{"id":20551,"date":"2016-02-19T12:19:34","date_gmt":"2016-02-19T12:19:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206069"},"modified":"2016-02-19T12:19:34","modified_gmt":"2016-02-19T12:19:34","slug":"mulheres-com-hiv-esterilizadas-a-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/mulheres-com-hiv-esterilizadas-a-forca\/","title":{"rendered":"Mulheres com HIV esterilizadas \u00e0 for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206070\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206070\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Rose-Nakanjako_-629x426-629x426.jpg\" alt=\"Rose Nakanjako \u00e9 soropositiva mas teve a sorte de n\u00e3o ser esterilizada e seus filhos nascerem sem o HIV. Foto: Wambi Michael \/IPS\" width=\"340\" height=\"230\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Rose-Nakanjako_-629x426-629x426-300x203.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Rose-Nakanjako_-629x426-629x426.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Rose Nakanjako \u00e9 soropositiva mas teve a sorte de n\u00e3o ser esterilizada e seus filhos nascerem sem o HIV. Foto: Wambi Michael \/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Wambi Michael, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 19\/2\/2016 \u2013 Monica Mayimuna (nome fict\u00edcio) \u00e9 portadora do v\u00edrus HIV h\u00e1 mais de dez anos e quer ter um beb\u00ea, mas n\u00e3o pode porque em um hospital p\u00fablico de Uganda teve seu \u00fatero retirado contra sua vontade quando foi dar \u00e0 luz ao seu filho mais novo, agora com oito anos. \u201cRetiraram meu \u00fatero em 2007. O m\u00e9dico me perguntou por que estava gr\u00e1vida. Respondi que queria ter um terceiro filho. E ele respondeu \u2018voc\u00eas que vivem com HIV nos irritam porque entendem sua situa\u00e7\u00e3o, mastamb\u00e9m v\u00eam nos molestar\u2019\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cTive o beb\u00ea por cesariana. Nesse momento n\u00e3o sabia que haviam retirado meu \u00fatero. O tempo passou e quis ter outro filho. Esperei um ou dois anos, mas n\u00e3o engravidei. Fui ao hospital saber o motivo, e ent\u00e3o me contaram. Fiquei enlouquecida e me perguntei por que os m\u00e9dicos n\u00e3o me informaram nem deram uma explica\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou Mayimuna.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das mulheres cujo caso ficou documentado em uma pesquisa realizada pela Comunidade Internacional de Mulheres que Vivem com HIV\/aids da \u00c1frica Oriental (ICWEA), como parte de uma campanha para melhorar os direitos de sa\u00fade sexual e reprodutiva de um milh\u00e3o de jovens afetados pelo v\u00edrus causador da aids, em cinco pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A pesquisa abrangeu 744 mulheres soropositivas de Uganda e foi a primeira de seu tipo a documentar supostos casos de esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. A ICWEA e outros grupos tamb\u00e9m documentaram 50 casos adicionais no Qu\u00eania. Dorothy Namutamba, integrantedessa organiza\u00e7\u00e3o, detalhou \u00e0 IPS que, das 72 esteriliza\u00e7\u00f5es registradas pela pesquisa, 20 s\u00e3o de mulheres que foram obrigadas a se submeterem \u00e0 opera\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos casos ocorreu em hospitais p\u00fablicos durante o parto por cesariana. Onze mulheres (com idade m\u00e9dia de 29 anos) foram for\u00e7adas \u00e0 esteriliza\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores da sa\u00fade n\u00e3o as informaram corretamente sobre o procedimento. Elas n\u00e3o assinaram nenhum formul\u00e1rio de consentimento. Algumas s\u00f3 ficaram sabendo anos mais tarde, quando n\u00e3o conseguiram engravidar\u201d, disse Namutamba.<\/p>\n<p>Segundo a ativista, \u201cnesses casos as m\u00e3es eram mal informadas. Por exemplo, entenderam que o procedimento seria revers\u00edvel, que as trompas atadas poderiam ser desatadas mais tarde. Ou os trabalhadores da sa\u00fade as convenciam de que a esteriliza\u00e7\u00e3o seria a melhor op\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Entre os efeitos da esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada est\u00e3o traumatismo psicossocial, perda da identidade feminina, abandono dos c\u00f4njuges e viol\u00eancia de g\u00eanero devido \u00e0 incapacidade para conceber filhos. \u201cV\u00e1rias mulheres relataram isolamento social (incapacidade para encarar a comunidade e a fam\u00edlia). As demandas dos maridos para ter mais filhos tiveram grande impacto em seu bem-estar\u201d, pontuou Namutamba.<\/p>\n<p>A diretora executiva da ICWEA, Lillian Mworeko, informou que alguns casos de esteriliza\u00e7\u00e3o ocorreram em 2014. As mulheres que vivem com HIV em Uganda experimentam diversas formas de viola\u00e7\u00e3o de seus direitos sexuais e reprodutivos, que v\u00e3o desde falta de informa\u00e7\u00e3o, maus-tratos durante o processo de busca dos servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva nos centros sanit\u00e1rios, at\u00e9 esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, denunciou.<\/p>\n<p>Mworeko considera que \u00e9 preciso investigar mais para averiguar o motivo de o pessoal de sa\u00fade coagir as m\u00e3es a aceitarem a esteriliza\u00e7\u00e3o. \u201cNosso interesse se centrou principalmente nas mulheres que vivem com HIV. Mas conclu\u00edmos que a esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e9 uma pr\u00e1tica generalizada com incentivos para os trabalhadores da sa\u00fade\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Mworeko, a pr\u00e1tica tem \u201capoio de algumas organiza\u00e7\u00f5es. Funciona assim: tragam as mulheres, que sejam esterilizadas e que os trabalhadores da sa\u00fade recebam dinheiro\u201d. Elas foram obrigadas, mesmo que os avan\u00e7os cient\u00edficos confirmassem que as mulheres HIV positivas d\u00e3o \u00e0 luz filhos sem o v\u00edrus, destacou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos continuar trabalhando com pol\u00edticas concebidas em uma \u00e9poca em que n\u00e3o t\u00ednhamos tratamento. Devemos avan\u00e7ar com a ci\u00eancia, com a evid\u00eancia. Se dizemos que as mulheres podem ter beb\u00eas HIV negativos, o que est\u00e3o dizendo nossas pol\u00edticas?\u201d, questionou Mworeko. \u201cComo o trabalhador da sa\u00fade segue com a ideia de que esta mulher \u00e9 HIV positiva e a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer com que deixe de dar \u00e0 luz\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Barbirye Joy (nome fict\u00edcio) \u00e9 outra v\u00edtima da esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Tinha 23 anos em 2010 ,quando o pessoal da sa\u00fade, em coniv\u00eancia com suas irm\u00e3s, a obrigaram a adotar esse m\u00e9todo anticoncepcional permanente. \u201cMinha irm\u00e3 me levou ao m\u00e9dico quando estava prestes a dar \u00e0 luz. N\u00e3o pedi a esteriliza\u00e7\u00e3o, mas ela disse que o m\u00e9dico a recomendava. N\u00e3o me deu informa\u00e7\u00e3o alguma sobre o procedimento e n\u00e3o tive chance de fazer perguntas\u201d, contou a jovem.<\/p>\n<p>\u201cDepois descobri o que me fizeram, quando fui fazer exames. A m\u00e1quina revelou que minhas trompas de Fal\u00f3pio estavam cortadas. N\u00e3o me disseram nada nem assinei um documento consentindo\u201d, acrescentou Joy.<\/p>\n<p>John Baptist Wanyayi, o m\u00e9dico encarregado em Mbale, um dos distritos onde foi realizada a pesquisa, afirmou que no contexto atual a esteriliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 feita com o consentimento da mulher ou do marido. \u201cNa maioria dos casos os m\u00e9dicos consideram os perigos que a gr\u00e1vida corre nesse per\u00edodo e que podem ser o fator determinante para essas esteriliza\u00e7\u00f5es nessa etapa. Porque se teme que a pr\u00f3xima gravidez seja perigosa para essa m\u00e3e e provavelmente a condi\u00e7\u00e3o do HIV n\u00e3o tenha sido o fator primordial\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Segundo Wanyayi, no per\u00edodo pr\u00e9-natal \u00e9 poss\u00edvel que as mulheres consintam com o m\u00e9todo anticoncepcional permanente e depois mudem de opini\u00e3o, quando querem ter outro filho. Os resultados da pesquisa revelam as contradi\u00e7\u00f5es existentes entre as pol\u00edticas de gest\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o do HIV e o planejamento familiar em Uganda, destacou.<\/p>\n<p>Patrick Tusiime, m\u00e9dico encarregado em outro distrito integrante da pesquisa, enfatizou \u00e0 IPS que a esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o grave dos direitos de sa\u00fade reprodutiva da m\u00e3e. \u201cMuitos desses casos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es individuais. Mas devemos incluir as parteiras e chamar sua aten\u00e7\u00e3o. Porque quando o pessoal de enfermagem ou m\u00e9dico se forma na faculdade de medicina n\u00e3o nos dizem para esterilizar as pessoas contra sua vontade\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Wambi Michael, da IPS &ndash;&nbsp; Kampala, Uganda, 19\/2\/2016 &ndash; Monica Mayimuna (nome fict&iacute;cio) &eacute; portadora do v&iacute;rus HIV h&aacute; mais de dez anos e quer ter um beb&ecirc;, mas n&atilde;o pode porque em um hospital p&uacute;blico de Uganda teve seu &uacute;tero retirado contra sua vontade quando foi dar &agrave; luz ao seu filho mais novo, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/mulheres-com-hiv-esterilizadas-a-forca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":209,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,1771,2458,24],"class_list":["post-20551","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-hiv","tag-inter-press-service","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/209"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20551"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20552,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20551\/revisions\/20552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}