{"id":20541,"date":"2016-02-18T12:27:59","date_gmt":"2016-02-18T12:27:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=205996"},"modified":"2016-02-18T12:27:59","modified_gmt":"2016-02-18T12:27:59","slug":"alianca-com-pequim-nao-tem-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/alianca-com-pequim-nao-tem-volta\/","title":{"rendered":"Alian\u00e7a com Pequim n\u00e3o tem volta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_205997\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-205997\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/represas.jpg\" alt=\"Apresenta\u00e7\u00e3o de uma das represas em constru\u00e7\u00e3o para o aproveitamento do rio Santa Cruz, na prov\u00edncia de mesmo nome, na Argentina. O projeto contempla investimento de US$ 5 bilh\u00f5es, 85% financiados pela China, e foi entregue a um cons\u00f3rcio do qual participa uma empresa desse pa\u00eds. Foto: Represas Patag\u00f4nia\" width=\"340\" height=\"215\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/represas-300x190.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/represas.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o de uma das represas em constru\u00e7\u00e3o para o aproveitamento do rio Santa Cruz, na prov\u00edncia de mesmo nome, na Argentina. O projeto contempla investimento de US$ 5 bilh\u00f5es, 85% financiados pela China, e foi entregue a um cons\u00f3rcio do qual participa uma empresa desse pa\u00eds. Foto: Represas Patag\u00f4nia<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 18\/2\/2016 \u2013 O novo governo da Argentina revista v\u00e1rios grandes projetos acordados com a China. Mas, al\u00e9m das mudan\u00e7as de forma e de prioridade, n\u00e3o se vislumbra uma volta atr\u00e1s em uma alian\u00e7a \u00e0 qual Pequim concedeu <em>status<\/em> de estrat\u00e9gica e integral. Avaliar ou cancelar o que for considerado \u201cpouco transparente\u201d ou \u201csecreto\u201d nessa rela\u00e7\u00e3o fez parte das promessas eleitorais de Mauricio Macri, que foram reiteradas no come\u00e7o de sua gest\u00e3o, que come\u00e7ou em 10 de dezembro.<\/p>\n<p>Sua antecessora, a centro-esquerdista Cristina Fern\u00e1ndez (2007-2015), promulgou, em mar\u00e7o de 2015, um grupo de leis que dera vida a um conv\u00eanio-marco de coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria econ\u00f4mica e de investimentos com a China. Dessa forma foi consolidada uma \u201calian\u00e7a estrat\u00e9gica integral\u201d, segundo a classifica\u00e7\u00e3o de Pequim, no que representa o d\u00e9cimo-primeiro escal\u00e3o dos 14 em que o governo chin\u00eas classifica seus s\u00f3cios internacionais.<\/p>\n<p>Durante a campanha que o levou ao poder, Macri e os seus criticaram asperamente os acordos com a China, mas, passada a efervesc\u00eancia eleitoral, o novo governo mudou de tom. \u201cN\u00e3o podemos negar o peso da China no mundo. N\u00e3o \u00e9 do interesse da Argentina romper com Pequim\u201d, ratificou a nova chanceler, Susana Malcorra, situando este v\u00ednculo em \u201cuma rela\u00e7\u00e3o equilibrada com o mundo\u201d.<\/p>\n<p>De fato, em dezembro mesmo,Macri utilizou o acordo <em>swap<\/em> (interc\u00e2mbio de divisas entre seus bancos centrais) com a China vigente desde 2014, no que foi sua primeira medida para fortalecer as deca\u00eddas reservas internacionais argentinas. Al\u00e9m disso, escolheu para embaixador em Pequim Diego Guelar, um diplomata considerado impulsionador da alian\u00e7a entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cOs pactos internacionais devem ser respeitados. Alguns acreditam que, se n\u00e3o cumprirmos com os chineses, isso ser\u00e1 vem visto \u2013 entre aspas \u2013 por Estados Unidos ou Europa\u201d, apontouGuelar, em uma entrevista ao jornal <em>Perfil<\/em>. \u201cPelo contr\u00e1rio: quem n\u00e3o cumpre com um, n\u00e3o cumpre com os outros, isto \u00e9, uma Argentina previs\u00edvel, que cumpre seus compromissos internacionais e \u00e9 leal com seus s\u00f3cios estrangeiros, este \u00e9 um dado central dessa credibilidade que temos que desenvolver plenamente\u201d, ressaltou o embaixador.<\/p>\n<p>O embaixador da China em Buenos Aires, Yang Wanming, recordou que seu pa\u00eds figura como terceira fonte de investimentos para a Argentina, e que nos \u00faltimos cinco anos o valor dos investimentos e das opera\u00e7\u00f5es de aquisi\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o na Argentina gira em torno dos US$ 8,3 bilh\u00f5es. A continuidade desses projetos \u201cter\u00e1 um efeito exemplar para a coopera\u00e7\u00e3o substancial sino-argentina no futuro\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Assim, o pragmatismo parece vencer novamente o discurso pol\u00edtico. \u201cA rela\u00e7\u00e3o com a China explica em boa parte os anos de crescimento econ\u00f4mico depois da crise de 2001. Aproximadamente desde 2009 se verifica um crescimento muito importante nos investimentos chineses na Am\u00e9rica Latina\u201d, opinou \u00e0 IPS o acad\u00eamico argentino Gonzalo Paz.<\/p>\n<div id=\"attachment_205998\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-205998\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/trem.jpg\" alt=\"Interior de um vag\u00e3o de trem interurbano de Buenos Aires, que liga o bairro Retiro com Tigre, uma localidade da regi\u00e3o metropolitana da capital da Argentina. Esses vag\u00f5es, de fabrica\u00e7\u00e3o chinesa, s\u00e3o parte dos acordos comerciais e de investimento dos dois pa\u00edses no setor ferrovi\u00e1rio. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/trem-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/trem.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Interior de um vag\u00e3o de trem interurbano de Buenos Aires, que liga o bairro Retiro com Tigre, uma localidade da regi\u00e3o metropolitana da capital da Argentina. Esses vag\u00f5es, de fabrica\u00e7\u00e3o chinesa, s\u00e3o parte dos acordos comerciais e de investimento dos dois pa\u00edses no setor ferrovi\u00e1rio. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cOs an\u00fancios de revis\u00e3o dos acordos ocorrem tanto em consequ\u00eancia da campanha eleitoral quanto pela necessidade de se fazer um estudo completo de todos os temas da rela\u00e7\u00e3o, em particular dos megaprojetos fechados na etapa final da administra\u00e7\u00e3o anterior\u201d, acrescentou Paz.<\/p>\n<p>Especialista nas rela\u00e7\u00f5es entre Leste Asi\u00e1tico e Am\u00e9rica Latina da Universidade de Georgetown, Paz acredita que Macri buscar\u00e1 ampliar seus v\u00ednculos com s\u00f3cios hist\u00f3ricos como It\u00e1lia, Fran\u00e7a, e tamb\u00e9m destravar suas rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos. \u201cMas uma pot\u00eancia de primeira magnitude como a China deve continuar sendo s\u00f3cia central da Argentina\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revista cultural argentino-chinesa <em>Dang Dai<\/em>, Guelar anunciou que, em todo caso, ser\u00e3o revisadas quest\u00f5es que \u201cforam mal realizadas ou sem cuidados\u201d.\u201cCreio que as cr\u00edticas feitas a esses projetos fazem supor mudan\u00e7as, mas n\u00e3o uma ruptura da rela\u00e7\u00e3o com a China\u201d, pontuou \u00e0 IPS o diretor da revista, N\u00e9stor Restivo, coautor do livro <em>Tudo o Que Voc\u00ea Precisa Saber Sobre a China<\/em>, da editora Paid\u00f3s.<\/p>\n<p>Segundo Paz, \u201cmais adiante ser\u00e1 fundamental ver quais novas \u00e1reas de coopera\u00e7\u00e3o se abrir\u00e3o ou projetos ser\u00e3o desenvolvidos, pois seria um grave erro focar apenas no manejo dos projetos surgidos na etapa anterior e n\u00e3o ter uma pol\u00edtica proativa\u201d. Entre os projetos que ser\u00e3o revisados, um dos mais emblem\u00e1ticos \u00e9 o da constru\u00e7\u00e3o do Complexo Hidrel\u00e9trico N\u00e9stor Kirchner-Jorge Cepernic, na prov\u00edncia patag\u00f4nia de Santa Cruz, no valor de US$ 5 bilh\u00f5es, 85% deles financiados pela China.<\/p>\n<p>A obra foi entregue em 2013 ao cons\u00f3rcio Represas Patag\u00f4nia, encabe\u00e7ado pelas companhias argentinas Hidrocuyo e Electroingenier\u00eda e pela chinesa GezhbouaGroup, e tamb\u00e9m inclui a constru\u00e7\u00e3o de duas represas sobre o rio Santa Cruz. O complexo dever\u00e1 gerar 1.740 megawatts (MW), que atenderiam, ao final da obra, em 2020, 8% da demanda el\u00e9trica do pa\u00eds, afetado por uma crise energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Outro megaprojeto, acordado em novembro, \u00e9 o da constru\u00e7\u00e3o de duas centrais nucleares, que seriam quarta e quinta do pa\u00eds, que contar\u00e3o com mais da metade de componentes argentinos e com investimento de US$ 15 bilh\u00f5es, dos quais Pequim tamb\u00e9m financiaria 85%. O acordo inclui transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica chinesa e explora\u00e7\u00e3o conjunta de terceiros mercados.<\/p>\n<p>\u201cCreio que n\u00e3o haver\u00e1 volta na rela\u00e7\u00e3o com a China\u201d e o mesmo acontecer\u00e1 com o complexo hidrel\u00e9trico, que, al\u00e9m de estar em andamento, foi entregue em uma licita\u00e7\u00e3o internacional, ressaltou Restivo. \u201c\u00c9 a maior obra que a China realiza atualmente fora de seu territ\u00f3rio. Se o novo governo entende que houve alguma irregularidade, ir\u00e1 por outros caminhos, mas \u00e9 quase imposs\u00edvel pensar em uma paralisa\u00e7\u00e3o dessa obra\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Sobre as centrais nucleares, Restivo acredita que pode haver mudan\u00e7as, a partir do plano estrat\u00e9gico energ\u00e9tico do novo governo. \u201cMas h\u00e1 cartas de inten\u00e7\u00f5es assinadas e n\u00e3o ficaria bem dar para tr\u00e1s com os chineses, embora tudo seja negoci\u00e1vel\u201d, pontuou este economista e especialista em China. \u201cOs chineses protestariam se ficassem fora do que j\u00e1 est\u00e1 assinado, mas s\u00e3o suficientemente flex\u00edveis ou pragm\u00e1ticos para ver como compensar eventualmente um neg\u00f3cio que se perderia nesse contexto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O projeto do qual Restivo mais d\u00favida \u00e9 o assinado em agosto do ano passado entre os dois governos, para a renova\u00e7\u00e3o dos trens e da rede que comunica 17 prov\u00edncias, da empresa ferrovi\u00e1ria p\u00fablica Belgrano Cargas e Log\u00edstica. O acordo estabeleceu um primeiro trecho de financiamento chin\u00eas de US$ 2,4 bilh\u00f5es e mais outro posterior de US$ 2,47 bilh\u00f5es, e previa no futuro o transporte de produ\u00e7\u00e3o agroalimentar argentina e brasileira at\u00e9 portos chilenos no Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Na onda de demiss\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos lan\u00e7ada pelo novo governo, foi desmantelada a base da empresa Fabricaciones Militares, encarregada de construir mil vag\u00f5es, com mais de 80% de componentes nacionais, uma parte fundamental na reconstru\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria ferrovi\u00e1ria local.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito poss\u00edvel que agora n\u00e3o contemos mais com a parte mais interessante, que os acordos com a China sirvam para industrializar a Argentina e n\u00e3o para servirem ao interesse chin\u00eas\u201d, lamentou Restivo. Mas, al\u00e9m dessas incertezas, o embaixador Wanming aposta em mais: \u201cpromover um n\u00edvel maior na alian\u00e7a estrat\u00e9gica integral\u201d de Pequim com Buenos Aires. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 18\/2\/2016 &ndash; O novo governo da Argentina revista v&aacute;rios grandes projetos acordados com a China. Mas, al&eacute;m das mudan&ccedil;as de forma e de prioridade, n&atilde;o se vislumbra uma volta atr&aacute;s em uma alian&ccedil;a &agrave; qual Pequim concedeu status de estrat&eacute;gica e integral. 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