjon Sarmiento, agricultor filipino e representante da Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores da \u00c1sia, disse \u00e0 IPS que o agroneg\u00f3cio deve \u201ctrabalhar mais duro\u201d no desenvolvimento de m\u00e9todos ecol\u00f3gicos e sustent\u00e1veis. \u201cTemos duas op\u00e7\u00f5es: podemos continuar com a agricultura qu\u00edmica insustent\u00e1vel ou passar para a agroecol\u00f3gica\u201d, acrescentou, se referindo \u00e0s pr\u00e1ticas centradas na sustentabilidade, produtividade e estabilidade, e que incluem a agricultura org\u00e2nica e diversificada.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como a ActionAid destacam o que asseguram ser os benef\u00edcios da \u201cagroecologia\u201d, com rela\u00e7\u00e3o a diversas t\u00e9cnicas que ajudariam a gerar solos sadios e cultivos resistentes a extremos clim\u00e1ticos, como o excesso de chuva.Segundo Marzano, essas t\u00e9cnicas devem levar em conta que a agricultura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma atividade \u201chumanit\u00e1ria\u201d, mas que \u201ca produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 uma profiss\u00e3o como outras, \u00e9 emprego\u201d, e deve ser reconhecida como tal.<\/p>\n<p>\u201cAntes da agroecologia, temos que colocar os agricultores num lugar adequado\u201d, pontuouMarzano.\u201cOs agricultores n\u00e3o podem ser tratados apenas como distribuidores de alimentos para resolver os problemas aqui e ali no planeta. T\u00eam que ter um tratamento equitativo nos acordos internacionais como a COP 21\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A OMA espera que os agricultores recebem ajuda mediante o financiamento estabelecido pelo Acordo de Paris, de US$ 100 bilh\u00f5es at\u00e9 2020, para apoiar as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento a se adaptarem \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cIsso \u00e9 muito importante porque podemos ter um acordo maravilhoso, podemos celebrar uma confer\u00eancia fant\u00e1stica, mas, definitivamente, se n\u00e3o houver recursos suficientes, esses acordos acabar\u00e3o sendo peda\u00e7os de papel\u201d, enfatizou Marzano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por D. 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