{"id":20564,"date":"2016-02-23T13:35:30","date_gmt":"2016-02-23T13:35:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206166"},"modified":"2016-02-23T13:35:30","modified_gmt":"2016-02-23T13:35:30","slug":"arroz-pode-ajudar-a-sair-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/arroz-pode-ajudar-a-sair-da-pobreza\/","title":{"rendered":"Arroz pode ajudar a sair da pobreza"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206167\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206167\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rice_busani_-629x420-629x420.jpg\" alt=\" A assistente de pesquisa Blanche Sussous mostra pacotes de arroz pr\u00e9-cozido. Foto: BusaniBafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rice_busani_-629x420-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rice_busani_-629x420-629x420.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> A assistente de pesquisa Blanche Sussous mostra pacotes de arroz pr\u00e9-cozido. Foto: BusaniBafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cotonou, Benin, 23\/2\/2016 \u2013 A \u00c1frica consome mais arroz do que outros alimentos b\u00e1sicos, embora produza menos do que necessita. Este cereal tem o potencial de ajudar o continente, especificamente a \u00c1frica subsaariana, a sair da pobreza, segundo os pesquisadores. O arroz \u00e9 a segunda fonte de calorias na regi\u00e3o, de acordo com o Centro Africano do Arroz, conhecido como AfricaRice, uma organiza\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 pesquisa, com sede em Abidj\u00e3, na Costa do Marfim.<\/p>\n<p>A r\u00e1pida urbaniza\u00e7\u00e3o africana impulsiona o crescimento do consumo de arroz, \u00e0 taxa de 6% ao ano. \u201cO arroz \u00e9 importante para a seguran\u00e7a alimentar da \u00c1frica e as raz\u00f5es s\u00e3o claras\u201d, segundo o subdiretor-geral da AfricaRice, Marco Wopereis. \u201cOs consumidores gostam e o aumento do consumo \u00e9 simplesmente impressionante, devido \u00e0 mudan\u00e7a de prefer\u00eancias da popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as pessoas na cidade querem alimentos que possam ser preparados de forma r\u00e1pida e que sejam f\u00e1ceis de armazenar\u201d, disse \u00e0 IPS, acrescentando que \u201co arroz \u00e9 perfeito para isso\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, em 25 anos, o mundo consumir\u00e1 110 milh\u00f5es de toneladas a mais de arroz branco e que um ter\u00e7o desse consumo ter\u00e1 lugar na \u00c1frica. O arroz \u00e9 cultivado em 40 dos 54 pa\u00edses africanos, e \u00e9 a atividade e a fonte de renda agr\u00edcolas de maior import\u00e2ncia para mais de 35 milh\u00f5es de pequenos agricultores. Entretanto, a demanda atual de arroz supera a produ\u00e7\u00e3o local, que atende apenas 60% das necessidades.<\/p>\n<p>Como resultado, o continente gasta mais de US$ 5 bilh\u00f5es por ano na importa\u00e7\u00e3o de 12,5 milh\u00f5es de toneladas do cereal. Isso equivale a 32% das importa\u00e7\u00f5es mundiais de arroz, o que converte a \u00c1frica em um dos maiores importadores do produto e um ator importante em sua comercializa\u00e7\u00e3o.Essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando, assegura Wopereis, convencido de que o setor do arroz representa uma via para a \u00c1frica sair da pobreza. Em seu Plano Estrat\u00e9gico 2011-2020, a AfricaRice deu prioridade \u00e0 melhora da produ\u00e7\u00e3o e da qualidade do arroz africano.<\/p>\n<p>\u201cA partir de 2008, vimos um enorme aumento na produ\u00e7\u00e3o, e o rendimento subiu 30%, chegando a 2,1 toneladas, em m\u00e9dia, por hectare em 2012\u201d, apontouWopereis.\u201cPrecisamos de um claro investimento dos setores p\u00fablicos e privados para impulsionar o setor arrozeiro com ativa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, porque atualmente importamos mais de 12 milh\u00f5es de toneladas da arroz processado e, se n\u00e3o aumentarmos a produ\u00e7\u00e3o, teremos que importar mais e mais, podendo enfrentar a mesma crise que tivemos em 2008\u201d, advertiu.<\/p>\n<p>A crise alimentar de 2008 sacudiu v\u00e1rios pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana e obrigou governos, organismos internacionais e doadores a investirem em ambiciosos projetos de produ\u00e7\u00e3o que deram bons resultados.Mais de 200 participantes, entre pesquisadores, s\u00f3cios do setor privado e representantes governamentais de mais de 20 pa\u00edses da \u00c1frica, \u00c1sia e Europa, se reuniram em Cotonou, no come\u00e7o deste m\u00eas, para a Semana da Ci\u00eancia da AfricaRice, a fim de fazer um balan\u00e7o da evolu\u00e7\u00e3o do setor arrozeiro em 2015.<\/p>\n<p>A ocasi\u00e3o oferece uma oportunidade anual para a reflex\u00e3o e o planejamento das atividades de pesquisa para o desenvolvimento relacionadas com o arroz em 2016, para o centro AfricaRice e seus s\u00f3cios em todo o mundo.A pesquisa deu bons resultados mediante a adapta\u00e7\u00e3o de variedades aut\u00f3ctones e arroz, que ajudaram a desenvolver plantas mais resistentes e de alta produ\u00e7\u00e3o. Cultivado h\u00e1 mais de tr\u00eas mil anos, o arroz africano, conhecido pelo nome cient\u00edfico de <em>Oryzaglaberrima<\/em>, \u00e9 pr\u00f3prio do continente e se converteu em um cultivo econ\u00f4mico e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos seis anos, aAfricaRice trabalhou com os governos para colocar em pr\u00e1tica a estrat\u00e9gia arrozeira em cada pa\u00eds. Por exemplo, o Senegal, um dos principais produtores de arroz africano, identificou regi\u00f5es que ser\u00e3o autossuficientes.A melhora sustent\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o, o processamento e a comercializa\u00e7\u00e3o do arroz s\u00e3o alguns dos desafios que devem ser vencidos para transformar este cereal na chave da \u00c1frica para a seguran\u00e7a alimentar e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O continente tem as tecnologias necess\u00e1rias, mas deve vincular-se com outros atores, como o Banco de Desenvolvimento Africano, e com o setor privado para melhor\u00e1-las. A produ\u00e7\u00e3o de arroz por hectare deveria ser aumentada com variedades melhoradas de sementes, m\u00e1quinas e minicolheitadeiras.<\/p>\n<p>AAfricaRice est\u00e1 realizando um estudo sobre o que implicaria a autossufici\u00eancia para a \u00c1frica subsaariana em 2025. Estima-se que seriam necess\u00e1rios US$ 20 bilh\u00f5es em investimentos para alcan\u00e7ar a autossufici\u00eancia em dez anos, mediante melhor gest\u00e3o das terras dedicadas ao arroz existentes, aumento da produ\u00e7\u00e3o e, dentro do poss\u00edvel, o duplo cultivo.O centro de pesquisa desenvolveu em 2013 sete variedades de arroz de alto rendimento, conhecidas como AdvancedRice Varieties for Africa (Arica), que toleram inunda\u00e7\u00f5es, salinidade, toxidade do ferro e frio.<\/p>\n<p>Moussa Sie, um produtor da AfricaRice e coordenador do Grupo de Trabalho de Cultivos de Arroz na \u00c1frica, ressaltou que as variedades Arica ajudar\u00e3o a aumentar os tipos de arroz dispon\u00edveis e tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o em pelo menos 40%.As Arica foram desenvolvidas com o emprego de ferramentas de sele\u00e7\u00e3o participativa de variedades que os criadores utilizam, para envolver os agricultores no desenvolvimento do que seja adequado para suas necessidades e condi\u00e7\u00f5es, diante das inunda\u00e7\u00f5es e secas como consequ\u00eancia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cEstamos trabalhando para desenvolver variedades que sejam mais fortes e mais preparadas para as amea\u00e7as da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, porque o arroz \u00e9 cultivado principalmente por agricultores pobres\u201d, explicou Sie \u00e0 IPS. A publica\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia sobre a pesquisa arrozeira na \u00c1frica, <em>RealisingAfrica&#8217;sRice Promise<\/em>, assegura que este alimento b\u00e1sico \u00e9 o futuro do continente.<\/p>\n<p>O estudo, uma colabora\u00e7\u00e3o internacional de cem especialistas, diz que o aumento sustent\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade, a melhora da qualidade e a comercializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o a chave para transformar o setor.\u201cO arroz \u00e9 fundamental para a seguran\u00e7a alimentar e a estabilidade pol\u00edtica na \u00c1frica, e tem o maior potencial para impulsionar o crescimento econ\u00f4mico\u201d, afirma o estudo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash;&nbsp; Cotonou, Benin, 23\/2\/2016 &ndash; A &Aacute;frica consome mais arroz do que outros alimentos b&aacute;sicos, embora produza menos do que necessita. 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