{"id":20779,"date":"2016-04-20T13:14:42","date_gmt":"2016-04-20T13:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208425"},"modified":"2016-04-20T13:14:42","modified_gmt":"2016-04-20T13:14:42","slug":"falta-de-agua-preocupa-o-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/falta-de-agua-preocupa-o-oriente-medio\/","title":{"rendered":"Falta de \u00e1gua preocupa o Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208426\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208426\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/OrienteMedio.jpg\" alt=\"Em Somalil\u00e2ndia, Estado n\u00e3o-reconhecido internacionalmente pertencente oficialmente \u00e0 Som\u00e1lia, e no Estado somaliano de Puntland, quase dois milh\u00f5es de pessoas sofrem o impacto da seca no contexto do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o.Foto: PetterikWiggers\/PMA \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/OrienteMedio.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/OrienteMedio-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Em Somalil\u00e2ndia, Estado n\u00e3o-reconhecido internacionalmente pertencente oficialmente \u00e0 Som\u00e1lia, e no Estado somaliano de Puntland, quase dois milh\u00f5es de pessoas sofrem o impacto da seca no contexto do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o.Foto: PetterikWiggers\/PMA<\/p><\/div>\n<p><em>A escassez h\u00eddrica \u00e9 um dos mais graves problemas da inseguran\u00e7a alimentar que o Oriente M\u00e9dio e o norte da \u00c1frica devem enfrentar. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Baher Kama, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Cairo, Egito, 20\/4\/2016 \u2013 Um dos pa\u00edses petroleiros do Golfo, constitu\u00eddo por um grupo de ilhas tem o duvidoso privil\u00e9gio de ocupar o 14\u00ba lugar entre 33 Estados com probabilidade de sofrer estresse h\u00eddrico at\u00e9 2040, e se chama Mamlakat Al Bahrain (o reino de dois mares), mais conhecido como Bahrein.A apenas 200 quil\u00f4metros do Ir\u00e3, a maior das ilhas do Bahrein est\u00e1 unida \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita pela cal\u00e7ada Rey Fahd, de 25 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Com superf\u00edcie de 765 quil\u00f4metros quadrados, esse pa\u00eds tem 1,4 milh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<p>Considerada o \u201couro branco\u201d, a \u00e1gua se tornou uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para esse pa\u00eds, apesar de seu elevado \u00cdndice de Desenvolvimento Humano e de ter sido considerado pelo Banco Mundial uma economia de renda alta, com um produto interno bruto (PIB) por habitante de US$ 29,149. O Bahrein tamb\u00e9m \u00e9 sede do comando Central das For\u00e7as Navais dos Estados Unidos, que consiste na Quinta Frota norte-americana e em outras for\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o basta para fazer a felicidade dos bareinitas. Todos os pa\u00edses da lista dos que podem sofrer escassez h\u00eddrica at\u00e9 2040 est\u00e3o no Oriente M\u00e9dio, inclusive os que sofreriam um estresse extremamente elevado, segundo uma classifica\u00e7\u00e3o elaborada pelo Instituto de Recursos Mundiais (WRI).<\/p>\n<p>Depois do Bahrein aparecem Kuwait, L\u00edbano, Palestina, Om\u00e3, Catar, Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos. Os pa\u00edses que compartilham a posi\u00e7\u00e3o do Bahrein s\u00e3o Arg\u00e9lia, Iraque, Jord\u00e2nia, L\u00edbia, Marrocos, S\u00edria, Tun\u00edsia e I\u00eamen. Todos eles representam dois ter\u00e7os dos 22 pa\u00edses \u00e1rabes, mas isso n\u00e3o significa que os demais tenham o recurso assegurado. De fato, a amea\u00e7a sobre Maurit\u00e2nia e Egito, ambos do extremo Magreb, j\u00e1 \u00e9 grande.<\/p>\n<p>Toda a regi\u00e3o, que j\u00e1 poderia ser considerada a mais insegura em mat\u00e9ria de disponibilidade de \u00e1gua, e que depende do recurso subterr\u00e2neo e do l\u00edquido que desssaliniza, tem grandes desafios pela frente, alerta o informe <em>Classifica\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses com Maior Estresse H\u00eddrico do Mundo em 2040<\/em>, do WRI. Os autores do estudo, Andrew Maddocks, Robert Samuel Young e Paul Reig prognosticam que nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas provavelmente aumentar\u00e1 a demanda mundial por \u00e1gua, inclusive no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u201cUma popula\u00e7\u00e3o em r\u00e1pido crescimento aumentar\u00e1 o consumo dom\u00e9stico, de fazendas e empresas. Mais pessoas se mudar\u00e3o para as cidades, o que exercer\u00e1 maior press\u00e3o sobre o fornecimento. Uma classe m\u00e9dia emergente poder\u00e1 reclamar uma produ\u00e7\u00e3o de alimentos, provocando um uso muito mais intensivo de \u00e1gua e de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica\u201d, alertam os autores. Mas n\u00e3o fica claro de onde se extrair\u00e1 \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cPrev\u00ea-se que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica deixe algumas regi\u00f5es mais \u00e1ridas e outras mais \u00famidas. Na medida em que se acentuam os extremos no tocante \u00e0s precipita\u00e7\u00f5es em algumas regi\u00f5es, as comunidades afetadas dever\u00e3o enfrentar enormes riscos, seja por secas ou por inunda\u00e7\u00f5es\u201d, diz o estudo. \u00c9 inevit\u00e1vel a mudan\u00e7a na demanda e no fornecimento de \u00e1gua, mas \u00e9 dif\u00edcil precisar quais caracter\u00edsticas ter\u00e1.<\/p>\n<p>A inovadora an\u00e1lise do WRI ajuda a esclarecer o panorama.Mediante um conjunto de modelos clim\u00e1ticos e cen\u00e1rios socioecon\u00f4micos, o WRI qualificou e classificou o futuro estresse h\u00eddrico, uma medida da concorr\u00eancia e do esgotamento da \u00e1gua na superf\u00edcie de 176 pa\u00edses at\u00e9 2020, 2030 e 2040. \u201cO resultado foi que 33 pa\u00edses experimentar\u00e3o um estresse h\u00eddrico extremamente alto em 2040\u201d, explicaram os autores.<\/p>\n<div id=\"attachment_208427\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-208427\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/arabes2.jpg\" alt=\"A escassez h\u00eddrica \u00e9 um dos mais graves problemas da inseguran\u00e7a alimentar que o Oriente M\u00e9dio e o norte da \u00c1frica devem enfrentar. Os progn\u00f3sticos indicam que a disponibilidade de \u00e1gua doce diminuir\u00e1 em 50% at\u00e9 2050. Foto: Marco Longari\/FAO\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/arabes2.jpg 638w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/arabes2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A escassez h\u00eddrica \u00e9 um dos mais graves problemas da inseguran\u00e7a alimentar que o Oriente M\u00e9dio e o norte da \u00c1frica devem enfrentar. Os progn\u00f3sticos indicam que a disponibilidade de \u00e1gua doce diminuir\u00e1 em 50% at\u00e9 2050. Foto: Marco Longari\/FAO<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, acrescentaram que \u201cChile, Est\u00f4nia, Nam\u00edbia e Botswana tamb\u00e9m poder\u00e3o registrar aumento especialmente alto de estresse h\u00eddrico at\u00e9 2040. Isso significa que empresas, fazendas e comunidades, em particular desses pa\u00edses, poder\u00e3o ser mais vulner\u00e1veis \u00e0 escassez do que o s\u00e3o agora\u201d.<\/p>\n<p>Estudos especializados coincidem em que o consumo de \u00e1gua na regi\u00e3o \u00e1rabe multiplicou por cinco nos \u00faltimos 50 anos, com consumo anual estimado em cerca de 230 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, dos quais 43 bilh\u00f5es s\u00e3o usados para beber e para a ind\u00fastria e 187 bilh\u00f5es para a agricultura.<\/p>\n<p>A disponibilidade de \u00e1gua na regi\u00e3o \u00e1rabe se traduz em inseguran\u00e7a h\u00eddrica para os seres humanos e a agricultura. O consumo por pessoa \u00e9 estimado em pelo menos mil metros c\u00fabicos por ano, segundo uma estat\u00edstica mundial, mas a m\u00e9dia na regi\u00e3o cai para quase 500 metros c\u00fabicos, o que converte os pa\u00edses da regi\u00e3o em pobres com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua.Isso coincide com o fato de essa regi\u00e3o n\u00e3o ter aproveitado o total de seus recursos de aproximadamente 340 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, haver usado apenas 50% e o restante ter se perdido ou desperdi\u00e7ado.<\/p>\n<p>No norte da \u00c1frica, o Minist\u00e9rio de Ambiente do Egito reconheceu que vastas extens\u00f5es da \u00e1rea norte do delta do Nilo, a maior e mais importante regi\u00e3o agr\u00edcola do pa\u00eds, j\u00e1 sofre duas grandes consequ\u00eancias perigosas: saliniza\u00e7\u00e3o e inunda\u00e7\u00f5es. Isso de deve \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do Mar Mediterr\u00e2neo e \u00e0 depress\u00e3o do terreno.<\/p>\n<p>O impacto do aquecimento global e as crescentes ondas de calor preocupam, em particular, as autoridades eg\u00edpcias, porque poderiam diminuir o caudal do Nilo em at\u00e9 80%, segundo as \u00faltimas estimativas. Por sua vez, S\u00edria, Jord\u00e2nia e Iraque est\u00e3ocondenados a um destino semelhante. Em alguns pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, a escassez de \u00e1gua aumentar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o de conflito entre os bedu\u00ednos, que sobrevivem gra\u00e7as \u00e0s pastagens.<\/p>\n<p>O professor de pesquisa espacial e do sol, MoslemShatout, tamb\u00e9m vice-presidente da Uni\u00e3o \u00c1rabe para a Astronomia e as Ci\u00eancias Espaciais, com sede no Cairo, apontou que os pa\u00edses do norte da \u00c1frica est\u00e3o, de longe, entre os mais prejudicados, pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica.O monitoramento via sat\u00e9lite, especialmente o registro do sat\u00e9lite franco-norte-americano, detectou entre 1991 e 2005 aumento global do n\u00edvel do mar de tr\u00eas mil\u00edmetros por ano, \u201cmas como o Mar Mediterr\u00e2neo est\u00e1 meio fechado, o aumento foi de oito mil\u00edmetros anuais\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>No Marrocos, as consequ\u00eancias do aquecimento global e da escassez de \u00e1gua j\u00e1 obrigarammuitos agricultores a cultivar apenas um ter\u00e7o da \u00e1rea em que antes plantavam. Uma situa\u00e7\u00e3o semelhante se registra na Arg\u00e9lia, e \u00e9 muito pior na Maurit\u00e2nia.<\/p>\n<p>Nos casos de Arg\u00e9lia e Marrocos estimava-se que chovia pelo menos 400 mil\u00edmetros por ano, mas nos \u00faltimos cinco anos diminuiu para 200 mil\u00edmetros, metade do necess\u00e1rio. Esses dois pa\u00edses possuem costas rochosas, que os protegem das inunda\u00e7\u00f5es, mas as na\u00e7\u00f5es \u00e1rabes a leste do Mediterr\u00e2neo, como Egito, L\u00edbano, S\u00edria e Palestina, est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este \u00e9 o \u00faltimo artigo sobre o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no Oriente M\u00e9dio e no norteda \u00c1frica antes da assinatura do Acordo de Paris, no dia 22, em Nova York.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escassez h&iacute;drica &eacute; um dos mais graves problemas da inseguran&ccedil;a alimentar que o Oriente M&eacute;dio e o norte da &Aacute;frica devem enfrentar. 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