{"id":20497,"date":"2016-02-05T12:23:33","date_gmt":"2016-02-05T12:23:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205669"},"modified":"2016-02-05T12:23:33","modified_gmt":"2016-02-05T12:23:33","slug":"um-trabalhador-imigrante-fala-por-muitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/um-trabalhador-imigrante-fala-por-muitos\/","title":{"rendered":"Um trabalhador imigrante fala por muitos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205670\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-205670\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Bangladeshi-workers-629x419-629x419.jpg\" alt=\"Tr\u00eas em cada quatro trabalhadores de Bangladesh residentes na It\u00e1lia atuam no setor terci\u00e1rio e 23,3% est\u00e3o empregados no setor de hotelaria e restaurantes. Foto: SimbaShaniKamaria Rousseau\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Bangladeshi-workers-629x419-629x419-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Bangladeshi-workers-629x419-629x419.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tr\u00eas em cada quatro trabalhadores de Bangladesh residentes na It\u00e1lia atuam no setor terci\u00e1rio e 23,3% est\u00e3o empregados no setor de hotelaria e restaurantes. Foto: SimbaShaniKamaria Rousseau\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Francesco Farn\u00e8, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 5\/2\/2016 \u2013 \u201cNos primeiros meses que passei na It\u00e1lia, sempre rezei para que chovesse. Passava horas olhando a previs\u00e3o do tempo\u201d, contou Roni, um universit\u00e1rio de 26 anos de uma fam\u00edlia de renda m\u00e9dia de Bangladesh. De pai funcion\u00e1rio p\u00fablico e m\u00e3e dona de casa, Roni teve que vender guarda-chuva nas ruas de Roma por mais de um ano, antes de encontrar trabalho de ver\u00e3o junto ao mar em uma cafeteria.<\/p>\n<p>O rapaz disse \u00e0 IPS que em 2012 abandonou seu pa\u00eds, como muitos outros bengaleses, em busca de melhores oportunidades na Europa. \u201cEra imposs\u00edvel conseguir emprego em Bangladesh, apesar de universit\u00e1rio. Tinha ouvido que muitos amigos e parentes fizeram uma fortuna na It\u00e1lia e queria ser como eles\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos do Instituto Nacional de Estat\u00edsticas, em 2015 havia mais de 138 mil bengaleses morando legalmente na It\u00e1lia, aumento de 9% em compara\u00e7\u00e3o com 2014. E 75,6% deles estavam empregados no setor de servi\u00e7os. Al\u00e9m disso, mais de 20 mil bengaleses foram registrados como propriet\u00e1rios de empresas em 2013, segundo o informe anual sobre a presen\u00e7a de imigrantes <em>A Comunidade Bengalesa<\/em>, do Minist\u00e9rio de Trabalho e Pol\u00edtica Social italiano.<\/p>\n<p>O processo de obten\u00e7\u00e3o de visto \u00e9 muito complexo. \u201cH\u00e1 dois tipos de vistos, um para os trabalhadores agr\u00edcolas e outro para os demais. O primeiro \u00e9 bastante f\u00e1cil de conseguir e custa menos, cerca de oito mil euros, enquanto o segundo, o que consegui, exige um patrocinador residente na It\u00e1lia e o custo passa de 12 mil euros\u201d, contou Roni.<\/p>\n<p>\u201cPaguei ao meu patrocinador diretamente e ele completou toda a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Uma vez que obtive a <em>nullahosta<\/em> (autoriza\u00e7\u00e3o), pude solicitar o visto na embaixada da It\u00e1lia em Bangladesh\u201d, continuou o rapaz. \u201cTive sorte porque os documentos demoraram apenas tr\u00eas meses. Muitas pessoas t\u00eam de esperar muito mais tempo e pagar a dois ou tr\u00eas intermedi\u00e1rios para se conectar com um patrocinador\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Conseguir apoio da comunidade de bengaleses \u00e9 dif\u00edcil. \u201cNingu\u00e9m me ajudou na busca por emprego, nem me deram indica\u00e7\u00e3o alguma sobre onde comprar guarda-chuvas para vender, nem me ajudou com o idioma, j\u00e1 que n\u00e3o falava italiano. Meu patrocinador s\u00f3 me ajudou a encontrar um lugar para dormir \u2013 um quarto dividido com nove estranhos que paguei por minha conta \u2013 e isso foi tudo\u201d, lamentou Roni.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 18 meses de procura, o rapaz encontrou trabalho em um restaurante e est\u00e1 contente. Al\u00e9m disso, tem um contrato que lhe permitir\u00e1 renovar sua autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia. Roni ganha mais de mil euros por m\u00eas, suficiente para enviar entre 400 e 600 para sua fam\u00edlia em Bangladesh. As remessas s\u00e3o parte de sua \u201cmiss\u00e3o\u201d na It\u00e1lia j\u00e1 que, desde que seu pai se aposentou, sua fam\u00edlia usa o dinheiro para pagar o aluguel e a subsist\u00eancia em geral.<\/p>\n<p>Depois da China, Bangladesh \u00e9 o segundo pa\u00eds de destino das remessas procedentes da It\u00e1lia, que chegaram a 346,1 milh\u00f5es de euros em 2013, ou 7,9% do total de remessas, segundo o informe anual do Minist\u00e9rio de Trabalho e Pol\u00edtica Social.<\/p>\n<p>Embora por contrato Roni tenha jornada de seis horas de trabalho, na realidade faz dez ou mais pelo mesmo sal\u00e1rio, e os dias de licen\u00e7a ou doen\u00e7a n\u00e3o contam como dias trabalhados, explicou. Ele afirmou que recebe menos do que outros trabalhadores. Ainda que as condi\u00e7\u00f5es de emprego de Roni pare\u00e7am melhores do que as de outros imigrantes, seu empregador n\u00e3o cumpre muitos dos direitos trabalhistas em mat\u00e9ria de retribui\u00e7\u00f5es, licen\u00e7a por doen\u00e7a e horas de trabalho semanal, que constam de numerosas diretrizes estabelecidas pela Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u201cMas isso n\u00e3o tem a ver apenas com chefes maus que exploram os imigrantes\u201d, opinou Roni. \u201cN\u00f3s, como trabalhadores imigrantes temos que lutar por nossos direitos e deixar de aceitar essas condi\u00e7\u00f5es humilhantes. Acredito que as pol\u00edticas do governo para proteger os trabalhadores s\u00e3o boas\u201d, acrescentou.\u201cN\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de pol\u00edticas, mas da forma como s\u00e3o implantadas para garantir o respeito \u00e0s leis. De fato, depois que funcion\u00e1rios do governo fizeram uma inspe\u00e7\u00e3o onde trabalho, fomos imediatamente contratados e ganhamos acesso formal a medidas b\u00e1sicas de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o social\u201d, concluiu, com um chamado ao seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p>\u201cNos ajudemos entre n\u00f3s e juntemos nossos pontos fortes. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de ajudar os rec\u00e9m-chegados, porque isso nos dar\u00e1 frutos. Eu mesmo ajudei dois cidad\u00e3os bengaleses dando-lhes abrigo em casa e pagando seu aluguel. Eles me devolver\u00e3o logo que conseguirem emprego. A solidariedade leva a uma situa\u00e7\u00e3o em que todos ganham e \u00e9 a \u00fanica maneira de melhorar nossa condi\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Roni.<\/p>\n<p>O rapaz \u00e9 apenas um dos in\u00fameros rostos que representam a crise migrat\u00f3ria na It\u00e1lia. Os mais fracos sofrem as piores consequ\u00eancias, desde a perspectiva das pol\u00edticas de Estado, e n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que uma estrat\u00e9gia integrada da Uni\u00e3o Europeia ser\u00e1 a \u00fanica maneira eficaz de enfrentar a quest\u00e3o.Isto \u00e9 especialmente certo quando se trata de garantir a aplica\u00e7\u00e3o e o cumprimento das leis trabalhistas, de seguridade social e os direitos humanos.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel nacional e local, as institui\u00e7\u00f5es italianas e as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais t\u00eam um papel fundamental a desempenhar. Devem criar consci\u00eancia e melhorar a compreens\u00e3o desses temas.Os trabalhadores devem ser conscientes de seus \u201cdireitos trabalhistas e de emprego, direitos sociais e de bem-estar, e onde buscar ajuda\u201d, afirmaa Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho em sua publica\u00e7\u00e3o <em>A Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes: Uma Responsabilidade Compartilhada<\/em>.<\/p>\n<p>Tudo isso pode ajudar significativamente a gerar mudan\u00e7as legislativas necess\u00e1rias no setor do trabalho, para garantir que os direitos dos migrantes sejam protegidos. Por fim, as institui\u00e7\u00f5es italianas e a sociedade civil devem exigir controles mais r\u00edgidos por parte das autoridades para garantir que as leis existentes sejam cumpridas, conforme sugeriu Roni. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Francesco Farn&egrave;, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 5\/2\/2016 &ndash; &ldquo;Nos primeiros meses que passei na It&aacute;lia, sempre rezei para que chovesse. Passava horas olhando a previs&atilde;o do tempo&rdquo;, contou Roni, um universit&aacute;rio de 26 anos de uma fam&iacute;lia de renda m&eacute;dia de Bangladesh. 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