{"id":20718,"date":"2016-04-07T13:04:57","date_gmt":"2016-04-07T13:04:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=207929"},"modified":"2016-04-07T13:04:57","modified_gmt":"2016-04-07T13:04:57","slug":"indianas-querem-entrar-nos-templos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/indianas-querem-entrar-nos-templos\/","title":{"rendered":"Indianas querem entrar nos templos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_207930\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"size-full wp-image-207930\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/india2.jpg\" alt=\"Numerosos sacerdotes costumam proibir a entrada nos templos de mulheres que est\u00e3o menstruando. Ao contr\u00e1rio de anos atr\u00e1s, agora as mulheres questionam essas normas arcaicas.Foto: NeetaLal\/IPS\" width=\"280\" height=\"373\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/india2-225x300.jpg 225w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/india2.jpg 280w\" sizes=\"(max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Numerosos sacerdotes costumam proibir a entrada nos templos de mulheres que est\u00e3o menstruando. Ao contr\u00e1rio de anos atr\u00e1s, agora as mulheres questionam essas normas arcaicas.Foto: NeetaLal\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Neeta Lal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 7\/4\/2016 \u2013 As mulheres constituem quase metade dos 1,2 bilh\u00e3o de habitantes da \u00cdndia, mas a desigualdade de g\u00eanero e a mentalidade patriarcal que perduram conspiram para exclu\u00ed-las de alguns locais sagrados, em pleno s\u00e9culo 21.Este pa\u00eds foi sacudido por uma onda de furor porque templos populares proibiram a entrada de mulheres com argumentos t\u00e3o duvidosos quanto retr\u00f3grados: a menstrua\u00e7\u00e3o as torna \u201cimpuras\u201d e n\u00e3o aptas para os lugares de culto.<\/p>\n<p>Agora, ao contr\u00e1rio de anos atr\u00e1s, as mulheres questionam as normas arcaicas e enfrentam seus verdugos. Declara\u00e7\u00f5es sem precedentes como \u201ca menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem suja nem vergonhosa, mas um simples fato biol\u00f3gico\u201d encontram um lugar no gloss\u00e1rio popular e ressoam em milh\u00f5es de pessoas.A declara\u00e7\u00e3o de um sacerdote do templo de Sabarimala, no Estado de Kerala, de que as mulheres n\u00e3o poderiam entrar enquanto n\u00e3o fosse inventada uma m\u00e1quina capaz de detectar se s\u00e3o \u201cpuras\u201d ou se est\u00e3o menstruando, gerou um mal-estar generalizado em novembro do ano passado.<\/p>\n<p>Cerca de um milh\u00e3o de peregrinos hindus se re\u00fanem todos os anos em Sabarimala,nas montanhas Ghatsocidentais, em homenagem \u00e0 deidade Ayyappa, que meditava nesse lugar, segundo a mitologia hindu.Epis\u00f3dios como esse serviram de inspira\u00e7\u00e3o para a campanha \u201cfeliz sangrando\u201d, que rapidamente se espalhou e se tornou viral no Facebook. A iniciativa convocava as mulheres a tirarem uma foto segurando um cartaz com essa frase escrita e coloc\u00e1-la como imagem de seu perfil.<\/p>\n<p>Logo a rede social se viu inundada por mulheres segurando o cartaz, alguns deles feitos de toalhas sanit\u00e1rias e absorventes. A campanha conseguiu que a proibi\u00e7\u00e3o de Sabarimala passasse \u00e0 \u00f3rbita judicial, pois a Associa\u00e7\u00e3o de Jovens Advogados apresentou um recurso junto \u00e0 Suprema Corte, pedindo que fosse solicitada uma explica\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades religiosas a respeito da proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro exemplo ocorreu em janeiro deste ano, quando 500 mulheres furiosas marcharam da cidade de Pune at\u00e9 o templo ShaniShingnapur, em Maharashtra, onde os sacerdotes exclu\u00edram as mulheres dos lugares de culto.A organiza\u00e7\u00e3o Brigada RanraginiBhumata (Guerreiras da M\u00e3e Terra) irrompeu no templo em um ato de rebeldia contra uma tradi\u00e7\u00e3o de 400 anos. O grupo se chocou com uma grande barreira de seguran\u00e7a fora do povoado e no templo, composta por uma barricada e agentes armados. Mas n\u00e3o desanimaram.<\/p>\n<p>Segundo TruptiDesai, a l\u00edder da brigada, trata-se de \u201ctradi\u00e7\u00f5es criadas por homens. Deus n\u00e3o discrimina entre homens e mulheres. Se elas querem entrar no templo, como v\u00e3o det\u00ea-las? Por acaso o templo \u00e9 administrado pelo Talib\u00e3? N\u00e3o precisamos de autoriza\u00e7\u00e3o para visitar Deus\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A press\u00e3o p\u00fablica parece dar resultados. Um alto tribunal de Mumbai solicitou, no dia 30 de mar\u00e7o, ao governo estadual, que garanta a entrada das mulheres em todos os lugares de culto. A decis\u00e3o judicial \u00e9 clara: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada que impe\u00e7a a entrada das mulheres. Os agentes de seguran\u00e7a devem agir contra os que as impedem. Se os homens t\u00eam direito a entrar em um lugar sagrado, as mulheres tamb\u00e9m t\u00eam de poder entrar\u201d.<\/p>\n<p>As ativistas buscaram a implanta\u00e7\u00e3o da Lei de Autoriza\u00e7\u00e3o de Entrada em Lugares P\u00fablicos de Culto Hindu em Maharashtra, de 1956, segundo a qual \u201cn\u00e3o se pode impedir nem desestimular nenhuma pessoa (que professe a religi\u00e3o) hindu de qualquer classe ou grupo social a entrar em lugares p\u00fablicos de culto nem que realizem ritos religiosos\u201d. A viola\u00e7\u00e3o da lei \u00e9 punida com seis meses de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00e3o apenas as hindus. As mu\u00e7ulmanas tamb\u00e9m lutam contra a proibi\u00e7\u00e3o de entrarem na popular mesquita do s\u00e9culo 15Haji Ali, em Mumbai. A organiza\u00e7\u00e3o defensora dos direitos das mulheres BharatiyaMuslimMahilaAndolan apresentou um recurso junto a um alto tribunal reclamando o direito de entrar no santu\u00e1rio. At\u00e9 2013, podiam chegar at\u00e9 o <em>mazar<\/em>(mausol\u00e9u), mas depois foram proibidas, \u201cpara sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Segundo AnirudhKashyap, professor adjunto do departamento de hist\u00f3ria da Universidade de Nova D\u00e9lhi, esse tipo de atitude \u00e9 um reflexo das arraigadas concep\u00e7\u00f5es patriarcais que n\u00e3o consideram as mulheres em um plano de igualdade. \u201cA oposi\u00e7\u00e3o ao direito de as mulheres irem ao culto tamb\u00e9m atenta contra a na\u00e7\u00e3o da \u00cdndia como a maior democracia do mundo, dirigida pelo primeiro-ministro (MarendrahModi), que aspira colocar o pa\u00eds entre os principais atores globais\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que um assunto que complica a situa\u00e7\u00e3o na \u00cdndia \u00e9 que a Constitui\u00e7\u00e3o confere ao Estado o poder de realizar reformas sociais, mas n\u00e3o distingue entre o Estado e a religi\u00e3o, o que permite perguntar se as autoridades religiosas t\u00eam ou n\u00e3o direito de proibir a entrada das mulheres nos templos.\u201cA resposta \u00e9 sim e n\u00e3o\u201d, explicou a advogada PratibaPandey.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o garante a liberdade de culto, mas o artigo 26 (b) outorga \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es religiosas o direito de decidir sobre as quest\u00f5es religiosas, que costumam cair em atitudes sexistas, embora o artigo 25 (2) permita a interven\u00e7\u00e3o estatal em seus assuntos, quando est\u00e1 em jogo o \u201cbem-estar social\u201d, o que pode derivar em abusos de autoridade.<\/p>\n<p>\u201cAs atitudes pol\u00edticas complicam a quest\u00e3o ao ceder diante de interesses criados, dobrar-se \u00e0s demandas de poderosas autoridades religiosas e ignorar os direitos constitucionais das mulheres\u201d, pontuouPandey.O atual esc\u00e2ndalo religioso deixa uma li\u00e7\u00e3o, pois numerosos estudos ressaltam os benef\u00edcios de uma sociedade com igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Uma alta comiss\u00e3o sobre o <em>status<\/em> da mulher, criada pelo governo central, situou, no ano passado, a \u00cdndia em 141\u00ba lugar, entre 142 pa\u00edses, segundo indicadores de sa\u00fade e sobreviv\u00eancia. Al\u00e9m disso, numerosos economistas concordam em que uma economia em desenvolvimento como a indiana n\u00e3o pode se permitir limitar os direitos das mulheres nem se privar de uma pol\u00edtica de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo um informe do Instituto Global McKinsey, a melhora da igualdade de g\u00eanero pode ajudar a \u00cdndia a agregar 2,9 bilh\u00f5es ao seu produto interno bruto at\u00e9 2025. Nesse sentido, permitir a entrada das mulheres nos templos e locais sagrados de culto pode ser um bom come\u00e7o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Neeta Lal, da IPS &ndash;&nbsp; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 7\/4\/2016 &ndash; As mulheres constituem quase metade dos 1,2 bilh&atilde;o de habitantes da &Iacute;ndia, mas a desigualdade de g&ecirc;nero e a mentalidade patriarcal que perduram conspiram para exclu&iacute;-las de alguns locais sagrados, em pleno s&eacute;culo 21.Este pa&iacute;s foi sacudido por uma onda de furor porque templos populares [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/indianas-querem-entrar-nos-templos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":696,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,2458],"class_list":["post-20718","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/696"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20718"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20718\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20719,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20718\/revisions\/20719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}