{"id":2054,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2054"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"devemos-mudar-os-enfoques-sobre-a-cooperao-e-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/devemos-mudar-os-enfoques-sobre-a-cooperao-e-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"&quot;Devemos mudar os enfoques sobre a coopera&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Monr&oacute;via, 08\/10\/2006 &ndash; Ellen Johnson-Sirleaf, economista formada pela universidade de Harvard, venceu as elei&ccedil;&otilde;es realizadas em janeiro deste ano na Lib&eacute;ria, as primeiras desde que em 2003 terminou uma guerra civil de 15 anos somada a conflitos armados com pa&iacute;ses vizinhos e a san&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <!--more--> &Eacute; a primeira mulher que chega &agrave; presid&ecirc;ncia de um pa&iacute;s africano. Como resultado da guerra civil, a Lib&eacute;ria &eacute; hoje um dos pa&iacute;ses mais pobres do mundo, com expectativa de vida de 42 anos e renda anual per capita de US$ 130.<\/p>\n<p>&Agrave; frente do governo da rep&uacute;blica mais antiga da &Aacute;frica, fundada em 1847 por escravos libertados dos Estados Unidos e do Caribe, Johnson-Sirleaf fala com franqueza, nesta entrevista exclusiva, dos desafios que enfrenta: um pa&iacute;s armado at&eacute; os dentes, na ru&iacute;na econ&ocirc;mica, com escassez de alimentos, &aacute;gua e eletricidade e com milhares de crian&ccedil;as-soldado.<\/p>\n<p>Quais as suas prioridades mais urgentes? Neste momento tentamos consolidar o processo de paz e colocar nossas finan&ccedil;as e nossa casa em ordem para que a m&aacute;quina governamental possa operar com efici&ecirc;ncia. Formulamos uma agenda muito ambiciosa para o desenvolvimento, a fim de restaurar as infra-estruturas, redes vi&aacute;rias, escolas, hospitais etc. Consideramos priorit&aacute;ria a educa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que muitos de nossos jovens n&atilde;o puderam ir &agrave; escola durante anos por causa do conflito. Ao mesmo tempo, nos esfor&ccedil;amos para recuperar nossa imagem internacional, de modo que a Lib&eacute;ria n&atilde;o continue sendo vista como um lugar de morte e destrui&ccedil;&atilde;o, mas como um pa&iacute;s confi&aacute;vel, tanto em rela&ccedil;&atilde;o aos nossos vizinhos quanto em n&iacute;vel internacional. Trabalhamos com o Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional para nos dotarmos dos instrumentos para resolver nossos principais problemas.<\/p>\n<p>Em quais &aacute;reas considera que a coopera&ccedil;&atilde;o internacional &eacute; mais necess&aacute;ria? A coopera&ccedil;&atilde;o internacional &eacute; vital para n&oacute;s j&aacute; que, por mais que nos esforcemos, nossos recursos continuam muito limitados. Ser&atilde;o necess&aacute;rios anos de sacrif&iacute;cios para que nossa economia cres&ccedil;a novamente, para sermos capazes de satisfazer todas nossas necessidades. Em particular, nos interessa receber ajuda nas &aacute;reas de infra-estrutura e reconstru&ccedil;&atilde;o do sistema educacional, especificamente para as escolas t&eacute;cnicas e vocacionais, j&aacute; que temos muitos jovens que foram afetados pela guerra, como combatentes ou v&iacute;timas, que est&atilde;o desempregados&#8230; agora mesmo nas ruas. De fato, o desemprego &eacute; um de nossos maiores desafios: 85% da for&ccedil;a de trabalho atual est&aacute; desempregada. Nosso setor privado havia deixado de funcionar, j&aacute; que a maioria das companhias que operavam na Lib&eacute;ria partiram.<\/p>\n<p>S&atilde;o muitos os doadores que tendem a reagir, quase sempre, diante de situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncias, em lugar de seguir uma pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento a longo prazo, mas, agora prevalece a id&eacute;ia que se torna chave para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses. A senhora acredita em uma alian&ccedil;a Norte-Sul para esse prop&oacute;sito?<\/p>\n<p>Certamente. Mas pensamos que a coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento tem de mudar de enfoque. A ajuda humanit&aacute;ria e os recursos destinados para a manuten&ccedil;&atilde;o da paz onde surgem conflitos custam mais do que a preven&ccedil;&atilde;o desses conflitos, do que utilizar esse dinheiro para criar postos de trabalho e abrir escolas nesses pa&iacute;ses. Queremos ver na &Aacute;frica nossas pr&oacute;prias f&aacute;bricas produzindo e gerando empregos. Se um pa&iacute;s muito pobre n&atilde;o &eacute; ajudado adequadamente, as pessoas o abandonam em busca de oportunidades em outro lugar. N&atilde;o se pode deter os que desejam encontrar meios para sua pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia. Assim sendo, a melhor solu&ccedil;&atilde;o &eacute; trabalhar com esses pa&iacute;ses para que as pessoas possam viver e trabalhar em seu entorno imediato. Digo aos nossos interlocutores do Norte: n&atilde;o queremos que os d&ecirc;em bolsas de estudos em suas escolas; ajudem-nos a construirmos nossas pr&oacute;prias escolas. Devemos mudar nossas formas de pensar sobre o desenvolvimento!<\/p>\n<p>Uma alian&ccedil;a para o desenvolvimento implica um desafio fundamental: o acesso das exporta&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses em desenvolvimento aos mercados das na&ccedil;&otilde;es industrializadas atrav&eacute;s da supress&atilde;o do protecionismo. A Rodada de Doha lidou com essa quest&atilde;o durante quase cinco anos, sem resultados. &Eacute; poss&iacute;vel impulsionar o desenvolvimento no Sul e alcan&ccedil;ar os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio atrav&eacute;s da redu&ccedil;&atilde;o do protecionismo? N&oacute;s dizemos \u201ccom&eacute;rcio, n&atilde;o ajuda\u201d. Pensamos que a ajuda pode diminuir na medida em que nossas economias se fortale&ccedil;am mediante a obten&ccedil;&atilde;o de mercados para suas exporta&ccedil;&otilde;es. Este &eacute; o caminho para um desenvolvimento sustent&aacute;vel. Necessitamos que nossos s&oacute;cios do Norte fa&ccedil;am o poss&iacute;vel para que nossos pa&iacute;ses, com base em nossas vantagens comparativas, tenham acesso aos seus mercados e, dessa maneira, consigamos divisas para financiar as importa&ccedil;&otilde;es de produtos e meios de produ&ccedil;&atilde;o que precisamos. Mas n&atilde;o queremos perpetuar nossa condi&ccedil;&atilde;o de meros exportadores de mat&eacute;rias-primas. Tamb&eacute;m desejamos agregar valor &agrave;s nossas mat&eacute;rias-primas, de modo a conseguir um interc&acirc;mbio comercial equilibrado.<\/p>\n<p>J&aacute; foi gasto mais de um ter&ccedil;o do prazo previsto para que sejam alcan&ccedil;ados os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio. Como a senhora avalia os resultados obtidos at&eacute; agora pela Lib&eacute;ria, e, tamb&eacute;m, o que a comunidade internacional deve fazer para atingir a tempo essas metas? No caso da Lib&eacute;ria, estamos muito atrasados por causa de nossa situa&ccedil;&atilde;o, da guerra, da sucess&atilde;o de governos transit&oacute;rios e outros fatores negativos. Mas a Lib&eacute;ria vai se erguer um dia. N&atilde;o estou certa se seremos capazes de cumprir todas as metas at&eacute; 2015, porque s&oacute; nos restam nove anos para terminar o prazo. Mas vamos acelerar o ritmo. Agora, por que os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio n&atilde;o est&atilde;o sendo cumpridos em tantos pa&iacute;ses? Porque &eacute; f&aacute;cil estabelecer as metas, mas os recursos necess&aacute;rios para cumpri-las n&atilde;o s&atilde;o suficientes. Porque acelerar o ritmo do desenvolvimento para chegar a 2015 com os resultados prometidos requer muito mais dinheiro do que o dispon&iacute;vel, que os recursos sejam cuidadosamente calculados em rela&ccedil;&atilde;o aos objetivos e distribu&iacute;dos a tempo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monr&oacute;via, 08\/10\/2006 &ndash; Ellen Johnson-Sirleaf, economista formada pela universidade de Harvard, venceu as elei&ccedil;&otilde;es realizadas em janeiro deste ano na Lib&eacute;ria, as primeiras desde que em 2003 terminou uma guerra civil de 15 anos somada a conflitos armados com pa&iacute;ses vizinhos e a san&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/devemos-mudar-os-enfoques-sobre-a-cooperao-e-o-desenvolvimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":303,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-2054","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/303"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2054\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}