{"id":20584,"date":"2016-02-26T12:48:04","date_gmt":"2016-02-26T12:48:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206401"},"modified":"2016-02-26T12:48:04","modified_gmt":"2016-02-26T12:48:04","slug":"crise-de-refugiados-no-malawi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/crise-de-refugiados-no-malawi\/","title":{"rendered":"Crise de refugiados no Malawi"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206403\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206403\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/malawi-629x420-1.jpg\" alt=\"Refugiados mo\u00e7ambicanos vivem em condi\u00e7\u00f5es extremas no Malawi. Foto: MSF Malawi\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/malawi-629x420-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/malawi-629x420-1.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados mo\u00e7ambicanos vivem em condi\u00e7\u00f5es extremas no Malawi. Foto: MSF Malawi\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Charity Chimungu Phiri, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Blantyre, Malavi, 26\/2\/2016 \u2013 Imagine ter de fugir de sua casa por ser amea\u00e7ado pelos que, por lei, devem garantir sua prote\u00e7\u00e3o. E, quando finalmente encontra um lugar seguro, essas pessoas convencem seus benfeitores a mand\u00e1-lo regressar porque, na realidade, n\u00e3o h\u00e1 nada a temer. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de aproximadamente 5.800 pessoas procedentes de Mo\u00e7ambique que encontraram ref\u00fagio no Malavi.<\/p>\n<p>Centenas de homens e mulheres, e at\u00e9 de menores sem um acompanhante adulto, fogem desde o ano passado da prov\u00edncia mo\u00e7ambicana de Tete, na fronteira com o Malavi, ap\u00f3s o rein\u00edcio dos enfrentamentos entre as for\u00e7as governamentais e combatentes da Resist\u00eancia Nacional Mo\u00e7ambicana (Renamo).Essa prov\u00edncia \u00e9 considerada como um reduto da Renamo, e as pessoas fogem dos ataques das for\u00e7as regulares, que as acusam de apoiar a organiza\u00e7\u00e3o rebelde, segundo denunciam.<\/p>\n<p>Buscaram ref\u00fagio na aldeia malaviana de Kapise, no distrito de Mwanza, a 300 metros da fronteira com Mo\u00e7ambique.Aproximadamente dois em cada tr\u00eas refugiados s\u00e3o mulheres e menores de cinco anos, bem como idosos. A cada dia, s\u00e3o mais, vivem em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em um acampamento, e competem por recursos b\u00e1sicos com as 150 fam\u00edlias locais.<\/p>\n<p>Um comunicado da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) diz que os refugiados n\u00e3o t\u00eam suficiente \u00e1gua e saneamento, moradias defeituosas e correm risco de contrair doen\u00e7as. Al\u00e9m disso, temem ataques de soldados mo\u00e7ambicanos.Um beb\u00ea de dois meses morreu por diarreia no acampamento em janeiro. E, somente na terceira semana deste m\u00eas, o MSF, que montou uma cl\u00ednica no lugar, atendeu mais de 380 casos de mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por sua vez, o governo do Malavi sofre press\u00e3o de Maputo para que n\u00e3o reconhe\u00e7a essas pessoas como refugiados, denunciou o MSF, assegurando que Mo\u00e7ambique enviou v\u00e1rios representantes ao acampamento para tentar convenc\u00ea-los e regressar, com o argumento de que n\u00e3o havia nenhum conflito no pa\u00eds.No entanto, os meios de comunica\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicanos denunciam que os enfrentamentos aumentaram nas\u00faltimas semanas nas prov\u00edncias de Tete, Zambezia e Sofala, onde h\u00e1 ataques e se ouve disparos diariamente.<\/p>\n<p>O MSF, que trabalha no lugar desde novembro de 2015, pediu ao governo do Malavi que traslade essas pessoas para um acampamento maior, a 50 quil\u00f4metros de Kapise e mais longe da fronteira, como estipulam as normas humanit\u00e1rias internacionais.O antigo acampamento de refugiados Luwani \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o melhor por ter mais espa\u00e7o, uma escola, uma cl\u00ednica e melhores estradas. Al\u00e9m disso, o traslado permitir\u00e1 que outras organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, como o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), forne\u00e7am os servi\u00e7os apropriados para atender as necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Em sua \u00faltima entrevista coletiva, o chefe da miss\u00e3o do MSF, Maury Gregoire, informou, em Blantyre, que sua organiza\u00e7\u00e3o atende cerca de 159 pessoas por dia, metade delas com mal\u00e1ria e o restante com infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e dores no corpo. E acrescentou que h\u00e1 somente 14 banheiros, quando as normas humanit\u00e1rias indicam como m\u00ednimo um para cada 20 pessoas ou, no pior dos casos, um para 50.Al\u00e9m disso, os refugiados s\u00f3 contam com duas perfura\u00e7\u00f5es de \u00e1gua para uso dom\u00e9stico e geral.<\/p>\n<p>\u201cCada pessoa conta, em m\u00e9dia, com oito litros de \u00e1gua por dia, suficiente apenas para beber e cozinhar, e bem abaixo do m\u00ednimo de 15 a 20 litros recomendados para contextos de emerg\u00eancias humanit\u00e1rias\u201d, apontou Gregoire.O MSF tamb\u00e9m alertou para a press\u00e3o que sofrem os refugiados, o que poderia causar tens\u00f5es com as fam\u00edlias locais, especialmente pelo acesso \u00e0 \u00e1gua. Mas as autoridades de Malavi ainda n\u00e3o se decidiram a traslad\u00e1-los nem repatri\u00e1-los.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio principal do Minist\u00e9rio do Interior, Beston Chisamile, disse ao jornal <em>The Nation <\/em>que ainda discutiam a situa\u00e7\u00e3o com as autoridades mo\u00e7ambicanas.\u201cNossos amigos de Mo\u00e7ambique querem que essas pessoas regressem, por isso, quando as duas partes tomarem uma decis\u00e3o que lhes permita ficar no Malavi, poderemos come\u00e7ar a pensar em traslad\u00e1-las para outro lugar\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A representante do Acnur no Malavi, Monique Ekoko, chamou os doadores e as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias para que contribuam com mais fundos para os refugiados. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que este pa\u00eds oferece asilo a cidad\u00e3os mo\u00e7ambicanos. O acampamento Luwani alojou um milh\u00e3o deles, que fugiram de seu pa\u00eds durante os 16 anos de guerra civil (1977-1992).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Malavi atravessa uma dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pela infla\u00e7\u00e3o e pelo aumento das taxas de juros, que deixaram muitas pessoas com dificuldades de subsist\u00eancia. Estima-se que cerca de 2,8 milh\u00f5es de malavianos necessitam de assist\u00eancia alimentar ap\u00f3s a \u00faltima seca e as posteriores inunda\u00e7\u00f5es.Um informe do Comit\u00ea de Avalia\u00e7\u00e3o de Vulnerabilidade do Malavi indicou que s\u00e3o necess\u00e1rios cerca de US$ 18 milh\u00f5es para alimentar toda essa gente at\u00e9 a pr\u00f3xima colheita. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Charity Chimungu Phiri, da IPS &ndash;&nbsp; Blantyre, Malavi, 26\/2\/2016 &ndash; Imagine ter de fugir de sua casa por ser amea&ccedil;ado pelos que, por lei, devem garantir sua prote&ccedil;&atilde;o. E, quando finalmente encontra um lugar seguro, essas pessoas convencem seus benfeitores a mand&aacute;-lo regressar porque, na realidade, n&atilde;o h&aacute; nada a temer. 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