{"id":20650,"date":"2016-03-16T13:33:49","date_gmt":"2016-03-16T13:33:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207175"},"modified":"2016-03-16T13:33:49","modified_gmt":"2016-03-16T13:33:49","slug":"a-paz-nao-pode-esperar-no-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/a-paz-nao-pode-esperar-no-oriente-medio\/","title":{"rendered":"A paz n\u00e3o pode esperar no Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207176\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207176\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/alepo20082014.jpg\" alt=\"Membro da equipe de defesa civil da cidade s\u00edriade Alepo busca sobreviventes, ap\u00f3s o ataque a\u00e9reo com uma bomba de barril, em agosto de 2014. Foto: Shelly Kittleson\/IPS\" width=\"340\" height=\"249\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Membro da equipe de defesa civil da cidade s\u00edriade Alepo busca sobreviventes, ap\u00f3s o ataque a\u00e9reo com uma bomba de barril, em agosto de 2014. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/3\/2016 \u2013 Com as guerras civis e os conflitos transfronteiri\u00e7os, que s\u00f3 se agravam no Oriente M\u00e9dio, Iraque, L\u00edbia e S\u00edria,h\u00e1 o risco de implos\u00e3o, ao que se acrescenta o avan\u00e7o do Estado Isl\u00e2mico (EI) em uma zona e em um contexto de grande instabilidade. O secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, j\u00e1 alertou que \u201cpoder\u00e1 ser muito tarde para manter a S\u00edria inteira se esperarmos muito mais\u201d.Atualmente rege um fr\u00e1gil \u201ccessar de hostilidades\u201d entre as for\u00e7as que se enfrentam na guerra civil da S\u00edria, iniciada em 15 de mar\u00e7o de 2011.<\/p>\n<p>Mas a pergunta que todos fazem \u00e9 at\u00e9 quando durar\u00e1 o cessar-fogo.O alto comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados, Antonio Guterres, tamb\u00e9m candidato a ocupar o cargo de secret\u00e1rio-geral da ONU, alertou que, se n\u00e3o houver um fim r\u00e1pido ao prolongado conflito em territ\u00f3rio s\u00edrio,\u201cpoder\u00e1 ser o final da S\u00edria como o mundo a conhece\u201d atualmente.Especula-se que acabem sendo criados dois pa\u00edses, uma S\u00edria sunita e outra xiita. E o mesmo poderia ocorrer no Iraque, declarou Guterres ao Conselho de Seguran\u00e7a, em dezembro de 2015.<\/p>\n<p>A comunidade internacional n\u00e3o pode permitir que as atuais divis\u00f5es sect\u00e1rias aumentem e se convertam em uma guerra de religi\u00e3o, como a que arrasou partes da Europa nos s\u00e9culos 16 e 17. A hist\u00f3ria nos ensina que a paz n\u00e3o pode esperar, ressaltouo alto comiss\u00e1rio.No Iraque, os progn\u00f3sticos indicam que o pa\u00eds poderia se dividir em tr\u00eas Estados, um sunita, outro xiita, al\u00e9m do Curdist\u00e3o, um territ\u00f3rio para os milh\u00f5es de curdos desse pa\u00eds e da Turquia, que h\u00e1 tempos reclamam seu pr\u00f3prio Estado separado.<\/p>\n<p>A L\u00edbia, que ficou totalmente desestabilizada ap\u00f3s a queda do regime e posterior morte de Muammar Gadafi, em 2011, j\u00e1 tem dois centros pol\u00edticos e rivais em Tr\u00edpoli e Tobruk.Por sua vez, o presidente da Tun\u00edsia, Beji Caid Essebi, alertou, na primeira semana deste m\u00eas, que o Estado Isl\u00e2mico, que controla partes da L\u00edbia, amea\u00e7a criar um novo Estado isl\u00e2mico em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>O historiador Vijay Prashad, professor de estudos internacionais no Trinity College, com sede em Connecticut, nos Estados Unidos, apontou \u00e0 IPS que o argumento geral \u00e9 que esses pa\u00edses \u2013 Iraque, L\u00edbia e S\u00edria \u2013 j\u00e1 sofreram danos enormes pelas pol\u00edticas de mudan\u00e7a de regime.\u201cSua integridade ficou profundamente abalada. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de dividir a S\u00edria, por exemplo, porque j\u00e1 ficou fragmentada pela guerra\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Prashad, que em breve publicar\u00e1 o livro <em>The Death of the Nation and the Future of the Arab Revolution<\/em> (A Morte da Na\u00e7\u00e3o e o Futuro da Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe), o Centro de Pesquisa Pol\u00edtica, com sede em Damasco, na S\u00edria, tem um informe que sustenta que a economia produzida pela guerra j\u00e1 criou v\u00e1rias S\u00edrias, cada uma constru\u00edda sob a carapa\u00e7a da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>No Iraque, a cria\u00e7\u00e3o de um enclave no norte do pa\u00eds, em 1991, j\u00e1 introduziu uma divis\u00e3o, enquanto a ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana empurrou as diferentes fac\u00e7\u00f5es iraquianas para uma matriz sect\u00e1ria. A L\u00edbia mal existe como pa\u00eds, com tr\u00eas governos, um em Tr\u00edpoli, outro em Tobruk\/Bayda, e um do Estado Isl\u00e2mico, em Sirte. Cada um deles agora cria seu pr\u00f3prio aparelho estatal, detalhou Prashad.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, destacou no Conselho de Seguran\u00e7a que\u201cdevemos reconhecer que 2015 foi um dos anos mais problem\u00e1ticos e turbulentos da hist\u00f3ria recente, com as guerras civis que destro\u00e7aram S\u00edria e I\u00eamen e a propaga\u00e7\u00e3o do extremismo violento\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, o vice-secret\u00e1rio-geral da ONU, Jan Eliasson, declarou, na segunda semana deste m\u00eas, que, entre 2007 e 2014, as guerras civis haviam triplicado no mundo. As guerras aumentaram em intensidade e em escala, se tornaram mais letais, mais prolongadas, mais complexas e menos suscet\u00edveis a uma solu\u00e7\u00e3o, acrescentou. \u201cH\u00e1 uma flagrante falta de respeito e uma desfeita em rela\u00e7\u00e3o ao direito humanit\u00e1rio internacional\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>V\u00e1rios fatores alimentam o conflito: as rivalidades pol\u00edticas, a interfer\u00eancia internacional (guerras indiretas), a volatilidade econ\u00f4mica e as desigualdades, a fr\u00e1gil governan\u00e7a, as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e o aumento do extremismo, afirmou Eliasson.As a\u00e7\u00f5es descoordenadas e a busca de interesses nacionais de curto alcance n\u00e3o far\u00e3o mais que perpetuar a instabilidade. As solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas s\u00e3o de interesse nacional e internacional nomundo atual, enfatizou.<\/p>\n<p>Em resposta a esses conflitos, a ONU e os pa\u00edses membros empreenderam, em 2015, uma grande revis\u00e3o das ferramentas de resposta aos conflitos, inclu\u00eddas as opera\u00e7\u00f5es de paz, a constru\u00e7\u00e3o da paz e a C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial, destacouEliasson. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/3\/2016 &ndash; Com as guerras civis e os conflitos transfronteiri&ccedil;os, que s&oacute; se agravam no Oriente M&eacute;dio, Iraque, L&iacute;bia e S&iacute;ria,h&aacute; o risco de implos&atilde;o, ao que se acrescenta o avan&ccedil;o do Estado Isl&acirc;mico (EI) em uma zona e em um contexto de grande instabilidade. 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