{"id":20466,"date":"2016-01-29T12:22:30","date_gmt":"2016-01-29T12:22:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205360"},"modified":"2016-01-29T12:22:30","modified_gmt":"2016-01-29T12:22:30","slug":"hidreletrica-concentra-debate-energetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/01\/ultimas-noticias\/hidreletrica-concentra-debate-energetico\/","title":{"rendered":"Hidrel\u00e9trica concentra debate energ\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205361\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-205361\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/lagoGeneralCarrera.jpg\" alt=\"Vista do lago General Carrera, o segundo maior da Am\u00e9rica do Sul situado na regi\u00e3o de Ays\u00e9n, na Patag\u00f4nia chilena, um ind\u00f4mito territ\u00f3rio que \u00e9 considerado o para\u00edso h\u00eddrico do pa\u00eds. Foto: Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"340\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/lagoGeneralCarrera-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/lagoGeneralCarrera.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Vista do lago General Carrera, o segundo maior da Am\u00e9rica do Sul situado na regi\u00e3o de Ays\u00e9n, na Patag\u00f4nia chilena, um ind\u00f4mito territ\u00f3rio que \u00e9 considerado o para\u00edso h\u00eddrico do pa\u00eds. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>A aprova\u00e7\u00e3o pelo governo do Chile de uma central hidrel\u00e9trica na Patag\u00f4nia reavivou novamente a discuss\u00e3o sobre a sustentabilidade dessa fonte em sua forma tradicional e sua efici\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de uma matriz energ\u00e9tica limpa.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Marianela Jarroud, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 29\/1\/2016 \u2013 \u201cA hidroeletricidade como processo para obter energia pode ser limpa e vi\u00e1vel, mas, para n\u00f3s, todo tipo de energia deve ser desenvolvida em escala humana, e isso deve responder ao tamanho e potencial das comunidades\u201d, ressaltou \u00e0 IPS a porta-voz do movimento Patag\u00f4nia Sem Represas, Claudia Torres.<\/p>\n<p>Segundo a ativista, \u201cha v\u00e1rios fatores pelos quais os movimentos socioambientais est\u00e3o contra as megarrepresas: pelos enormes impactos e pelo objetivo dessa eletricidade, destinada a saciar as necessidades da megaminera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 outro descalabro (ambiental) no norte do pa\u00eds\u201d.A luta desses movimentos contra as represas na regi\u00e3o patag\u00f4nia de Ays\u00e9n teve uma importante derrota no dia 18 deste m\u00eas, quando foi aprovado o projeto da central do Cuervo nesse ind\u00f4mito ecossistema, destinado a gerar 640 megawatts (MW).<\/p>\n<p>O Chile possui 17,6 milh\u00f5es de habitantes e capacidade total instalada de 20.203 MW, distribu\u00eddos majoritariamente nos sistemas interligados Central (78,38%) e do Norte Grande (20,98%). A matriz energ\u00e9tica chilena \u00e9 composta por 58,4% de gera\u00e7\u00e3o a diesel, carv\u00e3o e g\u00e1s natural, com depend\u00eancia dos hidrocarbonos importados, que o pa\u00eds busca reduzir drasticamente por raz\u00f5es financeiras e por seus compromissos para mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A mega-hidroeletricidade fornece 19,97% ao total da matriz, enquanto as fontes renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais somam 13,5%.<\/p>\n<p>O pa\u00eds conta com enorme potencial de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais, que permitiram ao governo da presidente Michelle Bachelet estabelecer,em 2014,uma agenda para o setor, que projeta para 2050 que 70% da gera\u00e7\u00e3o de energia ser\u00e1 fornecida por fontes renov\u00e1veis.Em mat\u00e9ria de recursos h\u00eddricos, o pa\u00eds disp\u00f5e de aproximadamente 6.500 quil\u00f4metros de costa, 11.452 quil\u00f4metros quadrados de lagos e lagoas, 97 bacias hidrogr\u00e1ficas e 34 rios transfronteiri\u00e7os, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Ays\u00e9n, no extremo sul do pa\u00eds, \u00e9 considerada o para\u00edso h\u00eddrico do Chile por seus caudalosos rios, numerosos lagos e suas caracter\u00edsticas lagoas. Seu territ\u00f3rio abriga o lago General Carrera, o segundo maior da Am\u00e9rica do Sul, atr\u00e1s do Titicaca, na Bol\u00edvia.\u00c9 para essa pouco povoada regi\u00e3o que se volta o olhar para a explora\u00e7\u00e3o da hidroeletricidade, uma energia amplamente recha\u00e7ada por numerosos setores da sociedade civil, que a consideram obsoleta e uma amea\u00e7a ao bem-estar socioambiental da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, o professor Mat\u00edas Peredo, especialista em energia hidr\u00e1ulica da p\u00fablica Universidade de Santiago do Chile, assegurou que o potencial h\u00eddrico do pa\u00eds permite que a hidr\u00e1ulica seja \u201cuma das fontes de energia que mais podemos desenvolver\u201d. Peredo afirmou \u00e0 IPS que \u201csempre \u00e9 bom diversificar a matriz energ\u00e9tica e a energia hidrel\u00e9trica, bem operada, \u00e9 bastante sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>O professor acrescentou que um projeto hidrel\u00e9trico grande, mas bem administrado, \u201c\u00e9 melhor do ponto de vista ambiental e social do que v\u00e1rios projetos pequenos que somados conseguem a mesma quantidade de megawatts\u201d. Peredo explicou que, para uma hidrel\u00e9trica ser operada como deve ser, \u00e9 preciso conseguir um bom uso do recurso para evitar flutua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O especialista tamb\u00e9m disse que \u201ca gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica no Chile depende da demanda e do fator de carga da central. Em outras palavras, a usina s\u00f3 pode operar com pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia de Eletricidade e Combust\u00edveis e dependendo da disponibilidade de \u00e1gua\u201d. Peredo pontuou que \u201cessa combina\u00e7\u00e3o faz com que a central hidrel\u00e9trica opere um tempo, depois deixe de operar, volte a funcionar e novamente pare. Ent\u00e3o, gera flutua\u00e7\u00f5es importantes de caudal e isso produz um estresse muito grande no ecossistema\u201d.<\/p>\n<p>A lei que reforma e fomenta o setor das energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais agrupa nessa denomina\u00e7\u00e3o a energia hidrel\u00e9trica de at\u00e9 20 MW de pot\u00eancia, ou seja, as minicentrais hidr\u00e1ulicas. Organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, como a Ecossistemas, consideram que as grandes centrais hidrel\u00e9tricas geram comprovados impactos sociais e ecol\u00f3gicos muito negativos.Entre esses impactos est\u00e3o inunda\u00e7\u00e3o de grandes extens\u00f5es de terra que destroem a flora e a fauna, e altera\u00e7\u00f5esnos rios, o que provoca sua degrada\u00e7\u00e3o bioecol\u00f3gica, entre outros problemas multidimensionais.<\/p>\n<p>Junto a isso, as consequ\u00eancias sociais negativas das grandes represas s\u00e3o proporcionais aos seus m\u00faltiplos impactos ambientais, e por causa delas milh\u00f5es de pessoas foram reassentadas ou deslocadas: entre 40 milh\u00f5es e 80 milh\u00f5es em n\u00edvel mundial em 2000, segundo dados da Comiss\u00e3o Mundial de Represas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante diversificar a matriz energ\u00e9tica para uso local, com um bom apoio, energias limpas, impactos bem menores e potencializa\u00e7\u00e3o do consumo e do desenvolvimento dos territ\u00f3rios\u201d, destacou a ativista Torres, de Coyhaique, capital da regi\u00e3o de Ays\u00e9n. \u201cA gera\u00e7\u00e3o descentralizada \u00e9 fundamental\u201d para avan\u00e7ar em mat\u00e9ria de energia limpa e sustent\u00e1vel, acrescentou, ressaltando que a popula\u00e7\u00e3o de Ays\u00e9n busca sustentar sua matriz energ\u00e9tica com base na energia e\u00f3lica, solar e maremotriz (energia das mar\u00e9s), entre outras.<\/p>\n<p>Peredo concordou com a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da descentraliza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.\u201cA gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda \u00e9 uma discuss\u00e3o que, sem d\u00favida, deve ser feita. Ganha muito sentido o fato de a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ser fornecida de locais mais pr\u00f3ximos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O movimento Patag\u00f4nia Sem Represas obteve em 2014 um sucesso hist\u00f3rico, quando o governo rejeitou definitivamente o projeto da HidroAys\u00e9n, que pretendia construir cinco centrais hidrel\u00e9tricas para gerar globalmente 2.700 MW. Mas agora enfrenta o rev\u00e9s da aprova\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da central do Cuervo por um especial Comit\u00ea de Ministros, que \u00e9 uma decis\u00e3o inapel\u00e1vel no campo administrativo, deixando apenas a via judicial para impedir sua concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desenvolvida pela Energia Austral, uma empresa mista dos grupos Glencore (Su\u00ed\u00e7a) e Origin Energy (Austr\u00e1lia), o projeto contempla investimento de US$ 733 milh\u00f5es e ser\u00e1 constru\u00eddo na nascente do rio Cuervo, a 45 quil\u00f4metros de Puerto Ays\u00e9n, a segunda cidade da regi\u00e3o. Para a linha de transmiss\u00e3o que levar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 o sistema interligado s\u00e3o estudadas op\u00e7\u00f5es de um tra\u00e7ado submarino e outro a\u00e9reo-submarino.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica sobre a central aumenta porque sua constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 projetada sobre a falha geol\u00f3gica Liqui\u00f1e-Ofqui, uma regi\u00e3o formada por cones vulc\u00e2nicos ativos, alertam especialistas no assunto. \u201c\u00c9 um risco iminente para a popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Torres. Peredo ressaltou que \u201cn\u00e3o se trata de um projeto bem operado\u201d e que \u201cdesde sua concep\u00e7\u00e3o esteve mal desenhado. Deixaram de considerar aspectos relevantes, como a mescla dos rios Yulton e Meullin, que em algum ponto ocorre e que poderia ter consequ\u00eancias desastrosas para o ecossistema\u201d.<\/p>\n<p>Os opositores ao projeto j\u00e1 anteciparam que recorrer\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a e pressionar\u00e3o social e politicamente, em um ano de elei\u00e7\u00f5es municipais no Chile. \u201cNosso objetivo \u00e9 apenas um: que n\u00e3o se construa nenhuma represa na Patag\u00f4nia, e assim ser\u00e1\u201d, enfatizou Torres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aprova&ccedil;&atilde;o pelo governo do Chile de uma central hidrel&eacute;trica na Patag&ocirc;nia reavivou novamente a discuss&atilde;o sobre a sustentabilidade dessa fonte em sua forma tradicional e sua efici&ecirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o de uma matriz energ&eacute;tica limpa. 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