{"id":20442,"date":"2016-01-22T13:07:55","date_gmt":"2016-01-22T13:07:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205038"},"modified":"2016-01-22T13:07:55","modified_gmt":"2016-01-22T13:07:55","slug":"russia-as-voltas-com-imigrantes-ucranianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/russia-as-voltas-com-imigrantes-ucranianos\/","title":{"rendered":"R\u00fassia \u00e0s voltas com imigrantes ucranianos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205039\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-205039\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/ucranianos.jpg\" alt=\"Mais de um milh\u00e3o de ucranianos buscaram ref\u00fagio na R\u00fassia desde abril de 2014. Foto: Zoltan Dujisin\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/ucranianos-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/ucranianos.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Mais de um milh\u00e3o de ucranianos buscaram ref\u00fagio na R\u00fassia desde abril de 2014. Foto: Zoltan Dujisin\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Yulia Beret, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Mil\u00e3o, It\u00e1lia, 22\/1\/2016 \u2013 Segundo dados oficiais divulgados pelo governo da R\u00fassia, desde abril de 2014 mais de um milh\u00e3o de cidad\u00e3os procedentes da Ucr\u00e2nia buscaram ref\u00fagio em territ\u00f3rio russo. Apesar desse n\u00famero, Moscou n\u00e3o reconhece que exista uma crise migrat\u00f3ria. Alguns pol\u00edticos chegaram a dizer que a comunidade internacional deveria aplicar o modelo russo de gest\u00e3o de grandes quantidades de refugiados.<\/p>\n<p>Inicialmente, o grande n\u00famero de pessoas que chegou ao sul da R\u00fassia provocou atrito com a popula\u00e7\u00e3o local, que n\u00e3o est\u00e1 acostumada \u00e0 diversidade e ignora os protocolos que protegem os refugiados. Por\u00e9m, as comunidades locais tentam proporcionar ajuda e apoio aos migrantes que precisam de assist\u00eancia.Os ucranianos foram instalados em campos de refugiados totalmente equipados, em sanat\u00f3rios e escolas, e inclusive em casas particulares, e foram aceitos em muitas cidades russas, como Rostov-on-Don, Krasnodar e Volgogrado.<\/p>\n<p>O governo russo adotou mudan\u00e7as nas leis relativas aos prazos para emiss\u00e3o de documentos paraos refugiados, inclu\u00edda a autoriza\u00e7\u00e3o de estadia no pa\u00eds por diferentes per\u00edodos. A documenta\u00e7\u00e3o oferece o <em>status<\/em> de refugiado ou de solicitante de asilo tempor\u00e1rio. Esta \u00faltima categoria permite perman\u00eancia maior no pa\u00eds. Inicialmente, todos recebem ajuda financeira. Depois podem escolher onde desejam se estabelecer, j\u00e1 que o sul da R\u00fassia n\u00e3o pode abrigar permanentemente grande n\u00famero de migrantes. O Estado tamb\u00e9m os ajuda com hospedagem e assist\u00eancia para que consigam trabalho.<\/p>\n<p>Uma das regi\u00f5es onde os refugiados podem se radicar \u00e9 o distrito aut\u00f4nomo de Khanty Mansy, na Sib\u00e9ria ocidental, onde \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar trabalho, devido principalmente \u00e0 pr\u00f3spera ind\u00fastria do petr\u00f3leo. O governo local tamb\u00e9m concede um subs\u00eddio de maternidade e assessoria aos migrantes sobre as leis locais.<\/p>\n<p>Mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio fazer mais para ajud\u00e1-los a se integrar, em uma transi\u00e7\u00e3o que em certas ocasi\u00f5es \u00e9 dif\u00edcil. Em geral, os refugiados em Khanty Mansy foram bem recebidos pela popula\u00e7\u00e3o, pois h\u00e1 muitas semelhan\u00e7as entre suas culturas. A intera\u00e7\u00e3o das duas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 muito importante, porque os ucranianos deixaram para tr\u00e1s suas casas, seus v\u00ednculos sociais e sua cultura.<\/p>\n<p>Atualmente, a maioria dos refugiados em Khanty Mansy tem emprego e condi\u00e7\u00f5es de vida dignas, bem como outros benef\u00edcios, como acesso gratuito \u00e0 universidade e \u00e0s escolas. Em outras palavras, t\u00eam o direito a uma vida segura e digna.Por\u00e9m, como em toda crise pol\u00edtica, a oposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente, sobretudo devido \u00e0s diferen\u00e7as nas atitudes regionais em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes.<\/p>\n<p>O governo oferece limitadas instru\u00e7\u00f5es a respeito e n\u00e3o h\u00e1 documenta\u00e7\u00e3o indicando claramente quais s\u00e3o os direitos dos refugiados, o que aumenta o estresse burocr\u00e1tico e as dificuldades na hora de conseguir os documentos legais e compreender os prazos para solicit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Um problema crescente \u00e9 o alto n\u00edvel de desemprego devido \u00e0 entrada de m\u00e3o de obra n\u00e3o qualificada. Mas as regi\u00f5es que recebem os refugiados costumam ser as de maior capacidade para absorver esse tipo de trabalhador. Por exemplo, os empregos no setor da constru\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o t\u00eam grande demanda, mas o problema surge quando os refugiados t\u00eam elevada educa\u00e7\u00e3o formal e exigem melhores oportunidades de emprego.<\/p>\n<p>Em lugar de destinar ao acaso certos lugares paraos refugiados, \u00e9 preciso criar uma base de dados que permita selecionar e destin\u00e1-los segundo seus conhecimentos e experi\u00eancia, ajudando, dessa forma, as economias formais.A R\u00fassia carece de pol\u00edtica adequada de apoio e aproveitamento eficaz de seus refugiados. Os programas atuais lhes d\u00e3o apoio por no m\u00e1ximo dois anos, o que \u00e9 pouco tempo para que muitos se integrem adequadamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 associa\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos direitos dos refugiados. Por isso, o maior impacto recai nos habitantes origin\u00e1rios. Como n\u00e3o existe um or\u00e7amento independente destinado a crises de refugiados, os impostos locais aumentam para apoiar esse novo segmento da popula\u00e7\u00e3o.Em conjunto com os sal\u00e1rios, essencialmente est\u00e1ticos, e a atual crise financeira, inclu\u00edda a queda progressiva dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo, a carga de gastos gerada pelos refugiados recai sobre a comunidade local. Alguns dos habitantes que acolheram os migrantes n\u00e3o conseguiram mant\u00ea-los.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o tampouco ajuda e frequentemente se manifesta em custos derivados da tramita\u00e7\u00e3o e expedi\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Representantes de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais asseguram que funcion\u00e1rios do \u00f3rg\u00e3o estatal correspondente exigem cerca de US$ 2 mil para entregar os documentos aos refugiados de forma \u201cr\u00e1pida e sem problemas\u201d.<\/p>\n<p>Muitos problemas se acumulam em um breve per\u00edodo de tempo devido \u00e0 crise dos refugiados ucranianos. Para melhorar sua situa\u00e7\u00e3o, antes que se agrave, ser\u00e1 preciso substituir medidas administrativas com incentivos econ\u00f4micos e reexaminar os procedimentos de reassentamento, para permitir sua melhor redistribui\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds, de tal maneira que sejam levadas em conta tanto as necessidades da nova popula\u00e7\u00e3o, como as dos habitantes origin\u00e1rios. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Yulia Beret, da IPS &ndash;&nbsp; Mil&atilde;o, It&aacute;lia, 22\/1\/2016 &ndash; Segundo dados oficiais divulgados pelo governo da R&uacute;ssia, desde abril de 2014 mais de um milh&atilde;o de cidad&atilde;os procedentes da Ucr&acirc;nia buscaram ref&uacute;gio em territ&oacute;rio russo. Apesar desse n&uacute;mero, Moscou n&atilde;o reconhece que exista uma crise migrat&oacute;ria. 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