{"id":20693,"date":"2016-03-31T11:56:59","date_gmt":"2016-03-31T11:56:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207707"},"modified":"2016-03-31T11:56:59","modified_gmt":"2016-03-31T11:56:59","slug":"caravana-pela-paz-de-honduras-a-nova-york","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/03\/ultimas-noticias\/caravana-pela-paz-de-honduras-a-nova-york\/","title":{"rendered":"Caravana pela paz de Honduras a Nova York"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207708\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207708\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Berta.jpg\" alt=\"As paredes nas ruas de Tegucigalpa estampam cartazes exigindo justi\u00e7a para a defensora ambientalista Berta C\u00e1ceres, assassinada no dia 3 deste m\u00eas em Honduras. Foto: Ximena Natera\/Pie de P\u00e1gina\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Berta-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Berta.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As paredes nas ruas de Tegucigalpa estampam cartazes exigindo justi\u00e7a para a defensora ambientalista Berta C\u00e1ceres, assassinada no dia 3 deste m\u00eas em Honduras. Foto: Ximena Natera\/Pie de P\u00e1gina<\/p><\/div>\n<p><em>Por Ximena Naterae Daniela Pastrana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Tegucigalpa, Honduras, 31\/3\/2016 \u2013 \u00c9 domingo, dia 27. Dezenas de pessoas e defensores dos direitos humanos se dirigem \u00e0 capital de Honduras para o in\u00edcio da Caravana pela Paz, a Vida e a Justi\u00e7a, um longo percurso pela Am\u00e9rica, que buscar\u00e1 debater a pol\u00edtica da guerra antidrogas impulsionada pelos Estados Unidos.O in\u00edcio da Caravana, que vai percorrer mais de cinco mil quil\u00f4metros at\u00e9 Nova York, coincidiu com o anivers\u00e1rio do Conselho C\u00edvico de Organiza\u00e7\u00f5es Populares e Ind\u00edgenas de Honduras (Copinh), um dos grupos mais fortes de luta e resist\u00eancia desse golpeado pa\u00eds.<\/p>\n<p>O caminho at\u00e9 o local de in\u00edcio da marcha, em Honduras, estava repleto da reprodu\u00e7\u00e3o do rosto de Berta C\u00e1ceres, uma l\u00edder ind\u00edgena e ambientalista, defensora dos direitos humanos e fundadora do Copinh, que por seu trabalho foi assassinada em sua casa, no dia 3 deste m\u00eas. Por isso,o dia 27 foi t\u00e3o especial. Porque no rosto de Berta, no anivers\u00e1rio do Copinh e no andar da Caravana est\u00e1 simbolizada a indigna\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os pela viol\u00eancia, e tamb\u00e9m a resist\u00eancia de um povo que busca viver em paz.<\/p>\n<p>Esse longo caminhar pela Am\u00e9rica, que pretende chegar a Nova York no dia 18 de abril, na v\u00e9spera do in\u00edcio da Sess\u00e3o Especial da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Ungass) que, depois de 18 anos, voltar\u00e1 a discutir sobre a pol\u00edtica de drogas. A Caravana busca abrir um di\u00e1logo entre a sociedade civil de Honduras, El Salvador, Guatemala, M\u00e9xico e Estados Unidos, sobre a pol\u00edtica de guerra contra as drogas, que deixou na regi\u00e3o centenas de milhares de mortos, deslocados, detidos e desaparecidos.<\/p>\n<p>Ted Lewis, da organiza\u00e7\u00e3o Global Exchange, que organizou essa caravana, espera que o movimento seja uma oportunidade sem precedentes para revisar e reorientar as pol\u00edticas de drogas nacionais e o futuro do contexto internacional para o controle de drogas, em um momento em que nos Estados Unidos h\u00e1 um debate forte a respeito da justi\u00e7a criminal e um reconhecimento da tese de Michelle Alexander sobre o New Jim Crow (legalizar a discrimina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um momento muito importante e de fato estamos em contato com as duas campanhas (presidenciais) para convidar seus candidatos ao ato final\u201d, ressaltou Lewis, que destacou que a Caravana tamb\u00e9m coincide com o in\u00edcio das prim\u00e1rias democratas.Tamb\u00e9m participam cerca de 30 ativistas de Honduras, El Salvador, Guatemala e M\u00e9xico, o deputado Sebasti\u00e1nSabini, da Frente Ampla do Uruguai, que veio explicar as raz\u00f5es que levaram a legalizar o uso da maconha nesse pa\u00eds, como uma medida alternativa para enfrentar o narcotr\u00e1fico e o consumo de drogas ilegal.<\/p>\n<p>\u201cA militariza\u00e7\u00e3o e os aparelhos repressivos n\u00e3o nos levam a um lugar melhor. H\u00e1 pa\u00edses que est\u00e3o se dando conta de que n\u00e3o funciona\u201d, pontuouSabini, alertando que o maior risco de que essa pol\u00edtica se estenda na regi\u00e3o \u00e9 a narcopol\u00edtica.Honduras, pa\u00eds de oito milh\u00f5es de habitantes e um dos mais pobres da Am\u00e9rica Latina, \u00e9 a principal fonte de emigrantes da Am\u00e9rica Central para os Estados Unidos, porque o pa\u00eds n\u00e3o consegue se repor do desastre econ\u00f4mico deixado pelo furac\u00e3o Mitch em 1998, nem dos efeitos pol\u00edticos do golpe de Estado de junho de 2009, quando foi deposto Manuel Zelaya.<\/p>\n<p>\u201cAqui estamos come\u00e7ando a ver coisas que j\u00e1 aconteceram no M\u00e9xico\u201d, apontou Thelma Mej\u00eda, experiente jornalista, se referindo \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o de narcotraficantes e grupos de poder e pol\u00edticos. Mej\u00eda se referia ao caso dos Rosenthal. Em outubro de 2015, o Departamento do Tesouro norte-americano determinou Jaime Rosenthal (fundador e ex-vice-presidente do banco Continental e membro de uma das fam\u00edlias mais poderosas de Honduras), seu filho Yani e seu sobrinho Yankeleram\u201ctraficantes de narc\u00f3ticos especialmente designados\u201d, segundo a Lei Kingpin, sendo a primeira vez que se coloca um banco fora dos Estados Unidos nesta categoria.<\/p>\n<p>O problema em Honduras \u00e9 uma mescla de poder criminoso, transtornos, gangues como as <em>maras<\/em> e de institucionalidade. Mas as pessoas em Honduras est\u00e3o fartas e, acompanhando o exemplo de luta de Berta e outros l\u00edderes defensores dos direitos humanos, fazem com que a terra se mova.Em 2016, entrar\u00e1 em funcionamento a Miss\u00e3o de Apoio Contra a Corrup\u00e7\u00e3o e a Impunidade (MACIH) e ser\u00e1 instalado o Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, funcionar\u00e1 a comiss\u00e3o para vigiar os fundos da Alian\u00e7a para a Prosperidade, um acordo assinado entre Estados Unidos, Honduras, El Salvador e Guatemala, para impulsionar o desenvolvimento e frear a emigra\u00e7\u00e3o.Talvez por todo esse movimento \u2013 de resist\u00eanciae viol\u00eancia \u2013, a Caravana tenha come\u00e7ado em Honduras. Em sua passagem pelo pa\u00eds percorrer\u00e1 La Ceiba, Progreso, San Pedro Sula \u2013 cidade mais violenta do continente \u2013e Esperanza, reduto da resist\u00eancia do povo lenca.<\/p>\n<p>Carlos Sierra, hondurenho, integrante do Centro de Pesquisa e Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos (Ciprodeh) e da Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert, enfatizou que o governo hondurenho est\u00e1 obrigado a dialogar com os grupos que n\u00e3o quer ouvir: os l\u00edderes ambientalistas, como Berta, ind\u00edgenas e migrantes. \u201cO fato de a Caravana come\u00e7ar aqui, al\u00e9m de dar visibilidade a todos os problemas, pode permitir que seja inclu\u00eddo o tema de que o que se fez na luta contra as drogas n\u00e3o foi bem feito\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Como parte do in\u00edcio da Caravana, foi realizado em Tegucigalpa um f\u00f3rum de variadas organiza\u00e7\u00f5es, onde falaram Sandra Maribel S\u00e1nchez, da R\u00e1dio Progreso, um espa\u00e7o de apoio a migrantes. \u201cSe n\u00e3o nos matam a tiros, nos matam de fome\u201d, destacou. Como os demais participantes, Maribelconsidera que a guerra contra as drogas \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado, uma guerra que por meio do terror e da militariza\u00e7\u00e3o busca o controle territorial para ficar com os bens comuns.<\/p>\n<p>Nesse f\u00f3rum, ressoou a ideia de que a pol\u00edtica antidrogas tem em suas entrelinhas a legaliza\u00e7\u00e3o do despojo do territ\u00f3rio.\u201cSomos n\u00f3s, os pa\u00edses do sul (dos Estados Unidos) que enterramos os mortos. Se n\u00e3o iniciarmos uma discuss\u00e3o sobre novas pol\u00edticas antidrogas, ningu\u00e9m o far\u00e1\u201d, destacou o deputado uruguaio Sabini.Em algo est\u00e3o de acordo os participantes dos pa\u00edses que formam a Caravana: a guerra contra as drogas se converteu em algum momento em uma guerra contra as pessoas. E aqui, em Honduras, as pessoas est\u00e3o perdendo. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo foi publicado originalmente em Pie de P\u00e1gina (P\u00e9 de P\u00e1gina), um projeto da organiza\u00e7\u00e3o Periodistas de a Pie (Jornalistas a P\u00e9), financiado pela Open SocietyFundations. A IPS \u2013 Inter Press Service tem um acordo especial com o projeto para a difus\u00e3o de seu material. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ximena Naterae Daniela Pastrana, da IPS &ndash;&nbsp; Tegucigalpa, Honduras, 31\/3\/2016 &ndash; &Eacute; domingo, dia 27. 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