{"id":20792,"date":"2016-04-26T13:48:57","date_gmt":"2016-04-26T13:48:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208554"},"modified":"2016-04-26T13:48:57","modified_gmt":"2016-04-26T13:48:57","slug":"colhendo-chuva-para-mitigar-a-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/colhendo-chuva-para-mitigar-a-seca\/","title":{"rendered":"Colhendo chuva para mitigar a seca"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208555\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208555\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cisterna.jpg\" alt=\"A jovem J\u00e9sica Garay, estudante de magist\u00e9rio e m\u00e3e de um beb\u00ea, tira \u00e1gua de chuva da cisterna familiar instalada ao lado de sua humilde moradia, no munic\u00edpio rural de Corzuela, na prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"261\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cisterna.jpg 614w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cisterna-300x231.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A jovem J\u00e9sica Garay, estudante de magist\u00e9rio e m\u00e3e de um beb\u00ea, tira \u00e1gua de chuva da cisterna familiar instalada ao lado de sua humilde moradia, no munic\u00edpio rural de Corzuela, na prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Pequenas iniciativas comunit\u00e1rias podem ter um impacto positivo em problemas ambientais globais. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Corzuela, Argentina, 26\/4\/2016 \u2013 Em uma regi\u00e3o semi\u00e1rida da prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina, os camponeses incorporaram \u00e0 sua cultura uma t\u00e9cnica simples para dispor de \u00e1gua durante as recorrentes secas: \u201ccolhem\u201d a chuva e a armazenam em uma cisterna, dentro de um projeto de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u00c9 s\u00f3 chover e as lamacentas estradas vicinais \u00e0s vezes ficam intransit\u00e1veis em Corzuela, pequena localidade rural com cerca de dez mil habitantes espalhados por seu territ\u00f3rio, a 260 quil\u00f4metros de Resistencia, a capital provincial.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim nessa regi\u00e3o, onde, como resume Juan Ram\u00f3n Espinoza,\u201cquando n\u00e3o chove, n\u00e3o chove nada, e quando chove, chove demais\u201d. Este agricultor contou \u00e0 IPS que \u201csempre faltou \u00e1gua, mas a situa\u00e7\u00e3o fica pior a cada ano. H\u00e1 temporadas em que por quatro a cinco meses n\u00e3o cai uma gota de \u00e1gua\u201d.Os moradores de Corzuela atribuem a intensifica\u00e7\u00e3o das secas aos \u201cdesmontes\u201d (cortes de \u00e1rvores) como consequ\u00eancia das monoculturas que chegaram \u00e0 regi\u00e3o com o novo s\u00e9culo.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7aram a nos invadir com planta\u00e7\u00f5es de soja. H\u00e1 muito desmonte. Chegam, avan\u00e7am com os tratores em quatro mil ou cinco mil hectares derrubando tudo, n\u00e3o deixam uma \u00fanica \u00e1rvore\u201d, afirmou Espinoza.Uma causa local, \u00e0 qual se somam os efeitos globais da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, estendendo e intensificando as secas. Os especialistas a chamam de \u201cd\u00e9ficit h\u00eddrico\u201d, que os camponeses dessas paragens traduzem como falta de \u00e1gua para beber, se banhar, lavar e cozinhar alimentos, al\u00e9m de regar suas hortas.<\/p>\n<p>\u201cSeguramente perd\u00edamos meio dia entre ir e voltar, encher os tachos e os tanques com \u00e1gua para poder lavar, cozinhar e tomar banho\u201d, disse Graciela Rodr\u00edguez, m\u00e3e de 11 filhos, que tantas vezes a acompanharam nessa tarefa. \u201cAgora, se precisa de \u00e1gua, \u00e9 s\u00f3 ir e retir\u00e1-la em sua pr\u00f3pria casa\u201d, comemorou esta camponesa que, contou \u00e0 IPS, agora usa o tempo que tem livre para fazer p\u00e3o, limpar a casa e cuidar dos netos.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o era construir cisternas para colher e armazenar \u00e1gua de chuva, mas os camponeses n\u00e3o tinham recursos nem tecnologia para implantar esse sistema. Atualmente, unidos em associa\u00e7\u00f5es de moradores, recebem esses recursos por meio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no contexto do Programa de Pequenas Doa\u00e7\u00f5es (PPD), vinculado ao Fundo para o Meio Ambiente Mundial.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 executado localmente com assessoria t\u00e9cnica do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (Inti), para capacita\u00e7\u00e3o com vistas \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0higiene da \u00e1gua armazenada.\u201cEsse projeto soluciona um problema local muito grave, que \u00e9 a escassez de \u00e1gua na regi\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 aproveitar os momentos de chuva para coletar e armazenar \u00e1gua para os momentos de escassez h\u00eddrica\u201d, explicouMar\u00eda Eugenia Combi, do PPD.<\/p>\n<p>Um primeiro programa na \u00e1rea foi executado entre 2013 e 2015, quando foram constru\u00eddas cinco cisternas comunit\u00e1rias que beneficiaram 38 fam\u00edlias. Um segundo projeto come\u00e7ou em mar\u00e7o deste ano, para constru\u00e7\u00e3o de outras cinco cisternas comunit\u00e1rias atendendo outras 30 fam\u00edlias.<\/p>\n<div id=\"attachment_208556\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-208556\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/campones.jpg\" alt=\"O campon\u00eas Juann Ram\u00f3n Espinoza, ao lado de uma rec\u00e9m-constru\u00edda cisterna comunit\u00e1ria para recolher \u00e1gua de chuva, que permitir\u00e1 a um grupo de fam\u00edlias mitigar as recorrentes secas em Corzuela, uma localidade rural da prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina. O tanque subterr\u00e2neo foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao Programa de Pequenas Doa\u00e7\u00f5es. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/campones.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/campones-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O campon\u00eas Juann Ram\u00f3n Espinoza, ao lado de uma rec\u00e9m-constru\u00edda cisterna comunit\u00e1ria para recolher \u00e1gua de chuva, que permitir\u00e1 a um grupo de fam\u00edlias mitigar as recorrentes secas em Corzuela, uma localidade rural da prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina. O tanque subterr\u00e2neo foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao Programa de Pequenas Doa\u00e7\u00f5es. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A tecnologia \u00e9 simples e de baixo custo. S\u00e3o adaptados os tetos dos \u201cranchos\u201d (moradias rurais prec\u00e1rias) e constru\u00eddas canaletas que levam a \u00e1gua at\u00e9 as cisternas familiares, com capacidade de at\u00e9 16 mil litros, ou comunit\u00e1rias, que podem armazenar at\u00e9 52 mil litros. \u201cUma vez que os benefici\u00e1rios se capacitam na constru\u00e7\u00e3o das cisternas, estas podem ser replicadas em cada casa\u201d, pontuouMar\u00eda Eugenia.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, nesta regi\u00e3o, a principal fonte de fornecimento de \u00e1gua para consumo humano ou produtivo (pecu\u00e1ria e pequenas hortas) \u00e9 o recurso subterr\u00e2neo de alguns po\u00e7os familiares. Mas, como explicou \u00e0 IPS a assessora t\u00e9cnica do programa, Gabriela Faggi, do Inta, al\u00e9m da seca que causa a redu\u00e7\u00e3o das camadas de \u00e1gua, muitos po\u00e7os t\u00eam alto conte\u00fado de sais e at\u00e9 ars\u00eanicos, e, em casos extremos, n\u00e3o podem ser usados nem como bebedouros de animais ou irriga\u00e7\u00e3o de hortas, agravando os problemas alimentares da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, a disponibilidade de \u00e1gua o ano todo contribui para aliviar esse problema. \u201cAntes trazia \u00e1gua do po\u00e7o p\u00fablico. Meu marido ia com um cavalinho e um tacho em cima e trazia \u00e1gua para o dep\u00f3sito daqui. Mas outras vezes t\u00ednhamos que comprar e em certas ocasi\u00f5es at\u00e9 deixei de comprar carne para pagar a \u00e1gua\u201d, recordou Olga Ram\u00edrez, tamb\u00e9m moradora de Corzuela.<\/p>\n<p>Esses camponeses vivem da agricultura de subsist\u00eancia plantando cultivos tradicionais como batata, batata-doce, mandioca, ab\u00f3bora e milho, e com uma pequena pecu\u00e1ria ou granjas.\u201c\u00c9 uma ajuda grande para os animais. Utilizamos a \u00e1gua de chuva guardada para lavar, fazer mate, cozinhar, para os frangos, os animais, para a horta, para tudo\u201d, disse Ram\u00edrez.<\/p>\n<p>Para J\u00e9sica Garau, estudante de magist\u00e9rio e m\u00e3e de um beb\u00ea, esse \u00e9 um uso da \u00e1gua que, diante do panorama anterior, \u00e9 \u201cum esbanjamento\u201d. \u201cAgora que temos a cisterna, podemos at\u00e9 esbanjar \u00e1gua. A usamos para fazer nossa horta. Antes s\u00f3 dava para beber e se banhar. J\u00e1 n\u00e3o temos a preocupa\u00e7\u00e3o de deixar de comer algo para comprar algo\u201d, apontou.<\/p>\n<p>O PPD, implantado em 120 pa\u00edses, nasceu em 1992 como uma forma de demonstrar que pequenas iniciativas comunit\u00e1rias podem ter um impacto positivo em problemas ambientais globais. Os projetos t\u00eam um teto de financiamento de US$ 50 mil. \u201cO que buscamos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es locais de impacto global. Isto \u00e9, pequenas solu\u00e7\u00f5es para problemas ambientais mundiais, como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, explicou \u00e0 IPS o coordenador do programa na Argentina, Francisco Lopez Sastre.<\/p>\n<p>Para os especialistas do PPD, a atividade hort\u00edcola, que complementa o programa das cisternas, \u201cpromover\u00e1 o consumo de verduras e frutas, que \u00e9 muito baixo entre as fam\u00edlias por ser de alto custo econ\u00f4mico\u201d. Dessa maneira, acrescentam, \u201cpode-se melhorar a economia dom\u00e9stica e a incorpora\u00e7\u00e3o de alimentos s\u00e3os, que redundar\u00e1 em melhor sa\u00fade e soberania alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, o PPD desenvolve outros 13 projetos no Chaco,para os quais foram disponibilizados US$ 537 mil em doa\u00e7\u00f5es. Dois deles est\u00e3o vinculados ao abastecimento de \u00e1gua para consumo humano em comunidades rurais, complementado com hortas agroecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>A prov\u00edncia, com um milh\u00e3o de habitantes, tem o maior \u00edndice de pobreza do pa\u00eds, segundo estudos independentes. No Chaco, mais de 57% das pessoas vivem em pobreza e destes 17% na indig\u00eancia. Faz parte da segunda regi\u00e3o com mais habitantes de povos origin\u00e1rios argentinos, e onde a densidade populacional \u00e9 de 10,6 habitantes por quil\u00f4metro quadrado, inferior \u00e0 m\u00e9dia nacional de 14,4 pessoas por quil\u00f4metro quadrado, em um pa\u00eds de 43 milh\u00f5es de habitantes. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequenas iniciativas comunit&aacute;rias podem ter um impacto positivo em problemas ambientais globais. 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