{"id":20660,"date":"2016-03-21T13:50:05","date_gmt":"2016-03-21T13:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207316"},"modified":"2016-03-21T13:50:05","modified_gmt":"2016-03-21T13:50:05","slug":"escassez-alimentar-afeta-camaroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/escassez-alimentar-afeta-camaroes\/","title":{"rendered":"Escassez alimentar afeta Camar\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207317\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207317\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/camerun-629x420.jpg\" alt=\"A regi\u00e3o de Extremo Norte, em Camar\u00f5es, atravessa uma grave inseguran\u00e7a alimentar, aprofundada pelos ataques do BokoHaram. Foto: MbomSixtus\/IPS \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/camerun-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/camerun-629x420.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A regi\u00e3o de Extremo Norte, em Camar\u00f5es, atravessa uma grave inseguran\u00e7a alimentar, aprofundada pelos ataques do BokoHaram. Foto: MbomSixtus\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0MbomSixtus, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Iaund\u00e9, Camar\u00f5es, 21\/3\/2016 \u2013 \u201cDiminu\u00edram a quantidade de alimentos que nos davam e ainda n\u00e3o sabemos o motivo. Mas aceitamos\u201d,contou \u00e0 IPS o nigeriano John Guigue, um professor residente no acampamento de refugiados de Minawao, na regi\u00e3o Extremo Norte de Camar\u00f5es. \u201cSomos refugiados e n\u00e3o temos alternativa. Tudo o que nos d\u00e3o \u00e9 arroz e soja\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por sua vez, John Bouba, que fugiu da insurg\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o extremista BokoHaram na Nig\u00e9ria e reside no mesmo acampamento de refugiados, disse que, quando recebem arroz, o vendem \u201cpela metade do pre\u00e7o do mercado local para usar o dinheiro na compra de milho, moere misturar com o arroz\u201d. Ap\u00f3s observar que h\u00e1 escassez de alimentos no acampamento, disse que,\u201cdepois de tr\u00eas semanas, comemos arroz at\u00e9 chegarem as ra\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo m\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos o motivo, e estamos agradecidos \u00e0s pessoas que nos d\u00e3o alimentos. N\u00e3o podemos comparar com o que com\u00edamos antes, em nossa casa na Nig\u00e9ria. Trabalh\u00e1vamos e compr\u00e1vamos. Aqui temos que esperar sentados a ajuda das pessoas de boa vontade\u201d,observou Bouba.A queda no fornecimento de alimentos para o acampamento faz parte de um problema regional na prov\u00edncia de Extremo Norte, que se exacerba devido \u00e0 inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Felix B. F. Gomez, diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Camar\u00f5es, pontuou \u00e0 IPS que a inseguran\u00e7a alimentar se deteriorou profundamente em 2015, com o recrudescimento da viol\u00eancia. \u201cO n\u00famero de pessoas que vivem em inseguran\u00e7a alimentar mais que dobrou desde junho de 2015. Estima-se que cerca de 1,4 milh\u00e3o de pessoas vivem nessa situa\u00e7\u00e3o, mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o\u201d, acrescentou. Al\u00e9m disso, destacou que \u201caproximadamente 200 mil pessoas sofrem uma grave inseguran\u00e7a alimentar, o que representa aumento de 300% em rela\u00e7\u00e3o a junho de 2015\u201d.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Extremo Norte sofre ataques do BokoHaram desde 2013. No come\u00e7o de janeiro deste ano, o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, IssaTchiromaBakary, informou que essa organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica procedente da Nig\u00e9ria, respons\u00e1vel por numerosos atentados, assassinou mais de 1.200 pessoas.Em entrevista coletiva concedida no m\u00eas passado, em Iaund\u00e9,o ministro tamb\u00e9m afirmou que o ex\u00e9rcito realizou uma incurs\u00e3o em Goshi, na fronteira com a Nig\u00e9ria, que deixou 126 insurgentes mortos e libertou cerca de cem pessoas que oBokoHaram mantinha cativas.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o de Logone e Chari \u00e9 uma das tr\u00eas \u00e1reas administrativas da fronteira entre Camar\u00f5es e Nig\u00e9ria que sofreram reiterados ataques doBokoHaram. Uma avalia\u00e7\u00e3o realizada pelo governo em novembro de 2015 revelava um d\u00e9ficit de cereais de aproximadamente 50 mil toneladas, em compara\u00e7\u00e3o com as necessidades da popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 uma das tr\u00eas divis\u00f5es administrativas da prov\u00edncia de Extremo Norte, onde residem 75 mil refugiados nigerianos e 82 mil deslocados, segundo informe elaborado pelo inspetor do Minist\u00e9rio de Administra\u00e7\u00e3o Territorial e Descentraliza\u00e7\u00e3o, EnowAbramsEgbe, apresentado em junho de 2015 nesta cidade camaronesa.A avalia\u00e7\u00e3o determinou que a falta de alimentos na prov\u00edncia \u00e9 de aproximadamente 132 mil toneladas.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o de Mayo-Tsanaga \u00e9 onde fica o acampamento de Minawao, que segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), forneceu alojamento a cerca de sete mil refugiados da Nig\u00e9ria quando come\u00e7ou a funcionar, em julho de 2013.O Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) apontou que o acampamento est\u00e1 entre os principais motivos de preocupa\u00e7\u00e3o pela falta de \u00e1gua, alimentos e alojamento, pois recebeu mais de 48.600 refugiados em outubro de 2015.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de ingressosnos programas de alimenta\u00e7\u00e3o aumenta desde a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o em distritos afetados pela crise instalada pelo BokoHaram\u201d, explicou Gomez. \u201cA situa\u00e7\u00e3o se agrava na medida em que a inseguran\u00e7a e as restri\u00e7\u00f5es de acesso costumam ser obst\u00e1culos ao fornecimento regular para zonas afastadas, al\u00e9m de terem sido fechados alguns centros de sa\u00fade devido \u00e0 inseguran\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o de moderada a aguda aumentou de 7%, em 2014, para 11,7%, em 2015, e os casos de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o aguda e severa superam em 2% o limite de emerg\u00eancia na regi\u00e3o afetada pelo conflito. \u201cEm 2016, prognosticamos que 150 mil crian\u00e7as menores de cinco anos e mais de 30 mil mulheres com filhos necessitar\u00e3o de assist\u00eancia alimentar de emerg\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o pode continuar se deteriorando se n\u00e3o forem dadas respostas adequadas \u00e0 inseguran\u00e7a, \u00e0s m\u00e1s colheitas e \u00e0s crescentes press\u00f5es que o deslocamento de pessoasgera\u201d, destacou Gomez.<\/p>\n<p>O PMA e outras organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias conseguiram melhorar a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o no acampamento de Minawao ao reduzir a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o aguda do grau de emerg\u00eancia, no come\u00e7o de 2015 (cerca de 19%), para menos de 7% em dezembro do mesmo ano.Mas \u201ca m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o continua sofrendo cr\u00edtica fora do acampamento,bem como em toda a regi\u00e3o, e \u00e9 necess\u00e1rio redobrar esfor\u00e7os\u201d, insistiu Gomez.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a para as pessoas que sofrem inseguran\u00e7a alimentar em Extremo Norte est\u00e1 colocada no Plano Nacional de Resposta Humanit\u00e1ria de 2016, lan\u00e7ado pelo governo de Camar\u00f5es, no dia 25 de janeiro deste ano.O ministro do Interior, Rene Emmanuel Sadi, apresentou o plano, que custar\u00e1 US$ 282 milh\u00f5es, ressaltando que a iniciativa dar\u00e1 prote\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia a cerca de 325 mil pessoas refugiadas e deslocadas em Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Por sua vez, o secret\u00e1rio-geral adjunto da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para Assuntos Humanit\u00e1rios no Sahel, TobyLanzer, tamb\u00e9m afirmou que o principal objetivo do plano \u00e9 lutar contra a pobreza e restabelecer a seguran\u00e7a nas zonas de conflito.A coordenadora humanit\u00e1ria da ONU em Camar\u00f5es, NajatRochidi, afirmou que o plano, apresentado no contexto de um programa regional para a Nig\u00e9ria e a Rep\u00fablica Centro-Africana, tamb\u00e9m se concentrar\u00e1 em quest\u00f5es de inseguran\u00e7a alimentar e m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ar a \u201cseguran\u00e7a alimentar exigir\u00e1 cerca de US$ 85,3 milh\u00f5es este ano. Somente o PMA necessitar\u00e1 de aproximadamente US$ 40 milh\u00f5es para organizar a assist\u00eancia na regi\u00e3o de Extremo Norte em 2016, mas at\u00e9 agora s\u00f3 conseguiu 51% dessa quantia\u201d, enfatizou Gomez. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;MbomSixtus, da IPS &ndash;&nbsp; Iaund&eacute;, Camar&otilde;es, 21\/3\/2016 &ndash; &ldquo;Diminu&iacute;ram a quantidade de alimentos que nos davam e ainda n&atilde;o sabemos o motivo. Mas aceitamos&rdquo;,contou &agrave; IPS o nigeriano John Guigue, um professor residente no acampamento de refugiados de Minawao, na regi&atilde;o Extremo Norte de Camar&otilde;es. &ldquo;Somos refugiados e n&atilde;o temos alternativa. 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