{"id":20487,"date":"2016-02-03T13:43:08","date_gmt":"2016-02-03T13:43:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205555"},"modified":"2016-02-03T13:43:08","modified_gmt":"2016-02-03T13:43:08","slug":"para-onde-vao-os-fundos-para-o-ebola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/para-onde-vao-os-fundos-para-o-ebola\/","title":{"rendered":"Para onde v\u00e3o os fundos para o ebola?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205556\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-205556\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ebola.jpg\" alt=\" Dois trabalhadores da sa\u00fade colocam os p\u00e9s em um recipiente de \u00e1gua com hipoclorito de s\u00f3dio, \u00e0 sa\u00edda de uma barraca de campanha em isolamento durante uma simula\u00e7\u00e3o de atendimento a pacientes com ebola, no hospital de Biankouman, na Costa do Marfim, em agosto de 2014. Foto: Marc-Andr\u00e9 Boisvert\/IPS \" width=\"340\" height=\"223\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ebola-300x197.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ebola.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Dois trabalhadores da sa\u00fade colocam os p\u00e9s em um recipiente de \u00e1gua com hipoclorito de s\u00f3dio, \u00e0 sa\u00edda de uma barraca de campanha em isolamento durante uma simula\u00e7\u00e3o de atendimento a pacientes com ebola, no hospital de Biankouman, na Costa do Marfim, em agosto de 2014. Foto: Marc-Andr\u00e9 Boisvert\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 3\/2\/2016 \u2013 Quando a epidemia de ebola de 2014 come\u00e7ou na Guin\u00e9, Lib\u00e9ria e Serra Leoa, a comunidade internacional respondeu com promessas de mais de US$ 5,8 bilh\u00f5es para combater a enfermidade que matou mais de 11.300 pessoas nesses pa\u00edses da \u00c1frica ocidental. Mas, seis meses depois da Confer\u00eancia Internacional sobre a Recupera\u00e7\u00e3o do Ebola, organizada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, aproximadamente US$ 1,9 bilh\u00e3o dos fundos prometidos ainda n\u00e3o foram entregues e existe \u201cescassa informa\u00e7\u00e3o\u201d dispon\u00edvel sobre os US$ 3,9 bilh\u00f5es restantes, segundo um estudo da Oxfam Internacional.<\/p>\n<p>Os fundos de recupera\u00e7\u00e3o prometidos \u201cs\u00e3o quase imposs\u00edveis de se rastrear\u201d, de acordo com essa organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria com sede na Gr\u00e3-Bretanha.\u201cEssa falta de transpar\u00eancia n\u00e3o se deve a uma \u00fanica causa. \u00c9 um desafio sist\u00eamico que \u00e9 responsabilidade coletiva de todos \u2013 doadores, governos e organiza\u00e7\u00f5es executantes \u2013 melhorar\u201d, apontou \u00e0 IPS David Saldivar, da Oxfam Estados Unidos, ao ser perguntado se a falta de transpar\u00eancia se deve \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Oxfam considera que se deveria dar mais fundos diretamente aos governos e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es locais, que entendem melhor o contexto e as necessidades do lugar e s\u00e3o mais respons\u00e1veis diante das comunidades que atendem. \u201c\u00c9 importante que os pa\u00edses que fizeram um trabalho t\u00e3o excelente com a recente crise do ebola recebam os fundos que lhes foram prometidos\u201d, destacou \u00e0 IPS o porta-voz da ONU, Farhan Haq.<\/p>\n<p>O foco de ebola n\u00e3o foi apenas um rev\u00e9s para as economias dos pa\u00edses afetados, mas tamb\u00e9m devastou os sistemas de sa\u00fade, por si s\u00f3 j\u00e1 inadequados, e arruinou os meios de vida de muitas pessoas, afirmou a Oxfam.Entretanto, a epidemia de ebola ainda n\u00e3o terminou. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) anunciou, no final de janeiro, que 150 pessoas foram expostas ao risco da doen\u00e7a em Serra Leoa.<\/p>\n<p>\u201cEsse n\u00e3o \u00e9 o fim do ebola na \u00c1frica ocidental nem no mundo\u201d, segundo a Oxfam. \u201cDemorou quase dois anos, mais de 11.300 mortes, numerosos recursos, assist\u00eancia t\u00e9cnica e milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de todo o mundo para lidar com a epidemia na \u00c1frica ocidental, concretamente na Lib\u00e9ria, Serra Leoa e Guin\u00e9\u201d, pontuou Saldivar.<\/p>\n<p>A Oxfam pediu aos chefes de Estado e de governo africanos \u2013 que se reuniram na Eti\u00f3pia para a c\u00fapula da Uni\u00e3o Africana (UA) entre 21 e 31 de janeiro \u2013 que dediquem sua aten\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 sa\u00fade. Segundo Saldivar, \u201ca lentid\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o e resposta dos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica diante dos recentes casos em Serra Leoa e Lib\u00e9ria demonstram claramente que ainda n\u00e3o s\u00e3o capazes de responder com efic\u00e1cia ao ebola e a outras doen\u00e7as altamente contagiosas\u201d.<\/p>\n<p>Em abril de 2001, os governantes da UA se comprometeram a fixar uma meta para destinar pelo menos 15% de seu or\u00e7amento anual para melhorar o setor da sa\u00fade. Em 2013, bem antes do foco de ebola, apenas seis Estados membros da UA haviam cumprido esse compromisso. A m\u00e9dia para a \u00c1frica ocidental foi de 8% e em Serra Leoa chegou a apenas 6,22%, informou a Oxfam.<\/p>\n<p>\u201cApesar de a Oxfam e outras organiza\u00e7\u00f5es responderem mediante a mobiliza\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios comunit\u00e1rios, isso n\u00e3o basta. Se vamos ter sucesso, as comunidades devem ser parte do processo e do planejamento, desde o princ\u00edpio\u201d, indicou Aboubacry Tall, diretor regional da Oxfam para a \u00c1frica ocidental.<\/p>\n<p>\u201cDepois do recente foco de ebola na Lib\u00e9ria, fiquei horrorizado ao ver os mesmos padr\u00f5es de desconfian\u00e7a pairando no ar. Os boatos eram in\u00fameros, alguns n\u00e3o acreditavam que fosse ebola e outros acreditavam que tinha sido reintroduzido propositalmente. Esse tipo de boato \u00e9 muito perigoso\u201d, alertou Tall.<\/p>\n<p>Para evitar que a mesma trag\u00e9dia se repita, a Oxfam exortou os governos de Guin\u00e9, Lib\u00e9ria e Serra Leoa a facultar \u00e0s comunidades locais assumirem um papel de lideran\u00e7a em sua pr\u00f3pria aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, garantindo que a popula\u00e7\u00e3o participe plenamente das decis\u00f5es sobre a destina\u00e7\u00e3o dos recursos e sua utiliza\u00e7\u00e3o.A experi\u00eancia da Oxfam durante a resposta ao ebola demonstrou que a lideran\u00e7a comunit\u00e1ria e a confian\u00e7a nos sistemas de sa\u00fade locais s\u00e3o absolutamente vitais e devem ser consideradas como uma necessidade m\u00e9dica, acrescentou.<\/p>\n<p>Perguntado sobre se a redu\u00e7\u00e3o nos fundos se deve \u00e0 recess\u00e3o econ\u00f4mica mundial e \u00e0 queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, Saldivar respondeu que o sistema humanit\u00e1rio mundial deve lidar com um n\u00famero sem precedentes de crises simult\u00e2neas, o que faz com que seja ainda mais importante que os pa\u00edses que est\u00e3o se recuperando de problemas como o foco de ebola tenham as ferramentas e o apoio que necessitam, inclu\u00edda a informa\u00e7\u00e3o para planejar e administrar a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Saldivar, \u201co maior problema \u00e9 com o acompanhamento dos fundos de recupera\u00e7\u00e3o e a falta de um sistema \u00fanico para a apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios com informa\u00e7\u00e3o clara e atualizada de todos os doadores\u201d. Os doadores reportam a informa\u00e7\u00e3o de diferentes maneiras, por isso os atores locais t\u00eam dificuldade para rastrear os fundos.<\/p>\n<p>Mais de US$ 1 bilh\u00e3o em fundos prometidos pelos principais doadores est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses na medida em que os governos determinem suas necessidades de recupera\u00e7\u00e3o mais graves.\u201c\u00c9 razo\u00e1vel que, a apenas seis meses da confer\u00eancia da ONU, n\u00e3o se tenha gasto todos os fundos prometidos. Mas a quest\u00e3o mais importante \u00e9 que os atores locais merecem ter informa\u00e7\u00e3o atualizada sobre a situa\u00e7\u00e3o para que possam vigiar e ter voz sobre como s\u00e3o gastos os recursos\u201d, ressaltou Saldivar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 3\/2\/2016 &ndash; Quando a epidemia de ebola de 2014 come&ccedil;ou na Guin&eacute;, Lib&eacute;ria e Serra Leoa, a comunidade internacional respondeu com promessas de mais de US$ 5,8 bilh&otilde;es para combater a enfermidade que matou mais de 11.300 pessoas nesses pa&iacute;ses da &Aacute;frica ocidental. 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