{"id":2032,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2032"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"qunia-uma-longa-espera-no-corredor-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/qunia-uma-longa-espera-no-corredor-da-morte\/","title":{"rendered":"Qu&ecirc;nia: Uma longa espera no corredor da morte"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 08\/10\/2006 &ndash; Os ju&iacute;zes do Qu&ecirc;nia continuam condenando &agrave; morte, apesar de h&aacute; 19 anos n&atilde;o acontecerem execu&ccedil;&otilde;es e a aboli&ccedil;&atilde;o da pena capital contar com importante apoio em meios pol&iacute;ticos. <!--more--> Ativistas de direitos humanos calculam que cerca de quatro mil pessoas est&atilde;o presas com uma condena&ccedil;&atilde;o &agrave; morte pendente. A morat&oacute;ria de fato sobre as execu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o facilitou o caminho para o pat&iacute;bulo. \u201cAlguns dizem que prefeririam ser executados em lugar de ficar indefinidamente na lista de espera. Consideram isso uma tortura psicol&oacute;gica\u201d, disse Moses Chepkoy, funcion&aacute;rio de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas do Departamento Prisional.<\/p>\n<p>Numerosos funcion&aacute;rios e dirigentes se voltaram contra a pena capital. O ex-ministro da Justi&ccedil;a e Assuntos Constitucionais, Kiraitu Murungi, condenou o castigo, tal como fez Moody Awori, vice-presidente e ministro do Interior. Awori tamb&eacute;m falou em reintroduzir um projeto no parlamento para abolir este castigo no Qu&ecirc;nia. Embora o governo efetivamente tenha detido as execu&ccedil;&otilde;es, os prisioneiros continuam sendo sentenciados &agrave; morte. A pena m&aacute;xima pode ser aplicada em casos que envolvem assassinatos e roubos violentos. A IPS n&atilde;o conseguiu dados oficiais sobre a quantidade de condenados &agrave; espera de execu&ccedil;&atilde;o. Samwel Mohochi, diretor-executivo interino da Unidade M&eacute;dico-Legal Independente (IMLU), estima que s&atilde;o cerca de quatro mil. Isto equivale a quase 10% do total de 50 mil presos.<\/p>\n<p>A IMLU, organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental queniana que documenta torturas e ajuda a reabilitar as v&iacute;timas, fez amplas investiga&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o das pris&otilde;es. No caso de ser aprovada a aboli&ccedil;&atilde;o da pena capital, o Qu&ecirc;nia se unir&aacute; aos 12 pa&iacute;ses africanos que deixaram esse castigo no passado. \u201cUma Constitui&ccedil;&atilde;o que pro&iacute;be a pena de morte e vincula sua aboli&ccedil;&atilde;o com os direitos humanos, em particular com os direitos &agrave; vida e &agrave; integridade f&iacute;sica e mental, est&aacute; alinhado com os princ&iacute;pios internacionais de direitos humanos\u201d, disse a Anistia Internacional em 2005. Mas existem sinais de que h&aacute; um longo caminho a ser percorrido antes de estes argumentos serem aceitos em todo o espectro social. \u201cOs quenianos acreditam que um bandido deve ser severamente punido\u201d, disse Chepkoy.<\/p>\n<p>Diante dos que temem que a aboli&ccedil;&atilde;o da pena capital enfraquece a luta contra a criminalidade, a Comiss&atilde;o Nacional de Direitos Humanos do Qu&ecirc;nia esgrime os estudos realizados pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em 1998 e 2002, segundo os quais n&atilde;o h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o entre a exist&ecirc;ncia desta san&ccedil;&atilde;o e a quantidade de homic&iacute;dios. A Comiss&atilde;o, organismo designado pelo governo, alega que a chave para dissuadir o crime n&atilde;o est&aacute; no medo da pena de morte, mas em uma maior probabilidade de os crimes serem apurados e processados, e seus autores condenados. Al&eacute;m disso, a pena capital \u201cperpetua um ciclo de viol&ecirc;ncia e promove um sentido de vingan&ccedil;a na sociedade\u201d, disse a Comiss&atilde;o. \u201cApoiar a pena de morte &eacute; ensinar que a viol&ecirc;ncia e a matan&ccedil;a s&atilde;o um modo aceit&aacute;vel de enfrentar os crimes graves\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um intenso debate sobre o futuro da pena capital &eacute; essencial para que este pa&iacute;s avance, disse Chepkoy. \u201c&Eacute; necess&aacute;rio criar muita consci&ecirc;ncia\u201d, disse &agrave; IPS. No momento, entretanto, a &uacute;nica esperan&ccedil;a para os prisioneiros que aguardam a execu&ccedil;&atilde;o est&aacute; na chefia do governo. O presidente, Mwai Kibaki, tem a faculdade de indultar os condenados &agrave; morte, a qual exerceu pouco depois de chegar ao poder, em dezembro de 2002, com 28 prisioneiros que esperavam ser executados.<\/p>\n<p>Os anistiados permaneceram entre 15 e 20 anos na pris&atilde;o, ap&oacute;s serem setenciados da morte por enforcamento. Sua liberta&ccedil;&atilde;o foi aplaudida por ativistas dos direitos humanos, muitos dos quais desejam que a pris&atilde;o perp&eacute;tua seja institu&iacute;da como a condena&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima para os crimes mais graves. Os &uacute;ltimos executados, em 1987, foram Hezekiah Ochuka e Pancras Oteyo Okumu, considerados culpados de um golpe de Estado em 1982 contra o governo do ent&atilde;o presidente Daniel Arap Moi (1978-2002). (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 08\/10\/2006 &ndash; Os ju&iacute;zes do Qu&ecirc;nia continuam condenando &agrave; morte, apesar de h&aacute; 19 anos n&atilde;o acontecerem execu&ccedil;&otilde;es e a aboli&ccedil;&atilde;o da pena capital contar com importante apoio em meios pol&iacute;ticos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/qunia-uma-longa-espera-no-corredor-da-morte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-2032","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2032"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2032\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}