{"id":20688,"date":"2016-03-30T13:24:21","date_gmt":"2016-03-30T13:24:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207655"},"modified":"2016-03-30T13:24:21","modified_gmt":"2016-03-30T13:24:21","slug":"chuva-afeta-moradores-pobres-de-assuncao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/chuva-afeta-moradores-pobres-de-assuncao\/","title":{"rendered":"Chuva afeta moradores pobres de Assun\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207656\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207656\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Assuncao.jpg\" alt=\"Rua em um bairro de classe m\u00e9dia no sul de Assun\u00e7\u00e3o, onde as v\u00edtimas das inunda\u00e7\u00f5es em Ba\u00f1adoSur improvisaram um abrigo, ap\u00f3s terem suas casas inundadas pela cheia do rio Paraguai. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Assuncao-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Assuncao.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Rua em um bairro de classe m\u00e9dia no sul de Assun\u00e7\u00e3o, onde as v\u00edtimas das inunda\u00e7\u00f5es em Ba\u00f1adoSur improvisaram um abrigo, ap\u00f3s terem suas casas inundadas pela cheia do rio Paraguai. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Assun\u00e7\u00e3o, Paraguai, 30\/3\/2016 \u2013 N\u00e9stor Colman recorda, aos 69 anos, ter sofrido nove cheias do rio que o expulsaram de Ba\u00f1adoSur, o pobre bairro da capital do Paraguai onde nasceu e sempre viveu. \u201cUm recorde\u201d, disse, ironicamente. Ele \u00e9 um dos mais veteranos nos chamados \u201cref\u00fagios\u201d, conjuntos de casebres improvisados, de madeira fina e fr\u00e1gil, erguidos em pra\u00e7as, ruas, campos esportivos e qualquer espa\u00e7o poss\u00edvel em Assun\u00e7\u00e3o, para acolher desde novembro os deslocados pelas inunda\u00e7\u00f5es em bairros pr\u00f3ximos ao rio.<\/p>\n<p>Com o viol\u00e3o pendurado no ombro e suas brincadeiras, Colman parece suportar sem amargura o drama que afeta os mais de cem mil habitantes dos banhados, os bairros onde vive um quinto da popula\u00e7\u00e3o da capital paraguaia, a maioria pobre, nos mangues \u00e0s margens do rio Paraguai.<\/p>\n<p>\u201cToco e canto como volunt\u00e1rio nas igrejas cat\u00f3licas de seis ou sete comunidades\u201d, contou \u00e0 IPS. Para ter alguma renda, ampliou sua casa provis\u00f3rio com um pequeno com\u00e9rcio. \u201cVendo de tudo, menos bebida alco\u00f3lica, porque se vendesse as pessoas viriam, tomariam uma garrafa e ficariam, sem ter como retir\u00e1-las\u201d, afirmou. Com uma filha e dois netos, \u201ctodos do Ba\u00f1ado\u201d, luta h\u00e1 cinco anos por uma pens\u00e3o, depois que caiu do telhado e machucou a coluna vertebral.<\/p>\n<p>Em Ba\u00f1ado Sur, uma extensa \u00e1rea de terras baixas entre a cidade e o rio, no passado distante viviam umas poucas fam\u00edlias, \u201cmas h\u00e1 cerca de 30 anos chegaram muitos, para viver do lix\u00e3o\u201d, indicou Colman. Trata-se de um lix\u00e3o a c\u00e9u aberto, instalado ali para receber os dejetos urbanos, onde milhares de coletores t\u00eam permiss\u00e3o para recolher objetos de valor ou recicl\u00e1veis, detalhou Cleto P\u00e9rez, um dos fundadores do Movimento 1811, formado por jovens de Ba\u00f1ado\u00a0Sur, que usa como nome o ano da independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Boa parte da popula\u00e7\u00e3o local se divide em coletores ou recicladores. Estes recolhem dejetos nas ruas, explicou P\u00e9rez, uma das v\u00edtimas entrevistadas pela IPS, enquanto os primeiros t\u00eam que pagar o equivalente a US$ 580 por uma autoriza\u00e7\u00e3o para revirar o lix\u00e3o.\u201cOs vizinhos nos tratam mal\u201d, queixou-se o reciclador Edgar Acu\u00f1a sobre os donos das casas de classe m\u00e9dia no bairro onde foram instalados os abrigos para as v\u00edtimas das inunda\u00e7\u00f5es. \u201cDigo que para eles \u00e9 melhor eu trabalhar do que roub\u00e1-los\u201d, afirmou.<\/p>\n<div id=\"attachment_207657\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-207657\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Nestpr.jpg\" alt=\" N\u00e9stor Colman, um decano dos afetados pelas cheias do rio Paraguai, em Ba\u00f1adoSur, em Assun\u00e7\u00e3o, ao lado de Cleto P\u00e9rez, fundador do Movimento 1811, que organiza as lutas dos moradores desse bairro. Atr\u00e1s, o pequeno balc\u00e3o de Colman, em um dos improvisados abrigos dos que foram expulsos pelas \u00e1guas na capital paraguaia. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Nestpr-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Nestpr.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> N\u00e9stor Colman, um decano dos afetados pelas cheias do rio Paraguai, em Ba\u00f1adoSur, em Assun\u00e7\u00e3o, ao lado de Cleto P\u00e9rez, fundador do Movimento 1811, que organiza as lutas dos moradores desse bairro. Atr\u00e1s, o pequeno balc\u00e3o de Colman, em um dos improvisados abrigos dos que foram expulsos pelas \u00e1guas na capital paraguaia. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Uma queixa \u00e9 que ele acumula papel\u00e3o, vidro, pl\u00e1sticos e metais na cal\u00e7ada, por n\u00e3o ter o mesmo espa\u00e7o que tinha em sua casa do Ba\u00f1ado para armazen\u00e1-los, antes de vend\u00ea-los em sua \u201cmoto-carga\u201d, uma motocicleta com um carro acoplado para transportar os materiais.\u201cFazemos reuni\u00f5es semanais nos abrigos para discutir e fixar regras, como n\u00e3o tocar m\u00fasica alta \u00e0 noite\u201d, disse P\u00e9rez. O barulho e as bebedeiras s\u00e3o os motivos mais frequentes de queixas dos vizinhos do bairro, onde foram instalados dois ref\u00fagios, um na pra\u00e7a, com 77 fam\u00edlias, e outro em uma \u00e1rea descampada, com 56, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cVim do Ba\u00f1adopor pouco tempo, por causa da minha m\u00e3e. Ela morreu, e eu fiquei\u201d, contou Maria NimiaFalc\u00f3n, uma tecel\u00e3 artesanal que vive no Ba\u00f1adoSur h\u00e1 12 anos, procedente de Lambar\u00e9, cidade pr\u00f3xima ao sul de Assun\u00e7\u00e3o. Com sua produ\u00e7\u00e3o caseira de tapetes, mantas e outras pe\u00e7as, sustenta quatro filhos.\u201cMeu medo \u00e9 que venha mais \u00e1gua\u201d, confessou, recordando as duas inunda\u00e7\u00f5es nas quais \u201cperdeu tudo\u201d.<\/p>\n<p>Maria pede por mais ajuda do governo, prevista legalmente, e uma \u201ccasa digna, melhor se for no Ba\u00f1ado, porque no outro lado n\u00e3o teremos trabalho, seria imposs\u00edvel viver\u201d.Seu temor se justifica pelo fen\u00f4meno El Ni\u00f1o\/Oscila\u00e7\u00e3o do Sul (Enos), ao qual se atribui as chuvas que fizeram o rio transbordar, especialmente em dezembro. A meteorologia prev\u00ea novas cheias \u201cat\u00e9 o final de julho ou come\u00e7o de agosto\u201d, segundo David Avenda\u00f1o, administrador de opera\u00e7\u00f5es da Secretaria de Emerg\u00eancia Nacional (SEN).<\/p>\n<div id=\"attachment_207658\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207658\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/inundacao.jpg\" alt=\"Uma das muitas ruas de Ba\u00f1ado Norte que ainda permaneciam inundadas e intransit\u00e1veis em mar\u00e7o de 2016, semanas depois da cheia do rio Paraguai, na capital paraguaia, que obrigou cerca de 14 mil pessoas a deixarem suas pobres moradias. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/inundacao-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/inundacao.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Uma das muitas ruas de Ba\u00f1ado Norte que ainda permaneciam inundadas e intransit\u00e1veis em mar\u00e7o de 2016, semanas depois da cheia do rio Paraguai, na capital paraguaia, que obrigou cerca de 14 mil pessoas a deixarem suas pobres moradias. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>As mais de 20 mil fam\u00edlias que vivem nos mangues ribeirinhos de Assun\u00e7\u00e3o se dividem entre Ba\u00f1ado Norte, Chacarita (no centro) e Ba\u00f1ado Sur. Desse total, 13.454 tiveram que deixar suas casas e se alojarem em 143 ref\u00fagios e albergues, disse \u00e0 IPS o funcion\u00e1rio da SEN, criada em 2005 como \u00f3rg\u00e3o para a gest\u00e3o de desastres, vinculado \u00e0 Presid\u00eancia do pa\u00eds, que tem uma popula\u00e7\u00e3o de 6,8 milh\u00f5es de pessoas. Uma minoria escapou das \u00e1guas ou p\u00f4de voltar logo para suas casas para viver em \u00e1reas mais altas, embora vulner\u00e1veis a cheias mais fortes.<\/p>\n<p>Duas d\u00e9cadas sem inunda\u00e7\u00f5es graves animaram os migrantes chegados do campo aconstru\u00edrem suas casas nas partes mais baixas e os moradores tradicionais a melhorar suas casas, com reformas, amplia\u00e7\u00f5es e aparelhos dom\u00e9sticos mais caros. Por isso as perdas foram piores.O novo ciclo de inunda\u00e7\u00f5es come\u00e7ou em meados de 2014. Com o Enos, fen\u00f4meno que aquece as \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico e afeta o clima em todo o mundo, a cheia do rio Paraguai se intensificou desde novembro e se prolongou com altos e baixos por mais quatro meses, deixando os ribeirinhos angustiados.<\/p>\n<p>Para Benita Falc\u00f3n, a vida em um ref\u00fagio, em 2014, foi t\u00e3o sofrida que desta vez decidiu resistir em seu bairro, em uma casa na parte alta, transformada em ilha. \u201cEra uma conviv\u00eancia sem respeito, uma semana sem \u00e1gua pot\u00e1vel, nem banho ou eletricidade, um m\u00eas sem assist\u00eancia do governo\u201d, recordou.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00edamos em um bote quando necess\u00e1rio, enfrentamos tempestades, chuvas e cobras invadindo a casa\u201d, contou Benita, de 48 anos, seis filhos e seis netos. Do Ba\u00f1adoSur se mudou para Ba\u00f1ado Norte h\u00e1 27 anos, para se juntar ao marido. Al\u00e9m de recicladora nas ruas, cria porcos, galinhas, vacas. \u201cA cultura no Ba\u00f1ado\u00e9 rural\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe uma pol\u00edtica de Estado para os Ba\u00f1ados, n\u00e3o h\u00e1 preven\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofes, j\u00e1 se sabia sobre o El Ni\u00f1o e n\u00e3o foram tomadas medidas, nem organizados abrigos\u201d, lamentou Maria Garcia, \u201cnascida e crescida\u201d no Ba\u00f1ado Norte. Com 44 anos e dois filhos, \u00e9 coordenadora local da Coba\u00f1ados, uma rede de dez organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Sua casa est\u00e1 inacess\u00edvel pela rua ainda inundada, a poucos metros de uma lagoa que antes era a quadra comunit\u00e1ria. Ela preferiu se abrigar em casa de familiares, na vizinha cidade de Loma.<\/p>\n<div id=\"attachment_207659\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-207659\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Assuncao2.jpg\" alt=\"Abaixo, casas destru\u00eddas pelas inunda\u00e7\u00f5es em Ba\u00f1ado Sur, um dos bairros de popula\u00e7\u00e3o majoritariamente pobre nas margens do rio Paraguai, em Assun\u00e7\u00e3o. Ao centro, os barracos erguidos pelos que se negaram a deixar a \u00e1rea e, ao fundo, o lix\u00e3o que atraiu muitos moradores para este mangue com recorrentes inunda\u00e7\u00f5es. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Assuncao2-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Assuncao2.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Abaixo, casas destru\u00eddas pelas inunda\u00e7\u00f5es em Ba\u00f1ado Sur, um dos bairros de popula\u00e7\u00e3o majoritariamente pobre nas margens do rio Paraguai, em Assun\u00e7\u00e3o. Ao centro, os barracos erguidos pelos que se negaram a deixar a \u00e1rea e, ao fundo, o lix\u00e3o que atraiu muitos moradores para este mangue com recorrentes inunda\u00e7\u00f5es. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cAjudamos os desalojados com materiais para a casa e alimentos para todos, colch\u00f5es para os que precisam, e todos disp\u00f5em de \u00e1gua e luz\u201d, declarou Avenda\u00f1o. A solu\u00e7\u00e3o definitiva seria o reassentamento em outras \u00e1reas, como o munic\u00edpio de Itaugu\u00e1, 30 quil\u00f4metros a sudeste de Assun\u00e7\u00e3o.Com ajuda da ONU Habitat e outras ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), da coopera\u00e7\u00e3o Europeia e dos Estados Unidos, ser\u00e3o constru\u00eddas mil moradias ao lado do Jardim Bot\u00e2nico, no norte da capital paraguaia, anunciou o administrador. \u201cMas muitos n\u00e3o querem sair dos Ba\u00f1ados\u201d, admitiu.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da discrep\u00e2ncia sobre a assist\u00eancia oficial, a Coba\u00f1ados defende como solu\u00e7\u00e3o definitiva que a Avenida Costanera, que j\u00e1 tem 3,8 quil\u00f4metros e se prolongar\u00e1 por mais 22, seja constru\u00edda pr\u00f3ximo da margem, como um muro de defesa costeira protegendo os Ba\u00f1ados.<\/p>\n<p>Com comportas e bombeamento, com se fez na Holanda e em outras cidades paraguaias, como Pilar e Concepci\u00f3n, se preservaria os bairros inund\u00e1veis e sairia muito mais barato do que encher os mangues, elevando e o solo e construindo tudo, como pensa o governo. Al\u00e9m de cara, a proposta oficial poderia expulsar definitivamente os moradores dos Ba\u00f1adose destinar a \u00e1rea a moradores mais ricos e a empresas. Mas \u201c\u00e9 pouco sensato, alteraria o ecossistema de forma terr\u00edvel\u201d, criticou El\u00edas D\u00edaz Pe\u00f1a, coordenador da organiza\u00e7\u00e3o ambiental Sobreviv\u00eancia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Assun&ccedil;&atilde;o, Paraguai, 30\/3\/2016 &ndash; N&eacute;stor Colman recorda, aos 69 anos, ter sofrido nove cheias do rio que o expulsaram de Ba&ntilde;adoSur, o pobre bairro da capital do Paraguai onde nasceu e sempre viveu. &ldquo;Um recorde&rdquo;, disse, ironicamente. 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