{"id":20394,"date":"2016-01-18T12:33:12","date_gmt":"2016-01-18T12:33:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=204858"},"modified":"2016-01-18T14:33:12","modified_gmt":"2016-01-18T14:33:12","slug":"acordo-de-paris-inicio-de-longa-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/acordo-de-paris-inicio-de-longa-viagem\/","title":{"rendered":"Acordo de Paris, in\u00edcio de longa viagem"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_204859\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-204859\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Paris.jpg\" alt=\"Segundo o Acordo de Paris, o mundo deve buscar uma eleva\u00e7\u00e3o da temperatura de 1,5 grau Celsius, uma proposta recente da sociedade civil. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Paris-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Paris.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Segundo o Acordo de Paris, o mundo deve buscar uma eleva\u00e7\u00e3o da temperatura de 1,5 grau Celsius, uma proposta recente da sociedade civil. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Rajendra Kumar Pachauri*<\/em><\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 18\/1\/2016 \u2013 O acordo alcan\u00e7ado em dezembro de 2015 na 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), realizada em Paris, \u00e9 um importante avan\u00e7o na forma de lidar com o desafio da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O fato de quase todos os pa\u00edses do planeta terem assinado o Acordo de Paris \u00e9 um \u00eaxito importante, cujo cr\u00e9dito cabe em grande parte ao governo da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Entretanto, em termos cient\u00edficos, embora o acordo re\u00fana todas as partes, em si os compromissos assumidos nas contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC) n\u00e3o bastam para limitar o aumento da temperatura em dois graus Celsius at\u00e9 o final deste s\u00e9culo em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.<\/p>\n<p>Todo acordo sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica deve levar em conta a avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos impactos que o mundo enfrentar\u00e1 e dos riscos que dever\u00e1 suportar se n\u00e3o forem realizados esfor\u00e7os suficientes para mitigar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em n\u00edvel de mitiga\u00e7\u00e3o que limite os riscos dos impactos consequentes a n\u00edveis aceit\u00e1veis. O Quinto Informe de Avalia\u00e7\u00e3o (AR5) do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) fornece uma avalia\u00e7\u00e3o clara sobre o rumo que o planeta seguir\u00e1 se n\u00e3o forem modificadas suas pr\u00e1ticas habituais.<\/p>\n<p>O AR5 estabelece claramente que, se n\u00e3o forem feitos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o adicionais aos existentes hoje em dia, e inclusive com a adapta\u00e7\u00e3o, o aquecimento do planeta no final do s\u00e9culo 21 vai gerar riscos muito altos de consequ\u00eancias graves, generalizadas e irrevers\u00edveis em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<div id=\"attachment_204860\" style=\"width: 270px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"size-full wp-image-204860\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/pachauri8__.jpg\" alt=\"Rajendra Kumar Pachauri. Foto:IPS\" width=\"260\" height=\"159\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Rajendra Kumar Pachauri. Foto:IPS<\/p><\/div>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o e a mitiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o estrat\u00e9gias complementares para reduzir e administrar os riscos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em consequ\u00eancia, uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel das emiss\u00f5es nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas poder\u00e1 reduzir os riscos clim\u00e1ticos no s\u00e9culo 21, e posteriormente aumentar\u00e1 as possibilidades de uma adapta\u00e7\u00e3o eficaz, baixar\u00e1 os custos e os desafios da mitiga\u00e7\u00e3o no longo prazo e contribuir\u00e1 com o desenvolvimento sustent\u00e1vel mediante vias resistentes ao clima.<\/p>\n<p>O AR5 inclui cinco motivos de preocupa\u00e7\u00e3o (MDP) sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e ilustra as consequ\u00eancias que t\u00eam o aquecimento e os limites \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o para os seres humanos, as economias e os ecossistemas em todos os setores e todas as regi\u00f5es.Os cinco MDP se referem a sistemas \u00fanicos e amea\u00e7ados, fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos extremos, distribui\u00e7\u00e3o dos impactos, aspectos acumulados mundialmente e eventos singulares em grande escala. Esses MDP crescem em propor\u00e7\u00e3o direta ao grau de aquecimento projetado para os diferentes cen\u00e1rios<\/p>\n<p>Uma redu\u00e7\u00e3o importante nas emiss\u00f5es de GEE nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas poder\u00e1 reduzir consideravelmente os riscos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica mediante a limita\u00e7\u00e3o do aquecimento a partir da segunda metade do s\u00e9culo 21. As emiss\u00f5es acumuladas de di\u00f3xido de carbono (CO2) determinar\u00e3o em grande parte o aquecimento m\u00e9dio da superf\u00edcie do planeta at\u00e9 o final deste s\u00e9culo e posteriormente.<\/p>\n<p>Reduzir os riscos dos MDP implicaria limitar as emiss\u00f5es acumuladas de CO2. Esse limite exigiria redu\u00e7\u00e3o gradual das emiss\u00f5es at\u00e9 chegar a zero e que as emiss\u00f5es anuais se reduzissem nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Por\u00e9m, alguns riscos de dano clim\u00e1tico s\u00e3o inevit\u00e1veis, mesmo com mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o. Isso se deve \u00e0 in\u00e9rcia do sistema pelo qual o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de GEE na atmosfera terrestre ter\u00e1 consequ\u00eancias que j\u00e1 s\u00e3o inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Acordo de Paris \u00e9 um passo extremamente importante dado pela comunidade mundial, mas falta um n\u00edvel muito mais alto de ambi\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o com o atual representado pelas INDC, que obrigue todos os pa\u00edses a agirem. O exame das INDC est\u00e1 previsto para 2018 e 2023. Isso pode ser muito tarde, pois \u00e9 urgente a necessidade de demonstrar um n\u00edvel maior de ambi\u00e7\u00e3o, se o mundo quer reduzir as emiss\u00f5es de maneira significativa antes de 2030.<\/p>\n<p>Atrasar a mitiga\u00e7\u00e3o adicional at\u00e9 2030 aumentar\u00e1 consideravelmente os desafios associados com a limita\u00e7\u00e3o do aquecimento ao longo do s\u00e9culo 21 abaixo dos dois graus Celsius, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. E, se a comunidade internacional for s\u00e9ria sobre avaliar os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica dentro do limite de 1,5 grau acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, ent\u00e3o ser\u00e1 preciso adotar rigorosas medidas de mitiga\u00e7\u00e3o muito antes de 2030.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o forem tomadas medidas logo, ent\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria uma acelera\u00e7\u00e3o muito maior da energia baixa em carbono no per\u00edodo 2030-2050, com maior depend\u00eancia na elimina\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono no longo prazo, e impactos econ\u00f4micos de transi\u00e7\u00e3o e no longo prazo mais fortes.<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia, o Acordo de Paris deve ser visto como o come\u00e7o de uma viagem.Se o mundo quer reduzir ao m\u00ednimo os riscos derivados das consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica de forma adequada, ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds deve exigir um conjunto muito mais ambicioso de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o do que as que constam do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>Claramente, esse \u00e9 o desafio que o mundo enfrenta, e a comunidade internacional deve assumir com urg\u00eancia a tarefa de divulgar para o p\u00fablico os dados cient\u00edficos relacionados com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica como um acompanhamento do Acordo de Paris. S\u00f3 assim conseguir\u00edamos as medidas adequadas para limitar os riscos em n\u00edveis aceit\u00e1veis. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*<strong>Rajendra Kumar Pachauri<\/strong>\u00e9 diretor-geral do Instituto de Energia e Recursos (Teri) e ex-presidente do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (2002-2015).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Rajendra Kumar Pachauri* Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 18\/1\/2016 &ndash; O acordo alcan&ccedil;ado em dezembro de 2015 na 21&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes (COP 21) da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre a Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (CMNUCC), realizada em Paris, &eacute; um importante avan&ccedil;o na forma de lidar com o desafio da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. 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