{"id":20669,"date":"2016-03-23T12:03:53","date_gmt":"2016-03-23T12:03:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207456"},"modified":"2016-03-23T12:03:53","modified_gmt":"2016-03-23T12:03:53","slug":"mulheres-indigenas-e-a-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/mulheres-indigenas-e-a-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Mulheres ind\u00edgenas e a sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207457\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207457\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indigenas.jpg\" alt=\"Ind\u00edgenas brasileiros durante protesto cobrando o cumprimento de seus direitos como povos origin\u00e1rios, na cidade do Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indigenas-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indigenas.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Ind\u00edgenas brasileiros durante protesto cobrando o cumprimento de seus direitos como povos origin\u00e1rios, na cidade do Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Valentina Ieri, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 23\/3\/2016 \u2013 \u201cN\u00f3s, as ind\u00edgenas, queremos ser consideradas como parte da solu\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, porque temos capacidades e conhecimentos\u201d, afirmou a jornalista qu\u00e9chua Tarcila Rivera, defensora dos direitos das comunidades ind\u00edgenas do Peru, em uma entrevista coletiva sobre o empoderamento das mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Rivera, como muitas outras mulheres que lutam pelos direitos das comunidades aut\u00f3ctones na Am\u00e9rica Latina, norte da Europa, Canad\u00e1, \u00c1sia, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e \u00c1frica, participa da 60\u00aa sess\u00e3o anual da intergovernamental Comiss\u00e3o sobre a Condi\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica e Social da Mulher (CSW60), que terminar\u00e1 no dia 24.A CSW se re\u00fane com representantes dos pa\u00edses membros da ONU, ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais internacionais, bem como outras entidades da sociedade civil para o progresso pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social das mulheres, e elimina\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<div id=\"attachment_207458\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"size-full wp-image-207458\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indigena1.jpg\" alt=\" A jornalista qu\u00e9chua Tarcila Rivera, defensora dos direitos das comunidades ind\u00edgenas do Peru, em mar\u00e7o de 2015. Foto: Mark Garten\/ONU Media\" width=\"280\" height=\"187\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>A jornalista qu\u00e9chua Tarcila Rivera, defensora dos direitos das comunidades ind\u00edgenas do Peru, em mar\u00e7o de 2015. Foto: Mark Garten\/ONU Media<\/p><\/div>\n<p>Na abertura da CSW60, o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, que em seus nove anos no cargo designou mais de 150 mulheres como secret\u00e1rias-gerais adjuntas ou subsecret\u00e1rias-gerais, pediu urg\u00eancia aos governantes no sentido de tomarem medidas para acabar com a desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cNos pa\u00edses onde h\u00e1 meninos e meninas \u2018desaparecidos\u2019, as av\u00f3s organizadas reclamam justi\u00e7a. Em zonas assoladas pela aids, as m\u00e3es com HIV substituem o estigma pela esperan\u00e7a. Nas sociedades homof\u00f3bicas, l\u00e9sbicas v\u00edtimas de viola\u00e7\u00e3o sobreviveram e se organizaram. Enquanto forem violados os direitos humanos de uma mulher, nossa luta n\u00e3o acaba\u201d, destacou Ban.<\/p>\n<p>No contexto do lema da convoca\u00e7\u00e3o deste ano, O Empoderamento da Mulher e Seu V\u00ednculo Com o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, e da Agenda 2030, as ind\u00edgenas reclamam dos governos que as reconhe\u00e7am comofor\u00e7a para conseguir o desenvolvimento econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>No Qu\u00eania, s\u00e3o principalmente as mulheres que desempenham um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, apesar de viverem em uma sociedade patriarcal, explicou Valerie Kasaiyian, uma advogada maasai e educadora de direitos sexuais e reprodutivos. H\u00e1 grupos de mulheres ind\u00edgenas como as de Samburu, que h\u00e1 20 anos se ocupam da comunidade construindo casas e escolas. Tamb\u00e9m criaram atividades econ\u00f4micas autossustent\u00e1veis, mediante a venda de gado e joias tradicionais para tirar suas fam\u00edlias da pobreza, apontou.<\/p>\n<p>Mulheres de Marsabit, no norte do Qu\u00eania, criaram propriedades sustent\u00e1veis onde cultivam tomates e outros produtos em estufas, que depois vendem em sua comunidade sem a participa\u00e7\u00e3o dos homens. \u201cO desenvolvimento sustent\u00e1vel trata de preservar os recursos e a terra para as gera\u00e7\u00f5es futuras. As comunidades ind\u00edgenas, que durante s\u00e9culos viveram em isolamento, encontraram seu pr\u00f3prio sistema para trabalhar e conservar a terra\u201d, ressaltou Kasaiyian \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A advogada afirmou que \u201cest\u00e1 em nossa identidade e nossa cultura ancestral. No entanto, vemos um etnoc\u00eddio sistem\u00e1tico de nossa cultura ind\u00edgena pelas m\u00e3os do governo, no qual se pretende homogeneizar as mulheres ind\u00edgenas e integr\u00e1-las a uma cultura dominante\u201d.<\/p>\n<p>Desde a ado\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o e Plataforma de A\u00e7\u00e3o de Pequim, em 1995, junto com a resolu\u00e7\u00e3o da ONU 1325 sobre a import\u00e2ncia das mulheres nas negocia\u00e7\u00f5es de paz, bem como a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, de 2007, houve v\u00e1rios avan\u00e7os importantes para elevar as vozes das mulheres ind\u00edgenas no concerto internacional. Por\u00e9m, em ritmo lento.<\/p>\n<div id=\"attachment_207459\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"size-full wp-image-207459\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indigena2.jpg\" alt=\"A ind\u00edgena mixteca Myrna Cunningham, da comunidade Waspam, na Nicar\u00e1gua, em maio de 2013. Foto: Evan Schneider\/ONU Media\" width=\"280\" height=\"186\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A ind\u00edgena mixteca Myrna Cunningham, da comunidade Waspam, na Nicar\u00e1gua, em maio de 2013. Foto: Evan Schneider\/ONU Media<\/p><\/div>\n<p>As mulheres e as meninas ind\u00edgenas, que n\u00e3o s\u00e3o camponesas, t\u00eam sua pr\u00f3pria identidade, definida por sua pr\u00f3pria l\u00edngua, educa\u00e7\u00e3o, valores socioecon\u00f4micos e conhecimentos tradicionais, pontuouRivera, fundadora do Centro de Culturas Ind\u00edgenas do Peru (Chirapaq). Entretanto elas costumam ficar fora das pol\u00edticas governamentais, pois n\u00e3o s\u00e3o tratadas com dignidade humana, lamentou a ativista peruana.<\/p>\n<p>Segundo Rivera, \u201cmuitos programas nos consideram como sujeitos de assist\u00eancia. Mas n\u00e3o queremos depender desse tipo de programa de alimenta\u00e7\u00e3o. Procuramos fazer com que nos considerem como sujeitos de mudan\u00e7a e desenvolvimento a partir de dentro, gra\u00e7as \u00e0 nossa capacidade\u201d.Apesar da falta de estat\u00edsticas nacionais exaustivas, as ind\u00edgenas sofrem uma enorme discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia sexual e dom\u00e9stica, pobreza extrema, tr\u00e1fico, falta de acesso aos direitos \u00e0 terra e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, e m\u00e1 aten\u00e7\u00e3o materna e infantil.<\/p>\n<p>A ind\u00edgena mixteca Myrna Cunningham, da comunidade Waspam, na Nicar\u00e1gua, conversou com a IPS sobre o problema da falta de dados estat\u00edsticos em certos pa\u00edses, nos quais as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o consideradas, ou acabam exclu\u00eddas de alguns indicadores.<\/p>\n<p>\u201cAo falar sobre estat\u00edsticas, a autodetermina\u00e7\u00e3o deveria ser o principal indicador, que poderia ser usado para complementar outro tipo de perguntas\u201d, observou Cunningham, que preside o Centro para a Autonomia e o Desenvolvimento dos Povos Ind\u00edgenas (Cadpi)e tamb\u00e9m presidiu o F\u00f3rum Permanente para as Quest\u00f5es Ind\u00edgenas da ONU. \u201cAl\u00e9m disso, as estat\u00edsticas oficiais deveriam utilizar indicadores culturalmente mais sens\u00edveis, o que ajudaria a definir e implantar as pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Com a ado\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, a ONU criou um contexto que impulsionar\u00e1 a associa\u00e7\u00e3o entre os Estados membros e as comunidades ind\u00edgenas por meio do di\u00e1logo, de propostas e de projetos para implementar o texto do documento, e o reconhecimento, assim como a prote\u00e7\u00e3o, das mulheres ind\u00edgenas, opinou \u00e0 IPS a secret\u00e1ria do F\u00f3rum Permanente para as Quest\u00f5es Ind\u00edgenas, Chandra Roy-Henriksen.<\/p>\n<p>\u201cVamos defender uma declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os direitos das mulheres ind\u00edgenas, em especial, para que se possa manter demandas em tribunais internacionais em casos de viola\u00e7\u00e3o de seus direitos\u201d, enfatizou Kasaiyian. As mulheres ind\u00edgenas devem reduzir a brecha entre acad\u00eamicos, profissionais e ativistas, criando sua pr\u00f3pria jurisprud\u00eancia e suas teorias do direito,em que se respeita a erradica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres e o empoderamento das futuras gera\u00e7\u00f5es. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Valentina Ieri, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 23\/3\/2016 &ndash; &ldquo;N&oacute;s, as ind&iacute;genas, queremos ser consideradas como parte da solu&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento sustent&aacute;vel, porque temos capacidades e conhecimentos&rdquo;, afirmou a jornalista qu&eacute;chua Tarcila Rivera, defensora dos direitos das comunidades ind&iacute;genas do Peru, em uma entrevista coletiva sobre o empoderamento das mulheres ind&iacute;genas. 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