{"id":20578,"date":"2016-02-25T12:49:29","date_gmt":"2016-02-25T12:49:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206325"},"modified":"2016-02-25T12:49:29","modified_gmt":"2016-02-25T12:49:29","slug":"migracao-para-o-golfo-colocada-em-xeque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/migracao-para-o-golfo-colocada-em-xeque\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00e3o para o Golfo colocada em xeque"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206326\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206326\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bangladesh-629x354-629x354.jpg\" alt=\"Bengaleses que pretendiam emigrar foram abandonados por traficantes de pessoas em alto mar, e posteriormente resgatados pela Guarda Fronteiri\u00e7a de Bangladesh. Foto: AbdurRahman\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bangladesh-629x354-629x354-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bangladesh-629x354-629x354.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Bengaleses que pretendiam emigrar foram abandonados por traficantes de pessoas em alto mar, e posteriormente resgatados pela Guarda Fronteiri\u00e7a de Bangladesh. Foto: AbdurRahman\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0N ChandraMohan*<\/em><\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 25\/2\/2016 \u2013 A forte queda dos pre\u00e7os mundiais do petr\u00f3leo afetou gravemente as economias do Golfo. Prev\u00ea-se que Ar\u00e1bia Saudita, Bahrein, Emirados \u00c1rabes Unidos e Catar sofrer\u00e3o enormes d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o nesse setor.Na medida em que esses pa\u00edses apertarem o cinto, a maior parte do ajuste recair\u00e1 sobre a popula\u00e7\u00e3o imigrante que comp\u00f5e o grosso da m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Entre os ajustes est\u00e3o cortes para combust\u00edveis, energia, \u00e1gua e subs\u00eddios para educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um imposto sobre valor agregado (IVA). Isto afetar\u00e1 os imigrantes e, segundo diversas vers\u00f5es, j\u00e1 h\u00e1 familiares regressando aos seus pa\u00edses.Como \u00e9 prov\u00e1vel que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo continuem deprimidos \u2013 j\u00e1 que os mercados internacionais \u201cse afogam em um excesso de oferta\u201d, para usar uma express\u00e3o da Ag\u00eancia Internacional de Energia \u2013, as economias do Golfo buscam um futuro para al\u00e9m do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita, por exemplo, pretende diversificar sua economia com a minera\u00e7\u00e3o e os subs\u00eddios. Em entrevista \u00e0 revista brit\u00e2nica<em>TheEconomist<\/em>, Muhammad bin Salm\u00e1n, pr\u00edncipe herdeiro substituto e ministro da Defesa saudita, afirmou que \u201cexistem ativos n\u00e3o utilizados: a expans\u00e3o do turismo religioso, como o aumento do n\u00famero de turistas e peregrinos com destino a Meca e Medina, dar\u00e1 mais valor \u00e0s terras estatais nas duas cidades\u201d<\/p>\n<p>Outras economias do Golfo pensam de maneira semelhante. Entre outras op\u00e7\u00f5es, os Emirados investem forte no crescimento da \u00cdndia. O pr\u00edncipe herdeiro de Abu Dhabi e comandante supremo adjunto das for\u00e7as armadas emiratenses, Zayedbin SultanAl Nahyan, fez uma visita de tr\u00eas dias ao territ\u00f3rio indiano este m\u00eas e assinou diversos acordos que incluem investimento em infraestrutura, energia e avia\u00e7\u00e3o do pa\u00eds asi\u00e1tico.A \u00cdndia tem a inten\u00e7\u00e3o de aproveitar os investimentos de quase US$ 75 bilh\u00f5es do fundo de riqueza soberana dessa economia do Golfo, al\u00e9m de refor\u00e7ar \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas a queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema do Golfo. Em um encontro do F\u00f3rum da Ba\u00eda de Bahrein \u2013 realizado nos dias 29 e 30 de novembro, organizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estrat\u00e9gicos, com sede em Londres \u2013, o ministro de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Turismo do Bahrein, Zayed Al Zayani, afirmou que a desordem econ\u00f4mica e a falta de oportunidades contribuem com a instabilidade na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro insistiu na necessidade de uma reforma econ\u00f4mica \u201csem precedentes\u201d em todo o Golfo, como consequ\u00eancia da redu\u00e7\u00e3o na renda procedente do petr\u00f3leo, na qual incluiu a gera\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de empregos para os jovens dessas economias, que continuam dependendo em grande parte da m\u00e3o de obra estrangeira oriunda de Bangladesh, Filipinas, \u00cdndia e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo isso n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia boa para os trabalhadores estrangeiros. O forte aumento dos gastos com combust\u00edvel e servi\u00e7os p\u00fablicos afetar\u00e1 seu n\u00edvel de vida. Por exemplo, o Catar duplicou essas tarifas em setembro de 2015, enquanto Ar\u00e1bia Saudita e Om\u00e3 reduziram os subs\u00eddios em dezembro desse ano.A Ar\u00e1bia Saudita estuda aplicar IVA no final de 2016. No Bahrein, os trabalhadores estrangeiros tamb\u00e9m perceberam uma perda gradual dos subs\u00eddios que os beneficiavam.<\/p>\n<p>Entre outras reformas tamb\u00e9m est\u00e1 a substitui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra imigrante por empregados locais, o que, no caso da Ar\u00e1bia Saudita, equivale a dez milh\u00f5es de empregos.Por esses motivos, a emigra\u00e7\u00e3o para o Golfo est\u00e1 em um ponto de inflex\u00e3o. Em um per\u00edodo anterior, quando os pre\u00e7os do petr\u00f3leo eram altos e estavam em eleva\u00e7\u00e3o, essas economias tinham renda no auge para dedicar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de aeroportos, estradas e portos.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1970, os que constru\u00edram essas obras de infraestrutura foram os 16 milh\u00f5es de imigrantes de pa\u00edses do sul da \u00c1sia, como Bangladesh, \u00cdndia, Nepal, Paquist\u00e3o e Sri Lanka.Mas, agora que acabou o auge da constru\u00e7\u00e3o financiada pelo petr\u00f3leo, n\u00e3o existe tanto interesse na m\u00e3o de obra estrangeira pouco qualificada, e as economias do Golfo t\u00eam a necessidade de empregar sua pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho jovem e cada vez mais educada.<\/p>\n<p>Assim, existe uma sombra preocupante sobre a sustentabilidade das transfer\u00eancias privadas ou remessas que recebem as economias do sul da \u00c1sia. No Nepal, as remessas representam 30% do produto interno bruto (PIB) do pa\u00eds. Portanto, as consequ\u00eancias do retorno dos emigrantes seguramente ser\u00e3o graves para o perfil exterior desse reino do Himalaia.Em Bangladesh e no Sri Lanka as remessas s\u00e3o igualmente importantes, j\u00e1 que chegam a 9,4% e 8,6%do PIB, respectivamente, segundo o Banco Mundial. Na \u00cdndia, a propor\u00e7\u00e3o cai para 3,4%, mas o problema seria grave em Estados como Kerala, o epicentro da emigra\u00e7\u00e3o para o Golfo.<\/p>\n<p>Diversas pesquisas confirmaram que as remessas aumentam a poupan\u00e7a e o investimento nas fam\u00edlias receptoras e ajudam a reduzir a pobreza. Se esse dinheiro for limitado no curto prazo, os resultados distributivos ser\u00e3o prejudicados. Embora essas transfer\u00eancias contribuam para melhor rendimento econ\u00f4mico, tamb\u00e9m s\u00e3o uma fonte de perturba\u00e7\u00e3o quando se tornam vol\u00e1teis.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a experi\u00eancia do Estado indiano de Kerala \u00e9 relevante, j\u00e1 que depende vitalmente das transfer\u00eancias privadas, que chegam a um ter\u00e7o de seu produto interno. O Centro de Estudos do Desenvolvimento, com sede na cidade de Thiruvananthapuram, fez um trabalho pioneiro sobre a emigra\u00e7\u00e3o e o impacto das remessas na economia do Estado.O Centro realizou seis estudos em grande escala sobre migra\u00e7\u00e3o, em 1998, 2003, 2007, 2008, 2011 e 2014. As conclus\u00f5es apontam para uma tend\u00eancia decrescente na emigra\u00e7\u00e3o de Kerala, em sua maior parte para as economias do Golfo. A era da emigra\u00e7\u00e3o em grande escala terminou.<\/p>\n<p>O retorno de mais imigrantes do sul da \u00c1sia aos seus pa\u00edses seguramente ter\u00e1 um impacto negativo no mercado de trabalho. A taxa de desemprego disparar\u00e1. Remessas menores provocar\u00e3o maiores d\u00e9ficits na conta corrente das economias da regi\u00e3o, que \u00e9 a maior medida do desequil\u00edbrio comercial de bens e servi\u00e7os com o resto do mundo.Al\u00e9m disso, a redu\u00e7\u00e3o das remessas tamb\u00e9m diminuir\u00e1 a renda por habitante, o que contribuir\u00e1 com as tens\u00f5es sociais. O desafio para a pol\u00edtica \u00e9 como lidar com a queda na magnitude dessa renda na regi\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*<strong>N ChandraMohan<\/strong>\u00e9 analista de economia e neg\u00f3cios.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;N ChandraMohan* Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 25\/2\/2016 &ndash; A forte queda dos pre&ccedil;os mundiais do petr&oacute;leo afetou gravemente as economias do Golfo. 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