{"id":20621,"date":"2016-03-09T13:00:08","date_gmt":"2016-03-09T13:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=206890"},"modified":"2016-03-09T13:00:08","modified_gmt":"2016-03-09T13:00:08","slug":"amigas-da-agua-a-caminho-do-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/amigas-da-agua-a-caminho-do-sucesso\/","title":{"rendered":"Amigas da \u00e1gua a caminho do sucesso"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_206891\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-206891\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/india-629x420.jpg\" alt=\"Kamlesh Kumari, uma \u201camiga da \u00e1gua\u201d da aldeia de Dharaupur, no Estado indiano de Uttar Pradesh, mostra as ferramentas que utiliza para consertar bombas manuais para retirar \u00e1gua de po\u00e7o. Foto: Stella Paul\/IPS \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/india-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/india-629x420.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Kamlesh Kumari, uma \u201camiga da \u00e1gua\u201d da aldeia de Dharaupur, no Estado indiano de Uttar Pradesh, mostra as ferramentas que utiliza para consertar bombas manuais para retirar \u00e1gua de po\u00e7o. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Para garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica, mulheres indianas criaram o grupo especial \u201cconselho da \u00e1gua\u201d. Elas recensearam a popula\u00e7\u00e3o para calcular as necessidades h\u00eddricas de cada fam\u00edlia. Apesar do compromisso e esfor\u00e7o dessas mulheres a principal dificuldade ainda s\u00e3o as sucessivas secas.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Stela Paul, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Mamna, \u00cdndia, 9\/3\/2016 \u2013 Prema Bai, de 58 anos, abaixa a cabe\u00e7a e movimenta sua cadeira de rodas na aldeia indiana de Mamna, que nas primeiras horas da tarde parece deserta, apesar de nela viverem 742 fam\u00edlias e ficar no Estado de Uttar Pradesh, o maior e mais povoado da \u00cdndia. A severa seca obrigou todo homem e toda mulher com menos de 50 anos a abandonar Mamna nas \u00faltimas semanas, e s\u00f3 ficaram os adultos idosos e as mulheres com filhos pequenos.<\/p>\n<p>\u201cPensaram que \u00e9ramos como o gado, uma carga em tempos dif\u00edceis porque s\u00f3 comemos, mas n\u00e3o produzimos nada em troca\u201d, lamentou Bai, cujos dois filhos emigraram com suas mulheres para Agra, que fica a 255 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, onde agora trabalham em uma f\u00e1brica de tijolos. Mas est\u00e3o equivocados. Apesar de paralisada da cintura para baixo, Bai trabalha com algumas vizinhas para acabar com a crise h\u00eddrica na aldeia. Vestidas de azul, como s\u00edmbolo da \u00e1gua, as mulheres se batizaram de <em>jal saheli<\/em> (amigas da \u00e1gua, em l\u00edngua hindi).<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o indiana considera crime a discrimina\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa por sua casta ou religi\u00e3o. Mas em Mamna os integrantes das casas \u201csuperiores\u201d concentram mais poder e direitos do que os dalits ou as comunidades tribais (como s\u00e3o conhecidos nesse pa\u00eds os ind\u00edgenas).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de po\u00e7os, as mulheres dalits ou ind\u00edgenas devem esperar que integrantes das castas superiores encham seus recipientes. Muitas vezes os homens destas \u00faltimas pegam \u00e1gua para regar ou para banhar o gado, sem se importar que elas esperem sua vez para levar \u00e1gua \u00e0 sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 2011, dentro de um projeto com fundos da Uni\u00e3o Europeia (UE), as mulheres dos grupos mais desfavorecidos, entre as quais tamb\u00e9m havia mu\u00e7ulmanas, de 110 aldeias em tr\u00eas distritos (Hamirpur, Lalitpur e Jalaun) come\u00e7aram a denunciar a discrimina\u00e7\u00e3o e a reclamar seus direitos \u00e0s fontes de \u00e1gua locais.<\/p>\n<p>\u201cAs aldeias s\u00e3o parte de uma regi\u00e3o chamada Bundelkhand, onde as mulheres destinam entre tr\u00eas e cinco horas por dia \u00e0 busca por \u00e1gua porque se acredita que \u00e9 responsabilidade delas prover a fam\u00edlia\u201d, contou a ativista Satish Chandra, da organiza\u00e7\u00e3o Parmarth Seva Sevi Sansthan, que trabalha com comunidades marginalizadas e leva adiante o projeto da UE. \u201cAcreditamos que s\u00f3 um movimento encabe\u00e7ado por mulheres pode aliviar essa carga\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Kunti Devi, outra <em>jal saheli<\/em> da aldeia de Mamna, disse que, como primeira medida para garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica, as mulheres criaram o grupo especial \u201cconselho da \u00e1gua\u201d e fizeram um mapa do lugar onde marcaram os pontos de extra\u00e7\u00e3o, inclu\u00eddos os canais de irriga\u00e7\u00e3o, riachos, po\u00e7os, lagos e p\u00e2ntanos, bem como o estado em que se encontram.<\/p>\n<p>A seguir, recensearam a popula\u00e7\u00e3o para calcular as necessidades h\u00eddricas de cada fam\u00edlia. Tamb\u00e9m identificaram quem vivia longe das fontes de \u00e1gua e quem vivia perto. Por fim, realizaram um plano detalhado para limpar, recuperar e proteg\u00ea-las do uso indiscriminado. \u201cChamamos nosso plano de seguran\u00e7a h\u00eddrica\u201d, explicou Devi, acrescentando que ele \u201ccont\u00e9m detalhes de nossas vulnerabilidades e medidas que devemos adotar para super\u00e1-las\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, apesar do compromisso e de seu esfor\u00e7o, conseguir a seguran\u00e7a h\u00eddrica tem sido uma longa luta e, no momento, 34 aldeias conseguiram alcan\u00e7\u00e1-la, afirmou Mavendra Singh, tamb\u00e9m capacitadora da Parmarth. As mulheres contam que a principal dificuldade \u00e9 o fato de a regi\u00e3o de Bundelkhand sofrer sucessivas secas.<\/p>\n<p>Por exemplo, entre 1\u00ba de junho e 30 de setembro de 2015, o distrito de Lalitpur recebeu apenas 321,3 mil\u00edmetros de chuva, 66% menos do que o habitual, segundo dados do Departamento de Meteorologia. Em novembro do ano passado, o governo de Uttar Pradesh declarou que os sete distritos da regi\u00e3o haviam sofrido o impacto da falta de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A <em>jal saheli<\/em> Kamlesh Kumari, da aldeia de Dharaupur, declarou: \u201cquisemos aprofundar o lago este ano, mas abandonamos o plano por causa da seca. As autoridades cavaram um po\u00e7o para irrigar os campos de trigo. Em abril, quando os cultivos j\u00e1 n\u00e3o precisarem de irriga\u00e7\u00e3o, tiraremos \u00e1gua do po\u00e7o e encheremos o tanque. Mas o calor faz com que a \u00e1gua evapore mais r\u00e1pido do que o habitual, por isso temos que ench\u00ea-lo a cada duas semanas, mais ou menos\u201d.<\/p>\n<p>O r\u00e1pido esgotamento da \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 outro motivo de preocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. \u201cEm 2011, quando come\u00e7ou a funcionar o projeto, o n\u00edvel de \u00e1gua era de pouco mais de 18 metros. Quatro anos depois, diminuiu para tr\u00eas metros\u201d, disse Chandra, da organiza\u00e7\u00e3o Parmarth.Algumas aldeias, como Bamoria, t\u00eam \u00e1gua encanada, gra\u00e7as \u00e0 intensa press\u00e3o, mas a maioria ainda depende de po\u00e7os com bombas manuais, instaladas pelas autoridades, para cobrir suas necessidades di\u00e1rias desde que secaram os tanques e riachos.<\/p>\n<p>Mas as bombas manuais quebram constantemente e as mulheres tiveram que aprender a consert\u00e1-las.\u201cOs problemas mais comuns s\u00e3o engrenagem gastas, pe\u00e7as internas ou rolamentos soltos, o que torna inst\u00e1vel o movimento. Agora resolvemos os problemas\u201d, pontuou Kumari, ressaltando que,\u201cs\u00f3 quando diminui o n\u00edvel de \u00e1gua, \u00e9 que dependemos das autoridades para que aprofundem o po\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>Jayati Janta, da tribo Sahariya e tamb\u00e9m <em>jal saheli<\/em>, foi eleita h\u00e1 pouco tempo chefe do conselho de aldeia de Rajawan, apesar da dura oposi\u00e7\u00e3o dos homens das castas superiores. Dois meses depois da elei\u00e7\u00e3o, Janta j\u00e1 implanta um plano de seguran\u00e7a h\u00eddrica que inclui a constru\u00e7\u00e3o de um tanque de percola\u00e7\u00e3o para recarregar a \u00e1gua subterr\u00e2nea na aldeia. \u201cTodas as mulheres colaboram com seu trabalho\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cUma <em>jal saheli <\/em>conhece as dificuldades que as mulheres enfrentam para conseguir \u00e1gua. Se pudermos ter mais algumas em cargos p\u00fablicos poderemos mudar essa regi\u00e3o\u201d, enfatizou Lalita Dube, tamb\u00e9m <em>jal saheli<\/em>, da aldeia de Bhadauna. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo se baseou em entrevistas com mulheres de mais de 20 aldeias. Al\u00e9m disso, a jornalista recorreu a um estudo documentado do projeto.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para garantir a seguran&ccedil;a h&iacute;drica, mulheres indianas criaram o grupo especial &ldquo;conselho da &aacute;gua&rdquo;. Elas recensearam a popula&ccedil;&atilde;o para calcular as necessidades h&iacute;dricas de cada fam&iacute;lia. Apesar do compromisso e esfor&ccedil;o dessas mulheres a principal dificuldade ainda s&atilde;o as sucessivas secas. 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