{"id":20325,"date":"2016-01-08T13:15:43","date_gmt":"2016-01-08T13:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204709"},"modified":"2016-01-08T13:15:43","modified_gmt":"2016-01-08T13:15:43","slug":"leguminosas-que-darao-o-que-falar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/leguminosas-que-darao-o-que-falar\/","title":{"rendered":"Leguminosas que dar\u00e3o o que falar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204710\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-204710\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/legumbres-629x374.jpg\" alt=\"As leguminosas podem ser pequenas, mas s\u00e3o um grande alimento e, por isso, 2016 \u00e9 o Ano Internacional das Leguminosas. Foto: Cortesia da FAO\" width=\"340\" height=\"202\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/legumbres-629x374-300x178.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/legumbres-629x374.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As leguminosas podem ser pequenas, mas s\u00e3o um grande alimento e, por isso, 2016 \u00e9 o Ano Internacional das Leguminosas. Foto: Cortesia da FAO<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Nteranya Sanginga*<\/em><\/p>\n<p>Ibad\u00e3, Nig\u00e9ria, 8\/1\/2016 \u2013 No Ano Internacional das Leguminosas, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) organiza com orgulho o que promete ser um acontecimento hist\u00f3rico, a Confer\u00eancia Mundial sobre Feij\u00e3o de Corda e Leguminosas em Gr\u00e3os Pan-Africanas. A Confer\u00eancia, que acontecer\u00e1 em mar\u00e7o em Z\u00e2mbia e reunir\u00e1 especialistas do continente africano e de outras partes do mundo, ser\u00e1 uma oportunidade para compartilhar ideias sobre sementes comest\u00edveis como feij\u00e3o de corda, feij\u00f5es comuns, lentilhas, gr\u00e3o de bico e favas, entre outras variedades que agora gozam de seus 15 minutos de fama como superestrelas da nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As leguminosas podem ser pequenas, mas s\u00e3o um grande alimento. Os nutricionistas afirmam que seu perfil baixo em glicose e seu elevado conte\u00fado de fibras ajudam a prevenir e controlar as chamadas \u201cdoen\u00e7as da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental\u201d, como obesidade e diabetes. E seu teor proteico oferece grandes possibilidades para ajudar o mundo a administrar suas pr\u00e1ticas agropecu\u00e1rias de forma mais sustent\u00e1vel, para que mais pessoas possam desfrutar de uma dieta melhor e mais variada sem representar uma press\u00e3o para os recursos naturais.<\/p>\n<p>Antes de tudo, \u00e9 preciso melhorar a disponibilidade de leguminosas. Em escala mundial, esta diminuiu mais de um ter\u00e7o nas quatro d\u00e9cadas posteriores a 1960, mas a produ\u00e7\u00e3o aumentou de forma sustentada desde 2005, especialmente nos pa\u00edses em desenvolvimento. Os feij\u00f5es encabe\u00e7am a tend\u00eancia, marcada por um muito bem-vindo aumento, tanto da produ\u00e7\u00e3o como do n\u00famero de hectares plantados. E o mais importante \u00e9 que,atualmente,quase um quinto das leguminosas \u00e9 comercializado, quase tr\u00eas vezes mais do que nos anos 1980, um ritmo que supera amplamente o crescente com\u00e9rcio de cereais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, embora a Am\u00e9rica do Norte seja uma pot\u00eancia exportadora, tamb\u00e9m o s\u00e3o \u00c1frica oriental e Myanmar (Birm\u00e2nia). Mais da metade das exporta\u00e7\u00f5es de leguminosas procede de pa\u00edses em desenvolvimento. Temos uma verdadeira oportunidade de aumentar essas fontes de prote\u00ednas. A boa not\u00edcia para milh\u00f5es de fam\u00edlias de pequenos agricultores \u00e9 que o movimento pode se tratar mais de recuperar uma virtude tradicional do que uma revolu\u00e7\u00e3o. Afinal, o prol\u00edfico viajante \u00e1rabe Ibn Battuta escreveu sobre bambaras (uma leguminosa de gr\u00e3o nativa da \u00c1frica subsaariana) fritas em \u00f3leo de chia em uma viagem por Mali e a zona do Sahel, em 1352.<\/p>\n<p>Os bolinhos de feij\u00e3o, conhecidos na Nig\u00e9ria como akara e muito comuns de se ver expostos \u00e0 beira da estrada na \u00c1frica ocidental, s\u00e3o seus descendentes diretos e os irm\u00e3os mais velhos dos acaraj\u00e9s, declarados patrim\u00f4nio cultural do Brasil, onde s\u00e3o comidos com camar\u00e3o e seu nome iorub\u00e1 sobreviveu ao terr\u00edvel com\u00e9rcio triangular de escravos.<\/p>\n<p>No IITA promovemos o feij\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas. Este m\u00eas, o Minist\u00e9rio da Agricultura de Suazil\u00e2ndia distribuiu entre agricultores locais cinco novas variedades de sementes desenvolvidas pelo Instituto, que amadurecem at\u00e9 20% mais r\u00e1pido e t\u00eam rendimento quatro vezes maior. Esse \u00faltimo \u00eaxito se deve, em grande parte, ao banco gen\u00e9tico do IITA, que guarda para a comunidade internacional 15.112 amostras \u00fanicas de feij\u00e3o procedentes de 88 pa\u00edses.<\/p>\n<div id=\"attachment_204711\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"size-full wp-image-204711\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/ITAA.jpg\" alt=\"Nteranya Sanginga, diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA). Foto: Cortesia do autor\" width=\"280\" height=\"157\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Nteranya Sanginga, diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA). Foto: Cortesia do autor<\/p><\/div>\n<p>Por que tanta variedade de feij\u00e3o? A pergunta deveria ser por que n\u00e3o h\u00e1 mais. Afinal, cont\u00e9m 25% de prote\u00ednas e \u00e9 um excelente transportador de vitaminas e minerais, que se adapta a uma grande variedade de solos, tolera secas, bem como a sombra, cresce r\u00e1pido e serve para combater a eros\u00e3o ao verter nitrog\u00eanio no solo. Pode-se ingerir seu produto principal, e os animais aproveitam as folhas e os talos. N\u00e3o se ouve falar muito desse gr\u00e3o porque o mundo n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o nele, mas est\u00e1 para ter outra oportunidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 uma planta que apresenta alguns problemas. Primeiro, sofre ataques em suas diferentes fases de crescimento, seja pelo v\u00edrus do mosaico, insetos da fam\u00edlia da <em>Gracillariodea<\/em>, pelos tem\u00edveis carunchos que lutam com os fungos,oupelas bact\u00e9rias que consumem as sementes armazenadas. Os cientistas do IITA tentam combater esses problemas mediante o cultivo de sementes ou difundindo tecnologias inovadoras como as Sacas de Armazenamento Melhorado de Feij\u00e3o de Purdue (PICS), que repelem os carunchos.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 muito a se aprender sobre a planta, por exemplo, como cultiv\u00e1-la e como impulsionar sua participa\u00e7\u00e3o no sistema alimentar. No Ano Internacional das Leguminosas seguramente se aprender\u00e1 muito sobre seu processamento, uma etapa cr\u00edtica que j\u00e1 permite que muitos empres\u00e1rios nigerianos prosperem.Talvez, os grandes produtores de alimentos encontrem novas formas de moer leguminosas para obter produtos derivados dos gr\u00e3os e produzir alimento mais saud\u00e1vel com um teor proteico mais completo.<\/p>\n<p>No que se refere ao feij\u00e3o, a planta pode servir para reduzir as ervas daninhas e fertilizar os cultivos comerciais. Tamb\u00e9m \u00e9 colhido antes dos cereais, o que d\u00e1 seguran\u00e7a alimentar e flexibilidade, pois os agricultores podem escolher deixar as plantas crescerem, reduzindo a produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o, mas aumentando a de forragem.<\/p>\n<p>O epicentro da planta, do ponto de vista de sua hist\u00f3ria gen\u00e9tica e tamb\u00e9m na atualidade, \u00e9 a \u00c1frica ocidental. A Nig\u00e9ria \u00e9 um grande produtor, mas tamb\u00e9m o principal importador dos pa\u00edses vizinhos. N\u00edger \u00e9 o principal exportador e sua capacidade para enfrentar as condi\u00e7\u00f5es de seca e ajudar a combater a eros\u00e3o do solo pode ser interessante em outras partes, como o corredor seco da Am\u00e9rica Central. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*<strong>Nteranya Sanginga <\/strong>\u00e9 diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Nteranya Sanginga* Ibad&atilde;, Nig&eacute;ria, 8\/1\/2016 &ndash; No Ano Internacional das Leguminosas, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) organiza com orgulho o que promete ser um acontecimento hist&oacute;rico, a Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Feij&atilde;o de Corda e Leguminosas em Gr&atilde;os Pan-Africanas. 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