{"id":20556,"date":"2016-02-22T13:59:05","date_gmt":"2016-02-22T13:59:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206121"},"modified":"2016-02-22T13:59:05","modified_gmt":"2016-02-22T13:59:05","slug":"credito-e-crucial-na-adaptacao-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/credito-e-crucial-na-adaptacao-climatica\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito \u00e9 crucial na adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206122\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206122\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bangladesh-629x472.jpg\" alt=\"As camponesas de Bangladesh preferem cultivos resistentes \u00e0s varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Foto: NaimulHaq\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bangladesh-629x472-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bangladesh-629x472.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As camponesas de Bangladesh preferem cultivos resistentes \u00e0s varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Foto: NaimulHaq\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por Sumon Dey, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Daca, Bangladesh, 22\/2\/2016 \u2013 A mudan\u00e7a clim\u00e1tica faz com que seja cada vez mais importante do que se pensava at\u00e9 agora melhorar as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, afirma um estudo realizado em Bangladesh, um dos pa\u00edses com maior risco de sofrer as consequ\u00eancias negativas do aquecimento do planeta. Al\u00e9m disso, as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem significar que a receita popular de diversificar os cultivos n\u00e3o resulte nos benef\u00edcios econ\u00f4micos que lhe s\u00e3o atribu\u00eddos.<\/p>\n<p>O novo estudo sobre uma zona costeira do sudoeste do pa\u00eds, onde vivem 14 milh\u00f5es de pessoas, e que foi um impressionante esfor\u00e7o de aproximadamente 15 cientistas de Bangladesh e Gr\u00e3-Bretanha, \u00e9 uma refer\u00eancia para calcular as vari\u00e1veis demogr\u00e1ficas, a pobreza e a disponibilidade de cr\u00e9dito, al\u00e9m da produtividade agr\u00edcola, e assim avaliar as perspectivas para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Entre suas conclus\u00f5es mais importantes, destaca-se a situa\u00e7\u00e3o das pessoas sem terra, cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o-alvo do estudo, e est\u00e3o em melhor situa\u00e7\u00e3o aquelas com terrenos maiores, porque n\u00e3o ter\u00e3o que enfrentar os investimentos necess\u00e1rios para ajustar suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e se beneficiar\u00e3o do aumento relativo da renda dos trabalhadores.Infelizmente, o modelo tamb\u00e9m indica que os agricultores ficar\u00e3o mais pobres se as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disponibilidade de empr\u00e9stimos, n\u00e3o mudarem.<\/p>\n<p>O estudo, dirigido por Atila N. L\u00e1z\u00e1r, da Universidade Southampton, com ajuda de AbdurRazzaqueAkanda, do Instituto de Pesquisa em Agricultura de Bangladesh, em Joydebpur, e mais de uma dezena de outros especialistas, \u00e9 a \u00faltima contribui\u00e7\u00e3o sobre as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>No come\u00e7o deste m\u00eas, uma pesquisa dos Estados Unidos se concentrou nos impactos ambientais de v\u00e1rios alimentos e concluiu que a inefici\u00eancia da carne estava muito exagerada, a menos que se assuma que os consumidores diminuir\u00e3o de forma dr\u00e1stica o consumo de calorias. Na verdade, uma caloria de alface produz tr\u00eas vezes mais emiss\u00f5es de gases-estufa do que uma caloria de toucinho, segundo Paul Fischbeck, professor de Carnegie Mellon que dirigiu a pesquisa.<\/p>\n<p>O mundo aplaude o acordo alcan\u00e7ado na 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), bem como o fato de se ter reconhecido que o aquecimento global est\u00e1 exacerbado pela atividade humana, mas ainda resta muito por aprender.Felizmente, existem as ferramentas para gerar o conhecimento que falta.<\/p>\n<p>A pesquisa de Bangladesh se apoiou na base de dados Climwat, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), e em seu modelo Cropwat para projetar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. OCropwat, desenvolvido e atualizado durante anos por especialistas da FAO, \u00e9 um \u201csistema de apoio \u00e0 tomada de decis\u00f5es\u201d, que permite ajustar vari\u00e1veis para simular o futuro. A Climwat permite calcular os requisitos de \u00e1gua e irriga\u00e7\u00e3o de cultivos, possibilitando o planejamento e a realiza\u00e7\u00e3o de cronogramas para uma variedade de climas diferentes.<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o pequenos exemplos de bens p\u00fablicos globais, produto da comunidade internacional e para uso de todos e todas, e, al\u00e9m disso, n\u00e3o diminuiu seu valor quando mais pessoas usam.O diretor-geral da FAO, o brasileiro Jos\u00e9 Graziano da Silva, junto com as m\u00e1ximas autoridades do Banco Mundial e da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, destacou a crescente import\u00e2ncia de se colocar os bens p\u00fablicos globais\u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>Os dois aplicativos, Cropwat e Climwat, podem ser baixados de forma gratuita, embora sejam necess\u00e1rios certos conhecimentos pr\u00e9vios.A pesquisa de Bangladesh chega a algumas conclus\u00f5es curiosas usando o modelo de forma inovadora, ao agregar fatores sociais vinculados \u00e0 riqueza, aos pre\u00e7os, aos padr\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o urbana e ao acesso a empr\u00e9stimos, al\u00e9m das elevadas temperaturas prognosticadas, a saliniza\u00e7\u00e3o do solo e as maiores concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono na atmosfera.<\/p>\n<p>Uma das coisas a destacar, que se sabe mas se recorda pouco, \u00e9 que as maiores concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono melhorar\u00e3o a produtividade agr\u00edcola em Bangladesh, cerca de 10% em per\u00edodos curtos, embora o modelo Cropwat tamb\u00e9m indique que isso pode ficar neutralizado por uma deficiente qualidade nutricional.Entretanto, isso n\u00e3o deixar\u00e1 os agricultores mais ricos e passar\u00e3o v\u00e1rios meses por ano com uma baixa ingest\u00e3o de calorias, que poder\u00e3o compensar com empregos n\u00e3o agr\u00edcolas, empr\u00e9stimos e gastando suas economias.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es \u00e9 que, embora a produtividade possa aumentar de forma natural, o mesmo tamb\u00e9m pode ocorrer com a variabilidade, que se traduz em maior risco de car\u00eancias e na necessidade de empr\u00e9stimos. As op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na regi\u00e3o s\u00e3o as da estatal Junta de Desenvolvimento Rural de Bangladesh \u2013 em geral para os agricultores, que cobra 11% de juros ao ano \u2013, e a dos particulares \u2013 que cobra 120%.<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o importante do estudo \u00e9 que, quando se incluem os custos dos fertilizantes e s\u00e3o consideradas as emiss\u00f5es contaminantes, \u00e9 preciso mudar o que se precisou aumentar. Por exemplo, as batatas usam quatro vezes mais fertilizantes por peso e por hectare do que o arroz. Ent\u00e3o, o modelo \u201cprogressista\u201d de cultivo que se arraigou na regi\u00e3o, pelo qual os agricultores plantam variedades de alto valor comercial como piment\u00e3o, mostarda, tomate e trigo, pode chegar a aumentar a contribui\u00e7\u00e3o da agricultura nacional \u00e0s emiss\u00f5es contaminantes em rela\u00e7\u00e3o ao tradicional cultivo do arroz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outros cultivos de grande valor, como a manga, que a FAO ajudou a colocar em mercados da Gr\u00e3-Bretanha, s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de esta\u00e7\u00f5es. Embora o modelo \u201cprogressista\u201d seja uma oportunidade para gerar renda, \u00e9 menos previs\u00edvel. Por isso, as fam\u00edlias mais pobres, que correm maiores riscos, preferem cultivar produtos b\u00e1sicos. Ganham menos, mas tamb\u00e9m investem menos e t\u00eam menor risco.Uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que melhore a produtividade parece n\u00e3o apenas justificada, mas tamb\u00e9m ser uma necessidade.<\/p>\n<p>Quando os pesquisadores fizerem uma simula\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos 60 anos e conclu\u00edrem que nenhum modelo pode gerar benef\u00edcios suficientes para devolver os empr\u00e9stimos necess\u00e1rios para sobreviver da agricultura, ser\u00e1 preciso mais cuidado para desenhar pol\u00edticas adequadas para garantirmos que a oferta de cr\u00e9ditos n\u00e3o sirva apenas para enredar as pessoas em uma espiral de pobreza.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o para as cidades obviamente \u00e9 uma alternativa poss\u00edvel. Mas isso exigir\u00e1 aumentar a produ\u00e7\u00e3o em lugar de promover o consumo dom\u00e9stico autossuficiente. Um dos problemas \u00e9 que, depois de 2035, de acordo com o modelo, os custos do trabalho agr\u00e1rio tamb\u00e9m aumentar\u00e3o, embora n\u00e3o o suficiente para compensar as dificuldades.<\/p>\n<p>L\u00e1z\u00e1r e seus companheiros disseram que seu trabalho integral com base no Cropwat ainda \u00e9 preliminar, mas suas conclus\u00f5es j\u00e1 indicam algumas das mudan\u00e7as surpreendentes que o mundo ter\u00e1 que fazer no contexto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e do compromisso com a Agenda de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel de erradicar a fome e a pobreza at\u00e9 2030. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sumon Dey, da IPS &ndash;&nbsp; Daca, Bangladesh, 22\/2\/2016 &ndash; A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica faz com que seja cada vez mais importante do que se pensava at&eacute; agora melhorar as pr&aacute;ticas agr&iacute;colas, afirma um estudo realizado em Bangladesh, um dos pa&iacute;ses com maior risco de sofrer as consequ&ecirc;ncias negativas do aquecimento do planeta. 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