{"id":20682,"date":"2016-03-29T12:47:01","date_gmt":"2016-03-29T12:47:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207613"},"modified":"2016-03-29T12:47:01","modified_gmt":"2016-03-29T12:47:01","slug":"um-improvavel-embargo-de-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/um-improvavel-embargo-de-armas\/","title":{"rendered":"Um improv\u00e1vel embargo de armas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207614\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207614\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/fighter-604x472.jpg\" alt=\"Marrocos tamb\u00e9m participou da Opera\u00e7\u00e3o Tempestade Decisiva, no I\u00eamen, com pelo menos seis avi\u00f5es de combate. Foto: ra.az\/ccby 2.0\" width=\"340\" height=\"266\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Marrocos tamb\u00e9m participou da Opera\u00e7\u00e3o Tempestade Decisiva, no I\u00eamen, com pelo menos seis avi\u00f5es de combate. Foto: ra.az\/ccby 2.0<\/p><\/div>\n<p><em>As possibilidades de um embargo ser imposto s\u00e3o muito remotas, considerando o multimilion\u00e1rio mercado de armas <strong>alimentado pelas pot\u00eancias ocidentais.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 29\/3\/2016 \u2013 A morte de centenas de civis no conflito que sacode o I\u00eamen levou organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos a pedirem um embargo de armas, especialmente contra a Ar\u00e1bia Saudita, que lidera a coaliz\u00e3o de oito pa\u00edses que combate os rebeldes nesse pa\u00eds do Golfo.\u201cEstados Unidos, Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e outros pa\u00edses devem suspender a venda de armas \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita at\u00e9 que esta reduza os ataques a\u00e9reos ilegais no I\u00eamen e investigue as den\u00fancias de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos\u201d, afirmou a organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York.<\/p>\n<p>No entanto, as possibilidades de um embargo ser imposto s\u00e3o muito remotas, considerando o multimilion\u00e1rio mercado de armas alimentado pelas pot\u00eancias ocidentais que, casualmente, s\u00e3o tr\u00eas dos cinco pa\u00edses com poder de veto no Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), juntamente com China e R\u00fassia. O resultado dos pedidos de embargo em termos de restri\u00e7\u00f5es reais \u00e9 m\u00ednimo,apontou Pieter Wezeman, pesquisador do programa de gasto militar e armamentista do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri).<\/p>\n<p>A iniciativa tem um peso simb\u00f3lico para as campanhas que procuram acabar com o que consideram um uso irrespons\u00e1vel, e inclusive criminoso, de armas pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen. \u201cO \u00fanico caso significativo de restri\u00e7\u00f5es \u00e9 o da Holanda, que em\u00a0 janeiro anunciou que emitiria permiss\u00f5es para a exporta\u00e7\u00e3o de armas para a Ar\u00e1bia Saudita se tiver a certeza de que n\u00e3o ser\u00e3o usadas no I\u00eamen\u201d, destacou Wezeman.<\/p>\n<p>\u201cNo ano que passou, os governos que armam a Ar\u00e1bia Saudita negaram ou minimizaram a evid\u00eancia concludente de que os ataques da coaliz\u00e3o mataram centenas de civis no I\u00eamen\u201d, pontuou Philippe Bolopion, subdiretor global da HRW.\u201cContinuar vendendo armas a um conhecido violador (de direitos humanos) que fez pouco para minimizar os abusos, Estados Unidos, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a correm o risco de se converterem em c\u00famplices da morte ilegal de civis\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Consultado sobre as possibilidades reais de um embargo, Bolopion respondeu \u00e0 IPS que \u201cos lucrativos acordos de armas n\u00e3o devem cegar o governo dos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o aos evidentes abusos cometidos no \u00faltimo ano pela coaliz\u00e3o encabe\u00e7ada pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen\u201d.Olhar para outro lado e continuar fornecendo armas ao reino saudita pode converter Washington em c\u00famplice dos crimes cometidos em territ\u00f3rio iemenita, advertiu.<\/p>\n<p>Os sauditas t\u00eam fortes v\u00ednculos militares com as tr\u00eas pot\u00eancias ocidentais, especialmente com fornecedores de armas norte-americanos que lhes entregam armas complexas, como os \u00faltimos avi\u00f5es de combate, helic\u00f3pteros, m\u00edsseis, tanquese dispositivos eletr\u00f4nicos.O arsenal saudita inclui avi\u00f5es de combate Boeing F-15 (Estados Unidos), avi\u00f5es Tornado (Gr\u00e3-Bretanha), helic\u00f3pteros Puma e Dauphin (Fran\u00e7a), Bell, Apache e Sikorsky (Estados Unidos), sistemas de alerta Boeing E-3A (Estados Unidos), m\u00edsseis Sidewinder, Sparrow e Stinger (Estados Unidos) e tanques Abrams e M60 (Estados Unidos).<\/p>\n<p>A coaliz\u00e3o liderada pela Ar\u00e1bia Saudita est\u00e1 integrada por Bahrein, Egito, Emirados \u00c1rabes Unidos, Jord\u00e2nia, Kuwait, Marrocos, Catar e Sud\u00e3o.Os rebeldes hutis tamb\u00e9m s\u00e3o acusados de ataques indiscriminados que provocam a morte de civis.V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e a pr\u00f3pria ONU investigaram e denunciaram ataques a\u00e9reos desde o come\u00e7o do conflito, em mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p>HRW, Crisis Action e Anistia Internacional, entre outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais e iemenitas, divulgaram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta pedindo o fim da venda e transfer\u00eancia de armas e outros equipamentos militares \u00e0s partes em conflito no I\u00eamen, onde existe o risco de serem usadas para cometer viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e do direito humanit\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a HRW documentou 36 ataques a\u00e9reos ilegais, alguns dos quais poderiam constituir crimes de guerra, que deixaram pelo menos 550 civis mortos, bem como outros 15 ataques relacionados com bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, proibidas em escala internacional.<\/p>\n<p>O Grupo de Especialistas da ONU sobre o I\u00eamen, criado pela resolu\u00e7\u00e3o 2140 do Conselho de Seguran\u00e7a em 2013, registrou, em um informe divulgado no dia 26 de janeiro deste ano,\u201c119 sa\u00eddas da coaliz\u00e3o relacionadas com viola\u00e7\u00f5es\u201d das leis de guerra, segundo a HRW. A Ar\u00e1bia Saudita n\u00e3o respondeu \u00e0s cartas dessa organiza\u00e7\u00e3o que busca indagar sobre as supostas viola\u00e7\u00f5es cometidas pela coaliz\u00e3o, bem como esclarecer o objetivo desses ataques.<\/p>\n<p>Em lugar disso, Riad conseguiu pressionar o Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, para que n\u00e3o criasse um mecanismo independente de investiga\u00e7\u00e3o internacional sobre a situa\u00e7\u00e3o no I\u00eamen.Wezemanressaltou \u00e0 IPS que se considerarmos o volume de venda de armas \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita, bem como a v\u00e1rios de seus aliados, e a campanha militar contra os rebeldes hutis, n\u00e3o surpreende a falta de entusiasmo dos governos ocidentais para restringir o neg\u00f3cio de armas.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita foi o segundo maior importador de armas nos \u00faltimos cinco anos, acrescentou Wezeman.Apesar da acentuada queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e da consequente diminui\u00e7\u00e3o da renda do governo saudita, h\u00e1 ind\u00edcios de que esse pa\u00eds continuar\u00e1 encomendando equipamento militar mais caro. Esse pa\u00eds \u00e9 o principal mercado para a exporta\u00e7\u00e3o de armas da Gr\u00e3-Bretanha, h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Fran\u00e7a, h\u00e1 um bom tempo procura aumentar a venda de armamentos para esse pa\u00eds, e em 2015 encontrou novos mercados no Egito e no Catar, pa\u00edses que participam da interven\u00e7\u00e3o militar no I\u00eamen, disse Wezeman. Al\u00e9m disso, as pot\u00eancias ocidentais temem que uma significativa redu\u00e7\u00e3o da venda de armas prejudique outros v\u00ednculos comerciais com esses pa\u00edses e que s\u00e3o mais valiosos do que os acordos militares, acrescentou.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos, os aspectos econ\u00f4micos da venda de armas \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita tamb\u00e9m s\u00e3o significativos, apesar de n\u00e3o chegarem \u00e0 import\u00e2ncia da Europa. Em outras oportunidades,o pa\u00eds esteve disposto a impor restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, mesmo implicando perda de renda, embora perder o mercado saudita provavelmente fosse uma perda extremamente grande.<\/p>\n<p>Provavelmente, o mais importante \u00e9 que os Estados Unidos consideram que as a\u00e7\u00f5es da Ar\u00e1bia Saudita s\u00e3o um elemento importante dos esfor\u00e7os para criar seguran\u00e7a na regi\u00e3o e, portanto, apoiam a interven\u00e7\u00e3o militar como parte de sua pol\u00edtica externa. \u201c\u00c9 preciso acontecerem muitas coisas antes de Washington suspender o fornecimento de armas \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita, destacou Wezeman.<\/p>\n<p>Para o I\u00eamen, 2015 foi um ano terr\u00edvel, com ataques a\u00e9reos, bombardeios e viol\u00eancia localizada, destacou Jamie Mc Goldrick, coordenador humanit\u00e1rio residente da ONU em entrevista coletiva este m\u00eas, em Genebra. Um em cada dez habitantes do pa\u00eds teve que abandonar sua casa, o que deixou 2,5 milh\u00f5es de deslocados. Mais de 6.400 pessoas morreram e mais de 30 mil ficaram feridas, metade delas civis.<\/p>\n<p>Mais de 20 milh\u00f5es de pessoas, 80% dos cerca de 24 milh\u00f5es de habitantes, necessitam de algum tipo de assist\u00eancia humanit\u00e1ria: 14 milh\u00f5es precisam de alimentos, sete milh\u00f5es sofrem inseguran\u00e7a alimentar, 20 milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam acesso a servi\u00e7os de \u00e1gua e saneamento e 14 milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O enviado especial do secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, Ismail Ould Chiekh Ahmed, informou, no dia 23 deste m\u00eas, que concluiu uma extensa consulta com l\u00edderes iemenitas e aliados regionais. Ap\u00f3s as reuni\u00f5es com o presidente Abd Rabbuh Mansur al-Hadi e outras autoridades iemenitas em Riad, bem como com delega\u00e7\u00f5es de AnsarAllah, nome oficial dos hutis, e do partido Congresso Geral do Povo, em San\u00e1, as partes em conflito concordaram com um cessar nacional das hostilidades a partir da meia-noite do dia 10 de abril.<\/p>\n<p>O cessar-fogo acontecer\u00e1 antes da rodada de conversa\u00e7\u00f5es, que come\u00e7ar\u00e1 no dia 18 do m\u00eas que vem no Kuwait, com media\u00e7\u00e3o do pr\u00edncipe Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As possibilidades de um embargo ser imposto s&atilde;o muito remotas, considerando o multimilion&aacute;rio mercado de armas alimentado pelas pot&ecirc;ncias ocidentais. 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