{"id":20702,"date":"2016-04-04T13:23:27","date_gmt":"2016-04-04T13:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207770"},"modified":"2016-04-04T13:23:27","modified_gmt":"2016-04-04T13:23:27","slug":"biogas-em-mochila-abre-caminho-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/biogas-em-mochila-abre-caminho-na-africa\/","title":{"rendered":"Biog\u00e1s em mochila abre caminho na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207771\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207771\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/biogas.jpg\" alt=\"SalomeZeresulos carrega uma mochila de (B)energy com biog\u00e1s, em Adis Abeba,capital da Eti\u00f3pia. Foto: James Jeffrey\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/biogas-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/biogas.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">SalomeZeresulos carrega uma mochila de (B)energy com biog\u00e1s, em Adis Abeba,capital da Eti\u00f3pia. Foto: James Jeffrey\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0James Jeffrey, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 4\/4\/2016 \u2013 A \u00c1frica recebeu milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em programas de assist\u00eancia e, no entanto, custa a concretizar as mudan\u00e7as, o que gera um c\u00edrculo vicioso que aumenta as necessidades e, em consequ\u00eancia, a ajuda, sem obter os \u00eaxitos desejados. A quest\u00e3o \u00e9 como resolver o que parece ser um problema insuper\u00e1vel.Uma iniciativa para fornecer biog\u00e1s pode fazer parte da solu\u00e7\u00e3o. A (B)energy \u00e9 uma empresa que oferece solu\u00e7\u00f5es de energia limpa e, n\u00e3o apenas enfrenta a crise energ\u00e9tica, como tamb\u00e9m faz frente a um problema social.<\/p>\n<p>Seu pacote (B) pack, uma bolsa azul infl\u00e1vel com forma almofadada de 1,5 metro de comprimento, est\u00e1 cheio de biog\u00e1s procedente de um biodigestor e pode ser carregada nas costas at\u00e9 em casa para ser conectada a um fog\u00e3o e preparar os alimentos. A idealizadora da proposta, a alem\u00e3 Katrin Puetz, de 34 anos, concebeu o modelo empresarial sobre a ideia de incentivar as empresas locais a venderem a tecnologia m\u00f3vel, convertendo-se em produtores de biog\u00e1s, os (B)empres\u00e1rios, como ela os chama.<\/p>\n<p>Assim podem gerar renda e promover energia limpa, sustent\u00e1vel e a pre\u00e7o acess\u00edvel. Um exemplo \u00e9 Zenebech Alemayehu, m\u00e3e solteira de 32 anos de um filho de nove, que mora em um bairro no sul de Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia. \u201cSacrifiquei muito por isso\u201d, contou em uma grande cho\u00e7a, com uma tubula\u00e7\u00e3o de metal que tinha ao final uma fraca chama azul. \u201cMe deixa muito contente v\u00ea-la funcionando e me motiva\u201d, afirmou, jogando um beijo \u00e0 chama em sinal de apre\u00e7o por seu novo neg\u00f3cio de biog\u00e1s.<\/p>\n<p>A tubula\u00e7\u00e3o segue para fora do ambiente, onde se conecta ao biodigestor, um tanque de pl\u00e1stico de cinco metros de comprimento no qual Zenebechpermanentementejoga desde restos de alimentos at\u00e9 excrementos de vaca.Puetz come\u00e7ou a trabalhar no projeto quando estudava na Universidade Hohenheim, na cidade alem\u00e3 de Stuttgart, onde se deu conta dos benef\u00edcios da iniciativa para a \u00c1frica como alternativa limpa e barata para os fog\u00f5es tradicionais, que liberam uma fuma\u00e7a contaminante.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser contratada pela Universidade de Adis Abeba para desenvolver a tecnologia, Puetz criou a (B)energy, em abril de 2014, e se mant\u00e9m fiel ao seu compromisso de a empresa ser autossustent\u00e1vel. E, apesar de estar em condi\u00e7\u00f5es de receber fundos tentadores, j\u00e1 rejeitou v\u00e1rias ofertas de grandes organiza\u00e7\u00f5es beneficentes.\u201cMeu objetivo \u00e9 n\u00e3o apenas distribuir biog\u00e1s, mas tamb\u00e9m demonstrar que se pode fornec\u00ea-lo sem assist\u00eancia. N\u00e3o se trata apenas de dinheiro, mas de orgulho. Por que sempre temos que ter doa\u00e7\u00f5es e subs\u00eddios para algo que pode funcionar sozinho?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>O modelo empresarial se baseia em franquias sociais para promover seu crescimento, e foi criado de tal forma que pode ser replicado facilmente em todo o mundo, e com pouco investimento por parte da popula\u00e7\u00e3o local, utilizando os materiais dispon\u00edveis \u00e0 m\u00e3o.\u201cN\u00e3o prejudica o ambiente, cria empres\u00e1rios e fortalece as comunidades sem necessidade de receber assist\u00eancia\u201d, destacou WaleedBabiker, que reside em Cartum, no Sud\u00e3o, e decidiu assinar uma franquia como (B)energy Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAo levar energia \u00e0s zonas rurais, as pessoas podem fazer muito e se desenvolver\u201d, ressaltouBabiker. Este franqueado tinha uma rede de oito restaurantes nesse pa\u00eds e agora quer devolver \u00e0 sociedade, especialmente fora de Cartum, onde a popula\u00e7\u00e3o tem dificuldades para comprar fog\u00e3o a g\u00e1s.O uso do biog\u00e1s para preparar alimentos tamb\u00e9m ajuda a mitigar problemas associados aos m\u00e9todos tradicionais, apontou. E acrescentou que, na regi\u00e3o sudanesa de Darfur, por exemplo, a busca por lenha deixa as mulheres vulner\u00e1veis a agress\u00f5es e abusos como viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a inala\u00e7\u00e3o da fuma\u00e7a emanada pelos fog\u00f5es causa a morte de aproximadamente dois milh\u00f5es de pessoas por ano, especialmente, mulheres, meninas e meninos, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).A hist\u00f3ria do biog\u00e1s na Eti\u00f3pia reflete alguns dos problemas que a interven\u00e7\u00e3o externaacarreta, apesar das boas inten\u00e7\u00f5es. \u201cO biog\u00e1s chegou pelas m\u00e3os de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais h\u00e1 cerca de 50 anos\u201d, recordou ArayaAsfaw, diretor da Rede e Centro Regional Ambiental do Chifre da \u00c1frica na Universidade de Adis Abeba (Hoarec), que colaborou com a empresa de Puetz.<\/p>\n<p>Entretanto, as organiza\u00e7\u00f5es constru\u00edam biodigestores sem fazer uma promo\u00e7\u00e3o adequada,\u201ce as pessoas n\u00e3o se inteiravam sobre o biog\u00e1s ou n\u00e3o se interessavam. Era uma necessidade dos doadores, n\u00e3o uma demanda local\u201d, explicou Asfaw. Al\u00e9m disso, a instala\u00e7\u00e3o de biodigestores dom\u00e9sticos fracassou, porque as pessoas n\u00e3o podiam administrar a manuten\u00e7\u00e3o nem realizar o esfor\u00e7o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A (B)energy, por sua vez, escolheu disseminar sua tecnologia mediante m\u00faltiplos pacotes (B)packs, fornecidos por apenas um biodigestor, uma alternativa mais pr\u00e1tica e eficiente. A (B)energy \u00e9 flex\u00edvel no tocante aos pagamentos e est\u00e1 disposta a emprestar os equipamentos para se iniciar o neg\u00f3cio, mas as bolsas de biog\u00e1s n\u00e3o s\u00e3o gratuitas.\u201cQuando voc\u00ea oferece algo de forma gratuita, as pessoas n\u00e3o valorizam\u201d, explicou EyobelGebresenbet, respons\u00e1vel de projeto da Hoarec. \u201cMas, se precisam pagar, querem a capacita\u00e7\u00e3o e usar\u00e3o de forma adequada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2014, um projeto-piloto em ArsiNegele, 275 quil\u00f4metros ao sul de Adis Abeba, demonstrou a necessidade e a popularidade do biog\u00e1s em mochila. Quando terminou o projeto, 26 fam\u00edlias compravam as bolsas de forma regular.\u201cAgora, montamos uma f\u00e1brica para elaborar os equipamentos m\u00f3veis de biog\u00e1s na Eti\u00f3pia\u201d, pontuouWubshetYilak, de 35 anos, respons\u00e1vel pela franquia (B)energy Eti\u00f3pia. \u201c\u00c9 tecnologia desenhada na Alemanha e fabricada na Eti\u00f3pia\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Yilak reconheceu que um dos maiores desafios ser\u00e1 convencer a popula\u00e7\u00e3o local a pagar cerca de US$ 600 para adquirir o equipamento \u2013 dois (B)packs, um digestor e um fog\u00e3o a biog\u00e1s \u2013, embora esperem facilitar a compra mediante op\u00e7\u00f5es de microcr\u00e9dito. \u201cMinha fam\u00edlia se dedicava \u00e0 agricultura, t\u00ednhamos 15 vacas e cozinh\u00e1vamos \u00e0 lenha e esterco de vaca\u201d, contou este franqueado. \u201cConhe\u00e7o os problemas desse tipo de fog\u00e3o e penso em meus vizinhos, por isso quero mudar, para que possamos ter energia limpa\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A (B)energy Eti\u00f3pia mostra o caminho com conhecimento e tecnologia capaz de oferecer solu\u00e7\u00f5es m\u00f3veis de biog\u00e1s para a \u00c1frica, al\u00e9m de um modelo de neg\u00f3cio para a venda dessa fonte de energia, afirmou Puetz. \u201cH\u00e1 pouco a tecnologia foi testada pela Empresa de Avalia\u00e7\u00e3o de Conformidade da Eti\u00f3pia e recebeu aprova\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de \u00c1gua, Irriga\u00e7\u00e3o e Energia. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 obter uma (B)chama, uma variedade de tr\u00eas fog\u00f5es a biog\u00e1s de diferentes tamanhos, testados pelas autoridades locais\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Puetzressaltou que, \u201cnaturalmente, os que t\u00eam dificuldades para sobreviver n\u00e3o estar\u00e3o interessados em proteger o ambiente, mas as pessoas adotar\u00e3o a tecnologia se for mais barata ou permitir gerar renda\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;James Jeffrey, da IPS &ndash;&nbsp; Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 4\/4\/2016 &ndash; A &Aacute;frica recebeu milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares em programas de assist&ecirc;ncia e, no entanto, custa a concretizar as mudan&ccedil;as, o que gera um c&iacute;rculo vicioso que aumenta as necessidades e, em consequ&ecirc;ncia, a ajuda, sem obter os &ecirc;xitos desejados. 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