{"id":20712,"date":"2016-04-06T13:37:56","date_gmt":"2016-04-06T13:37:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207873"},"modified":"2016-04-06T13:37:56","modified_gmt":"2016-04-06T13:37:56","slug":"proteger-areas-em-risco-ou-fontes-de-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/proteger-areas-em-risco-ou-fontes-de-renda\/","title":{"rendered":"Proteger \u00e1reas em risco ou fontes de renda?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207874\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-207874\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pescadores.jpg\" alt=\"Pescadores capturando barracudas, um peixe de crescimento relativamente r\u00e1pido. Foto: Mark Chipps\/WWF\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pescadores-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pescadores.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Pescadores capturando barracudas, um peixe de crescimento relativamente r\u00e1pido. Foto: Mark Chipps\/WWF<\/p><\/div>\n<p><em>Apenas 9% dos ecossistemas costeiros est\u00e3o bem protegidos. A maioria, na realidade, goza de um cuidado moderado, o que destaca o fato de muitas \u00e1reas marinhas protegidas n\u00e3o estarem bem cuidadas em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos da pesca.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Munyaradzi Makoni, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 6\/4\/2016 \u2013 No ano passado, quando as autoridades da \u00c1frica do Sul permitiram uma experi\u00eancia-piloto de pesca na \u00e1rea marinha protegida e mais antiga da \u00c1frica, Tsitsikamma, houve grande indigna\u00e7\u00e3o porque \u00e9 a maior do mundo, com 80 quil\u00f4metros de uma rochosa faixa costeira e abundante variedade de esp\u00e9cies em perigo. Al\u00e9m disso, atribui-se a essa \u00e1rea protegida a recupera\u00e7\u00e3o das superexploradas reservas pesqueiras do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Amigos de Tsitsikamma queixou-se de que n\u00e3o foi consultada, como deveria. Os cientistas marinhos sentem que a decis\u00e3o do Departamento de Assuntos Ambientais \u201cabrir\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o\u201d de uma \u00e1rea protegida \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Os pescadores artesanais amea\u00e7ar\u00e3o a seguran\u00e7a dos turistas se n\u00e3o tiverem direitos de pesca garantidos, com a finalidade de que esse \u00f3rg\u00e3o destine cotas de pesca em algumas partes de Tsitsikamma.<\/p>\n<p>Em novembro de 2015, a ministra de Assuntos Ambientais, Edna Molewa, divulgou normas sobre as mudan\u00e7as na \u00c1rea Marinha Protegida de Tsitsikamma, como a que levanta a proibi\u00e7\u00e3o de pesca para quem reside no raio de oito quil\u00f4metros do lugar. A decis\u00e3o foi revogada em janeiro deste ano pela justi\u00e7a. Os protestos e a decis\u00e3o judicial destacaram a necessidade de realizar consultas adequadas sobre um assunto que frequentemente \u00e9 controvertido, como o \u00e9 o equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Mas as duas partes buscam uma solu\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel. Molewa publicou,no dia 9 de fevereiro no di\u00e1rio oficial, rascunhos de novas normas para declarar uma rede de 22 novas \u00e1reas marinhas protegidas. As \u00e1reas integram a Iniciativa Opera\u00e7\u00e3o Phakisa, um programa lan\u00e7ado em outubro de 2014 para maximizar o enorme potencial econ\u00f4mico dos oceanos, e ao mesmo tempo proteg\u00ea-los. Ficou muito dif\u00edcil conseguir um equil\u00edbrio entre as necessidades econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p>Molewa apontou que a iniciativa procura criar cerca de 70 mil quil\u00f4metros quadrados de \u00e1reas marinhas protegidas, aumentando para mais de 5% a superf\u00edcie sob prote\u00e7\u00e3o dentro da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva da \u00c1frica do Sul. Menos de 0,5% dos ecossistemas oce\u00e2nicos est\u00e3o protegidos formalmente, em compara\u00e7\u00e3o com os 8% em terra firme, como o Parque Nacional Kruger e o Parque Nacional Montanha da Mesa, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a ministra, \u201ca rede cobrir\u00e1 todo o espectro da biodiversidade, garantir\u00e1 a obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios dos oceanos e oferecer\u00e1 importantes \u00e1reas de refer\u00eancia para compreender e administrar a mudan\u00e7a em nossos oceanos\u201d.As novas \u00e1reas protegidas assegurar\u00e3o o cuidado de ecossistemas marinhos como arrecifes, mangues e terras \u00famidas costeiras, que ajudam a proteger as comunidades costeiras das tempestades mais fortes, do aumento do n\u00edvel do mar e de outros eventos clim\u00e1ticos extremos, destacou.<\/p>\n<p>\u201cMar adentro, as \u00e1reas protegidas resguardar\u00e3o ecossistemas vulner\u00e1veis e garantir\u00e3o zonas de cria\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias esp\u00e9cies, contribuindo para manter a pesca e assegurando os benef\u00edcios de longo prazo, que s\u00e3o importantes para a alimenta\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a trabalhista\u201d, explicou Molewa. As autoridades deram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o 90 dias para comentar a proposta de \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>Um informe do Instituto Nacional de Biodiversidade da \u00c1frica do Sul indica que 64 dos 136 ecossistemas marinhos e costeiros est\u00e3o amea\u00e7ados, ou cerca de 47%, e, al\u00e9m disso, 17% do total est\u00e3o, de fato, em grave perigo. Segundo o documento, 54 \u00e1reas, 40% do total, nem mesmo est\u00e3o representadas na rede de \u00e1reas protegidas. A maioria dos ecossistemas n\u00e3o protegidos est\u00e1 mar adentro. Isto significa que quase todas as \u00e1reas protegidas est\u00e3o a pouca dist\u00e2ncia da costa.<\/p>\n<p>Apenas 9% dos ecossistemas costeiros est\u00e3o bem protegidos. A maioria, na realidade, goza de um cuidado moderado, o que destaca o fato de muitas \u00e1reas marinhas protegidas n\u00e3o estarem bem cuidadas em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos da pesca.\u201cN\u00e3o h\u00e1 muita consci\u00eancia sobre o papel que cumprem as \u00e1reas marinhas protegidas na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, na gest\u00e3o da pesca, na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e na obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios socioecon\u00f4micos\u201d, destaca o informe.<\/p>\n<p>A pesca \u00e9 um motor de mudan\u00e7a crucial para os ecossistemas marinhos e costeiros. \u201cOs principais desafios s\u00e3o a superexplora\u00e7\u00e3o de recursos, a substancial captura acess\u00f3ria n\u00e3o administrada em alguns setores, a acidental mortalidade de aves marinhas, o dano ambiental, a preocupa\u00e7\u00e3o pela oferta alimentar para outras esp\u00e9cies e o impacto da pesca em outros ecossistemas\u201d, acrescenta o documento. A pesca ilegal continua pondo em risco a biodiversidade, a sustentabilidade dos recursos e o sustento dos pescadores habilitados.<\/p>\n<p>A diretora de programas ambientais do Fundo Mundial para a Natureza da \u00c1frica do Sul, Theresa Frantz, aprova a cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas marinhas protegidas porque s\u00e3o uma ferramenta importante para conservar as zonas de pesca. \u201cH\u00e1 uma raz\u00e3o para a prote\u00e7\u00e3o de cada \u00e1rea, pode ser que ali os peixes sejam \u00fanicos ou que o fundo marinho tenha caracter\u00edsticas \u00fanicas que n\u00e3o s\u00e3o encontradas em outro lugar, por isso \u00e9 necess\u00e1rio preservar a biodiversidade\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ao mencionar o caso de Tsitsikamma, onde os pescadores podem sofrer o impacto da nova norma, Frantz pontuou que o assunto ficou delicado porque a \u00e1rea resultou ser \u00fatil para recuperar algumas reservas pesqueiras da \u00c1frica do Sul. A especialista recordou que, quando se declarou Tsitsikamma como \u00e1rea protegida,\u201cn\u00e3o houve um processo de consulta pr\u00e9vio, e sua publica\u00e7\u00e3o no Di\u00e1rio Oficial permitir\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul consome 312 milh\u00f5es de toneladas de produtos marinhos por ano, informou Samantha Petersen, respons\u00e1vel pelos programas de pesca do WWF desde seu in\u00edcio, em fevereiro de 2007. A ind\u00fastria pesqueira emprega centenas de pessoas, mas, na medida em que aumenta a popula\u00e7\u00e3o, a capacidade dos oceanos n\u00e3o pode mudar para atender a demanda de nossa sociedade, ressaltou Petersen \u00e0 IPS. \u201cUma vez que desapare\u00e7am as esp\u00e9cies especiais dos oceanos, n\u00e3o poderemos recri\u00e1-las\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas 9% dos ecossistemas costeiros est&atilde;o bem protegidos. 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