{"id":20684,"date":"2016-03-29T12:44:26","date_gmt":"2016-03-29T12:44:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207610"},"modified":"2016-03-29T12:44:26","modified_gmt":"2016-03-29T12:44:26","slug":"colombia-sem-acordo-de-paz-com-as-farc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/colombia-sem-acordo-de-paz-com-as-farc\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia sem acordo de paz com as Farc"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207611\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207611\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/RaulCastro.jpg\" alt=\" O presidente cubano, Ra\u00fal Castro (centro), aperta as m\u00e3os do presidente colombiano, Juan Manuel Santos (esquerda) e do l\u00edder das Farc, Rodrigo Londo\u00f1o, no dia 23 de setembro, em Havana. Um hist\u00f3rico momento em que as duas partes pactuaram ter um Acordo Final para a paz na Col\u00f4mbia no dia 23 de mar\u00e7o, um compromisso que n\u00e3o p\u00f4de ser cumprido. Foto: Jorge LuisBa\u00f1os\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/RaulCastro-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/RaulCastro.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> O presidente cubano, Ra\u00fal Castro (centro), aperta as m\u00e3os do presidente colombiano, Juan Manuel Santos (esquerda) e do l\u00edder das Farc, Rodrigo Londo\u00f1o, no dia 23 de setembro, em Havana. Um hist\u00f3rico momento em que as duas partes pactuaram ter um Acordo Final para a paz na Col\u00f4mbia no dia 23 de mar\u00e7o, um compromisso que n\u00e3o p\u00f4de ser cumprido. Foto: Jorge LuisBa\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Constanza Vieira, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, 29\/3\/2016 \u2013\u201cN\u00e3o foi poss\u00edvel\u201d assinar o Acordo Final com a guerrilha comunista das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc), oficializou em Havana, na noite do dia 23 deste m\u00eas, o chefe negociador do governo colombiano, Humberto de laCalle.N\u00e3o houve comunicado conjunto dos delegados dos pa\u00edses garantidores, Cuba e Noruega, como \u00e9 usual. Em troca, cada parte leu uma declara\u00e7\u00e3o em separado, sobre a impossibilidade de chegar ao acordo na data que haviam fixado h\u00e1 seis meses.<\/p>\n<p>\u201cSubsistem diferen\u00e7as importantes com as Farc sobre temas de fundo\u201d, acrescentou De laCalle. O governo n\u00e3o aceita que as Farc vejam o desarmamento como um \u201cprocesso\u201d. Com as armas n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de se integrar \u00e0 vida civil: deixar as armas deve ser \u201csem zonas cinzas. Sem mescla de armas e pol\u00edtica\u201d, ressaltou.No dia 24 deste m\u00eas, o enviado do governo alem\u00e3o no processo de paz, Tom K\u00f6nigs, indicou como nova data para o acordo o final deste ano. Um per\u00edodo que daria espa\u00e7o para somar \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o e ao acordo a menor guerrilha, do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), e assim completar o c\u00edrculo da paz.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabia que o governo de Juan Manuel Santos e as Farc n\u00e3o chegariam a um acordo para acabar com a guerra de 52 anos no dia 23 deste m\u00eas. Por\u00e9m, esperava-se algum comunicado conjunto depois de terem se reunido em separado, no dia 21, na capital cubana, com o secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, que expressou apoio \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, mas depois esclarecendo \u00e0 imprensa que as partes \u201cainda n\u00e3o est\u00e3o prontas\u201d para assinar o Acordo Final.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, o governo colombiano fez aprovar uma lei sobre a desmobiliza\u00e7\u00e3o guerrilheira: durante o cessar-fogo bilateral, os rebeldes entregam as armas e se radicam em \u201czonas\u201d rurais de concentra\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o ter\u00e3o efeito as ordens de captura. Al\u00e9m disso, aceitou incluir, como parte fora de texto, uma pretens\u00e3o do direitista e ex-presidente \u00c1lvaro Uribe (2002-2010): a concentra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 em lugares isolados, onde n\u00e3o exista popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Para as Farc isso constituiu um retrocesso. Segundo o canal latino-americano Telesul, as Farc desejam que sejam suspensas as ordens de captura em todo o territ\u00f3rio nacional e que as armas sejam mantidas guardadas em cont\u00eaineres dentro das zonas de concentra\u00e7\u00e3o, como garantia de que o Estado cumprir\u00e1 os acordos. Talvez por isso Kerry tenha se manifestado nesse espinhoso tema, quando anunciou que os Estados Unidos estariam dispostos a garantir a seguran\u00e7a dos combatentes uma vez que entreguem as armas.<\/p>\n<p>Segundo afirmou no dia 23 um dos negociadores das Farc, Pablo Catatumbo (nome de guerra), \u201cn\u00e3o h\u00e1 assinatura nesta data porque n\u00e3o chegamos a um acordo. Os desafios que enfrentamos s\u00e3o dif\u00edceis e n\u00e3o conseguimos ainda acordo sobre assuntos que s\u00e3o vitais para o fim do conflito\u201d, declarou a um grupo de jornalistas, entre eles da IPS, em Havana.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o em meio a assuntos t\u00e3o graves como a exacerba\u00e7\u00e3o do paramilitarismo. No \u00faltimo m\u00eas houve mais de 28 assassinatos de l\u00edderes populares, defensores dos direitos humanos, camponeses, camponesas, que est\u00e3o impunes. \u00c9 algo muito preocupante. Superar o militarismo \u00e9 o principal desafio que temos hoje para levar adiante esse processo\u201d, pontuouCatabumbo.<\/p>\n<p>O cessar-fogo bilateral inclui \u201cv\u00e1rios componentes e v\u00e1rios pontos nos quais encontramos alguns acordos, e em outros n\u00e3o. Estamos discutindo\u201d, explicouo negociador das Farc, na manh\u00e3 do \u00faltimo dia do prazo. \u201cSempre estivemos perto da popula\u00e7\u00e3o civil. N\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel que hoje se pe\u00e7a \u00e0s Farc que fique em lugares inacess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Pretender impedir nossa rela\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 francamente absurdo\u201d, ressaltou, lembrando que tampouco se trata de se concentrar em lugares densamente povoados.<\/p>\n<p>Finalmente, as Farc colocaram na mesa, para o resto de 2016, um caminho sobre os complexos aspectos que faltam, que a guerrilha espera seja aprovado no pr\u00f3ximo ciclo de conversa\u00e7\u00f5es que acontecem na capital cubana h\u00e1 tr\u00eas anos.Tamb\u00e9m est\u00e1 em discuss\u00e3o o referenciamento, com a m\u00e1xima participa\u00e7\u00e3o popular que garanta a seguran\u00e7a jur\u00eddica, a implanta\u00e7\u00e3o efetiva de todos os compromissos e os mecanismos para o cumprimento dos acordos, segundo disse em Havana Iv\u00e1n M\u00e1rquez, negociador-chefe das Farc.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 produz desconfian\u00e7a nas Farc. Tamb\u00e9m gera medo nos setores que obt\u00eam o sustento ou que acumulam capital gra\u00e7as \u00e0 guerra.\u201cDiversos interesses locais e grupos que se op\u00f5em \u00e0s mudan\u00e7as que o processo de paz promove j\u00e1 est\u00e3o empregando a viol\u00eancia e a intimida\u00e7\u00e3o para proteger seus interesses, sem uma resposta estatal suficientemente efetiva\u201d, pontuou, no dia 22 deste m\u00eas, o Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ONUDH) em seu informe 2015 sobre a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias internacionais de paz fazem prever que, adicionalmente, quando um ator armado sai de um territ\u00f3rio, pode gerar \u201cvazios de poder e disputas para controlar o lucro il\u00edcito\u201d com o qual se sustenta, alertou a ONUDH: narcotr\u00e1fico, captura de recursos estatais, extors\u00e3o e minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 23 de setembro de 2015, Santos e o comandante m\u00e1ximo das Farc, Rodrigo Londo\u00f1o, tamb\u00e9m conhecido como Timol\u00e9on Jim\u00e9nez, ou Timochenko, apertaram as m\u00e3os, por iniciativa do presidente anfitri\u00e3o, Ra\u00fal Castro. O que se pactuou nesse dia foi um acordo jur\u00eddico sobre como responderiam por seus crimes atrozes os membros do Estado, das Farc, e mais de dez mil atores privados da guerra.<\/p>\n<p>Mas o texto necessitou de tr\u00eas meses de aperfei\u00e7oamento, que foram completados em 15 de dezembro de 2015. Contudo, as prestigiosas organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias Anistia Internacional e HumanRightsWatch alertaram para a impunidade que paira em alguns trechos de suas 63 p\u00e1ginas.Para a ONUDH, o sistema de justi\u00e7a para a paz ainda est\u00e1 inacabado e em progresso. Al\u00e9m disso, ressaltou \u201ca necessidade urgente de contar com um mecanismo independente de prote\u00e7\u00e3o para os membros da for\u00e7a p\u00fablica que desejam contribuir com a verdade e a justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Todd Howland, diretor da ONUDH na Col\u00f4mbia, detectou em suas viagens ao terreno que \u201ctodas as pessoas esperam que o novo sistema de justi\u00e7a atenda seu caso\u201d. Ou seja, o sistema jur\u00eddico integral desenhado em Havana necessita de dinheiro, grande deslocamento operacional e de gest\u00e3o, transpar\u00eancia ao selecionar ju\u00edzes e promotores, incentivos e garantias para que participem ao m\u00e1ximo agentes do Estados, membros das Farc e privados.<\/p>\n<p>At\u00e9 2015, foram registradas perante o Estado 7.874.201 v\u00edtimas. Este teria que reparar 6.084.064 pessoas, equivalente a 12,4% da popula\u00e7\u00e3o colombiana. A maioria \u00e9 de refugiados internos: 6.897.450.O acordo sobre justi\u00e7a se soma aos j\u00e1 obtidos sobre reforma rural, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e drogas il\u00edcitas. Segundo Catatumbo, o paramilitarismo \u00e9 o n\u00f3 principal: alguns grupos armados por latifundi\u00e1rios esquivos \u00e0 justi\u00e7a, poderosos e com representa\u00e7\u00e3o no Congresso, inclusive aqueles provenientes da m\u00e1fia do narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos surgiu o movimento pol\u00edtico Marcha Patri\u00f3tica, cuja base social inclui fam\u00edlias camponesas em zonas de guerra. Entretanto, 112 homens e mulheres foram assassinados. Outros 320 detidos arbitrariamente ou mediante montagens judiciais. Destes, 130 continua presos, segundo sua porta-voz, Luz Perly C\u00f3rdoba, convidada a falar no lan\u00e7amento do informe da ONUDH.<\/p>\n<p>C\u00f3rdoba destacou que os paramilitares est\u00e3o se reativando nos 29 departamentos onde a Marcha tem presen\u00e7a (dos 32 mais Bogot\u00e1 que existem na Col\u00f4mbia). A hist\u00f3ria se repete? Talvez, mas as condi\u00e7\u00f5es diferem. AONUDH n\u00e3o est\u00e1 sozinha desde 1997 observando no terreno boa parte do que ocorre. Tamb\u00e9m existe o Tribunal Penal Internacional, inst\u00e2ncia que \u00e9 ativada quando um Estado n\u00e3o pode ou n\u00e3o quer fazer justi\u00e7a em casos de crimes de guerra, lesa humanidade ou genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Mas essa negocia\u00e7\u00e3o com as Farc deu um passo hist\u00f3rico: envolver uma miss\u00e3o pol\u00edtica do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas para verificar o cessar-fogo bilateral e a desmobiliza\u00e7\u00e3o guerrilheira e seu efetivo desarmamento. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Com a colabora\u00e7\u00e3o de PatriciaGrogg, de Havana. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Constanza Vieira, da IPS &ndash;&nbsp; Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, 29\/3\/2016 &ndash;&ldquo;N&atilde;o foi poss&iacute;vel&rdquo; assinar o Acordo Final com a guerrilha comunista das For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (Farc), oficializou em Havana, na noite do dia 23 deste m&ecirc;s, o chefe negociador do governo colombiano, Humberto de laCalle.N&atilde;o houve comunicado conjunto dos delegados dos pa&iacute;ses garantidores, Cuba e [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/colombia-sem-acordo-de-paz-com-as-farc\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,2458],"class_list":["post-20684","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20684"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20685,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20684\/revisions\/20685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}