{"id":2061,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2061"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"ambiente-portugal-divulga-dados-parciais-da-temporada-de-incndios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/ambiente-portugal-divulga-dados-parciais-da-temporada-de-incndios\/","title":{"rendered":"Ambiente: Portugal divulga dados parciais da temporada de inc&ecirc;ndios"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 08\/10\/2006 &ndash; Em apenas duas semanas do m&ecirc;s mais quente do ver&atilde;o na Europa, o fogo arrasou 36 mil hectares de florestas em Portugal e 89 mil hectares na regi&atilde;o espanhola da Gal&iacute;cia. <!--more--> A hist&oacute;ria se repete em cada m&ecirc;s de agosto nestes dois territ&oacute;rios de l&iacute;ngua, costumes e geografia semelhantes. Entre 31 de julho e o &uacute;ltimo dia 14, os inc&ecirc;ndios em Portugal destru&iacute;ram o equivalente a quatro vezes a &aacute;rea metropolitana de Lisboa e triplicaram os 13.591 hectares queimados desde 1&ordm; de janeiro at&eacute; o final de julho. Nada compar&aacute;vel com a vizinha regi&atilde;o da Gal&iacute;cia, no noroeste da Espanha, onde ao t&eacute;rmino da primeira quinzena de agosto a tr&aacute;gica contabilidade indica que a &aacute;rea queimada passou de 2.241 hectares para 88.473 hectares, isto &eacute;, 39 vezes mais do que nos sete meses anteriores.<\/p>\n<p>No dia 8 de agosto, apesar da delicada situa&ccedil;&atilde;o portuguesa, Lisboa enviou v&aacute;rias companhias de bombeiros para colaborarem com seus colegas espanh&oacute;is e que regressaram esta semana, ap&oacute;s defenderem com &ecirc;xito aldeias encravadas nas frondosas florestas galegas. Em um balan&ccedil;o provis&oacute;rio do governo da Gal&iacute;cia divulgado nesta quinta-feira, dia em que os inc&ecirc;ndios foram finalmente controlados, a prov&iacute;ncia mais afetada foi Pontevedra, com 38,5 mil hectares queimados, seguida por La Coru&ntilde;a (28 mil), Orense (8,5 mil) e Lugo (2 mil). Foram queimados pouco mais de 2% dos tr&ecirc;s milh&otilde;es de hectares que formam a superf&iacute;cie total da Gal&iacute;cia, 500 aldeias e mil casas de campo tiveram de ser defendidas das chamas, duas mulheres morreram carbonizadas dentro de um autom&oacute;vel e 30 suspeitos de provocarem inc&ecirc;ndios foram presos.<\/p>\n<p>At&eacute; o momento, na &aacute;rea continental de Portugal e nos arquip&eacute;lagos luso-atl&acirc;nticos de A&ccedil;ores e Madeira foram queimados 50 mil hectares, segundo dados divulgados nesta quinta-feira. Apesar destes dados preocupantes fornecidos pelo Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Inc&ecirc;ndios Florestais da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, que utiliza sat&eacute;lite, o governo portugu&ecirc;s recorda que o total queimado at&eacute; o final de julho representou menos de um sexto da m&eacute;dia de 90 mil hectares queimados nos &uacute;ltimos cinco anos em igual per&iacute;odo. At&eacute; o &uacute;ltimo dia de julho, a &aacute;rea total que havia sido destru&iacute;da pelo fogo na comunidade europ&eacute;ia era de 64,5 mil hectares, \u201cbem abaixo dos 610 mil que queimaram em igual per&iacute;odo de 2005\u201d, diz o informe da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, que, entretanto, alerta que \u201ca &eacute;poca de inc&ecirc;ndios ainda n&atilde;o terminou\u201d.<\/p>\n<p>\u201c&Eacute; sabido que o calor do ver&atilde;o surge associado aos inc&ecirc;ndios, e h&aacute; muito tempo olhamos para o fogo como uma fatalidade da &eacute;poca, &eacute; como se fosse mais uma esta&ccedil;&atilde;o do ano\u201d, disse &agrave; IPS Antonio Jos&eacute; Teixeira, diretor do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, decano da imprensa lisboeta, um dos jornalistas portugueses que se destacaram por buscar as ra&iacute;zes dos inc&ecirc;ndios florestais. \u201cO fogo aparece como express&atilde;o de uma irracionalidade quase indom&aacute;vel\u201d, diante da qual a cidadania come&ccedil;a a \u201cficar estupefata com sua dimens&atilde;o\u201d para, depois, \u201chabituar-se, como se fosse uma fatalidade, e s&oacute; se assustam e gritam quando surge em suas portas\u201d, afirmou Teixeira.<\/p>\n<p>De fato, sob o calor das chamas, tudo se questiona, culpa-se os sucessivos governos, lamenta-se os mortos \u2013 at&eacute; agora oito, cinco bombeiros chilenos, um portugu&ecirc;s e dois civis \u2013 e chega-se &agrave; conclus&atilde;o de costume: falta ordenamento territorial, gest&atilde;o florestal, mobiliza&ccedil;&atilde;o da cidadania e fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Neste ver&atilde;o, o governo do primeiro-ministro socialista, Jos&eacute; S&oacute;crates Carvalho Pinto de Souza aumentou as expectativas e at&eacute; chegou a falar de um \u201cPortugal sem inc&ecirc;ndios\u201d. Entretanto, o pr&oacute;prio ministro do Interior, Antonio Santos da Costa, reconheceu, na segunda-feira, que a preven&ccedil;&atilde;o \u201cn&atilde;o deu os resultados desejados\u201d.<\/p>\n<p>O ministro disse que o combate ao fogo est&aacute; tendo &ecirc;xito, o que explica a diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o a anos anteriores, mas \u201c&eacute; o estado geral de nossas florestas o verdadeiro problema, e se isto n&atilde;o mudar nos pr&oacute;ximos anos registraremos um n&uacute;mero crescente de inc&ecirc;ndios e uma capacidade de resposta cada vez maior\u201d. Entre as medidas implementadas este ano, o governo aprovou uma estrat&eacute;gia para as florestas, incluindo um plano de defesa que obriga sua limpeza para evitar o ac&uacute;mulo de material de f&aacute;cil combust&atilde;o, estabeleceu zonas de interven&ccedil;&atilde;o florestal, mais e maiores multas e uma articula&ccedil;&atilde;o entre os minist&eacute;rios da Agricultura, Meio Ambiente e Interior.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, por determina&ccedil;&atilde;o da Procuradoria Geral da Na&ccedil;&atilde;o, a pol&iacute;cia est&aacute; agindo duramente contra os supostos incendi&aacute;rios, contando-se at&eacute; agora 18 detidos sob acusa&ccedil;&atilde;o de piromania ou de fogo provocado com inten&ccedil;&atilde;o dolosa, provavelmente por encomenda. Ao mesmo tempo, o relativo sucesso no combate ao fogo contou com a ajuda de dois hidroavi&otilde;es russos Beriev BE-200, o maior modelo que existe no mundo, que comprovaram sua efic&aacute;cia combatendo inc&ecirc;ndios portugueses.<\/p>\n<p>Uma antiga d&iacute;vida de 63 milh&otilde;es de euros contra&iacute;da pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. antes de sua dissolu&ccedil;&atilde;o em 1991, ser&aacute; cancelada em 90% pela R&uacute;ssia com a entrega de quatro hidroavi&otilde;es BE-200, que tamb&eacute;m podem ser usados em opera&ccedil;&otilde;es anf&iacute;bias de resgate. Apesar de o ministro Costa n&atilde;o ter dado sua palavra final, o minist&eacute;rio russo das Finan&ccedil;as, respons&aacute;vel pelas d&iacute;vidas deixadas pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em todo o mundo, afirmou em Moscou que j&aacute; havia um acordo verbal com Portugal.<\/p>\n<p>Em Lisboa, o comandante do Servi&ccedil;o Nacional de Bombeiros, Gil Martines, destacou a \u201cvantagem adicional\u201d que representa a descarga de 12 mil litros pelo Beriev sobre todos os outros avi&otilde;es, especialmente do Canad&aacute; Air, seu competidor mais pr&oacute;ximo que costuma carregar a metade dessa quantidade de &aacute;gua. No entanto o problema central parece n&atilde;o estar no combate aos inc&ecirc;ndios j&aacute; declarados, porque \u201ca neglig&ecirc;ncia generalizada continua impune, a limpeza florestal n&atilde;o passa de boa inten&ccedil;&atilde;o e o abandono &eacute; a regra em uma parcela importante do pa&iacute;s\u201d, afirmou o jornalista Teixeira. Para ele, a solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; em \u201cadotar um modelo que responsabilize prefeitos e vereadores por um desenvolvimento mais harmonioso do territ&oacute;rio\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, os jornais portugueses deram especial aten&ccedil;&atilde;o ao estudo divulgado na ter&ccedil;a-feira pela Universidade de Bristol, que prev&ecirc; o aumento nos pr&oacute;ximos dois s&eacute;culos dos inc&ecirc;ndios florestais, das secas e inunda&ccedil;&otilde;es por causa do aquecimento do planeta. A maioria dos cientistas atribui a mudan&ccedil;a global do clima ao efeito causado pelo ac&uacute;mulo na atmosfera dos gases expelidos pela queima de petr&oacute;leo, g&aacute;s e carv&atilde;o, conhecidos como efeito estufa. De acordo com os cientistas dessa universidade brit&acirc;nica, mesmo se acabasse agora a emiss&atilde;o dos gases que provocam o efeito estufa, a perda da superf&iacute;cie florestal continuaria na Am&eacute;rica Central, Europa Oriental e Amaz&ocirc;nia.<\/p>\n<p>O estudo alerta que regi&otilde;es agora parcialmente &aacute;ridas, como o sul de Portugal, ficar&atilde;o mais vulner&aacute;veis a inc&ecirc;ndios florestais, e para os pr&oacute;ximos dois s&eacute;culos tamb&eacute;m se prev&ecirc; uma perda significativa de &aacute;gua doce no sul da Europa, na Am&eacute;rica Central, no oeste da &Aacute;frica, e leste dos Estados Unidos, com o conseq&uuml;ente aumento das secas. Al&eacute;m disso, o Programa Operacional de Agricultura e Desenvolvimento Rural reconheceu esta semana que Portugal n&atilde;o cumprir&aacute; a meta de 90 mil hectares de reflorestamento definido para o per&iacute;odo 2001-2006, para projetos com direito a financiamento comunit&aacute;rio, chegando a apenas 38.405 hectares. Os efeitos deste descumprimento de meta podem ser devastadores. Segundo o departamento de solos do Instituto Superior T&eacute;cnico de Lisboa, o risco de eros&atilde;o em &aacute;reas queimadas e n&atilde;o reflorestadas &eacute; particularmente elevado, ao deixar de existir a cobertura vegetal protetora da superf&iacute;cie. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 08\/10\/2006 &ndash; Em apenas duas semanas do m&ecirc;s mais quente do ver&atilde;o na Europa, o fogo arrasou 36 mil hectares de florestas em Portugal e 89 mil hectares na regi&atilde;o espanhola da Gal&iacute;cia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/ambiente-portugal-divulga-dados-parciais-da-temporada-de-incndios\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4,11],"tags":[18],"class_list":["post-2061","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}