{"id":2073,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2073"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"tailndia-guerra-indiscriminada-insurgncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/tailndia-guerra-indiscriminada-insurgncia\/","title":{"rendered":"Tail&acirc;ndia: Guerra indiscriminada &agrave; insurg&ecirc;ncia"},"content":{"rendered":"<p>Yala, Tail&acirc;ndia, 08\/10\/2006 &ndash; Diante dos olhos dos militares da Tail&acirc;ndia, Arafat Yunoo &eacute; um inimigo do Estado. <!--more--> Este jovem malaio mu&ccedil;ulmano de 21 anos ficou por tr&aacute;s das paredes fortificadas da principal pris&atilde;o da prov&iacute;ncia tailandesa de Yala por mais de dois anos. Mohammed Sofian Manosa, de 24 anos, tamb&eacute;m foi preso pelo ex&eacute;rcito, acusado de liga&ccedil;&atilde;o com os insurgentes nas prov&iacute;ncias do sul, lar da maior minoria deste pa&iacute;s, os malaios mu&ccedil;ulmanos. Estes dois jovens ainda n&atilde;o sabem o motivo de terem sido detidos em junho de 2004. \u201cNos disseram que encontraram um despertador, um carrinho de brinquedo de controle remoto, um mapa de Yala e uma lista com nomes de oficiais da pol&iacute;tica\u2019, disse Arafat. \u201cEstivemos nos tribunais somente para duas audi&ecirc;ncias. &Eacute; muito estressante estar aqui, muito ruim\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Arafat e Mohammed, naturais do sul da Tail&acirc;ndia, est&atilde;o entre os 41 malaios mu&ccedil;ulmanos detidos na pris&atilde;o de Yala por razoes preventivas. Nesse local h&aacute; 632 presos. Na maior pris&atilde;o da vizinha prov&iacute;ncia Pattani pode-se encontrar hist&oacute;rias similares, de homens mu&ccedil;ulmanos detidos pela pol&iacute;tica ou pelo ex&eacute;rcito por acusa&ccedil;&otilde;es que seus advogados consideram \u201cmuito fr&aacute;geis\u201d. No come&ccedil;o deste m&ecirc;s, havia 67 prisioneiros malaios mu&ccedil;ulmanos em uma popula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria de 622 pessoas. Entre eles esta Anwar Haete, de 20 anos, que foi preso pela pol&iacute;tica no dia 17 de agosto de 2005, quando voltava para casa.<\/p>\n<p>\u201cQuatro homens o levaram. Disseram que seria solto em tr&ecirc;s dias, mas j&aacute; se passou um ano\u201d, disse sua m&atilde;e, Mariyo Haete, que com o marido cuida de um com&eacute;rcio de venda de ch&aacute;. \u201cFoi acusado de matar um oficial da pol&iacute;cia. Mas no momento do assassinato Anwar estava na mesquita ensinando o Cor&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as\u201d, acrescentou Mariyo. A situa&ccedil;&atilde;o na prov&iacute;ncia de Narathiwat n&atilde;o &eacute; diferente. Ali h&aacute; mal-estar pelas freq&uuml;entes pris&otilde;es de trabalhadores em &aacute;reas onde se produz borracha e arroz. \u201cDet&ecirc;m pessoas inocentes. N&atilde;o havia evid&ecirc;ncias nem ordem de pris&atilde;o. Somente os levaram presos\u201d, afirmou Muhammed Jedao, de 60 anos, propriet&aacute;rio de uma horta em Sungai Padi.<\/p>\n<p>Os malaios mu&ccedil;ulmanos do sul somam cerca de 2,3 milh&otilde;es dos 64 milh&otilde;es de habitantes da Tail&acirc;ndia. Os enfrentamentos entre grupos separatistas de malaios mu&ccedil;ulmanos e for&ccedil;as tailandesas come&ccedil;aram nos anos 70. A minoria isl&acirc;mica quer a autonomia, pois se sente uma discrimina&ccedil;&atilde;o cultural e econ&ocirc;mica. As prov&iacute;ncias v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia outrora foram parte do reino malaio mu&ccedil;ulmano de Pattani, anexado em 1902 pelo Si&atilde;o, antigo nome da Tail&acirc;ndia. Cerca de 600 malaios mu&ccedil;ulmanos foram detidos e acusados de liga&ccedil;&atilde;o com a viol&ecirc;ncia no sul, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, h&aacute; 1.264 homens malaios identificados pela pol&iacute;cia como respons&aacute;veis pela &uacute;ltima fase da insurg&ecirc;ncia, que causou a morte de aproximadamente 1,4 mil pessoas desde que come&ccedil;ou, em janeiro de 2004. A pol&iacute;cia tamb&eacute;m mant&eacute;m muitos detidos nesta &aacute;rea, perto da fronteira com a Mal&aacute;sia, em acampamentos onde s&atilde;o \u201creeducados\u201d por at&eacute; 30 dias. Grupos humanit&aacute;rios dizem que cerca de 900 homens, sem acesso a advogados, foram detidos em aproximadamente 20 centros de deten&ccedil;&atilde;o este ano. Altos chefes militares justificaram as pris&otilde;es, feitos sob uma ampliada lei marcial que entrou em vigor em 2004 e um decreto de emerg&ecirc;ncia que deu mais poderes ao ex&eacute;rcito, em julho do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cA lei comum n&atilde;o permite a pris&atilde;o de suspeitos de estarem por tr&aacute;s da viol&ecirc;ncia. Mas com a lei de emerg&ecirc;ncia o governo foi capaz de realizar medidas preventivas para deter pessoas antes dos ataques\u201d, afirmou o tenente-coronel Chalermpon Jinarat, que comanda um dos batalh&otilde;es do ex&eacute;rcito no sul. Al&eacute;m disso, o decreto \u201cajuda, em parte, a melhorar as coisas. Antes, as autoridades militares e do governo n&atilde;o podiam vir aqui por quest&otilde;es de seguran&ccedil;a\u201d, disse o oficial a um grupo de jornalistas em Narathiwat.<\/p>\n<p>\u201cEmbora o governo diga que o decreto de emerg&ecirc;ncia &eacute; uma ferramenta efetiva para deter a viol&ecirc;ncia, n&atilde;o gera confian&ccedil;a na popula&ccedil;&atilde;o. As autoridades se guiam pela emo&ccedil;&atilde;o, mais do que pela raz&atilde;o, para deter as pessoas\u201d, disse &aacute; IPS o advogado Adilan Ali-Ishak, do Centro do Imp&eacute;rio da Lei, da Universidade Pr&iacute;ncipe de Songhkhala, em Pattani. A inseguran&ccedil;a aumentou com o decreto, e muitos malaios mu&ccedil;ulmanos t&ecirc;m \u201cparan&oacute;ia e desconfian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos processos judiciais\u201d, afirmou. \u201cAs pessoas t&ecirc;m medo de apresentar queixa contra a pol&iacute;cia, e por isso buscam novos mecanismos para obter ajuda, como se dirigir aos im&atilde;s ou advogados\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yala, Tail&acirc;ndia, 08\/10\/2006 &ndash; Diante dos olhos dos militares da Tail&acirc;ndia, Arafat Yunoo &eacute; um inimigo do Estado. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/tailndia-guerra-indiscriminada-insurgncia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17],"class_list":["post-2073","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2073\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}