{"id":20680,"date":"2016-03-28T12:47:06","date_gmt":"2016-03-28T12:47:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207543"},"modified":"2016-03-28T12:47:06","modified_gmt":"2016-03-28T12:47:06","slug":"terrorismo-a-resposta-e-mais-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/terrorismo-a-resposta-e-mais-europa\/","title":{"rendered":"Terrorismo, a resposta \u00e9 mais Europa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_201045\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-201045\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Joaquin.jpg\" alt=\"Joaqu\u00edn Roy. Foto: IPS\" width=\"340\" height=\"350\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Joaqu\u00edn Roy. Foto: IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Joaqu\u00edn Roy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Miami, Estados Unidos, 28\/3\/2016 \u2013 O inimigo n\u00e3o \u00e9 Bruxelas: \u00e9 a Europa. Foi o que deixou bem claro o Estado Isl\u00e2mico ao atacar, mais do que o aeroporto de Bruxelas, uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 de estilo comum. Maelbeek n\u00e3o \u00e9 apenas uma parada do sistema de transporte subterr\u00e2neo da capital da B\u00e9lgica. Embora o simbolismo pudesse ter sido mais dram\u00e1tico se os terroristas tivessem escolhido a esta\u00e7\u00e3o Robert Schuman, pode ser que as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a maiores os dissuadiram.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que se trata do cora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico da Uni\u00e3o Europeia. Por ali passam diariamente milhares de funcion\u00e1rios das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, o Conselho, o Parlamento e a Comiss\u00e3o. O \u00f3rg\u00e3o supremo da UE representa os sacrossantos interesses dos Estados membros, que desde o surgimento do terrorismo e do drama dos refugiados capturam a disciplina da organiza\u00e7\u00e3o. O Parlamento, que defende os valores dos cidad\u00e3os, se sente deslocado em fazer ouvir sua voz. A Comiss\u00e3o, que controla o capital constitucional dos tratados, aderiu aos desejos dos Estados.<\/p>\n<p>Em contraste com as gratuitas acusa\u00e7\u00f5es sobre a inefic\u00e1cia da UE, o certo historicamente \u00e9 que tem sido um \u00eaxito espetacular que garante durante d\u00e9cadas o que n\u00e3o existiu na Europa durante s\u00e9culos: estabilidade, paz, progresso, justi\u00e7a. Assim demonstraram com suas a\u00e7\u00f5es recentemente os milhares de imigrantes e refugiados que optaram, contra todos os obst\u00e1culos, por ir ao ref\u00fagio da Europa e da UE. Esses milhares est\u00e3o dispostos a assumir qualquer risco e pagar qualquer pre\u00e7o (pecuni\u00e1rio e pessoal) para se colocar sob a prote\u00e7\u00e3o de um dos poucos sistemas do planeta que podem lhes garantir o que desejam.<\/p>\n<p>Os terroristas detectaram este detalhe que, por fim, identifica o inimigo \u00faltimo de suas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o os Estados, as sociedades nacionais, os governos, os capitais individuais que j\u00e1 s\u00e3o v\u00edtimas de seu \u00f3dio, mas um organismo que tenazmente reclama conhecimento. A UE ainda tem todo o potencial de se constituir em um escudo efetivo, n\u00e3o apenas para garantir a sobreviv\u00eancia da Europa como civiliza\u00e7\u00e3o, mas de se apresentar como agente efetivo da efic\u00e1cia pr\u00e1tica de sublimar os sonhos dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os. Ao mesmo tempo, d\u00e1 raz\u00e3o aos que desde o exterior tenazmente querem se colocar sob sua prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os terroristas est\u00e3o executando a\u00e7\u00f5es que at\u00e9 agora tinham objetivos predominantemente nacionais para provocar, at\u00e9 agora com \u00eaxito, a rea\u00e7\u00e3o nacionalista e autoprotetora dos governos temerosos em perder sua pretendida soberania nacional. O ataque \u00e0 emblem\u00e1tica esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4, cord\u00e3o umbilical das institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma mensagem cristalina: o inimigo n\u00e3o \u00e9 o Estado. \u00c9 o ente coletivo que ainda pode salvaguardar os \u00eaxitos que desde quase o final da Segunda Guerra Mundial continuam sendo admirados pelo resto do mundo.<\/p>\n<p>Os governos, por meio de decis\u00f5es diminu\u00eddas no pr\u00f3prio Conselho da Europa, em diversas ocasi\u00f5es responderam temerosamente aos ataques terroristas, mediante a redu\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es coletivas. Por exemplo, como resposta equivocada aos ataques de novembro do ano passado em Paris, o governo franc\u00eas desdenhou usar a cl\u00e1usula de solidariedade do artigo 211 do Tratado da UE \u2013 uma esp\u00e9cie de artigo 5 da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte \u00a0(Otan)\u2013, e optou por aplicar o artigo 42, um plano intergovernamental. A Fran\u00e7a, como outros governos europeus, decidia reduzir a soberania europeia e neutralizava perigosamente o acordo de livre tr\u00e2nsito de Schengen.<\/p>\n<p>Em lugar de refor\u00e7ar os poderes das institui\u00e7\u00f5es, procedia-se a devolu\u00e7\u00e3oaos Estadosda soberania compartilhada. Para conseguir a coopera\u00e7\u00e3o dos guardi\u00f5es alternativos da autoridade europeia coletiva se \u201ccomprava\u201d a cumplicidade da Turquia para constituir uma barreira diante da invas\u00e3o de refugiados, sob a promessa de uma facilidade de entrada na pr\u00f3pria UE. Apontava-se que Bruxelas n\u00e3o tinha poder. Dava-se raz\u00e3o aos nacionalistas e aos pr\u00f3prios terroristas.<\/p>\n<p>O ataque \u00e0 esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 de Bruxelas nos recorda que o pr\u00f3prio terror reconhece que o inimigo \u00e9 precisamente o organismo do qual os pr\u00f3prios europeus querem reduzir o potencial. Chegou o momento de se voltar \u00e0s origens e assumir, de uma vez por todas, que foi o Estado nacional o culpado pelo holocausto representado pelas duas guerras europeias que quase destru\u00edram a civiliza\u00e7\u00e3o do Velho Continente. O que se necessita n\u00e3o \u00e9 o que numerosos governos e setores da sociedade reclamam: menos Europa. O que, precisamente, \u00e9 peremptoriamente necess\u00e1rio \u00e9 o resgate da esta\u00e7\u00e3o de Maelbeek.<\/p>\n<p>Em lugar de desmontar Schengen, \u00e9 preciso um s\u00f3lido tratado, interno e externo, que garanta a livre circula\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os e visitantes. Para refor\u00e7ar esta argumento, deve-se criar uma for\u00e7a supranacional que supervisione o funcionamento das fronteiras de uma maneira coletiva, n\u00e3o sujeita aos caprichos dos Estados. Necessita-se de mais Europa, n\u00e3o de menos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Joaqu\u00edn Roy \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami (<\/em><a href=\"mailto:jroy@Miami.edu\"><em>jroy@Miami.edu<\/em><\/a><em>).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Joaqu&iacute;n Roy, da IPS &ndash;&nbsp; Miami, Estados Unidos, 28\/3\/2016 &ndash; O inimigo n&atilde;o &eacute; Bruxelas: &eacute; a Europa. Foi o que deixou bem claro o Estado Isl&acirc;mico ao atacar, mais do que o aeroporto de Bruxelas, uma esta&ccedil;&atilde;o de metr&ocirc; de estilo comum. 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