{"id":20523,"date":"2016-02-15T12:50:04","date_gmt":"2016-02-15T12:50:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205810"},"modified":"2016-02-15T12:50:04","modified_gmt":"2016-02-15T12:50:04","slug":"pessoal-medico-e-vitima-em-zona-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/pessoal-medico-e-vitima-em-zona-de-guerra\/","title":{"rendered":"Pessoal m\u00e9dico \u00e9 v\u00edtima em zona de guerra"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205811\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-205811\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/sirios-629x418.jpg\" alt=\"As consequ\u00eancias de um bombardeio em Alepo, na S\u00edria, em fevereiro de 2014. Foto: FreedomHouse\/ccby 2.0 \" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/sirios-629x418-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/sirios-629x418.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As consequ\u00eancias de um bombardeio em Alepo, na S\u00edria, em fevereiro de 2014. Foto: FreedomHouse\/ccby 2.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 15\/2\/2016 \u2013 O crescente bombardeio indiscriminado em tr\u00eas dos pa\u00edses com mais conflitos \u2013 Afeganist\u00e3o, S\u00edria e I\u00eamen \u2013 faz um grande n\u00famero de v\u00edtimas entre o pessoal m\u00e9dico e humanit\u00e1rio, al\u00e9m dos milhares de civis presos em meio aos enfrentamentos entre as for\u00e7as governamentais e rebeldes. As bombas lan\u00e7adas pelos Estados Unidos, em outubro de 2015, contra um hospital da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF), em Kunduz, norte do Afeganist\u00e3o, e o ataque das for\u00e7as regulares da S\u00edria contra centros de sa\u00fade s\u00e3o apenas dois exemplos dos perigos que rondam o pessoal humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os ataques impedem que esses trabalhadores atendam as popula\u00e7\u00f5es assediadas que mais precisam deles. Quando morrem trabalhadores que oferecem assist\u00eancia m\u00e9dica, tamb\u00e9m fica em perigo a sa\u00fade de muitas pessoas, lamentaram as organiza\u00e7\u00f5es M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, Funda\u00e7\u00e3o Open Society e MSF. Com a destrui\u00e7\u00e3o de hospitais e centros de sa\u00fade, milhares de pessoas doentes e feridas n\u00e3o t\u00eam a quem recorrer, afirmaram especialistas.<\/p>\n<p>A assistente de programas da M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, Elise Baker, apontou \u00e0 IPS que os cinco anos de guerra civil na S\u00edria se caracterizaram por campanhas deliberadas e orquestradas por for\u00e7as governamentais para destruir a infraestrutura de sa\u00fade e apontar contra o pessoal m\u00e9dico nas zonas controladas pelos rebeldes. \u201c\u00c9 apenas mais um elemento da campanha contra a popula\u00e7\u00e3o civil, que viola diretamente o princ\u00edpio fundamental de distin\u00e7\u00e3o e est\u00e1 previsto nas leis que regem as guerras e que pro\u00edbem apontar contra objetivos e popula\u00e7\u00f5es civis, como hospitais e escolas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Outra prova de que os ataques contra centros m\u00e9dicos fazem parte de uma campanha deliberada \u00e9 que a assist\u00eancia humanit\u00e1ria, inclu\u00eddos os suprimentos m\u00e9dicos e rem\u00e9dios, \u00e9 distribu\u00edda principalmente por Damasco, observouBaker. As for\u00e7as governamentais obstru\u00edram a distribui\u00e7\u00e3o de suprimentos m\u00e9dicos e outros insumos vitais para as zonas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o, ou s\u00f3 deixaram passar comboios dos quais confiscaram os produtos para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo Baker, a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos registrou em um mapa os ataques contra hospitais, no qual incluiu os que \u201cse acredita foram acidentais ou, segundo o jarg\u00e3o militar, resultados de danos colaterais\u201d. A especialista acrescentou que a organiza\u00e7\u00e3o \u201cest\u00e1 profundamente preocupada com as den\u00fancias de ataques contra hospitais no I\u00eamen\u201d, e explicou que n\u00e3o est\u00e1 claro se a coaliz\u00e3o encabe\u00e7ada pela Ar\u00e1bia Saudita aponta diretamente contra hospitais ou se estes s\u00e3o v\u00edtimas do bombardeio indiscriminado, bem como a popula\u00e7\u00e3o e os objetivos civis.<\/p>\n<p>O ano passado foi o pior em rela\u00e7\u00e3o a ataques contra centros de sa\u00fade na S\u00edria, segundo a M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, com as for\u00e7as governamentais sendo respons\u00e1veis pela maioria dos mais de cem incidentes registrados. Entre mar\u00e7o de 2011 e novembro de 2015, foram documentados 336 ataques contra 240 centros de sa\u00fade na S\u00edria, 90% deles cometidos por Damasco e seus aliados, tamb\u00e9m respons\u00e1veis pela morte de 96% dos 697 trabalhadores da sa\u00fade.<\/p>\n<p>O mapa interativo tamb\u00e9m inclui fotos e v\u00eddeos. Em novembro, a organiza\u00e7\u00e3o divulgou o informe <em>AlepoAbandonada: Estudo de Caso da Aten\u00e7\u00e3o M\u00e9dica na S\u00edria<\/em>, onde detalha os ataques do governo contra os centros de sa\u00fade.O porta-voz da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), StephaneDujarric, confirmou que esta recebeu uma carta de Riad pedindo que as ag\u00eancias humanit\u00e1rias abandonem com urg\u00eancia as zonas controladas pelos rebeldes hutis no I\u00eamen. \u201cHouve uma troca de cartas entre a miss\u00e3o permanente da Ar\u00e1bia Saudita e nossos colegas do Escrit\u00f3rio de Assuntos Humanit\u00e1rios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cO que posso dizer \u00e9 que a ONU continua pedindo a todas as partes em conflito que permitam o acesso dos trabalhadores humanit\u00e1rios aos locais forem necess\u00e1rios, e que o acesso seja livre e sem condi\u00e7\u00f5es, naturalmente tamb\u00e9m para os suprimentos humanit\u00e1rios\u201d, acrescentou Dujarric. O porta-voz afirmou que \u201ctamb\u00e9m \u00e9 importante assinalar que todas as partes envolvidas nesse e em qualquer outro conflito devem fazer todo o poss\u00edvel para proteger o pessoal humanit\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Bakerindicou \u00e0 IPS que \u00e9 ilegal as partes beligerantes usarem armas de forma indiscriminada em zonas civis. Ela explicou que esses atos violam outro princ\u00edpio fundamental que rege as guerras,pelo qual todo ataque deve ser proporcional e deve considerar o dano contra as popula\u00e7\u00f5es civis, porque os benef\u00edcios militares poderiam ultrapassar o dano contra objetivos civis, e, \u201cclaramente, esse princ\u00edpio n\u00e3o se aplica no I\u00eamen\u201d.<\/p>\n<p>Primeiro, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU deve condenar todas as viola\u00e7\u00f5es com a maior severidade poss\u00edvel, pontuou Baker. Permitir que continuem afetar\u00e1 d\u00e9cadas de trabalho em leis destinadas a aliviar o inferno que significam as guerras para a popula\u00e7\u00e3o civil, acrescentou.Segundo, o Conselho de Seguran\u00e7a tem o poder de enviar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o ao Tribunal Penal Internacional, mas, como temos visto, os cinco membros permanentes do Conselho (China, Estados Unidos, Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a, R\u00fassia) preferem manter o impasse.<\/p>\n<p>Baker disse que ,\u201dno caso da S\u00edria, China e R\u00fassia impedem a tomada de medidas mais fortes, e, no caso do I\u00eamen, os outros tr\u00eas apoiam a coaliz\u00e3o \u00e1rabe. \u201cPor isso, o Conselho de Seguran\u00e7a, encarregado de manter a seguran\u00e7a e a paz internacionais, fracassou estrepitosamente, e cabe \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil da S\u00edria e do I\u00eamen, bem como de outros lados, pagar o pre\u00e7o, frequentemente com vidas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Inclusive, acrescentou, sua organiza\u00e7\u00e3o documentou incidentes nos quais for\u00e7as do governo da S\u00edria atacaram v\u00e1rias vezes o mesmo hospital em um curto espa\u00e7o de tempo, ou v\u00e1rios centros de sa\u00fade em uma pequena \u00e1rea geogr\u00e1fica. O fato indica claramente que Damasco tenta destruir a aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica nas \u00e1reas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos registrou sete ataques contra o hospital M10, o principal centro de traumatologia de Alepo, quatro deles ocorridos em dez dias, entre 23 de junho e 3 de julho de 2014. Os \u00faltimos ataques aconteceram nos dias 28 e 29 de abril de 2015. O hospital estava operacional antes do in\u00edcio da guerra e n\u00e3o fica em local escondido, detalhou Baker.<\/p>\n<p>No dia 7 de agosto de 2015, entre 10 horas da manh\u00e3 e uma da tarde, for\u00e7as de Damasco bombardearam cinco hospitais na localidade de Idlib. No dia seguinte, atacaram outro centro de sa\u00fade no mesmo lugar. E, nos dias seguintes, as for\u00e7as regulares lan\u00e7aram outro ataque contra mais tr\u00eas hospitais em Idlib. Os nove centros de sa\u00fade atacados em quatro dias ficam a cerca de 48 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia entre si. E todos estavam a pelo menos nove quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da primeira linha e nenhum perto de uma base ou \u00e1rea militar. Al\u00e9m disso, cinco dos nove hospitais j\u00e1 haviam sofrido ataques das for\u00e7as regulares em outras oportunidades. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 15\/2\/2016 &ndash; O crescente bombardeio indiscriminado em tr&ecirc;s dos pa&iacute;ses com mais conflitos &ndash; Afeganist&atilde;o, S&iacute;ria e I&ecirc;men &ndash; faz um grande n&uacute;mero de v&iacute;timas entre o pessoal m&eacute;dico e humanit&aacute;rio, al&eacute;m dos milhares de civis presos em meio aos enfrentamentos entre as for&ccedil;as governamentais e rebeldes. 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