{"id":20343,"date":"2016-01-13T12:49:30","date_gmt":"2016-01-13T12:49:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204835"},"modified":"2016-01-13T12:49:30","modified_gmt":"2016-01-13T12:49:30","slug":"angustias-dos-refugiados-sirios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/angustias-dos-refugiados-sirios\/","title":{"rendered":"Ang\u00fastias dos refugiados s\u00edrios"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204836\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-204836\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/siria-629x419.jpg\" alt=\"A refugiada s\u00edria EmellineMahmoudIlyas trabalha em um centro comunit\u00e1rio do Unrwa, na cidade de Zarqa, na Jord\u00e2nia. Foto: Silvia Boarini\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/siria-629x419-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/siria-629x419.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A refugiada s\u00edria EmellineMahmoudIlyas trabalha em um centro comunit\u00e1rio do Unrwa, na cidade de Zarqa, na Jord\u00e2nia. Foto: Silvia Boarini\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Silvia Boarini, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Zarqa, Jord\u00e2nia, 13\/1\/2016 \u2013 EmellineMahmoudIlyas, mulher de 35 anos de origem s\u00edria e que agora reside nesta cidade da Jord\u00e2nia, relembra o \u201ctrajeto de morte\u201d que a trouxe junto com sua fam\u00edlia para esse reino hachemita, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o conjunta entre pais jordanianos e s\u00edrios para conversar sobre o cuidado de seus filhos.<\/p>\n<p>Encolhida em um po\u00e7o perto da fronteira junto com seu marido e os tr\u00eas filhos enquanto ouviam as explos\u00f5es ao seu redor, Ilyas estava segura de que, mesmo que seu corpo sobrevivesse, sua mente ficaria para sempre naquele lugar. Como ia imaginar que em dois anos estaria ajudando outros refugiados s\u00edrios e jordanianos desamparados a mudarem suas vidas em Zarqa, sua cidade adotiva.<\/p>\n<p>O vento e o p\u00f3 deram as boas-vindas a ela e sua fam\u00edlia ao chegarem ao acampamento de Zaatari, constru\u00eddo no est\u00e9ril deserto, muito longe do bairro onde vivia na cosmopolita Damasco, de onde havia escapado dez meses atr\u00e1s. \u201cJurei que, se n\u00e3o conseguisse sair de Zaatari, regressaria \u00e0 S\u00edria e morreria l\u00e1\u201d, contou Ilyas \u00e0 IPS, recordando sua perman\u00eancia no acampamento. Em poucos dias, pagaram um traficante de pessoas para que os tirassem dali de forma ilegal, sem documentos, e assim chegaram a Zarqa.<\/p>\n<p>Quando as coisas melhoraram e seu marido conseguiu trabalho em uma barbearia, ela sentiu na pr\u00f3pria carne a solid\u00e3o de ser refugiada em uma cidade estranha. Recorda que n\u00e3o tinha com quem conversar sobre a guerra, nem sobre o sentimento de perda. \u201cFicava sentada sozinha em casa, deprimida, culpando meu marido por tudo, de termos precisado deixar a S\u00edria e de n\u00e3o encontrar sa\u00edda\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Na S\u00edria, Ilyas era funcion\u00e1ria de um minist\u00e9rio e se dedicava a monitorar e inspecionar a corrup\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico. N\u00e3o poder trabalhar na Jord\u00e2nia aumentou seu desespero.Mas, quando os filhos come\u00e7aram a ir \u00e0 escola, se tornou reticente em regressar \u00e0 S\u00edria, onde as escolas abriam de forma espor\u00e1dica, no melhor dos casos, em um contexto de agita\u00e7\u00e3o. Os tr\u00eas menores se integraram bem e estavam contentes, s\u00f3 ela n\u00e3o era feliz.<\/p>\n<p>Atualmente a imprensa cobre maci\u00e7amente a chegada de refugiados \u00e0 Europa, mas somente a Jord\u00e2nia, em sil\u00eancio, j\u00e1 abrigou desde 2011 mais de 700 mil s\u00edrios, segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), e talvez sejam 1,5 milh\u00e3o, somando os que entraram sem serem registrados.A superf\u00edcie do reino hachemita \u00e9 de 89,35 quil\u00f4metros quadrados e tem popula\u00e7\u00e3o de 6,5 milh\u00f5es de habitantes, al\u00e9m de 2,77 milh\u00f5es de refugiados.<\/p>\n<p>A Jord\u00e2nia asilou milhares de pessoas ao longo de sua hist\u00f3ria, principalmente palestinos e iraquianos. Mas, quatro anos depois da chegada dos primeiros refugiados s\u00edrios, n\u00e3o h\u00e1 sinais de que o fluxo vai cessar, e os desafios s\u00f3 aumentam.Numerosas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e institui\u00e7\u00f5es governamentais alertam que os refugiados est\u00e3o dispersos nas cidades e n\u00e3o se concentram nos acampamentos, onde podem facilmente ter acesso aos provedores de servi\u00e7os. Os velhos enfoques de aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o bastavam para enfrentar o desafio.<\/p>\n<p>Zarqa, conhecida como a cidade natal de Abu Musab al-Zarqawi, o falecido l\u00edder da rede extremista Al Qaeda, fica no nordeste da Jord\u00e2nia, tem popula\u00e7\u00e3o de mais de 500 mil pessoas, al\u00e9m das 50 mil de origem s\u00edria, e n\u00e3o est\u00e1 alheia \u00e0s crises de refugiados. Em 1948,foi instalado um acampamento para refugiados palestinos na periferia da \u00e1rea urbana, que gradualmente se incorporou a essa empobrecida cidade.<\/p>\n<p>Zarqa tem um elevado n\u00famero de desempregados e, como as fac\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas gozam de apoio generalizado entre os setores mais marginalizados, est\u00e1 sob um r\u00edgido controle governamental por medo de uma desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas as demoradas reformas fazem com que o descontentamento fermente sob a superf\u00edcie.\u201cOs alugu\u00e9is em Zarqa aumentaram 600% desde 2011, e \u00e0s vezes vivem tr\u00eas fam\u00edlias refugiadas em um apartamento\u201d, pontuou \u00e0 IPS OhudBayidah, coordenadora da organiza\u00e7\u00e3o ActionAid nessa cidade.<\/p>\n<p>A constante chegada de refugiados agrega press\u00e3o ao sistema de sa\u00fade e escolar, e a popula\u00e7\u00e3o local se queixa de que os s\u00edrios trabalham por magros sal\u00e1rios, o que prejudica as rela\u00e7\u00f5es entre as duas comunidades.Mas o tradicional modelo de aten\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta para fazer frente a problemas como isolamento, viol\u00eancia dom\u00e9stica, falta de oportunidades educacionais, desemprego ou abuso de drogas.<\/p>\n<p>Para Ilyas, a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a melhorar quando soube de um painel psicossocial organizado pelo Centro para V\u00edtimas de Tortura. Compartilhar recorda\u00e7\u00f5es de seu atribulado pa\u00eds lhe permitiu aliviar um pouco a press\u00e3o. \u201cDepois senti que n\u00e3o estava sozinha, a esperan\u00e7a voltou\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s percorrer as ruas buscando atividades em organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, entrou em uma fila na porta de um centro comunit\u00e1rio da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados Palestinos no Oriente Pr\u00f3ximo (Unrwa) e se inteirou dos c\u00edrculos comunit\u00e1rios da ActionAid, que aproximam s\u00edrios e jordanianos. Logo se converteu em mais uma.<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as aos c\u00edrculos pude ajudar mulheres como eu, e tamb\u00e9m jordanianas\u201d, afirmou Ilyas. Homens e mulheres se re\u00fanem uma vez por semana, em separado. \u201cDiscutimos assuntos pessoais ou familiares e falamos sobre como podemos resolv\u00ea-los recorrendo aos provedores de servi\u00e7os ou nos apoiando mutuamente\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Os c\u00edrculos comunit\u00e1rios ajudam as organiza\u00e7\u00f5es a identificar os principais problemas que afetam tanto s\u00edrios como jordanianos e a fornecer a ajuda necess\u00e1ria. \u201cA viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um grande tema, da mesma forma que a explora\u00e7\u00e3o infantil\u201d, observouBayidah. Esses c\u00edrculos tamb\u00e9m ajudaram a coordenadora da ActionAid, origin\u00e1ria de Karak. Ela \u00e9 a primeira em sua fam\u00edlia a terminar a universidade e a primeira a se trasladar por conta pr\u00f3pria para Am\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai sempre foi de mente aberta quanto \u00e0 minha educa\u00e7\u00e3o, mas convenc\u00ea-los a me mudar sem estar casada foi dif\u00edcil\u201d, contou Bayidah, de 28 anos. Quando lhe disse que a alternativa a essa oportunidade de trabalho era ficar triste em casa, concordou com um teste de um m\u00eas. \u201cTentaram me convencer a voltar, mas agora sabem que sou feliz. Ajudo minha comunidade e est\u00e3o muito orgulhosos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Quanto a Ilyas, apesar de usar o len\u00e7o para cobrir a cabe\u00e7a para se misturar \u00e0s pessoas em Zarqa, significou uma grande mudan\u00e7a para ela. Os c\u00edrculos lhe abriram a porta parao ativismo como nunca havia imaginado. \u201cConversava com minha irm\u00e3, que ainda est\u00e1 na S\u00edria, e n\u00e3o podia acreditar que isso fosse poss\u00edvel aqui, que as pessoas se organizassem assim, livremente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Ilyas, no momento basta que os c\u00edrculos a tenham ajudado a subir aquele po\u00e7o da fronteira. \u201cDeveria ser essa a refugiada que todo mundo deveria cuidar, mas agora as pessoas me agradecem por ajud\u00e1-las, acreditam que sou jordaniana\u201d, alegrou-se. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Silvia Boarini, da IPS &ndash;&nbsp; Zarqa, Jord&acirc;nia, 13\/1\/2016 &ndash; EmellineMahmoudIlyas, mulher de 35 anos de origem s&iacute;ria e que agora reside nesta cidade da Jord&acirc;nia, relembra o &ldquo;trajeto de morte&rdquo; que a trouxe junto com sua fam&iacute;lia para esse reino hachemita, ap&oacute;s uma reuni&atilde;o conjunta entre pais jordanianos e s&iacute;rios para conversar sobre o cuidado [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/angustias-dos-refugiados-sirios\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2453,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2458,1325],"class_list":["post-20343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service","tag-siria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2453"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20343"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20343\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20344,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20343\/revisions\/20344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}