{"id":20257,"date":"2016-01-04T12:57:48","date_gmt":"2016-01-04T12:57:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204528"},"modified":"2016-01-04T12:57:48","modified_gmt":"2016-01-04T12:57:48","slug":"deslocamentos-forcados-aumentam-sem-tregua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/deslocamentos-forcados-aumentam-sem-tregua\/","title":{"rendered":"Deslocamentos for\u00e7ados aumentam sem tr\u00e9gua"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204529\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-204529\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/refugiados.jpg\" alt=\"Milhares de refugiados se lan\u00e7am diariamente a uma perigosa travessia para conseguir uma vida melhor na Europa. O ano de 2015 deve registrar n\u00famero recorde de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o. Foto: I. Pritchett\/Acnur\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/refugiados-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/refugiados.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Milhares de refugiados se lan\u00e7am diariamente a uma perigosa travessia para conseguir uma vida melhor na Europa. O ano de 2015 deve registrar n\u00famero recorde de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o. Foto: I. Pritchett\/Acnur<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Katherine Mackenzie, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 4\/1\/2016 \u2013 Quase um milh\u00e3o de pessoas cruzaram o Mar Mediterr\u00e2neo como refugiados ou migrantes em 2015. Os conflitos na S\u00edria e em outras partes do mundo aprofundaram o sofrimento humano; provavelmente, o rec\u00e9m-passadoano tenha registrado um precedente em mat\u00e9ria de deslocamentos for\u00e7ados, segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur).<\/p>\n<p>O documento que cobre o per\u00edodo de janeiro a junho, e resume a situa\u00e7\u00e3o gerada no mundo por guerras e persegui\u00e7\u00f5es, apresenta n\u00fameros vermelhos nas tr\u00eas principais categorias de migrantes: refugiados, solicitantes de asilo e deslocados internos (pessoas que tiveram que abandonar suas casas e buscar ref\u00fagio dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds).<\/p>\n<p>Os refugiados, que em 2014 chegaram a 19,5 milh\u00f5es de pessoas, passaram, em meados do ano passado, dos 20 milh\u00f5es pela primeira vez desde 1992, chegando a 20,2 milh\u00f5es, segundo o Acnur. O documento afirma que os pedidos de asilo aumentaram 78% acima dos registrados em igual per\u00edodo de 2014, somando 993 mil. E os deslocamentos internos aumentaram em dois milh\u00f5es de pessoas, chegando a 34 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os impressionantes n\u00fameros da primeira metade do ano passado fazem prever que 2015 vai ultrapassar pela primeira vez a fronteira de 60 milh\u00f5es de pessoas deslocadas \u2013 uma pessoa em cada 122 que habitam o planeta e se viu obrigada a abandonar sua casa.\u201cO deslocamento for\u00e7ado afeta profundamente nosso tempo. Atinge a vida de milh\u00f5es de seres humanos, tanto dos que s\u00e3o obrigados a fugir como dos que os recebem e protegem\u201d, destaca no informe do Acnur o alto comiss\u00e1rio, Ant\u00f3nio Guterres.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM) destacou, no m\u00eas passado, que os migrantes ou refugiados que chegaramem 2015 \u00e0 Europa, por terra ou por mar, superaram a marca do milh\u00e3o, quatro vezes mais do que em 2014. A maioria chegou por mar, e aproximadamente 800 mil por Turquia e Gr\u00e9cia. Al\u00e9m disso, metade procedente da S\u00edria.<\/p>\n<p>As 11 pessoas que se afogaram na terceira semana de dezembro de 2015 se somam \u00e0s 3.695 que morreram ou desapareceram no mar, de acordo com os registros da OIM. Outras sete foram resgatadas nessa mesma semana pela guarda costeira turca, ap\u00f3s o naufr\u00e1gio da embarca\u00e7\u00e3o que as conduzia, aparentemente seguindo de Kusadasi, na Turquia, para a ilha grega de Samos.<\/p>\n<p>\u00c0 parte a crueza dos n\u00fameros do Acnur, h\u00e1 outros indicadores que mostram como piora a situa\u00e7\u00e3o em certas \u00e1reas estrat\u00e9gicas. Por exemplo, os n\u00fameros sobre retorno volunt\u00e1rio, as pessoas que se sentem seguras para regressarem \u00e0s suas casas diminuiu e est\u00e3o em seu n\u00edvel mais baixo em tr\u00eas d\u00e9cadas. A ag\u00eancia usa esse indicador como bar\u00f4metro do estado global do conflito.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2014, 107 mil pessoas queriam regressar \u00e0s suas casas, mais do que as 84 mil registradas no mesmo per\u00edodo do ano passado. Cerca de 839 mil pessoas fugiram de seus pa\u00edses em seis meses, m\u00e9dia de quase 4.600 por dia, segundo o Acnur. A guerra s\u00edria e suas consequ\u00eancias na regi\u00e3o continuam causando o maior n\u00famero de deslocados.<\/p>\n<p>A press\u00e3o sobre os pa\u00edses receptores tamb\u00e9m aumenta. A infraestrutura exigida apresenta o enorme perigo de que aumente o ressentimento em rela\u00e7\u00e3o aos refugiados e se politize sua situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia nova e poderia se converter em uma tend\u00eancia preocupante. Entretanto, a primeira metade de 2015 tamb\u00e9m se caracterizou por uma importante generosidade. A Turquia foi o principal pa\u00eds de acolhida, com 1,84 milh\u00e3o de refugiados em seu territ\u00f3rio at\u00e9 30 de junho.<\/p>\n<p>O papa Francisco pediu paz e reconcilia\u00e7\u00e3o nas zonas de conflito em todo o mundo, em sua tradicional mensagem de Natal, ocasi\u00e3o em que tamb\u00e9m rezou pelo \u00eaxito das \u00faltimas resolu\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para alcan\u00e7ar a paz na S\u00edria e na L\u00edbia. O papa tamb\u00e9m condenou os ataques terroristas no Egito, L\u00edbano, Mali, Fran\u00e7a e Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>O L\u00edbano, durante d\u00e9cadas destino de refugiados, continua abrigando um enorme n\u00famero de pessoas obrigadas a abandonar seus pa\u00edses na regi\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pequena popula\u00e7\u00e3o. O Acnur estima que haja cerca de 209 refugiados para cada mil habitantes.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Eti\u00f3pia recebeu um duro golpe em seu bolso, sendo o pa\u00eds que mais paga em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua economia, com 469 refugiados para cada d\u00f3lar do produto interno bruto. No fim das contas, os que carregam a responsabilidade de proteger e abrigar os refugiados s\u00e3o os pa\u00edses que t\u00eam fronteira com os que sofrem conflitos e muitos est\u00e3o em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Mas o n\u00famero de pessoas que chegaram \u00e0 Europa atrav\u00e9s do Mar Mediterr\u00e2neo pouco se reflete no informe, principalmente porque a chegada de refugiados disparou na segunda metade de 2015 e n\u00e3o foram registrados nesse informe do Acnur.Nos primeiros seis meses de 2015, a Alemanha recebeu cerca de 159 mil novos solicitantes de asilo, quase o total das recebidas em todo o ano de 2014. Em seguida est\u00e1 a Federa\u00e7\u00e3o Russa, com cem mil pedidos por parte de pessoas que fugiram do conflito na Ucr\u00e2nia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Katherine Mackenzie, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 4\/1\/2016 &ndash; Quase um milh&atilde;o de pessoas cruzaram o Mar Mediterr&acirc;neo como refugiados ou migrantes em 2015. 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