{"id":20309,"date":"2016-01-06T11:52:22","date_gmt":"2016-01-06T11:52:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204640"},"modified":"2016-01-06T11:52:22","modified_gmt":"2016-01-06T11:52:22","slug":"mexico-quer-exportar-tecnica-de-graos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/mexico-quer-exportar-tecnica-de-graos\/","title":{"rendered":"M\u00e9xico quer exportar t\u00e9cnica de gr\u00e3os"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204641\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-204641\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/maiz-629x472.jpg\" alt=\"O milho \u00e9 cozido com \u00e1gua e cal para eliminar as aflatoxinas causadoras de c\u00e2ncer hep\u00e1tico e do colo uterino. Na foto, um trabalhador da empresa Grulin mexe o milho antes de ser lavado, escorrido e mo\u00eddo, em San Lu\u00eds Huexotla, no M\u00e9xico. Foto: Emilio Godoy\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/maiz-629x472-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/maiz-629x472.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O milho \u00e9 cozido com \u00e1gua e cal para eliminar as aflatoxinas causadoras de c\u00e2ncer hep\u00e1tico e do colo uterino. Na foto, um trabalhador da empresa Grulin mexe o milho antes de ser lavado, escorrido e mo\u00eddo, em San Lu\u00eds Huexotla, no M\u00e9xico. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Texcoco, M\u00e9xico, 6\/1\/2016 \u2013 Diariamente, nas madrugadas, a extensa fam\u00edlia de Ver\u00f3nica Reyes moi milho, cuja massa alimenta seu ponto de venda nos mercados ambulantes que existem em diferentes pontos da capital do M\u00e9xico. Filhos, sobrinhos e noras dividem tarefas no neg\u00f3cio familiar de venda de tacos de <em>cecina<\/em> (carne salgada) e lingui\u00e7a, <em>quesadillas<\/em> (esp\u00e9cie de pastel de queijo) e <em>tlacoyos<\/em> (massa recheada com pur\u00ea de fava ou feij\u00e3o e requeij\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCozinhamos o milho umanoite antes e bem cedo o moemos, para atender as pessoas a partir das oito da manh\u00e3\u201d, contou Reyes, que vende comida h\u00e1 anos. Em um caminh\u00e3o m\u00e9dio, a fam\u00edlia acomoda fog\u00e3o, botij\u00e3o de g\u00e1s, mesas, cadeiras, ingredientes e mais de 60 quilos de massa para seguirem at\u00e9 San Jer\u00f3nimo Acazulco, 46 quil\u00f4metros a sudoeste da Cidade do M\u00e9xico, local escolhido nesse dia para realizar as vendas.<\/p>\n<p>Quando a banca sobre rodas come\u00e7a a ser montada, o card\u00e1pio praticamente esgotou. Ao cozinhar os diferentes pratos, a massa ganha uma tonalidade amarela, efeito causado pelo acr\u00e9scimo de hidr\u00f3xido de c\u00e1lcio, ou cal, no cozimento do milho. \u00c9 a t\u00e9cnica conhecida como nixtamaliza\u00e7\u00e3o, combina\u00e7\u00e3o dos voc\u00e1bulos da l\u00edngua n\u00e1huatl<em>nextli<\/em> (cinza) e <em>tamalli<\/em> (massa de milho).<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica remonta aos tempos anteriores \u00e0 chegada dos conquistadores espanh\u00f3is ao M\u00e9xico no s\u00e9culo 15, quando os habitantes ind\u00edgenas j\u00e1 cozinhavam o gr\u00e3o dessa forma. A mistura serve para neutralizar as aflatoxinas, um tipo de micotoxina produzida por certos fungos em cultivos agr\u00edcolas como milho, amendoim ou frutos secos que podem ser contaminados no campo, durante a colheita ou no armazenamento. Esse mofo pode causar c\u00e2ncer hep\u00e1tico e de colo uterino.<\/p>\n<p>\u201cO M\u00e9xico tem um problema forte de aflatoxinas. Se trabalhou muito para se desenvolver formas de elimin\u00e1-las. A mais eficaz \u00e9 a nixtamaliza\u00e7\u00e3o tradicional\u201d, explicou \u00e0 IPS a acad\u00eamica OfeliaBuend\u00eda, do Departamento de Engenharia Agroindustrial da estatal Universidade Aut\u00f4noma de Chapingo. Ela se especializou em nixtamalizar outros gr\u00e3os, como feij\u00e3o,quinoa, aveia, amaranto e cevada, e na produ\u00e7\u00e3o de alimentos nutritivos.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria dessa massa e da<em>tortilla<\/em> mexicanas tem mais de 78 mil estabelecimentos, entre moinhos e fabricantes de <em>tortillas<\/em> ou as duas modalidades, com sete Estados concentrando mais da metade das unidades nacionais e da produ\u00e7\u00e3o e do emprego. Cerca de 60% das <em>tortillas<\/em> prov\u00eam do nixtamal e o restante \u00e9 preparado com farinha de milho nixtamalizado.<\/p>\n<p>O milho \u00e9 a base alimentar da Mesoam\u00e9rica, a regi\u00e3o compreendida entre o centro do M\u00e9xico e a Costa Rica, onde o processo est\u00e1 estendido. Mas o consumo de <em>tortillas<\/em> diminuiu nesse pa\u00eds, passando de 170 quilos anuais por pessoa, na d\u00e9cada de 1970, para cerca de 75 quilos atualmente, devido ao avan\u00e7o dos <em>fastfood<\/em>.<\/p>\n<p>Para capitalizar essa tradi\u00e7\u00e3o, o M\u00e9xico coopera com o Qu\u00eania na transfer\u00eancia de conhecimento e tecnologia para introduzir a t\u00e9cnica e suprimir as aflatoxinas. Os dois pa\u00edses assinaram dois conv\u00eanios de coopera\u00e7\u00e3o, um deles contendo apoio t\u00e9cnico e envio de moinhos pela Ag\u00eancia Mexicana de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional para o Desenvolvimento. O Qu\u00eania necessita de 45 milh\u00f5es de sacas (de 90 quilos) de milho por ano, e s\u00f3 produz 40 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), 25% dos cultivos mundiais de alimentos est\u00e3o contaminados por aflatoxinas, e os Centros para Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Enfermidades dos Estados Unidos estimam que mais de 4,5 bilh\u00f5es de pessoas no Sul em desenvolvimento est\u00e3o expostas a elas.Dados do Instituto Internacional de Pesquisas Sobre Pol\u00edticas Alimentares sugerem que cerca de 26 mil pessoas na \u00c1frica subsaariana morrem a cada ano de c\u00e2ncer no f\u00edgado, em raz\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0s aflatoxinas.<\/p>\n<p>\u00c0s tr\u00eas horas da manh\u00e3 s\u00e3o ligadas as m\u00e1quinas na unidade processadora da empresa Comercializadora e Distribuidora de Alimentos Grulin, na localidade de San Lu\u00eds Huexotla, 50 quil\u00f4metros a leste da Cidade do M\u00e9xico. Com o gr\u00e3o cozido na noite anterior, as tarefas consistem em lavar o milho, escorrer e moer para obter massa, elaborar <em>tortillas<\/em> e torradas, empacot\u00e1-las e enviar aos pontos de venda da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA nixtamaliza\u00e7\u00e3o respeita os nutrientes do gr\u00e3o, embora se perca um pouco durante a lavagem. H\u00e1 sistemas que nixtamalizam mais r\u00e1pido, mas s\u00e3o mais caros. A tecnologia vir\u00e1 para um uso mais eficiente da \u00e1gua e um processo mais r\u00e1pido\u201d, pontuou \u00e0 IPS Jos\u00e9 Linares, diretor geral da Grulin. Seu pai iniciou com uma f\u00e1brica de <em>tortillas<\/em>, o neg\u00f3cio cresceu at\u00e9 ser fundada a companhia, em 2013.A Grulin processa diariamente entre 32 e 36 recipientes demassa de 50 quilos. Um quilo de milho rende 1,9 quilo de massa.<\/p>\n<p>O milho \u00e9 cozido durante 90 minutos, depois passa por uma instala\u00e7\u00e3o cheia de \u00e1gua e cal durante 30 segundos e a mistura \u00e9 levada para recipientes com capacidade de 750 quilos, onde permanece por 24 horas. Da\u00ed os gr\u00e3os s\u00e3o enxaguados e est\u00e3o prontos para a moagem, em um aparelho dotado de dois discos de pedra que giram em sentidos contr\u00e1rios.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios da Organiza\u00e7\u00e3o Queniana de Pesquisa Agropecu\u00e1ria visitaram o M\u00e9xico para conhecer e entender a nixtamaliza\u00e7\u00e3o e provar os produtos do milho. Para os especialistas, que conversaram com os funcion\u00e1rios quenianos, a t\u00e9cnica pode ser adotada em na\u00e7\u00f5es africanas. \u201cNa \u00c1frica querem conhecer o processo, por seus usos para a alimenta\u00e7\u00e3o. Algumas vari\u00e1veis podem influir, como textura e sabor. Os chineses comem <em>tortillas<\/em>, assim, podem ser adaptadas. N\u00e3o se pode perder essas oportunidades\u201d, ressaltouBuend\u00eda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o cultural, a disponibilidade de \u00e1gua e a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos l\u00edquidos podem ser problem\u00e1ticas. Para cada 50 quilos de milho processado, s\u00e3o necess\u00e1rios 75 litros de \u00e1gua. O res\u00edduo \u00e9 lan\u00e7ado em um esgoto, com alto poder contaminante devido ao seu grau alcalino. Por isso, a academia pesquisa como aproveitar os res\u00edduos para gerar adubo e reutilizar na lavagem do gr\u00e3o, resultando em um consumo mais eficiente de \u00e1gua.\u201cSeria preciso superar barreiras culturais, que n\u00e3o se perceba o sabor da cal e que esta iniba as toxinas. A t\u00e9cnica \u00e9 replic\u00e1vel\u201d, destacou Linares.<\/p>\n<p>Em 2009, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical, a Funda\u00e7\u00e3o Africana pelas Tecnologias Agr\u00edcolas e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos \u2013 Servi\u00e7o de Pesquisa Agr\u00edcola desenvolveram uma tecnologia aut\u00f3ctone de controle biol\u00f3gico, chamada AflaSafe, para mitigar a contamina\u00e7\u00e3o por aflatoxinas no milho e no amendoim, que j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel na Nig\u00e9ria, Burkina Faso, G\u00e2mbia, Qu\u00eania, Senegal e Z\u00e2mbia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Texcoco, M&eacute;xico, 6\/1\/2016 &ndash; Diariamente, nas madrugadas, a extensa fam&iacute;lia de Ver&oacute;nica Reyes moi milho, cuja massa alimenta seu ponto de venda nos mercados ambulantes que existem em diferentes pontos da capital do M&eacute;xico. 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