{"id":20725,"date":"2016-04-11T13:48:59","date_gmt":"2016-04-11T13:48:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208024"},"modified":"2016-04-11T13:48:59","modified_gmt":"2016-04-11T13:48:59","slug":"el-nino-destroi-colheitas-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/el-nino-destroi-colheitas-na-africa\/","title":{"rendered":"El Ni\u00f1o destr\u00f3i colheitas na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208025\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208025\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/clima-1.jpg\" alt=\"A perda de cultivos por quest\u00f5es clim\u00e1ticas agrava a inseguran\u00e7a alimentar nas zonas afetadas, especialmente na \u00c1frica. Foto: Anne Holmes\/IPS\" width=\"340\" height=\"229\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/clima-1-300x202.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/clima-1.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A perda de cultivos por quest\u00f5es clim\u00e1ticas agrava a inseguran\u00e7a alimentar nas zonas afetadas, especialmente na \u00c1frica. Foto: Anne Holmes\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>A perda de cultivos por quest\u00f5es clim\u00e1ticas, entre elas o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, agrava a inseguran\u00e7a alimentar nas zonas afetadas, especialmente na \u00c1frica oriental e austral.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Jeff Williams, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Mombasa, Qu\u00eania, 11\/4\/2015 \u2013 Os pa\u00edses em desenvolvimento que dependem da agricultura e da pesca, especialmente os banhados pelo Oceano Pac\u00edfico, s\u00e3o os mais prejudicados pelo El Ni\u00f1o, um fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico que atenta contra a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00c1frica, onde vivem 1,2 bilh\u00e3o de pessoas. A atual manifesta\u00e7\u00e3o do El Ni\u00f1o \u00e9 uma das mais pronunciadas e com consequ\u00eancias em todo o planeta: maiores inunda\u00e7\u00f5es em algumas regi\u00f5es e prolongados per\u00edodos de seca em outras, al\u00e9m de tuf\u00f5es e ciclones.<\/p>\n<p>O impacto \u00e9 especialmente grave no continente africano, com 54 pa\u00edses, porque cerca de um ter\u00e7o dos alimentos para consumo humano do mundo, aproximadamente 1,3 bilh\u00e3o de toneladas, s\u00e3o perdidas ou jogadas fora. Na \u00c1frica, um em cada cinco africanos est\u00e1 subalimentado, ou 220 milh\u00f5es de pessoas. Al\u00e9m disso, a queda dos pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos em todo o mundo tem consequ\u00eancias graves para a \u00c1frica, onde a agricultura \u00e9 a principal fonte de renda. A perda de cultivos por quest\u00f5es clim\u00e1ticas, entre elas o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, agrava a inseguran\u00e7a alimentar nas zonas afetadas, especialmente na \u00c1frica oriental e austral.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) destacou, no dia 24 de mar\u00e7o, em Harare, no Zimb\u00e1bue, a necessidade de se concentrar em aumentar a produtividade dos cultivos de alimentos e melhorar a gest\u00e3o das colheitas. Um pouco antes, em 12 de fevereiro, a FAO alertou que a \u00c1frica austral atravessa uma forte seca, que foi agravada desde o in\u00edcio da temporada agr\u00edcola 2015-2016, porque o atual fen\u00f4meno El Ni\u00f1o \u00e9 o mais forte dos \u00faltimos 50 anos.<\/p>\n<p>Em vastas \u00e1reas de Zimb\u00e1bue, Malawi, Z\u00e2mbia, \u00c1frica do Sul, Mo\u00e7ambique, Botswana e Madagascar, a atual temporada de chuvas tem sido das mais secas dos \u00faltimos 35 anos. As \u00e1reas agr\u00edcolas do norte da Nam\u00edbia e sul de Angola registraram grave car\u00eancia de chuvas, destacou a FAO em um comunicado conjunto com a Rede de Sistemas de Alerta de Fome (Fews Net), o Centro Comum de Pesquisa da Comiss\u00e3o Europeia e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).<\/p>\n<p>Segundo o comunicado, \u201cgrande parte da \u00c1frica austral registrou atraso no plantio e condi\u00e7\u00f5es muito ruins para o desenvolvimento dos cultivos e crescimento das pastagens. Em muitas \u00e1reas n\u00e3o foi poss\u00edvel plantar, porque as primeiras chuvas atrasaram entre 30 e 50 dias\u201d. A situa\u00e7\u00e3o melhorou ligeiramente desde meados de janeiro em algumas \u00e1reas, mas a possibilidade de uma temporada exitosa de cultivos com boas chuvas praticamente evaporou, alertaram as organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo que as chuvas se normalizem no que resta da temporada, os modelos que avaliam o rendimento dos cultivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disponibilidade de \u00e1gua indicam que n\u00e3o haver\u00e1 uma boa colheita de milho na maioria das \u00e1reas cultivadas. \u201cDiversos progn\u00f3sticos coincidem em afirmar que as precipita\u00e7\u00f5es seguir\u00e3o abaixo da m\u00e9dia e as temperaturas estar\u00e3o acima do habitual em quase todas as regi\u00f5esno restante da temporada\u201d, acrescenta o comunicado conjunto.<\/p>\n<div id=\"attachment_208026\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-208026\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/seca.jpg\" alt=\"A falta de chuvas deixa o solo seco e impr\u00f3prio para a agricultura. Foto: Mauricio Ramos\/IPS \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/seca-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/seca.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A falta de chuvas deixa o solo seco e impr\u00f3prio para a agricultura. Foto: Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de uma m\u00e1 temporada agr\u00edcola no per\u00edodo 2014-2015, as condi\u00e7\u00f5es extremamente secas do in\u00edcio da atual (outubro a dezembro) e os progn\u00f3sticos de que o clima seco continuar\u00e1 at\u00e9 meados deste ano sugerem que haver\u00e1 uma colheita ruim em escala regional. A \u00c1frica do Sul, por exemplo, j\u00e1 estimou que a produ\u00e7\u00e3o de milho ficar\u00e1 em torno de 7,4 milh\u00f5es de toneladas, queda de 25% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temporada anterior, que j\u00e1 foi ruim, e 36% abaixo da m\u00e9dia dos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o depois de uma temporada agr\u00edcola 2014-2015 caracterizada por condi\u00e7\u00f5es similares de temperatura e seca e queda de 23% na produ\u00e7\u00e3o regional de cereais. As atuais condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas aprofundaram a vulnerabilidade, devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das reservas de cereais e ao fato de os pre\u00e7os dos alimentos estarem acima da m\u00e9dia, o que eleva de forma consider\u00e1vel a inseguran\u00e7a alimentar, destaca o informe da FAO e seus s\u00f3cios.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Comunidade para o Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC) indica que, mesmo antes do in\u00edcio da crise atual, a inseguran\u00e7a alimentar na regi\u00e3o, sem contar a \u00c1frica do Sul, j\u00e1 afetava 14 milh\u00f5es de pessoas. Destas, 2,5 milh\u00f5es est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de crise e necessitam assist\u00eancia urgente, estimou no come\u00e7o de fevereiro a Fews. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de pessoas que vivem com inseguran\u00e7a alimentar aumenta devido \u00e0s atuais condi\u00e7\u00f5es de seca e pela infla\u00e7\u00e3o no setor da alimenta\u00e7\u00e3o. O custo do milho alcan\u00e7ou um m\u00e1ximo em janeiro no Malawi e na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Na maioria das prov\u00edncias da \u00c1frica do Sul, bem como no Lesoto e em Zimb\u00e1bue, foi declarada emerg\u00eancia por causa da seca, e as autoridades respons\u00e1veis pela gest\u00e3o h\u00eddrica em Botswana, Nam\u00edbia, Suazil\u00e2ndia e \u00c1frica do Sul restringiram o servi\u00e7o de \u00e1gua devido \u00e0 escassez. Z\u00e2mbia e Zimb\u00e1bue tamb\u00e9m sofrem cortes de energia porque o n\u00edvel da \u00e1gua na represa de Kariba est\u00e1 abaixo do habitual.\u201c\u00c9 muito cedo para dar uma estimativa de quantaspessoas sofrer\u00e3o a inseguran\u00e7a alimentar no per\u00edodo 2016-2017, mas a previs\u00e3o \u00e9 que aumente de forma significativa o n\u00famero de pessoas necessitadas de assist\u00eancia alimentar e ajuda para recuperar seu meio de subsist\u00eancia\u201d, diz o comunicado conjunto.<\/p>\n<p>O atual fen\u00f4meno, agravado pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, tamb\u00e9m atingiu a \u00c1frica oriental. A Eti\u00f3pia sofre a pior seca dos \u00faltimos 30 anos devido ao El Ni\u00f1o. J\u00e1 h\u00e1 8,2 milh\u00f5es de pessoas que precisam de ajuda alimentar de emerg\u00eancia. A ONU enviou uma equipe de sa\u00fade de emerg\u00eancia para ajudar o governo a responder \u00e0 crise, que se acredita vai piorar nos pr\u00f3ximos oito meses.<\/p>\n<p>\u201cA emerg\u00eancia alimentar coincide com m\u00faltiplas epidemias\u201d, afirmou a diretora de resposta humanit\u00e1ria e gest\u00e3o de risco de emerg\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), Michelle Gayer, no dia 4 de dezembro de 2015, em Genebra.\u201cIsso agrava o estado de sa\u00fade das pessoas e afeta o sistema de sa\u00fade, pois a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o predisp\u00f5e, especialmente as crian\u00e7as, \u00e0s enfermidades infecciosas mais severas, que rapidamente podem tirar suas vidas\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A Eti\u00f3pia j\u00e1 registrou duas m\u00e1s temporadas em 2015 e, devido \u00e0 falta de chuvas atribu\u00edda ao El Ni\u00f1o, seu principal per\u00edodo de colheita diminuiu gravemente. A OMS alerta que,desde janeiro, todos os meses \u00e9 registrado um aumento no n\u00famero de meninos e meninas mal nutridos e estima-se que 400 mil menores sofrer\u00e3o de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o grave este ano. Al\u00e9m disso, cerca de 700 mil gr\u00e1vidas e mulheres com beb\u00eas correm o mesmo risco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perda de cultivos por quest&otilde;es clim&aacute;ticas, entre elas o fen&ocirc;meno El Ni&ntilde;o, agrava a inseguran&ccedil;a alimentar nas zonas afetadas, especialmente na &Aacute;frica oriental e austral. 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