{"id":20259,"date":"2016-01-04T14:35:14","date_gmt":"2016-01-04T14:35:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204535"},"modified":"2016-01-04T14:35:14","modified_gmt":"2016-01-04T14:35:14","slug":"inundacoes-exigem-respostas-conjuntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/inundacoes-exigem-respostas-conjuntas\/","title":{"rendered":"Inunda\u00e7\u00f5es exigem respostas conjuntas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204536\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-204536\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/inundacoes.jpg\" alt=\" No Uruguai h\u00e1 22.414 pessoas desabrigadas devido \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es que afetam pa\u00edses sul-americanos. Foto: Sistema Nacional de Emerg\u00eancias (Sinae)\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/inundacoes-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/inundacoes.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> No Uruguai h\u00e1 22.414 pessoas desabrigadas devido \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es que afetam pa\u00edses sul-americanos. Foto: Sistema Nacional de Emerg\u00eancias (Sinae)<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina,4\/1\/2016 \u2013 As inunda\u00e7\u00f5es que afetam quatro pa\u00edses sul-americanos deixaram evidente a necessidade de combater de maneira integrada as causas e os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Al\u00e9m dos planos conjuntos de emerg\u00eancia, o aquecimento global os coloca diante de problemas comuns, como desmatamento e manejo de suas bacias hidrogr\u00e1ficas compartilhadas, entre outros.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 cerca de 180 mil evacuados desde que se intensificaram as chuvas no final do ano, e as enchentes provocadas pelas cheias dos rios Paran\u00e1, Paraguai e Uruguai n\u00e3o respeitam fronteiras entre essas na\u00e7\u00f5es do Mercosul e as integra na cat\u00e1strofe ambiental. Nas prov\u00edncias do litoral argentino, cidades do norte do Uruguai e do sul do Brasil, e zonas ribeirinhas pr\u00f3ximas \u00e0 capital paraguaia, as cenas de ruas alagadas, equipes de socorro, abrigos para desabrigados, se repetem.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o vincular a gravidade das inunda\u00e7\u00f5es \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou Jorge Taiana, vice-presidente do Parlasul, \u00f3rg\u00e3o parlamentar do Mercosul, ao qual tamb\u00e9m aderiram Venezuela e Bol\u00edvia. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma resposta conjunta importante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas grandes estrat\u00e9gias para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que s\u00e3o mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o aos seus efeitos, e nisso me parece que \u00e9 imprescind\u00edvel que existam respostas conjuntas da regi\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS o deputado argentino pela opositora Frente para a Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 problem\u00e1tica ambiental no Mercosul. Tanto \u00e9 assim que h\u00e1 poucos dias houve uma c\u00fapula desse mercado comum e esse tema que era uma trag\u00e9dia anunciada n\u00e3o foi examinado\u201d, apontou \u00e0 IPS o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Argentina de Advogados Ambientais, Enrique Viale.<\/p>\n<p>In\u00fameros especialistas indicam que as fortes chuvas se devem a El Ni\u00f1o, o fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico produzido por mudan\u00e7as na temperatura das partes central e oriental do Oceano Pac\u00edfico tropical. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, vinculada ao sistema da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), havia antecipado que seus efeitos seriam dos mais violentos desde 1950.<\/p>\n<p>Inclusive, no dia 24 de dezembro, a Assembleia Geral da ONU exortou os Estados membros a elaborarem estrat\u00e9gias nacionais e regionais para enfrentar seus impactos socioecon\u00f4micos e ambientais, sugerindo instrumentar sistemas de alerta e medidas de preven\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o de danos.\u201cO fen\u00f4meno El Ni\u00f1o \u00e9 uma realidade que estava anunciada, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica causa\u201d, ponderou Viale. \u201cOs quatro pa\u00edses s\u00e3o os maiores produtores de soja do mundo, junto com os Estados Unidos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o mapa do desmatamento pela soja coincide com o das inunda\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), situa Brasil, Paraguai e Argentina entre os dez pa\u00edses que mais desmataram nos \u00faltimos 25 anos. Entre 1990 e 2015, a Argentina perdeu mais de 7,6 milh\u00f5es de hectares. Na Floresta Misionera, ou Paranaense, cortada pelos rios Uruguai, Paran\u00e1 e Igua\u00e7u, restam apenas 7% da superf\u00edcie florestal original, enquanto no Paraguai e no Brasil foi praticamente destru\u00edda.<\/p>\n<p>\u201cAs florestas, al\u00e9m de concentrarem biodiversidade consider\u00e1vel, t\u00eam um papel fundamental na regula\u00e7\u00e3odo clima, na manuten\u00e7\u00e3o das fontes e dos caudais de \u00e1gua, e na conserva\u00e7\u00e3o dos solos\u201d, diz um comunicado da organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Greenpeace. \u201cS\u00e3o nossa esponja natural e guarda-chuva protetor. Quando perdemos florestas, nos tornamos mais vulner\u00e1veis \u00e0s intensas chuvas e corremos s\u00e9rios riscos de inunda\u00e7\u00f5es\u201d, destaca o documento.<\/p>\n<p>\u201cIsso somado \u00e0 planta\u00e7\u00e3o direta, que \u00e9 o m\u00e9todo utilizado para semear soja transg\u00eanica, converteu os campos em verdadeiros desertos verdes sem nenhuma capacidade de absor\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Viale. A soja, que se expandiu desde 1999, \u00e9 considerada fundamental para essas economias e um de seus principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o. Mas, junto com essa suposta bonan\u00e7a da soja, se estenderam terras de cultivo que substitu\u00edram outros tradicionais, j\u00e1 que expulsaram a pecu\u00e1ria para \u00e1reas como as florestas.<\/p>\n<p>\u201cA expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola \u2013 particularmente aprofundada pela expans\u00e3o da monocultura da soja modificada geneticamente, pelo enorme desmatamento da FlorestaParanaense, e pela constru\u00e7\u00e3o de represas em escala gigantesca por parte do Brasil nos rios Paran\u00e1, Igua\u00e7u e Uruguai, com muitas mais em constru\u00e7\u00e3o e projetadas \u2013 aumentou a crise ambiental em todo o Cone Sul\u201d, ressaltou o especialista Jorge Daneri. Diante do que considera \u201cecoc\u00eddio\u201d regional, esse ambientalista da organiza\u00e7\u00e3o argentina M&#8217;Bigu\u00e1, Cidadania e Justi\u00e7a Ambiental, prop\u00f5e, entre outras medidas, a efetiva articula\u00e7\u00e3o dos Comit\u00eas de Bacias dos rios Paran\u00e1, Igua\u00e7u e Paraguai.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe nenhum comit\u00ea de bacia entre as tr\u00eas prov\u00edncias argentinas e o Estado nacional, e s\u00f3 existe a Caru (Comiss\u00e3o Administradora do Rio Uruguai) com o Uruguai, mas sem o Brasil\u201d, detalhou Daneri. \u201cIsso \u00e9 grave, pela total falta de articula\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, umcomit\u00ea de bacias \u00e9 a figura fundamental a ser concretizada. Est\u00e1 provado que o Mercosul n\u00e3o soube cumprir uma fun\u00e7\u00e3o s\u00e9ria de articula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ativas e sustent\u00e1veis para os territ\u00f3rios\u201d&#8217;, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Daneri, \u00e9 urgente e necess\u00e1ria\u201cuma nova ordem ambiental dos territ\u00f3rios, para voltar a estabelecer os corredores biol\u00f3gicos, um sistema de recupera\u00e7\u00e3o de todas as ribeiras a partir do reflorestamento com esp\u00e9cies nativas, e uma recomposi\u00e7\u00e3o da floresta nativa\u201d. Tamb\u00e9m prop\u00f4s reformar os planos de ordenamento territorial em cada prov\u00edncia, em conjunto com o Estado nacional, e, em escala regional, realizar avalia\u00e7\u00f5es ambientais estrat\u00e9gicas de toda a bacia.<\/p>\n<p>De imediato, Taiana prop\u00f5e que o Parlasul ajude a coordenar planos de conting\u00eancia para as v\u00edtimas das enchentes, e no longo prazo estudar, entre todos os governos locais, projetos e obras, financiados pelo pr\u00f3prio Mercosul. Para isso, recordou que o bloco conta com um Fundo de Converg\u00eancia Estrutural para financiar projetos de melhoramento de infraestrutura, competitividade e desenvolvimento social de seus pa\u00edses. Taiana destacou que \u201co mais importante desses fundos n\u00e3o reembols\u00e1veis que facilitam o objetivo de integra\u00e7\u00e3o \u00e9 que reconhecem as assimetrias dos pa\u00edses membros\u201d.<\/p>\n<p>O fundo, de aproximadamente US$ 100 milh\u00f5es ao ano, poderia ser utilizado, segundo Taiana, para investir em obras na zona de fronteira, para mitigar ou evitar inunda\u00e7\u00f5es, como defesas ou canais de desvio. \u201cMe parece que h\u00e1 muitos temas comuns que s\u00e3o de urg\u00eancia, nos quais o Mercosul em geral tem muito para trabalhar\u201d, enfatizou.Por\u00e9m, Daneri discordou, dizendo que \u201cn\u00e3o se trata de obras de concreto, n\u00e3o s\u00e3o megarrepresas ou megadefesas. N\u00e3o \u00e9 canalizar os rios. Trabalhar apenas na emerg\u00eancia ou para as emerg\u00eancias \u00e9 um erro\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm meio a esse desafio est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de uma transi\u00e7\u00e3o para sair do atual modelo simplificador da monocultura e caminhar para a agroecologia. Deve-se atacar as causas\u201d,afirmou Daneri, acrescentando que \u201cas causas est\u00e3o em um modelo produtivo que n\u00e3o trabalha sobre os tempos da natureza, mas sobre os tempos de um mercado que \u00e9 demolidor dos ecossistemas\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina,4\/1\/2016 &ndash; As inunda&ccedil;&otilde;es que afetam quatro pa&iacute;ses sul-americanos deixaram evidente a necessidade de combater de maneira integrada as causas e os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. 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