{"id":20450,"date":"2016-01-26T12:49:27","date_gmt":"2016-01-26T12:49:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205148"},"modified":"2016-01-26T12:49:27","modified_gmt":"2016-01-26T12:49:27","slug":"volume-de-pesca-e-maior-do-que-se-imagina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/volume-de-pesca-e-maior-do-que-se-imagina\/","title":{"rendered":"Volume de pesca \u00e9 maior do que se imagina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205149\" style=\"width: 364px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"size-full wp-image-205149\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/pesca.jpg\" alt=\"Frotas pesqueiras subvencionadas, procedentes de Europa, China e Jap\u00e3o, esgotam as popula\u00e7\u00f5es de peixes em todo o mundo. Foto: Christopher Pala\/IPS\" width=\"354\" height=\"472\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/pesca-225x300.jpg 225w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/pesca.jpg 354w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Frotas pesqueiras subvencionadas, procedentes de Europa, China e Jap\u00e3o, esgotam as popula\u00e7\u00f5es de peixes em todo o mundo. Foto: Christopher Pala\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Christopher Pala, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 26\/1\/2016 \u2013 A captura mundial de pescado \u00e9 muito maior do que se pensava e seu decl\u00ednio \u00e9 muito mais r\u00e1pido, segundo novo estudo realizado pela canadense Universidade de Col\u00fambia Brit\u00e2nica, que reconstr\u00f3i os dados de 1950 a 2010. A pesquisa concluiu que a captura mundial nesse per\u00edodo foi 30% maior do que os pa\u00edses declararam \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). No Caribe a captura real duplicou com juros a declarada e diminuiu 60% mais r\u00e1pido do que os dados oficiais, aponta o estudo.<\/p>\n<p>\u201cEssa tend\u00eancia deve ser revertida com urg\u00eancia, do contr\u00e1rio uma grande quantidade de pessoas, que dependem do mar como fonte de prote\u00edna acess\u00edvel,vai sofrer. E a mudan\u00e7a clim\u00e1tica s\u00f3 agravar\u00e1 as coisas\u201d, alertou Daniel Pauly, cientista que dirigiu o estudo financiado pela organiza\u00e7\u00e3o ecologista PewEnvironmentGroup e da qual participaram mais de 400 colaboradores durante mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Desde 1950, os pa\u00edses devem declarar \u00e0 FAO suas capturas de pescado e mariscos. Os descartes \u2013 peixes capturados involuntariamente e de escasso valor comercial \u2013 ficavam fora da obriga\u00e7\u00e3o, porque o programa foi concebido originalmente para supervisionar o desenvolvimento econ\u00f4mico e n\u00e3o a pesca excessiva. Mas h\u00e1 tempos suspeitava-se que alguns pa\u00edses declaravam somente a captura industrial dos navios maiores, porque estes pagam taxas que podem ser supervisionadas, e descarregam o que capturam em poucos lugares e, portanto, o controle\u00e9 mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Acreditava-se que a captura de subsist\u00eancia dos que pescam para suas fam\u00edlias, a pesca artesanal dos pescadores em pequenas embarca\u00e7\u00f5es, e a de recreio realizada por pescadores amadores era maior do que a declarada, mas ignorava-se a que ponto.Por sua vez, a FAO n\u00e3o deu indica\u00e7\u00f5es sobre a precis\u00e3o de seus n\u00fameros. DirkZeller, coautor do estudo, pontuou que quase todos os pa\u00edses misturam comumente n\u00fameros concretos com estimativas e que poderiam \u201ccalcular as incertezas relativas aos dados que declaram se assim desejassem, mas ningu\u00e9m o faz\u201d.<\/p>\n<p>O n\u00famero exato da quantidade de peixes capturados \u00e9 vital, j\u00e1 que centenas de milh\u00f5es de pessoas dependem do mar como fonte de prote\u00edna acess\u00edvel, ressaltouZeller. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es de peixes s\u00e3o como uma carteira de a\u00e7\u00f5es. Antes de decidir quantas vender\u00e1, voc\u00ea quer saber exatamente quantas tem e quanto est\u00e1 rendendo ou perdendo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A partir de 2002,Pauly e Zeller decidiram reconstruir a captura mundial entre 1950 e 2010, e corrigir as defici\u00eancias do conjunto de dados da FAO, com base nas pol\u00edticas pesqueiras mundiais. Uma tarefa que \u201capenas uns loucos empreenderiam\u201d, brincou o cientista alem\u00e3o Rainer Froese, acrescentando que \u201cagora conseguiram\u201d.O resultado publicado na revista brit\u00e2nica <em>Nature Communications<\/em>, mostra que a captura real foi um ter\u00e7o maior do que a informada pela FAO.<\/p>\n<p>Esta ag\u00eancia da ONU diz que a captura mundial atingiu seu m\u00e1ximo em 1996, com 86 milh\u00f5es de toneladas, e baixou para 77 milh\u00f5es de toneladas em 2010, embora o estudo canadense coincida quanto a que a quantidade m\u00e1xima tenha ocorrido em 1996, assegura que chegou a 130 milh\u00f5es de toneladas e depois caiu para 110 milh\u00f5es de toneladas em 2010.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a queda na captura triplicou a quantidade informada pela FAO, que recentemente considerou que a quantia capturada \u00e9 \u201cbasicamente est\u00e1vel\u201d.Marc Taconet, chefe de estat\u00edsticas de pesca da FAO, confirmou a validade de seus dados e \u201cexpressou reservas\u201d diante das novas conclus\u00f5es, que discordam dos informes da ag\u00eancia sobre a estabilidade da captura ao longo dos anos, embora tenha se negado a se aprofundar a respeito.<\/p>\n<p>No Caribe, segundo Pauly, os pesquisadores descobriram que os funcion\u00e1rios reguladores da pesca se dedicam em grande parte a informar sobre capturas de esp\u00e9cies para as quais as frotas estrangeiras pagam direitos de licen\u00e7a, como atum, tubar\u00e3o e bicuda. \u201cEm geral, se esquecem da pesca local\u201d, assegurou.Inclusive nas Bahamas, onde a captura de recreio \u00e9 descarregada nos principais portos que s\u00e3o de f\u00e1cil acesso aos turistas, os resultados foram surpreendentes.<\/p>\n<p>A pesquisadora Nicola Smith concluiu que as autoridades n\u00e3o tinham nem ideia da magnitude da captura de peixes de \u00e1guas profundas, como marlim, atum e mahi-mahi. Esse tipo de pesca superou inclusive a comercial, e nada disso foi informado \u00e0 FAO, afirmou. \u201cQuando contei ao diretor de recursos marinhos das Bahamas, ele ficou muito surpreso\u201d, disse a pesquisadoranascida nas Bahamas em uma entrevista. \u201c\u00c9 incr\u00edvel que um pa\u00eds que depende do turismo para mais da metade de seu produto interno bruto n\u00e3o tenha ideia da magnitude da pesca, que tem um papel central para atrair os turistas\u201d, acrescentou a pesquisadora.<\/p>\n<p>No geral, o estudo concluiu que a captura no Caribe cresceu de 230 mil toneladas em 1950 para 830 mil toneladas em 2004, antes de cair para 470 mil toneladas em 2010.\u201cE isso n\u00e3o \u00e9 tudo. O que aconteceu \u00e9 que, na medida em que os peixes de arrecife, como o pargo e o mero, se esgotavam,os ilh\u00e9us se afastavam mais da costa em busca de atum, cuja captura passou de sete mil toneladas em 1950, para 25 mil toneladas em 2004\u201d, explicou Smith.<\/p>\n<p>Mas as popula\u00e7\u00f5es de atum, durante muito tempo fora do alcance dos ilh\u00e9us, diminuem constantemente devido ao interesse das frotas europeias, asi\u00e1ticas e norte-americanas, bastante subvencionadas.Embora cada vez mais ilh\u00e9us pretendessem substituir seus peixes de arrecife pelo atum, a captura deste caiu para 20 mil toneladas nos seis anos entre 2004 e 2010, segundo o estudo. J\u00e1 a pesca de meros e pargos diminuiu um ter\u00e7o no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m afetar\u00e1 o Caribe de v\u00e1rias maneiras, pontuouPauly. A eleva\u00e7\u00e3o repentina da temperatura da \u00e1gua, que mata o coral, \u00e9 cada vez mais frequente, o que deixa menos tempo para recupera\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o de herb\u00edvoros como o peixe-louro, dos quais o coral depende para manter sob controle a popula\u00e7\u00e3o de algas, tamb\u00e9m \u00e9 dizimada.<\/p>\n<p>William Cheung, ecologista marinho da Universidade de Col\u00fambia Brit\u00e2nica que trabalha com Pauly, disse que o aquecimento das \u00e1guas do Caribe afasta a vida marinha da Linha do Equador. \u201cEstimamos que o centro de gravidade de algumas esp\u00e9cies se deslocar\u00e1 50 quil\u00f4metros por d\u00e9cada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para enfrentar essas tend\u00eancias, os pa\u00edses do Caribe necessitam com urg\u00eancia recolher melhor informa\u00e7\u00e3o sobre a quantidade de peixes que t\u00eam e quanto est\u00e1 sendo capturado, e depois impor limites de captura realistas, destacouPauly. Tamb\u00e9m deveriam criar reservas marinhas onde a pesca fosse proibida, como ocorre em Bonaire e Barbuda, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Christopher Pala, da IPS &ndash;&nbsp; Washington, Estados Unidos, 26\/1\/2016 &ndash; A captura mundial de pescado &eacute; muito maior do que se pensava e seu decl&iacute;nio &eacute; muito mais r&aacute;pido, segundo novo estudo realizado pela canadense Universidade de Col&uacute;mbia Brit&acirc;nica, que reconstr&oacute;i os dados de 1950 a 2010. 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