{"id":20587,"date":"2016-02-29T13:12:09","date_gmt":"2016-02-29T13:12:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206436"},"modified":"2016-02-29T13:12:09","modified_gmt":"2016-02-29T13:12:09","slug":"caminhos-desiguais-na-producao-eletrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/caminhos-desiguais-na-producao-eletrica\/","title":{"rendered":"Caminhos desiguais na produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206437\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206437\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/projetohidreletrico.jpg\" alt=\"O Projeto Hidrel\u00e9trico Reventaz\u00f3n entrar\u00e1 em funcionamento neste primeiro semestre de 2016 e aportar\u00e1 a quinta represa \u00e0 matriz el\u00e9trica da Costa Rica. Foto: Instituto Costarriquenho de Eletricidade\" width=\"340\" height=\"191\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/projetohidreletrico-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/projetohidreletrico.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O Projeto Hidrel\u00e9trico Reventaz\u00f3n entrar\u00e1 em funcionamento neste primeiro semestre de 2016 e aportar\u00e1 a quinta represa \u00e0 matriz el\u00e9trica da Costa Rica. Foto: Instituto Costarriquenho de Eletricidade<\/p><\/div>\n<p><em>Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 29\/2\/2016 \u2013 Na \u00faltima d\u00e9cada a Am\u00e9rica Central conseguiu reduzir sua depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ao mesmo tempo em que aumentou sua cobertura, mas os caminhos que cada na\u00e7\u00e3o seguiu mostram as profundas disparidades que persistem dentro do istmo para o setor.A mescla entre grandes usinas hidrel\u00e9tricas, projetos comunit\u00e1rios com pain\u00e9is solares ou turbinas e\u00f3licas e centrais de carv\u00e3o e petr\u00f3leo provocam diferen\u00e7as tanto em suas matrizes el\u00e9tricas atuais como em seu planejamento futuro.<\/p>\n<p>\u201cO quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se atende ou n\u00e3o a demanda, mas quais s\u00e3o as fontes que estamos usando para gerar eletricidade\u201d, destacou \u00e0 IPS o pesquisador Diego Fern\u00e1ndez, do Programa Estado da Regi\u00e3o (PER), elaborado pelo Conselho Nacional de Reitores da Costa Rica (estatal). Cada vez mais centro-americanos s\u00e3o cobertos pelas redes de cada pa\u00eds,disse. O \u00edndice de eletrifica\u00e7\u00e3o passou, em m\u00e9dia, de 69%, em 2000, para 90%, em 2013, segundo um estudo conjunto entre o Estado da Regi\u00e3o e a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>\u201cOs principais avan\u00e7os da regi\u00e3o (na quest\u00e3o energ\u00e9tica) ocorreram no subsetor el\u00e9trico\u201d, afirma esse informe, publicado em outubro de 2015.Entretanto, esse crescimento n\u00e3o \u00e9 uniforme. Na pr\u00f3pria eletrifica\u00e7\u00e3o, os nicaraguenses ainda contam com uma cobertura pr\u00f3xima dos 75%, muito inferior \u00e0 m\u00e9dia, enquanto os costarriquenhos a superam, com 99%. As fontes escolhidas para gerar eletricidade mostram evid\u00eancias mais claras das prioridades energ\u00e9ticas dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>A Costa Rica libera a gera\u00e7\u00e3o com fontes limpas, com mais de 95% do total fornecido por esse tipo de fonte. Por outro lado, Honduras e Nicar\u00e1gua ainda t\u00eam matrizes el\u00e9tricas mais contaminantes, com cerca de metade de sua gera\u00e7\u00e3o proveniente de usinas que em sua maioria utilizam bunker, um combust\u00edvel resultante do destilado de hidrocarbonos com baixa qualidade e baixo pre\u00e7o, o que incide diretamente na sa\u00fade de seus habitantes e nas economias.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia mais clara de que as decis\u00f5es el\u00e9tricas t\u00eam um impacto direto nas contas de cada pa\u00eds \u00e9 a fatura petroleira, que \u00e9 o dobro para os pa\u00edses que utilizam combust\u00edveis f\u00f3sseis para gerar eletricidade, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 daqueles com maior predom\u00ednio de fontes renov\u00e1veis.\u201cNos pa\u00edses que produzem mais energia el\u00e9trica a partir de fontes renov\u00e1veis, como a Costa Rica, a fatura petroleira \u00e9 de quase 5% do produto interno bruto (PIB). Em Honduras e Nicar\u00e1gua, essa fatura vem sendo de 12%\u201d, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Central, com popula\u00e7\u00e3o global de 48 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 importadora de hidrocarbonos, utilizados principalmente para o transporte e em menor medida na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade. Assim, a conta do petr\u00f3leo centro-americana passou de 3,5% do PIB, em 2000, para 8,5%, em 2014, segundo dados do PER e da Cepal. Apesar disso, o conjunto regional saiu \u00e0 frente e, entre 2003 e 2014, a gera\u00e7\u00e3o instalada foi do tipo renov\u00e1vel.<\/p>\n<div id=\"attachment_206438\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-206438\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/graficoenergia.jpg\" alt=\"As disparidades na Am\u00e9rica Central mostram pa\u00edses, como Costa Rica, com matriz el\u00e9trica baseada quase totalmente em renov\u00e1veis, e outros, como a Nicar\u00e1gua, com metade de sua produ\u00e7\u00e3o gerada a partirde combust\u00edveis f\u00f3sseis. \" width=\"340\" height=\"307\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/graficoenergia-300x271.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/graficoenergia.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As disparidades na Am\u00e9rica Central mostram pa\u00edses, como Costa Rica, com matriz el\u00e9trica baseada quase totalmente em renov\u00e1veis, e outros, como a Nicar\u00e1gua, com metade de sua produ\u00e7\u00e3o gerada a partirde combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as aos acordos regionais e pol\u00edticas nacionais, aumentou a participa\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis, o que permitiu reverter a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o dessas energias e aumentar sua participa\u00e7\u00e3o de 57% para 64%\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o chefe da Unidade de Energia e Recursos Naturais da Cepal, V\u00edctor Hugo Ventura.Este especialista, de origem guatemalteca, diz que a regi\u00e3o ainda prioriza a hidroeletricidade, mas que os grandes e m\u00e9dios projetos s\u00e3o atrasados pela oposi\u00e7\u00e3o social e ambiental. Mesmo assim, \u00e9 complicado definir o estado da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica na regi\u00e3o como um todo, ou mesmo em certos pa\u00edses.<\/p>\n<p>O caso guatemalteco \u00e9 exemplar: entre 2009 e 2014, conseguiu aumentar sua porcentagem de energia renov\u00e1vel de 50,7% para 56,1%, segundo a Cepal, mas ainda investe em usinas a carv\u00e3o, a energia mais contaminante.Em 2014 come\u00e7ou a funcionar nesse pa\u00eds a usina de carv\u00e3o mineral de propriedade da Jaguar Energy Guatemala, subsidi\u00e1ria da companhia norte-americana Ashmore Energy International, que, com custo estimado de US$ 750 milh\u00f5es e capacidade instalada de 300 megawatts (MW), se converteu na maior usina el\u00e9trica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ventura destaca que essa iniciativa n\u00e3o necessariamente implica uma diversifica\u00e7\u00e3o para o carv\u00e3o, mas uma falida decis\u00e3o conjuntural, tomada quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo subiu em 2007. \u201cProblemas nos geradores obrigaram a parar as opera\u00e7\u00f5es, e atualmente n\u00e3o produz eletricidade. \u00c0s vezes o barato sai caro\u201d, explicou.O especialista prev\u00ea um aumento do consumo centro-americano de g\u00e1s natural, que tamb\u00e9m \u00e9 um combust\u00edvel f\u00f3ssil, na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Entretanto, a regi\u00e3o centro-americana (composta por Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicar\u00e1gua e Panam\u00e1) recebe h\u00e1 anos pedidos para reduzir sua depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis para gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica.A regi\u00e3o, em sua maioria, atendeu o pedido, mas continua dando vida a usinas de carv\u00e3o e bunker, algo que os informes internacionais criticam. \u201cO cen\u00e1rio \u00e9 muito favor\u00e1vel para a energia e\u00f3lica, cuja capacidade cresceu quase dez vezes durante o presente mil\u00eanio\u201d, diz o informe conjunto do PER e da Cepal.<\/p>\n<p>Tr\u00eas pa\u00edses t\u00eam importantes centrais desse tipo: Costa Rica, Honduras e Nicar\u00e1gua, sendo que, neste \u00faltimo, a energia solar representava,em 2013, 14,8% da produ\u00e7\u00e3o interna de eletricidade. Essas fontes n\u00e3o convencionais permitem tamb\u00e9m eletrificar as comunidades isoladas e em zonas rurais, onde a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria tem um papel importante.\u201cPode-se mencionar v\u00e1rios casos de instala\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares, nos quais a instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o ficam nas m\u00e3os de mulheres empres\u00e1rias treinadas na \u00cdndia\u201d, afirmou Ventura do escrit\u00f3rio sub-regional da Cepal no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Entretanto, tampouco a inclus\u00e3o de novas energias renov\u00e1veis \u00e9 perfeita e os centro-americanos devem ter em conta a variabilidade e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica em seus planejamentos de longo prazo, especialmente em usinas hidrel\u00e9tricas, ao mesmo tempo em que consideram suas emiss\u00f5es de gases-estufa.<\/p>\n<p>\u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica representa grandes desafios para a regi\u00e3o, onde tamb\u00e9m devemseeconsiderados os efeitos e impactos desse fen\u00f4meno nos recursos renov\u00e1veis e sua disponibilidade para gerar energia menos contaminante\u201d, pontuou \u00e0 IPS a advogada especialista em sustentabilidade,AlejandraSobenes, representante junto ao Conselho Nacional de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e ex-vice-ministra de Recursos Naturais da Guatemala.<\/p>\n<p>Em seu pa\u00eds, assegurouSobenes, \u00e9 reconhecida a necessidade de se tomar medidas para evitar um d\u00e9ficit no abastecimento el\u00e9trico a partir de 2026. \u201cMas sempre deve serconsiderado o compromisso de se reduziras nossas emiss\u00f5es em pelo menos 11,2%, ou 22,6% em um cen\u00e1rio mais ambicioso. Isso tornar\u00e1 relevante rever o uso de carv\u00e3o\u201d, afirmou, da capital guatemalteca.<\/p>\n<p>Outro problema sup\u00f5e a pr\u00f3pria inconsist\u00eancia das fontes mais acess\u00edveis: vento e sol. \u201cAgora, com a energia solar e a e\u00f3lica, se facilita muito a inser\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis na matriz el\u00e9trica da regi\u00e3o, mas com um problema: essas fontes, embora sejam renov\u00e1veis, t\u00eam a variabilidade como inconveniente\u201d, observou \u00e0 IPS o diretor de planejamento el\u00e9trico do estatal Instituto Costarriquenho de Eletricidade, Javier Orozco.<\/p>\n<p>Cada pa\u00eds enfrenta a variabilidade como pode: uma estrat\u00e9gia \u00e9 recorrer \u00e0 energia geot\u00e9rmica, abundante na regi\u00e3o e ainda pouco explorada. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 construir enormes represas que permitam liberar \u00e1gua quando falharem o sol e o vento, e uma alternativa final que \u00e9 queimar combust\u00edveis f\u00f3sseis.\u201cNa Costa Rica decidimos pela solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica mais adequada: as represas hidrel\u00e9tricas, onde armazenamos energia, ou \u00e1gua, e a liberamos quando necess\u00e1rio\u201d, enfatizouOrozco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 29\/2\/2016 &ndash; Na &uacute;ltima d&eacute;cada a Am&eacute;rica Central conseguiu reduzir sua depend&ecirc;ncia dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis na gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica ao mesmo tempo em que aumentou sua cobertura, mas os caminhos que cada na&ccedil;&atilde;o seguiu mostram as profundas disparidades que persistem dentro do istmo para o setor.A [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/02\/ultimas-noticias\/caminhos-desiguais-na-producao-eletrica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[2830,2781,2458,2783,2994],"class_list":["post-20587","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-featured","tag-inter-press-service","tag-news3","tag-producao-eletrica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20587"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20589,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20587\/revisions\/20589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}