{"id":2080,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2080"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"sri-lanka-recrudesce-a-crise-humanitria-em-jaffna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/sri-lanka-recrudesce-a-crise-humanitria-em-jaffna\/","title":{"rendered":"Sri Lanka: Recrudesce a crise humanit&aacute;ria em Jaffna"},"content":{"rendered":"<p>Colombo, 08\/10\/2006 &ndash; A popula&ccedil;&atilde;o na pen&iacute;nsula de Jaffna, reduto da etnia tamil sofre escassez de alimentos e rem&eacute;dios e cortes de eletricidade h&aacute; duas semanas, por causa dos combates entre a insurg&ecirc;ncia e o ex&eacute;rcito de Sri Lanka, segundo organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias. <!--more--> \u201cOs volunt&aacute;rios n&atilde;o podem entrar nas zonas afetadas pelo conflito, por isso h&aacute; pouco alimento e outros elementos de primeira necessidade para os refugiados. Tampouco temos garantias de seguran&ccedil;a para trabalhar\u201d, disse &agrave; IPS Peter Krakolinig, subdiretor do Comit&ecirc; da Cruz Vermelha Internacional no Sri Lanka. As amea&ccedil;as e ataques contra as organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias pioraram a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A menos que o governo e os Tigres para a Liberta&ccedil;&atilde;o da P&aacute;tria Tamil (LTTE) ponham de fato fim aos enfrentamentos, a popula&ccedil;&atilde;o civil pagar&aacute; um pre&ccedil;o elevado e inaceit&aacute;vel, disse Sam Safriti, diretor de pesquisa para a &Aacute;sia da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch (HRW). Meio milh&atilde;o de moradores de Jaffna carecem de alimentos e t&ecirc;m negado acesso a zonas seguras, disse a ONG, que pediu a cria&ccedil;&atilde;o de uma miss&atilde;o de controle da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para registrar viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos.<\/p>\n<p>Um trabalhador da Cruz Vermelha morreu ap&oacute;s receber, na segunda-feira, v&aacute;rios disparos feitos por homens n&atilde;o identificados na cidade de Vavuniya, aumentando para 18 o n&uacute;mero de empregados de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias assassinados este m&ecirc;s no Sri Lanka. Os outros 17 foram mortos no come&ccedil;o do m&ecirc;s na cidade de Muttur, que ficaram em meio aos combates entre o ex&eacute;rcito e os Tigres. Os trabalhadores da Cruz Vermelha em Jaffna e Muttur disseram n&atilde;o estarem certos da identidade dos respons&aacute;veis pelos &uacute;ltimos assassinatos, e garantiram que continuam trabalhando da mesma maneira. De todo modo, pediram ao governo e aos Tigres que os deixem operar nas zonas de perigo.<\/p>\n<p>Na quarta-feira partiu do porto de Colombo um navio da Cruz Vermelha rumo a Jaffna com 1.500 toneladas de alimentos e medicamentos fornecidos pelo governo do Sri Lanka e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU. \u201cO navio transportava suprimentos de primeira necessidade para os refugiados e moradores da pen&iacute;nsula\u201d, informou Toon Vandenhove, da Cruz Vermelha. Os grupos em luta garantiram a seguran&ccedil;a da embarca&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Cerca de 8% dos 20 milh&otilde;es de habitantes do Sri Lanka pertencem &agrave; etnia tamil e vivem na cidade de Jaffna e na regi&atilde;o oriental da ilha. Em todo o pa&iacute;s, a minoria tamil, procedente do sul da &Iacute;ndia, representa 18% do total da popula&ccedil;&atilde;o e pratica o hindu&iacute;smo. Os restantes 73% est&atilde;o compostos por pessoas da etnia cingalesa cuja maioria &eacute; budista. Desde que os atuais enfrentamentos come&ccedil;aram, h&aacute; 15 dias, a pen&iacute;nsula ficou isolada por terra e mar, deixando em s&eacute;rias dificuldades a popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; afetada pelo prolongado conflito. \u201cA Cruz Vermelha espera que a chegada dos volunt&aacute;rios a Jaffna seja mais regular nas pr&oacute;ximas semanas, caso continue a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o atual no terreno\u201d, disse Vandenhove. A organiza&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m um escrit&oacute;rio na pen&iacute;nsula com 46 empregados.<\/p>\n<p>Os Tigres tamb&eacute;m garantiram a seguran&ccedil;a das embarca&ccedil;&otilde;es enviadas a Jaffna, reduto da minoria tamil, para retirar os socorristas locais e estrangeiros presos em meio aos combates, incluindo os integrantes da miss&atilde;o de paz dos pa&iacute;ses n&oacute;rdicos que supervisiona a tr&eacute;gua de fevereiro de 2002. O Sri Lanka vive uma escalada de viol&ecirc;ncia desde dezembro, apesar da vig&ecirc;ncia do cessar-fogo. Calcula-se que cerca de 800 pessoas morreram nas &uacute;ltimas duas semanas por causa dos combates entre as for&ccedil;as governamentais e os Tigres.<\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o civil &eacute; a mais afetada. At&eacute; esta semana h&aacute; 174 mil refugiados por causa dos confrontos, segundo o escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (Acnur) em Colombo. A maioria vive em 42 abrigos tempor&aacute;rios distribu&iacute;dos em seis distritos do norte e leste do pa&iacute;s, onde os choques recrudesceram desde o in&iacute;cio do m&ecirc;s. A situa&ccedil;&atilde;o piorou por causa dos problemas de seguran&ccedil;a e pela dificuldade dos socorristas, locais e estrangeiros, para chegar at&eacute; aos refugiados.<\/p>\n<p>A viol&ecirc;ncia atual colocou seriamente em risco o cessar-fogo, promovido pela Noruega, porque os representantes da miss&atilde;o de paz tiveram de ser resgatados das zonas em conflito por falta de seguran&ccedil;a. A tr&eacute;gua p&ocirc;s um fim tempor&aacute;rio aos combates entre as for&ccedil;as do governo e os Tigres, que deixaram mais de 65 mil mortos, desde o come&ccedil;o dos anos 80. As principais rotas que ligam as zonas controladas pelo governo e as que est&atilde;o sob supervis&atilde;o dos Tigres ficaram fechadas por v&aacute;rios dias na semana passada, s&oacute; reabrindo esporadicamente.<\/p>\n<p>O toque de recolher decretado em Jaffna e os cortes de energia provocados pelo conflito acarretam s&eacute;rias conseq&uuml;&ecirc;ncias. As reservas est&atilde;o acabando e o combust&iacute;vel e os v&iacute;veres do escrit&oacute;rio da miss&atilde;o norueguesa na pen&iacute;nsula s&oacute; duram uma semana. O toque de recolher vigora durante todo o dia desde o in&iacute;cio dos combates, com exce&ccedil;&atilde;o de algumas horas em determinados dias, e &eacute; muito dif&iacute;cil para a popula&ccedil;&atilde;o conseguir alimentos e sair das zonas de conflito, disse Ulf Henricsson, diretor da miss&atilde;o. V&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias que trabalham na regi&atilde;o alertam que os moradores dos acampamentos de refugiados est&atilde;o em p&eacute;ssima situa&ccedil;&atilde;o e, a menos que os combates acabem logo, a situa&ccedil;&atilde;o dos civis vai piorar.<\/p>\n<p>O conflito tamb&eacute;m obrigou milhares de pessoas a buscar refugio na &Iacute;ndia. Entre janeiro e agosto, cerca de 7,5 mil fugiram para esse pa&iacute;s, informou V. Visvalingam, funcion&aacute;rio do distrito de Mannar, de onde partem os refugiados, segundo dados oficiais. Mas a quantidade de pessoas que fugiram dos combates pode ser maior, pois muitos o fizeram clandestinamente depois das medidas adotadas pelo governo contra os navios que transportavam pessoas para o sul da &Iacute;ndia, afirmou o funcion&aacute;rio. Visvalingam tamb&eacute;m disse que alguns dos refugiados que fugiram nos &uacute;ltimos 15 dias s&atilde;o origin&aacute;rios do leste do pais e que as pessoas que acabam de chegar ao porto de Trincomalee, outro reduto dos Tigres, tamb&eacute;m come&ccedil;aram a fugir para a &Iacute;ndia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colombo, 08\/10\/2006 &ndash; A popula&ccedil;&atilde;o na pen&iacute;nsula de Jaffna, reduto da etnia tamil sofre escassez de alimentos e rem&eacute;dios e cortes de eletricidade h&aacute; duas semanas, por causa dos combates entre a insurg&ecirc;ncia e o ex&eacute;rcito de Sri Lanka, segundo organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/sri-lanka-recrudesce-a-crise-humanitria-em-jaffna\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17],"class_list":["post-2080","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}