{"id":207,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=207"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-o-horror-se-renova-em-guantnamo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-o-horror-se-renova-em-guantnamo\/","title":{"rendered":"Direitos humanos: O horror se renova em Guant&acirc;namo"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 23\/01\/2005 &ndash; A mais antiga das organiza&ccedil;&otilde;es de direitos civis dos Estados Unidos alertou que o governo continua ocultando o resultado das investiga&ccedil;&otilde;es sobre abusos contra prisioneiros no centro de deten&ccedil;&atilde;o militar de Guant&acirc;namo, em Cuba. Os documentos recebidos pela Uni&atilde;o de Liberdades Civis da Am&eacute;rica (Aclu) &quot;deixam sem resposta mais perguntas do que respondem&quot;, advertiu a organiza&ccedil;&atilde;o. Mesmo assim os pap&eacute;is entregues narram o que mais de um observador denomina de &quot;tratamento n&atilde;o apenas agressivo, mas ofensivo&quot;, que inclui deixar prisioneiros acorrentados em posi&ccedil;&atilde;o fetal e cobertos de urina e fezes.<br \/> <!--more--> <br \/> Pressionado pelo Congresso, o Departamento de Defesa anunciou na semana passada que iniciaria sua pr&oacute;pria investiga&ccedil;&atilde;o sobre as &uacute;ltimas den&uacute;ncias de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos na base que a Marinha norte-americana ocupa em Guant&acirc;namo. As informa&ccedil;&otilde;es foram divulgadas pelo Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&otilde;es (FBI). A investiga&ccedil;&atilde;o do Pent&aacute;gono ser&aacute; encabe&ccedil;ada pelo brigadeiro John T. Furlow. O comandante-geral de Guant&acirc;namo, Jay Hood, disse que seria necess&aacute;ria uma equipe independente de investigadores, alheios &agrave; base naval, para que entrevistasse funcion&aacute;rios que deixaram seus postos e que agora est&atilde;o fora de seu controle.<\/p>\n<p> Por sua vez, a Aclu advertiu que &quot;voltar&aacute; aos tribunais para questionar os registros das ag&ecirc;ncias&quot; governamentais &agrave;s quais se solicitou informa&ccedil;&atilde;o e &quot;a reda&ccedil;&atilde;o&quot; de alguns dos documentos. &quot;Por que o FBI estreitou sua investiga&ccedil;&atilde;o? O FBI fez alguma entrevista de acompanhamento? O FBI entregou um sum&aacute;rio formal de suas descobertas ao Departamento de Defesa? Se assim foi, por que o FBI n&atilde;o divulgou uma c&oacute;pia desse informe?&quot;, pergunta o advogado da Aclu Jameel Jaffer. Os documentos foram divulgados depois da ordem judicial ao Departamento de Defesa e outras ag&ecirc;ncias do governo para que cumpram a determina&ccedil;&atilde;o feita h&aacute; um ano, com base na Lei de Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o, pela Aclu, pelo Centro de Direitos Constitucionais, M&eacute;dicos pelos Direitos Humanos, Veteranos pelo Senso Comum e Veteranos pela Paz.<\/p>\n<p> Entre os documentos do FBI entregues &agrave; Aclu consta um e-mail enviado no dia 9 de dezembro de 2002 referente &quot;ao plano de entrevistas militares&quot; e que inclui o coment&aacute;rio: &quot;N&atilde;o v&atilde;o acreditar nisto!&quot;. Outros documentos obtidos pela Aclu incluem um muito editado referente a uma investiga&ccedil;&atilde;o denominada &quot;Corrup&ccedil;&atilde;o em funcion&aacute;rio federal &#8211; Ramo executivo&quot; que parece se referir ao FBI, devido &agrave; men&ccedil;&atilde;o de um &quot;conflito de interesses&quot;. Anexo a esse documento consta um sum&aacute;rio do FBI de &quot;estatutos criminais potencialmente relevantes&quot;, referentes a crimes de guerra, tortura, abuso sexual agravado e de menores de idade. Os novos documentos evidenciam que muitas das descri&ccedil;&otilde;es de abusos elaboradas antes pelo FBI foram a resposta a um pedido por e-mail do diretor do Escrit&oacute;rio de Intelig&ecirc;ncia da ag&ecirc;ncia, Steve McCraw, a mais de 50 agentes que estiveram destacados em Guant&acirc;namo.<\/p>\n<p> McCraw solicitou a eles informes sobre &quot;tratamentos, interrogat&oacute;rios ou entrevistas agressivas&quot; que pudessem violar as normas do FBI. Quatrocentos e setenta e oito agentes responderam, dos quais 26 informaram sobre maus-tratos por parte de funcion&aacute;rios de outros organismos. Esses relat&oacute;rios foram analisados pela assessora-geral do FBI, Valerie Caproni, para quem 17 desses casos de maus-tratos estavam de acordo com &quot;t&eacute;cnicas aprovadas pelo Departamento de Defesa&quot;. Assim, observou Jaffer, esses 17 casos n&atilde;o foram alvo de investiga&ccedil;&atilde;o. Por raz&otilde;es desconhecidas, segundo a Aclu, Caproni se recusou a investigar esses abusos. A funcion&aacute;ria &quot;se concentrou em abusos que n&atilde;o estavam ainda aprovados pelas normas permissivas&quot; do Pent&aacute;gono. Portanto, &quot;somente nove incidentes foram alvo de investiga&ccedil;&otilde;es posteriores&quot;, acrescentou Jaffer. A an&aacute;lise feita pela Aclu dos documentos que recebeu demonstra que alguns registros n&atilde;o foram divulgados.<\/p>\n<p> O FBI, por exemplo, reteve a c&oacute;pia de um &quot;comunicado eletr&ocirc;nico&quot; enviado ao Pent&aacute;gono no dia 30 de maio de 2003, no qual se queixou formalmente do tratamento dispensado aos prisioneiros. Os &uacute;ltimos documentos foram entregues pelo FBI &agrave;s v&eacute;speras das audi&ecirc;ncias de confirma&ccedil;&atilde;o no Congresso do promotor-geral indicado Alberto Gonzales, considerado respons&aacute;vel por um memorando destinado ao presidente George W. Bush contendo justificativas legais para o uso da tortura em bases militares dos Estados Unidos no exterior. Milhares de outros documentos do FBI foram recebidos pela Aclu por uma solicita&ccedil;&atilde;o feita anteriormente. Al&eacute;m disso, um tribunal federal ordenou &agrave; Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA) entregar &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de direitos civis os registros sobre suas investiga&ccedil;&otilde;es relacionadas com abuso de prisioneiros.<\/p>\n<p> Os novos documentos obtidos pela Aclu indicam que os abusos em Guant&acirc;namo v&atilde;o muito mais al&eacute;m do admitido antes pelo governo. Em um e-mail de 16 de julho de 2004, um agente do FBI cujo nome est&aacute; apagado informou ter visto um preso em Guant&acirc;namo &quot;deitado no ch&atilde;o da sala de interrogat&oacute;rio, envolto em uma bandeira israelense, com m&uacute;sica estridente e uma luz estrobosc&oacute;pica&quot;. Em outro, do dia 2 de agosto de 2004, outro agente do FBI informa que &quot;em duas oportunidades&quot; entrou nos locais de interrogat&oacute;rio de Guant&acirc;namo e encontrou presos &quot;com p&eacute;s e m&atilde;os acorrentados em posi&ccedil;&atilde;o fetal no ch&atilde;o, sem cadeira, alimento ou &aacute;gua. Em certa ocasi&atilde;o o ar-condicionado estava desligado e a temperatura era t&atilde;o fria que o preso, descal&ccedil;o, tremia. Os policiais militares me contaram que os interrogadores do dia anterior haviam determinado esse tratamento&quot;, acrescentava. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 23\/01\/2005 &ndash; A mais antiga das organiza&ccedil;&otilde;es de direitos civis dos Estados Unidos alertou que o governo continua ocultando o resultado das investiga&ccedil;&otilde;es sobre abusos contra prisioneiros no centro de deten&ccedil;&atilde;o militar de Guant&acirc;namo, em Cuba. Os documentos recebidos pela Uni&atilde;o de Liberdades Civis da Am&eacute;rica (Aclu) &quot;deixam sem resposta mais perguntas do que respondem&quot;, advertiu a organiza&ccedil;&atilde;o. Mesmo assim os pap&eacute;is entregues narram o que mais de um observador denomina de &quot;tratamento n&atilde;o apenas agressivo, mas ofensivo&quot;, que inclui deixar prisioneiros acorrentados em posi&ccedil;&atilde;o fetal e cobertos de urina e fezes.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-o-horror-se-renova-em-guantnamo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}