{"id":20696,"date":"2016-04-01T13:10:25","date_gmt":"2016-04-01T13:10:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207729"},"modified":"2016-04-01T13:10:25","modified_gmt":"2016-04-01T13:10:25","slug":"jornalismo-profissao-de-risco-no-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/jornalismo-profissao-de-risco-no-sudao\/","title":{"rendered":"Jornalismo, profiss\u00e3o de risco no Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207730\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207730\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/imprensa.jpg\" alt=\"A imprensa do Sud\u00e3o sofre uma dura repress\u00e3o por parte do governo. Foto: IPS\" width=\"340\" height=\"182\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/imprensa-300x160.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/imprensa.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A imprensa do Sud\u00e3o sofre uma dura repress\u00e3o por parte do governo. Foto: IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Moyiga Nduru, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Juba, Sud\u00e3o do Sul, 1\/4\/2016 \u2013 No Sud\u00e3o basta um simples telefonema de um descontente funcion\u00e1rio da \u00e1rea de seguran\u00e7a para fechar um jornal. Os agentes costumam empregar m\u00e9todos abusivos como invadir as oficinas de um jornal e confiscar uma tiragem \u00e0 vista de todos, sem motivo algum e com total impunidade. A questionada lei de seguran\u00e7a de 2010 habilita os agentes a agirem dessa forma.<\/p>\n<p>O \u00faltimo jornalista a cair nas redes dos Servi\u00e7os de Seguran\u00e7a e Intelig\u00eancia Nacional (NISS) foi Faisal Mohamed Salih, que j\u00e1 havia sido v\u00edtima de seus m\u00e9todos. Segundo ele, os agentes o impediram de viajar \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha no dia 25 de mar\u00e7o,no Aeroporto Internacional de Cartum, no Sud\u00e3o. \u201cDisseram que meu nome estava em uma lista de pessoas proibidas de viajar e confiscaram meu passaporte\u201d, contou em sua p\u00e1gina no Facebook quando o impediram de embarcar.<\/p>\n<p>Cr\u00edtico implac\u00e1vel do regime isl\u00e2mico, Salih ganhou o Pr\u00eamio Peter Mackler por suas corajosas coberturas jornalistas \u00e9tnicas em 2013. Sua experi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais do que a ponta do iceberg,num pa\u00eds onde os profissionais da imprensa e os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o constantes alvos de ataques. <em>Al-Ayam<\/em>, <em>Al-Mustaqilla<\/em> e <em>Al-Sudani<\/em> s\u00e3o os \u00faltimos di\u00e1rios a sofrer a a\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em uma das invas\u00f5es mais descaradas, agentes de seguran\u00e7a aproveitaram a escurid\u00e3o das primeiras horas do dia para entrar em uma oficina no dia 15 de mar\u00e7o e confiscar 20 mil c\u00f3pias do jornal <em>Al-Sudani<\/em>, sem nenhuma explica\u00e7\u00e3o.Fontes do jornal disseram que as perdas pela invas\u00e3o chegaram a US$ 5,8 mil. Essas a\u00e7\u00f5es prejudicam economicamente os meios de imprensa e impedem que a popula\u00e7\u00e3o leia o que as autoridades desejam manter em segredo, segundo den\u00fancia de profissionais e organiza\u00e7\u00f5es do setor.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o do<em>Al-Sudani<\/em>em Cartum ocorreu enquanto jornalistas do<em>Al Tayar<\/em>, outro jornal fechado desde dezembro de 2015, realizavam uma greve de fome para obrigar as autoridades do pa\u00eds a permitir que reiniciassem seu trabalho. \u201cAs greves de fome podem funcionar no Ocidente, onde o fantasma de tal medida \u00e9 uma carga pesada para a consci\u00eancia da sociedade. Mas no Sud\u00e3o podem ser consideradas anormais e contr\u00e1rias ao Isl\u00e3\u201d, explicou \u00e0 IPS Victor KeriWani,, autor de <em>Mass Media in Sudan, Experience ofthe South 1940-2005<\/em> (Meios de Massa no Sud\u00e3o. Experi\u00eancia do Sul de 1940 a 2005).<\/p>\n<p>\u201cTalvez, s\u00f3 as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, os amigos e os familiares simpatizem com eles, mas n\u00e3o o governo\u201d, acrescentouWani.Al\u00e9m disso, essa n\u00e3o foi a primeira vez que o <em>Al-Tayar<\/em>, cr\u00edtico do regime sudan\u00eas, foi fechado por agentes de seguran\u00e7a desde seu in\u00edcio, em 2009. A organiza\u00e7\u00e3o internacional Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras (RSF), que defende a liberdade de imprensa, informou que oito edi\u00e7\u00f5es do jornal foram confiscadas desde princ\u00edpios de 2015, quatro delas somente em fevereiro desse ano.<\/p>\n<p>A RSF tamb\u00e9m recordou que o jornal foi fechado brevemente em 2012, ap\u00f3s denunciar que os NISS utilizaram dispositivos eletr\u00f4nicos ilegais para espionar a oposi\u00e7\u00e3o. Nessa mesma edi\u00e7\u00e3o, o<em>Al-Tayar<\/em>mexeu no vespeiro de algumas personalidades poderosas, ao denunciar a corrup\u00e7\u00e3o dos governos locais. A RSF registrou 35 edi\u00e7\u00f5es apreendidas em 2014. Nunca passa uma semana sem que confisquem uma tiragem ou fechem o di\u00e1rio por algum tempo.<\/p>\n<p>\u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o sofrem uma dura censura e um f\u00e9rreo controle por parte dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a\u201d, destacou \u00e0 IPS o professor William Hai Zaza, chefe do Departamento de Comunica\u00e7\u00f5es da Universidade de Juba.Os problemas entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o e os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a come\u00e7aram quando a junta, encabe\u00e7ada por Omar al-Bashir, deu um golpe militar no governo civil, em junho de 1989, e criou publica\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para promover sua vis\u00e3o do Isl\u00e3 e do arabismo.<\/p>\n<p>Os jornalistas que discordavam da vis\u00e3o da junta acabaram na pris\u00e3o ou tiveram que deixar o pa\u00eds. \u201c\u00c9 permitido aos jornais um limitado espa\u00e7o para publicar uma breve cr\u00edtica ao governo, o que as autoridades usam para demonstrar seu compromisso com a liberdade de express\u00e3o\u201d, apontouZaza. \u201cPedimos a reabertura do <em>Al-Tayar<\/em> para que possa continuar com seu trabalho jornal\u00edstico\u201d, afirmou Clea Khan-Sriber, diretora do escrit\u00f3rio da RSF para a \u00c1frica, em um comunicado que se encontra em sua p\u00e1gina na internet.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da d\u00e9cada de 2000, os jornalistas sudaneses temiam que os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a estivessem empenhados em elimin\u00e1-los, ap\u00f3s um epis\u00f3dio ocorrido em 2006, quando homens armados sequestraram e decapitaram Mohamed Taha, chefe de edi\u00e7\u00e3o do jornal <em>Al-Wifag<\/em>, em um epis\u00f3dio que atemorizou a comunidade jornal\u00edstica em Cartum. Esse crime continua impune em uma cidade conhecida por sua herm\u00e9tica rede de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A jornalista Lubna Mohamed al Hussein, cujo caso atraiu a aten\u00e7\u00e3o internacional em 2009, foi detida e multada por usar cal\u00e7a comprida, proibida para as mulheres pela lei de dec\u00eancia do Sud\u00e3o. \u00c0s vezes, os problemas locais costumam atentar contra a lealdade dos jornalistas oficialistas, o que os coloca em situa\u00e7\u00f5es complicadas.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, a popula\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 represa de Katjabas, no norte do pa\u00eds, sempre protesta contra a obra. Se voc\u00ea \u00e9 um jornalista da regi\u00e3o, certamente, se sensibilizar\u00e1 com a situa\u00e7\u00e3o, publicar\u00e1 um artigo que levar\u00e1 ao fechamento do jornal\u201d, pontuouWani.Por essa raz\u00e3o, numerosas emissoras de r\u00e1dio FM de Cartum optam por um conte\u00fado voltado ao entretenimento ou aos esportes 24 horas por dia. Os agentes de seguran\u00e7a, que n\u00e3o prestam muita aten\u00e7\u00e3o, consideram que n\u00e3o s\u00e3o conte\u00fados t\u00e3o sens\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cO jornalismo \u00e9 uma profiss\u00e3o perigosa no Sud\u00e3o e os profissionais do setor devem proteger suas vidas\u201d, ressaltou Zaza. Em 2015, o Sud\u00e3o figurou em 174\u00ba lugar, entre 180 pa\u00edses, em um \u00edndice de liberdade de imprensa elaborado pela RSF. Os especialistas n\u00e3o veem uma luz no fim do t\u00fanel parao jornalismo sudan\u00eas. \u201cO espa\u00e7o da m\u00eddia n\u00e3o se abrir\u00e1 enquanto os isl\u00e2micos continuarem no poder no Sud\u00e3o\u201d, lamentou Wani.<\/p>\n<p>\u201cA repress\u00e3o contra a imprensa n\u00e3o acabar\u00e1 logo. Vai demorar algum tempo\u201d, concordou Zaza.Frequentemente, os agentes empregam perigosas estrat\u00e9gias de extors\u00e3o para assustar os jornalistas, como acus\u00e1-los de serem espi\u00f5es israelenses, agentes do Mosad (servi\u00e7o secreto de Israel) ou da norte-americana CIA, um eufemismo para traidor, que nesse pa\u00eds se pune com a pena de morte, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Moyiga Nduru, da IPS &ndash;&nbsp; Juba, Sud&atilde;o do Sul, 1\/4\/2016 &ndash; No Sud&atilde;o basta um simples telefonema de um descontente funcion&aacute;rio da &aacute;rea de seguran&ccedil;a para fechar um jornal. 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