{"id":2039,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2039"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"darfur-acordo-de-paz-gera-mais-violncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/darfur-acordo-de-paz-gera-mais-violncia\/","title":{"rendered":"Darfur: Acordo de paz gera mais viol&ecirc;ncia"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 08\/10\/2006 &ndash; Tr&ecirc;s meses depois da assinatura de um acordo de paz em Darfur, patrocinado pelos Estados Unidos e pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a viol&ecirc;ncia e o caos a&ccedil;oitam novamente esta regi&atilde;o do ocidente do Sud&atilde;o, segundo organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias e especialistas locais. <!--more--> Em lugar de pacificar a regi&atilde;o, o acordo de 5 de maio entre o governo sudan&ecirc;s e um grupo rebelde dividiu os insurgentes cujas fac&ccedil;&otilde;es agora combatem entre si. \u201cEste foi o objetivo do governo todo o tempo: avivar o conflito dentro de Darfur e entre os rebeldes para manter o caos\u201d, afirmou John Prendergast, especialista em assuntos ligados ao Sud&atilde;o do International Crisis Group. \u201cDivida e destrua. Cartum usou o Acordo de Paz de Darfur como o &uacute;ltimo meio para continuar essa estrat&eacute;gia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O governo \u2013 assegurou Prendergast \u2013 d&aacute; apoio log&iacute;stico &agrave; fac&ccedil;&atilde;o Ex&eacute;rcito de Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o (SLA), que assinou o acordo, bem como &agrave;s mil&iacute;cias &aacute;rabes Janjaweed, aparentemente utilizadas por Cartum para realizar sua campanha na qual morreram 400 mil pessoas desde 2003. O acordo, aplaudido pelos Estados Unidos e pela Uni&atilde;o Africana, tamb&eacute;m alimentou tens&otilde;es entre os mais de dois milh&otilde;es de refugiados por causa da viol&ecirc;ncia dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, a maioria vivendo em acampamentos gigantescos e superpovados. Isto dificultou o trabalho das ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias. Oito trabalhadores dessas organiza&ccedil;&otilde;es morreram em violentos incidentes ocorridos em Darfur no m&ecirc;s passado, o pior m&ecirc;s nesta &aacute;rea desde o in&iacute;cio do conflito.<\/p>\n<p>\u201cA viol&ecirc;ncia enfrentada pelos trabalhadores humanit&aacute;rios em Darfur n&atilde;o tem precedentes\u201d, segundo Manuel da Silva, coordenador e sub-representante especial para o Sud&atilde;o do secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan. Nas duas &uacute;ltimas semanas de julho morreram em Darfur mais socorristas do que nos dois anos anteriores. \u201cDesde a assinatura do acordo, Darfur ficou cada vez mais tensa e violenta, o que levou &agrave;s mortes de muitos civis e trabalhadores humanit&aacute;rios\u201d, disse Paul Smith-Lomas, diretor regional da Oxfam Internacional, uma das organiza&ccedil;&otilde;es dedicadas &agrave; assist&ecirc;ncia que tamb&eacute;m teve perdeu funcion&aacute;rios para a viol&ecirc;ncia nas &uacute;ltimas semanas. \u201cUm cessar-fogo total e completo deve ser implementado imediatamente\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em uma declara&ccedil;&atilde;o divulgada ter&ccedil;a-feira, a Oxfam e outras tr&ecirc;s importantes ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias internacionais ativas em Darfur (CARE, Comit&ecirc; de Resgate e World Vision) informaram que 25 mil pessoas abandonaram suas casas no norte de Darfur no m&ecirc;s passado. A viol&ecirc;ncia amea&ccedil;a a capacidade da maior opera&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria do mundo, implementada para fornecer servi&ccedil;os vitais a cerca de 3,5 milh&otilde;es de pessoas em toda a regi&atilde;o que dependem da ajuda para sobreviver. A ONU calculou em julho que o grau de acesso humanit&aacute;rio em Darfur agora &eacute; pior do que em 2004 e que 40% da popula&ccedil;&atilde;o que precisava de assist&ecirc;ncia n&atilde;o a recebia.<\/p>\n<p>Em sua declara&ccedil;&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es disseram que a for&ccedil;a da Uni&atilde;o Africana (AMIS) \u2013 mais de sete mil soldados presentes na regi&atilde;o para dar seguran&ccedil;a aos refugiados \u2013 parece ter reduzido sua atividade desde a assinatura do Acordo. Annan, que reiteradamente pedia maior apoio para a AMIS, informou que uma for&ccedil;a de paz da ONU prevista para substituir essa miss&atilde;o em janeiro necessitar&aacute; de 18,6 mil soldados para garantir que os grupos em luta cumpram o acordo. Mas a cria&ccedil;&atilde;o efetiva dessa for&ccedil;a est&aacute; envolta em d&uacute;vidas, tanto por causa da cont&iacute;nua negativa de importantes fac&ccedil;&otilde;es rebeldes em assinar o acordo quanto porque o Sud&atilde;o recha&ccedil;ou reiterados pedidos para permitir seu envio.<\/p>\n<p>Apesar da forte press&atilde;o da Uni&atilde;o Africana, da ONU, dos Estados Unidos e seus aliados da Europa ocidental somente um l&iacute;der rebelde, Minni Minnawi, do SPA, assinou o Acordo. Outras fac&ccedil;&otilde;es rebeldes, inclu&iacute;dos dissidentes do SPA e l&iacute;deres do Movimento de Justi&ccedil;a e Igualdade, recha&ccedil;aram o acordo porque, segundo eles, carece das garantias adequadas para o retorno seguro dos refugiados e compensa&ccedil;&otilde;es por suas perdas, bem como para o desarmamento das mil&iacute;cias Janjaweed. Depois da assinatura do acordo, o movimento rebelde efetivamente rachou. Os atuais grupos est&atilde;o agora em guerra entre si, em alguns casos adotando t&aacute;ticas semelhantes &agrave;s praticadas pelos milicianos, que seguem ativas na regi&atilde;o apesar dos compromissos do governo para desarm&aacute;-las.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o Sud&atilde;o insiste cada vez mais em dizer que n&atilde;o aceitar&aacute; uma for&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. No final do m&ecirc;s passado, por exemplo, o presidente Omar Hassan al-Bashir advertiu que Darfur se converteria em um \u201ccemit&eacute;rio\u201d para as for&ccedil;as do ONU se instalarem na regi&atilde;o. A maioria dos especialistas independentes em Washington acredita que estes obst&aacute;culos ainda podem ser superados, desde que a comunidade internacional esteja disposta a aceitar algumas demandas dos rebeldes como parte da implementa&ccedil;&atilde;o do acordo e para exercer press&atilde;o sobre Cartum para que coopere. Estas exig&ecirc;ncias devem partir particularmente dos Estados Unidos, cujo governo acusou Cartum de \u201cgenoc&iacute;dio\u201d contra a popula&ccedil;&atilde;o africana de Darfur.<\/p>\n<p>\u201cO caminho para uma for&ccedil;a de paz multinacional em Darfur foi exposto em detalhes por Annan\u201d, disse Ann-Louise Colgan, diretora interina da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Africa Action. \u201cAgora, os Estados Unidos devem dar novos passos para desafiar as evasivas do Sud&atilde;o e deve galvanizar uma nova a&ccedil;&atilde;o sobre esta crise\u201d, acrescentou. Mas a inten&ccedil;&atilde;o de Washington continua sendo uma inc&oacute;gnita, devido &agrave; prioridade que manifestou no Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU &agrave; guerra entre Israel e o Hezbollah no L&iacute;bano. Por outro lado, dois altos funcion&aacute;rios norte-americanos (o ex-subsecret&aacute;rio de Estado Robert Zoellick e o principal redator de discursos do presidente Gerorge W. Bush, Mark Gerson) comprometidos com a crise em Darfur j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o na administra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\u201cNeste momento existe um enorme vazio\u201d no governo, segundo Prendergast, que, junto com v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia e legisladores democratas e republicanos, favorece a designa&ccedil;&atilde;o de um enviado especial em tempo integral a Darfur. \u201cEstou certo de que o presidente gostaria de fazer mais, mas se n&atilde;o houver altos funcion&aacute;rios que lhe digam \u2018precisamos fazer isto, ou aquilo\u2019, nada acontecer&aacute;\u201d, acrescentou. De fato, Bush mostrou consistentemente um forte interesse em Darfur, inclusive a ponto de telefonar, em maio, pessoalmente para Bashir \u2013 a quem detesta \u2013 para pression&aacute;-lo a enviar seu vice-presidente para assinar o acordo de paz.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m fica evidente que Bashir d&aacute; aten&ccedil;&atilde;o a Bush pelo fato de ter designado Minnawi com seu assistente especial para Darfur \u2013 passo necess&aacute;rio pelo acordo, mas que o presidente sudan&ecirc;s adiou por quase tr&ecirc;s meses \u2013 10 dias depois de este funcion&aacute;rio ser recebido por Bush no dia 25 de julho. A chave, segundo a maioria dos analistas, est&aacute; na vontade de Washington de n&atilde;o apenas reiterar seu compromisso atrav&eacute;s de um enviado especial, mas tamb&eacute;m em concord&acirc;ncia com seus aliados ocidentais e africanos, para realmente pressionar Cartum. \u201cMinnawi, que &eacute; recebido na Casa Branca, agora luta contra outros grupos rebeldes em nome do governo. Passaram-se tr&ecirc;s anos, o governo o chama de genoc&iacute;dio, e ainda n&atilde;o foi imposta nenhuma puni&ccedil;&atilde;o\u201d, afirmou Prendergast. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 08\/10\/2006 &ndash; Tr&ecirc;s meses depois da assinatura de um acordo de paz em Darfur, patrocinado pelos Estados Unidos e pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a viol&ecirc;ncia e o caos a&ccedil;oitam novamente esta regi&atilde;o do ocidente do Sud&atilde;o, segundo organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias e especialistas locais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/darfur-acordo-de-paz-gera-mais-violncia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-2039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}