{"id":20772,"date":"2016-04-19T12:56:52","date_gmt":"2016-04-19T12:56:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208379"},"modified":"2016-04-19T12:56:52","modified_gmt":"2016-04-19T12:56:52","slug":"oriente-medio-pode-se-tornar-inabitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/oriente-medio-pode-se-tornar-inabitavel\/","title":{"rendered":"Oriente M\u00e9dio pode se tornar inabit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208380\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208380\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mapa-472x472.jpg\" alt=\"Mapa do Oriente M\u00e9dio com a classifica\u00e7\u00e3o de K\u00f6ppen, de 20 de fevereiro de 2016, modificado e vetorizado por Ali Zifan. Foto: CreativeCommons\" width=\"340\" height=\"340\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mapa-472x472.jpg 472w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mapa-472x472-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mapa-472x472-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Mapa do Oriente M\u00e9dio com a classifica\u00e7\u00e3o de K\u00f6ppen, de 20 de fevereiro de 2016, modificado e vetorizado por Ali Zifan. Foto: CreativeCommons<\/p><\/div>\n<p><em>A possibilidade de o Oriente M\u00e9dio se tornar inabit\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 uma ideia sensacionalista, mas a dram\u00e1tica conclus\u00e3o a que chegaram v\u00e1rias pesquisas sobre as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica na regi\u00e3o, especialmente no Golfo.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0BaherKamal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Cairo, Egito, 19\/4\/2016 \u2013 \u201cNeste s\u00e9culo, partes do Golfo P\u00e9rsico poder\u00e3o sofrer o impacto de eventos sem precedentes, como ondas de calor, derivados da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, segundo um estudo de modelos clim\u00e1ticos de alta resolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).<\/p>\n<p>O estudo <em>PersianGulfCould Experience DeadlyHeat<\/em> (O Golfo P\u00e9rsico Poder\u00e1 Experimentar Uma Mortal Onda de Calor) detalha um contexto habitual de emiss\u00f5es de gases-estufa, acrescentando que reduzi-las poderia evitar as \u201cmortais temperaturas extremas\u201d.Orelat\u00f3rio foi publicado na revista <em>Nature<\/em> antes da 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), realizada em Paris no final de 2015.<\/p>\n<p>ElfatihEltahir, professor de engenharia civil e ambiental do MIT, e por Jeremy Pal, doutor da Universidade Loyola Marymount,autores do estudo, conclu\u00edram que, al\u00e9m da baixa profundidade da \u00e1gua e da intensidade solar, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do Golfo \u201cfazem com que, diante da falta de medidas significativas de mitiga\u00e7\u00e3o, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica provavelmente tenha impacto no futuro espa\u00e7o que tenha condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o prop\u00edcias para os humanos\u201d.<\/p>\n<p>Utilizando vers\u00f5es de modelos clim\u00e1ticos padronizados de alta resolu\u00e7\u00e3o, Eltahir e Pal conclu\u00edram que muitas das grandes cidades da regi\u00e3o poderiam superar o ponto de inflex\u00e3o da sobreviv\u00eancia humana, mesmo em \u00e1reas de sombra e com boa ventila\u00e7\u00e3o. Eltahir destacou que esse limite,\u201cat\u00e9 onde sabemos, nunca foi registrado em nenhum lugar da Terra\u201d.<\/p>\n<p>O MIT, fundado em 1861 para promover o conhecimento e formar os estudantes em ci\u00eancias, tecnologia e outras \u00e1reas para contribuir melhor com seu pa\u00eds e o mundo no s\u00e9culo 21, alerta que \u201ca detalhada simula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica mostra que seria poss\u00edvel superar um limite de sobreviv\u00eancia caso n\u00e3o sejam adotadas medidas de mitiga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa, que teve apoio da Funda\u00e7\u00e3o para o Progresso da Ci\u00eancia do Kuwait, revela que o ponto de inflex\u00e3o inclui uma medi\u00e7\u00e3o tomada com um \u201cterm\u00f4metro de bulbo \u00famido\u201d, que combina temperatura e umidade, o que permite refletir as condi\u00e7\u00f5es que o corpo humano pode manter sem necessidade de refrigera\u00e7\u00e3o artificial. O limite para a sobreviv\u00eancia humana por mais de seis horas sem prote\u00e7\u00e3o \u00e9 de 35 graus Celsius, de acordo com a \u00faltima pesquisa publicada sobre este tema.<\/p>\n<p>O perigo grave para a sa\u00fade humana e a pr\u00f3pria vida aparece quando essa temperatura se mant\u00e9m por v\u00e1rias horas, ressaltouEltahir, algo que, segundo o modelo, ocorrer\u00e1 v\u00e1rias vezes nos \u00faltimos 30 anos deste s\u00e9culo, se n\u00e3o for mudado o contexto atual, utilizado como par\u00e2metro pelo Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC). A \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o deste grupo alerta sobre a probabilidade de o clima se tornar mais quente e mais seco na maior parte do Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cAs temperaturas mais elevadas e as menores precipita\u00e7\u00f5es aumentar\u00e3o a ocorr\u00eancia de secas, uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se materializa na regi\u00e3o do Magreb\u201d, diz o Banco Mundial, retomando a avalia\u00e7\u00e3o do IPCC. \u201cEstima-se que outros 80 a cem milh\u00f5es de pessoas sofrer\u00e3o estresse h\u00eddrico em 2025, o que provavelmente ser\u00e1 a causa de maior press\u00e3o sobre a \u00e1gua subterr\u00e2nea, cuja extra\u00e7\u00e3o atual supera a carga potencial dos aqu\u00edferos na maioria das \u00e1reas\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se prev\u00ea que os cultivos agr\u00edcolas, especialmente nas \u00e1reas chuvosas, experimentar\u00e3o maior flutua\u00e7\u00e3o, que finalmente os reduzir\u00e1 a uma m\u00e9dia significativamente inferior no longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cNas cidades do norte da \u00c1frica, um aumento de temperatura entre um e tr\u00eas graus poderia expor a inunda\u00e7\u00f5es costeiras de seis milh\u00f5es a 25 milh\u00f5es de pessoas\u201d, afirma o Banco Mundial. \u201cAl\u00e9m disso, as ondas de calor, a deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua e a forma\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio no solo provavelmente atentar\u00e3o contra a sa\u00fade p\u00fablica e, em geral, criar\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de vida mais dif\u00edceis\u201d, indicou.<\/p>\n<p>O informe do Banco Mundial <em>AdaptationtoClimateChange in theMiddleEastand North AfricaRegion<\/em> (Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica no Oriente M\u00e9dio e Norte da\u00c1frica) alerta que essa regi\u00e3o \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201c\u00c9 uma das regi\u00f5es mais secas e com maior escassez de \u00e1gua, com grande depend\u00eancia de uma agricultura vulner\u00e1vel ao clima, e grande parte de sua popula\u00e7\u00e3o e de sua atividade econ\u00f4mica em \u00e1reas urbanas costeiras e propensas a inunda\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as sociedades dessa regi\u00e3o sofrem a press\u00e3o de se adaptarem \u00e0 escassez de \u00e1gua e ao calor h\u00e1 milhares de anos, e desenvolveram v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e mecanismos institucionais para enfrentar as limita\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>Os modelos globais prognosticam que o n\u00edvel do mar aumentar\u00e1 de 0,1 metro para 0,3 metro at\u00e9 2050, e de 0,1 a 0,9 metro at\u00e9 2100, afirma o Banco Mundial.Nessa regi\u00e3o, o progn\u00f3stico \u00e9 que as consequ\u00eancias sociais, econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas ser\u00e3o relativamente maiores em compara\u00e7\u00e3o com o resto do mundo. O risco \u00e9 particularmente maior nas \u00e1reas costeiras baixas de Emirados \u00c1rabes Unidos, Kuwait, L\u00edbia, Catar, Tun\u00edsia e, em especial, o Egito.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m implica muitos desafios para as cidades da regi\u00e3o, que s\u00e3o centros de atividades sociais, culturais e pol\u00edticas. O aumento do n\u00edvel do mar poder\u00e1 afetar 43 cidades portu\u00e1rias, 24 no Oriente M\u00e9dio e 19 no norte da \u00c1frica, segundo o Banco Mundial.\u201cNo caso da cidade eg\u00edpcia de Alexandria, um aumento do n\u00edvel do mar de 0,5 metro deslocaria mais de dois milh\u00f5es de pessoas e as perdas em terras, propriedades e infraestrutura chegariam a cerca de US$ 35 bilh\u00f5es, al\u00e9m das incalcul\u00e1veis perdas do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural\u201d, acrescenta. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este \u00e9 o primeiro de dois artigos sobre o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica antes da assinatura do Acordo de Paris, no dia 22 em Nova York.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A possibilidade de o Oriente M&eacute;dio se tornar inabit&aacute;vel n&atilde;o &eacute; uma ideia sensacionalista, mas a dram&aacute;tica conclus&atilde;o a que chegaram v&aacute;rias pesquisas sobre as consequ&ecirc;ncias da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica na regi&atilde;o, especialmente no Golfo. 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