{"id":20602,"date":"2016-03-02T12:59:13","date_gmt":"2016-03-02T12:59:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206570"},"modified":"2016-03-02T12:59:13","modified_gmt":"2016-03-02T12:59:13","slug":"novo-canal-do-panama-em-meio-a-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/novo-canal-do-panama-em-meio-a-desafios\/","title":{"rendered":"Novo canal do Panam\u00e1 em meio a desafios"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206571\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206571\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/navios.jpg\" alt=\"Dois navios passam pelas eclusas de Miraflores na parte do Oceano Pac\u00edfico, as mais altas do antigo sistema do Canal do Panam\u00e1, em opera\u00e7\u00e3o desde 2014. A eleva\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es nesse trecho chega a 16,5 metros e a passagem pela \u00e1rea dura cerca de 40 minutos. Foto: Iral\u00edsFragiel\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/navios-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/navios.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Dois navios passam pelas eclusas de Miraflores na parte do Oceano Pac\u00edfico, as mais altas do antigo sistema do Canal do Panam\u00e1, em opera\u00e7\u00e3o desde 2014. A eleva\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es nesse trecho chega a 16,5 metros e a passagem pela \u00e1rea dura cerca de 40 minutos. Foto: Iral\u00edsFragiel\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Iral\u00eds\u00a0<\/em><em>Fragiel, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cidade do Panam\u00e1, Panam\u00e1, 2\/3\/2016 \u2013 A esperada entrada em opera\u00e7\u00e3o das novas eclusas do Canal do Panam\u00e1 acontecer\u00e1 em meio a desafios, devido \u00e0s nuvens negras sobre a economia mundial e em particular sobre a China, mas as autoridades locais e especialistas veem sem alarme o impacto para a via ampliada.<\/p>\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o da economia da China, segundo cliente da rota interoce\u00e2nica, com fluxo de 48.419.974 toneladas em 2015, \u00e9 um dos fatores de apreens\u00e3o sobre esse importante motor da economia panamenha, que no ano passado cresceu 6%, a maior taxa da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es do canal ampliado \u2013 prevista para maio ou junho \u2013, nesse contexto, n\u00e3o preocupa Luis Ferreira, porta-voz da estatal e aut\u00f4noma Autoridade do Canal do Panam\u00e1 (ACP). \u201cQuando houve problemas econ\u00f4micos no passado, perdemos basicamente de 2% a 3% da carga. Pode ser que aconte\u00e7a o mesmo desta vez, mas n\u00e3o esperamos uma redu\u00e7\u00e3o substancial, a menos que exista uma completa recess\u00e3o na China\u201d, opinou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>No ano passado, o produto interno bruto (PIB) da China aumentou 6,9%, contra 7,3% em 2014, confirmando a freada da pot\u00eancia asi\u00e1tica, ap\u00f3s ver sua economia crescer por v\u00e1rios anos a um ritmo superior a dois d\u00edgitos.As obras de amplia\u00e7\u00e3o do canal \u2013 que em 2014 completou seu centen\u00e1rio e movimenta,em seus 80 quil\u00f4metros, em torno de 2,5% do com\u00e9rcio mundial \u2013tiveram investimento de US$ 5,25 bilh\u00f5es e come\u00e7aram no dia 3 de setembro de 2007.<\/p>\n<p>Com esse megaprojeto, realizado pelo Grupo Unido pelo Canal, encabe\u00e7ado pela construtora espanhola Sacyr, o Panam\u00e1 espera aumentar o tr\u00e1fego di\u00e1rio, dos atuais 35 a 40 navios, para 48 a 51 embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As novas eclusas, que sobem ou baixam os navios para equilibrar a diferen\u00e7a entre o n\u00edvel do mar e o lago do canal, tamb\u00e9m permitir\u00e3o a circula\u00e7\u00e3o de navios de maior capacidade. Atualmente transitam pelo canal embarca\u00e7\u00f5es de at\u00e9 cinco toneladas, e com a amplia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m poder\u00e3o trafegaros chamados navios neopanamax,de at\u00e9 13 mil toneladas.<\/p>\n<p>Dessa forma, para al\u00e9m da conjuntura, para os setores produtivos panamenhos a amplia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma promessa de crescimento econ\u00f4mico. A equipe de especialistas em com\u00e9rcio internacional da ACP disse \u00e0 IPS que n\u00e3o houve impacto pelo enfraquecimento da economia mundial na atividade do canal no ano passado, e tampouco se espera que isso aconte\u00e7a em 2016.<\/p>\n<p>\u201cOs volumes de mat\u00e9ria-prima para uso industrial, como carv\u00e3o e min\u00e9rio de ferro, destinados \u00e0 China, n\u00e3o s\u00e3o significativos (para o canal), considerando que h\u00e1 fontes mais pr\u00f3ximas na Austr\u00e1lia e no Brasil que n\u00e3o utilizam a via aqu\u00e1tica\u201d, apontou os especialistas da ACP em sua resposta coletiva. Por outo lado, os volumes de gr\u00e3os, especialmente soja, cresceram em bom ritmo nos \u00faltimos anos devido ao aumento no consumo de alimentos na China.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, consideram que a amplia\u00e7\u00e3o do canal \u201cabrir\u00e1 novas oportunidades para os fluxos comerciais de produtos n\u00e3o tradicionais, como g\u00e1snatural liquefeito, e oferecer\u00e1 economia em escala, que tornar\u00e1 mais atraente o uso da rota pelo Panam\u00e1 para segmentos como os portacont\u00eaineres e graneleiros secos\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_206572\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-206572\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Cocoli.jpg\" alt=\"Vista parcial das novas eclusas em Cocol\u00ed, no Oceano Pac\u00edfico, parte da amplia\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1. Cada nova eclusa, com 16 comportas rodantes, tem 427 metros de comprimento, 55 de largura e 18,3 de profundidade. A obra permitir\u00e1 o tr\u00e1fego, por essa via interoce\u00e2nica, de navios com capacidade de at\u00e9 13 mil toneladas, sendo que at\u00e9 agora s\u00f3 podiam passar barcos com at\u00e9 cinco mil toneladas. Foto: Iral\u00edsFragiel\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Cocoli-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Cocoli.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Vista parcial das novas eclusas em Cocol\u00ed, no Oceano Pac\u00edfico, parte da amplia\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1. Cada nova eclusa, com 16 comportas rodantes, tem 427 metros de comprimento, 55 de largura e 18,3 de profundidade. A obra permitir\u00e1 o tr\u00e1fego, por essa via interoce\u00e2nica, de navios com capacidade de at\u00e9 13 mil toneladas, sendo que at\u00e9 agora s\u00f3 podiam passar barcos com at\u00e9 cinco mil toneladas. Foto: Iral\u00edsFragiel\/IPS<\/p><\/div>\n<p>As toneladas de carga por origem e destino se mantiveram est\u00e1veis nos \u00faltimos tr\u00eas anos, segundo a ACP, enquanto os Estados Unidos continuam como maior usu\u00e1rio do canal entre os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico, com carga total de 160.780.317 toneladas em 2015.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa estabilidade foi a carga intercambiada entre os dois maiores clientes. Da China para os Estados Unidos transitaram 10.376.544 toneladas em 2013, 10.963.983 em 2014, e 10.915.510 no ano passado. Dos Estados Unidos para a China foram contabilizadas 24.953.313 toneladas em 2013, 30.771.508 em 2014, e 30.205.802 em 2015.<\/p>\n<p>Diante do cen\u00e1rio econ\u00f4mico chin\u00eas e dos interc\u00e2mbios no uso de fontes de energia, a ACP tamb\u00e9m se prepara para o tr\u00e1fego de navios de g\u00e1s natural liquefeito. \u201cAvalia-se a incurs\u00e3o em novos neg\u00f3cios que reforcem o conglomerado de transporte e log\u00edstica, como \u00e9 o caso do porto de Corozal e a cria\u00e7\u00e3o de um parque log\u00edstico que complementariam as opera\u00e7\u00f5es do canal ampliado\u201d, disseram os especialistas da ACP.O ingresso do canal em 2015 totalizou US$ 2,610 milh\u00f5es, contra US$ 2,534milh\u00f5es em 2014, equivalentes a 5,61% do PIB panamenho.<\/p>\n<p>JordiPrat, economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a Am\u00e9rica Central, assegurou \u00e0 IPS que o Panam\u00e1 tem \u201cum cen\u00e1rio econ\u00f4mico positivo, mas com riscos\u201d e que, no caso do canal, os Estados Unidos,pa\u00eds do qual mais depende, \u201cest\u00e3o crescendo a uma taxa relativamente boa\u201d, embora a vulnerabilidade possa aumentar se a situa\u00e7\u00e3o chinesa piorar.O desafio do pa\u00eds \u00e9 manter as porcentagens de crescimento entre 6% e 8% ao ano e em prevenir baixas no fluxo de com\u00e9rcio mar\u00edtimo, com o impulso de outras fontes de crescimento, pontuou.<\/p>\n<p>Prat recordou que, no per\u00edodo compreendido entre 2000 e 2014, os setores que mais cresceram no Panam\u00e1 foram os da constru\u00e7\u00e3o (37%), de transporte e log\u00edstica (22%), financeiro (15%) e servi\u00e7os p\u00fablicos (12%). E ressaltou que, al\u00e9m das vari\u00e1veis econ\u00f4micas, a inclus\u00e3o se torna chave para o desenvolvimento desse pa\u00eds de quatro milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>O Panam\u00e1 conseguiu reduzir de 38,3% para 25,8% a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, entre 2006 e 2014, recordou o economista, mas a desigualdade se expressa no fato de que, das pessoas nessas condi\u00e7\u00f5es, 47% vivem nas cidades, 49,7% na \u00e1rea rural e 86,9% nas comarcas aut\u00f4nomas ind\u00edgenas. Por isso, afirmou que o Panam\u00e1 deve avan\u00e7ar para \u201cum crescimento inclusivo, por meio do fomento ao capital humano, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao acesso \u00e0 sa\u00fade e aos servi\u00e7os b\u00e1sicos, para que a produtividade aumente, porque n\u00e3o aumentou significativamente nesses tempos\u201d.<\/p>\n<p>O analista e advogado Rodrigo Noriega concorda com Prat quanto ao Panam\u00e1 ter que \u201cpegar firme\u201d na quest\u00e3o educacional, na forma\u00e7\u00e3o e pesquisa cient\u00edfica, para consolidar seu desenvolvimento. \u201c\u00c9 onde estamos vacilantes, e a educa\u00e7\u00e3o, e a corrup\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muito tempo afetam e prejudicam a economia panamenha\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Noriega, pode ser que a economia registre um ritmo mais lento entre 2016 e 2017, por fatores externos e pelo impacto da seca provocada pelo fen\u00f4meno clim\u00e1tico El Ni\u00f1o-Oscila\u00e7\u00e3o do Sul. \u201cEstes fatores externos podem estar roubando do PIB panamenho entre 2% e 2,5% ao ano. Estamos falando de que o PIB poderia estar crescendo entre 7,5% e 8% e o faz entre 5% e 5,5%\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esse analista destacou que uma obra como a amplia\u00e7\u00e3o do canal n\u00e3o se encara pensando no curto prazo, mas para atender necessidades dos pr\u00f3ximos 30 a 50 anos. \u201cHaver\u00e1 anos lentos, mas isso at\u00e9 nos conv\u00e9m, porque temos um problema de escassez nesse momento. Conv\u00e9m que o tr\u00e1fego de navios n\u00e3o seja t\u00e3o grande, para podermos nos recuperar em mat\u00e9ria de \u00e1gua e dar os passos de beb\u00ea para aprender a lidar com as grandes embarca\u00e7\u00f5es\u201d, observou Noriega.<\/p>\n<p>Assim, para este advogado, a mensagem sobre a amplia\u00e7\u00e3o do canal e as perspectivas econ\u00f4micas do Panam\u00e1 desembocam em uma \u00fanica palavra: confian\u00e7a. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Iral&iacute;s&nbsp;Fragiel, da IPS &ndash;&nbsp; Cidade do Panam&aacute;, Panam&aacute;, 2\/3\/2016 &ndash; A esperada entrada em opera&ccedil;&atilde;o das novas eclusas do Canal do Panam&aacute; acontecer&aacute; em meio a desafios, devido &agrave;s nuvens negras sobre a economia mundial e em particular sobre a China, mas as autoridades locais e especialistas veem sem alarme o impacto para a via [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/novo-canal-do-panama-em-meio-a-desafios\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4,1],"tags":[2830,2996,1160,2781,2458,2782,2489],"class_list":["post-20602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-mundo","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-canal-do-panama","tag-china","tag-featured","tag-inter-press-service","tag-news2","tag-panama"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20602"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20602\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20603,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20602\/revisions\/20603"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}